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domingo, agosto 08, 2010

Meu bar, meu lar - a história do Souq Pub, o melhor point árabe que essa cidade já teve



Então, eu falei desse lugar muitas vezes nesse blog. O Souq Pub era o ponto de encontro do povo que ama cultura árabe em Porto Alegre, uma casa gostosa e aconchegante na Ramiro Barcelos, onde nos reuníamos para fumar shisha, tomar cerveja, comer petiscos árabes, dançar, conversar e fazer planos mirabolantes.
Mas o lugar fechou. O Rafa foi com a Anisah para o Oriente Médio e hoje em dia a casa está para alugar.
É sempre chato quando um lugar legal fecha em Porto Alegre, que é tão carente de lugares legais para gente de gosto fora do comum. Mas com o Souq a coisa foi um pouco mais séria. Não é todo dia que o dono do bar é seu chapa - não, ele não apenas te conhece do balcão e do caixa, ele tem os mesmos interesses, os mesmos gostos, viajou para os lugares que você gostaria de conhecer e trouxe as coisas que decoram aquele espaço tão gostoso.



O Rafa é um cara muito legal e todos sentimos saudade dele. E da Anisah (Vanessa, pros da casa), que além de uma bailarina deliciosa é um amor de pessoas. Uma menina querida de Pelotas, inteligente, espirituosa, geminiana, amiga e divertida. Um doce de coco que PoA perdeu para condições melhores de trabalho.
Além de frequentar o bar, por um bom tempo eu fiz aulas de dança com a Daiane Ribeiro lá, às tardes. Depois era só descer, pedir uma shisha, tomar uma cervejinha, botar as fofocas em dia.


DAIANE RIBEIRO:Muito mais que mestra e uma das melhores raqsas que já conheci, amiga de todas as horas. Que me entende como só podem as geminianas...

Nunca antes e nunca depois eu me senti tão bem num estabelecimento comercial (ok, comercial era quase modo de dizer...), tão à vontade. Não me preocupava em me produzir, não me preocupava com a conta (se gastasse mais do que tinha no bolso, acertava com o Rafa na vez seguinte - era um pacto de confiança,ele nunca fez cara feia, eu jamais deixei de pagar), não me preocupava se as pessoas com quem eu marquei já tinham chegado ou não. Porque o Souq era um bar onde eu nunca ficava sozinha. Ainda que o nosso impagável Celso (o melhor preparador de shisha ever),o Rafa ou a Anisah não estivessem ou estivessem muito ocupados, eu podia simplesmente ficar num canto sozinha e curtir a trilha árabe (sempre excelente, graças ao bom gosto do Rafa).O Souq tinha um clima assim tão legal que uma mulher podia frequentá-lo tranquilamente sozinha, sem a possibilidade de ser importunada por algum bêbado ou coisa do tipo. Saudade grande da luz colorida naquelas paredes...



Outra coisa muito legal era a quantidade grande de eventos relacionados à musica e à dança. (Incrivelmente, tivemos shows internacionais espetaculares para quarenta pessoas... Porto Alegre é um ovo que gosta e faz tudo para permanecer isso mesmo: um ovo.)
Além disso, jamais haverá um lugar para as loucas dançarem com tanto conforto e liberdade. Instalações decentes para nos trocarmos,liberdade para fazer festas dançantes, para conferir CDs e DVDs que levávamos em reuniões de bailarinas. Uma quantidade boa (incrivelmente boa, em termos locais) de gente junta que respeitava e amava a arte.


Cartaz de um dos eventos, estrelado pela bela Anisah.

Foram tantas reuniozinhas para planejar shows (muitos que jamais se realizaram), trocar material, ver gente dançar/tocar, botar o papo em dia. As impagáveis festas de aniversário. Sou uma nostálgica irrecuperável, poderia escrever horas.


Meu aniver de 2009 - em azul, Zahira-Fernanda,grande dançarina e amiga baladi desse coraçãozinho baladi.

Amigo Grifo tem a teoria que o Souq era tão bom porque, mais do que estabelecimento comercial, era um lugar para reunir gente com interesses afins. E que por essas mesmas características acabou se tornando inviável financeiramente. Pode ser. Eu mal e mal consigo que me consolar com a idéia de que foi melhor desaparecer assim do que decair um dia.
No Souq, eu fortaleci a amizade com a Daiane e com a Zahira (Fer, pros de casa). Eu conheci o Tuerlinckx, primeiro como professor, depois como o amigo insubstituível que se tornou, pessoa de essencial importância na minha vida. E também o pessoal da casa (Rafa,Anisah e Celso), claro, o Gabriel (que fazia aula de derbake também,com o Rafa),o Grifo.


FABIANO TUERLINCKX:percussionista excepcional, professor e um dos amigos mais doces e generosos que o mundo me deu. Indispensável e insubstituível.

Dentro daquela casa eu ri, argumentei, falei bobagem, dancei, cantei, beijei, chorei, abracei muita gente por variados motivos. Foi um lugar que concentrou uma camada de emoções bem intensas para mim. O bar fechou, mas, enquanto eu estiver viva, sempre terá uma luzinha verde acesa em alguma fachada da minha memória.

sábado, fevereiro 06, 2010

Coisas que simplesmente não funcionam

Eu amo essa cidade, todo mundo sabe. Mas aqui acontecem coisas inacreditáveis, que irritam muito meu laivo de personalidade capricorniana, determinada pelo meu Saturno.
Eu preciso que as coisas funcionem como devem funcionar, mas às vezes...

Ontem, pressionada pelo calor muito intenso na cidade (não preciso dar detalhes, vocês vêem noticiário, né?) fui ao Shopping (é mais Centro Comercial, mas deixa para lá) João Pessoa (que é pertíssimo de casa), comer alguma coisa sob ar condicionado. A recepção gelada no térreo foi muito reconfortante. O estranho era sentir que, conforme íamos subindo, a temperatura aumentava. Foi chocante chegar no terceiro andar (onde funciona a praça de alimentação!) e constatar que o ar condicionado estava simplesmente desligado! Só uma ventilaçãozinha muito furreca funcionava, as pessoas suavam nas mesas... E nós suamos muito também, enquanto decidíamos para que outro shopping iríamos para comer...

Resumindo a ópera, pegamos um ônibus (um T5, também com ar condicionado desligado...) e fomos para o Shopping Praia de Belas. Lá, pelo menos, tudo funcionava no prédio inteiro. Comemos e fomos dar uma volta. Estou querendo comprar um livro para o mestrado. Resolvi dar um pulo na Saraiva Mega Store para ver o preço.
Chegando lá, testei três leitores de código de barras, mas todos estavam desconectados. Procurei uma funcionária e pedi que ela visse o preço para mim. Ela estava do lado do terminal, mas me mandou até o setor de serviços. Cheguei lá e os dois funcionários estavam ocupados e cumprindo morosamente suas funções. Até que a mesma funcionária que me mandou para lá veio atender no balcão de serviço. Estendi meu livro para ela, mas um casal, que chegou depois de mim no balcão, simplesmente deu a volta por trás de mim e passou seus oito livros primeiro! E ela nem aí!
Até que o outro funcionário ficou livre. Pedi o preço para ele e ele saiu do balcão para ver. Voltou do fundo da loja e disse: "Aquele último leitor lá no fundo da loja (leia-se, lá na PQP) está funcionando..." e me disse o preço do livro. Resumindo: veja você mesma (procure você mesma por todas as leitoras da loja gigante) e não ocupe meu tempo...
O preço era o mesmo da livraria Cultura, onde o atendimento é reconhecidamente superior. Mas a real é que não compraria o livro lá nem que estivesse por um terço do preço. Aliás, duvido que entre na loja outra vez.