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quinta-feira, fevereiro 17, 2011

terça-feira, janeiro 25, 2011

Amigos e um canto todo meu

Amados. Escrevo do meu quarto, do meu computador. A conexão ainda é roubada, mas esse post não podia esperar mais.

Estou totalmente enamorada da minha casa nova, onde tudo está, dentro de meus poucos recursos, arrumado como eu gosto. Meus ursos de pelúcia, cinco anos depois, estão limpos e sobre minha cama novamente - sim, tenho quase 40 e ursos de pelucia, e dai?, todos presentes tardios. Minhas roupas todas, o que me restou de acessórios de dança, meus cristais. Estão todos perto de mim e eu sei exatamente aonde. Essa casa tem janelas amplas, entra luz o dia todo. E é no nono andar - eu sempre quis morar no alto.
Sei que para a maior parte das pessoas normais, tudo isso é banal. Para mim, não. Por motivos que não cabem aqui, esperei muitos, muitos anos por isso. MUITOS.

Estou realizando sonhos. Tenho lugar para estudar, trabalhar e o que vier.
Tenho uma casa para esperar o cumprimento do meu destino.


Sábado recebi amigos muito queridos: Carlinha e seu doce Brilha, Fernanda Zahira. Todo mundo cachaceiro de dança como eu gosto. Fiz kibe assado e mjadra. Comemos, conversamos até altas. Delicia.
Dia seguinte eu e Fer fomos encontrar e matar saudades do nosso querido Rafa "Souq" e sua Vanessa, a bela desencanada (Gêmeos em Gêmeos, né? Pudera). Ficamos até tarde também e foi muito divertido.
Hoje mais um grupo de amigos, recebidos a pão integral, bolinho de milho, rocambole e muito chá cigano.
Meu coraçào de lua em casa 4 está pleno.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Fim de Ciclo

Hoje terminei minha última aula do Mestrado. Agora é preparar a qualificação, depois a dissertação. Uma pausa na vida de gitana viajando toda semana. Ufa!
Consegui passar na disciplina de Estética da Recepção (não com a nota que eu queria, mas enfim), entreguei toda a papelada da CAPES, acho que fica tudo tranquilo para a bolsa no ano que vem.
Acabo de me despedir de alguns de meus melhores amigos daqui e agora estou no ônibus de volta pra casa. Apesar do pouco tempo, consegui fazer algumas amizades bem profundas e especiais. Gente é surpresa boa em todo lugar.

Minha mudança pra Novo Hamburgo tá meio enrolada, mas acho que essa semana sai. Tive que mudar os planos de apartamento, vou pra um que é um pouco menor, mas mais perto da rodoviária. Acho que tudo ficará bem, também.

Domingo fui à confraternização cigana da Casa Z e tivemos todos uma surpresa. O Luis tinha preparado uma cerimônia tradicional de casamento para a Sayo, foi a primeira vez que estive num casamento onde a noiva - e dois terços dos convidados - não sabia que ia casar. Foi uma das celebrações mais belas que já presenciei na minha vida, sem dúvida.

Daqui a pouco comecam as retrospectivas de final de ano. 2010 foi um ano exepcional. E tudo indica que 2011 será ainda melhor - ano de Oxum!

sexta-feira, outubro 01, 2010

Paz para todos nós

Bom dia, povo da minha internet!

Um videozinho de música boa, para varrer todo baixo astral e negatividade de todo canto!

É,depois eu soube que esse vídeo causou polêmica no Egito, por ser lido como uma chamada à intervenção do profeta e de Allah na questão do Oriente Médio. Enfim. Eu, particularmente, espero que Ele intervenha mesmo, não só nesta questão, como em todas as outras de cada uma de nossas vidas, não de acordo com o que nós julgamos certo, mas com uma sabedoria superior.

Agora, amigo leitor, tenho que te dizer: independente do conteúdo religioso e da sua posição sobre política internacional: se você ouvir essa canção doce, essa voz deliciosa, esse ritmo tão bom e sentir alguma coisa além de alegria e paz de espírito... ah, você tem probleminha.:)

Muita luz e paz de espírito para todos nós!

quinta-feira, setembro 02, 2010

Dançando o que não se dança

Tem umas pessoas que dizem que não se dança música com samai, mas eu resolvi só respeitar minhas próprias regras.
Infelizmente, não tive como avaliar minha expressão aqui. Consegui melhorar várias coisas que me incomodavam, mas ainda detecto algumas que não tinha visto antes. Perfeito nunca vai estar, né? Mas acho que foi uma das melhores relações estudo-benefício este ano.
E se preparem, ainda vou dançar muita coisa que não se dança até o final do ano. Divirtam-se. (E podem descer os cachorros à vontade. Elegância é desejável.)

domingo, agosto 08, 2010

Meu bar, meu lar - a história do Souq Pub, o melhor point árabe que essa cidade já teve



Então, eu falei desse lugar muitas vezes nesse blog. O Souq Pub era o ponto de encontro do povo que ama cultura árabe em Porto Alegre, uma casa gostosa e aconchegante na Ramiro Barcelos, onde nos reuníamos para fumar shisha, tomar cerveja, comer petiscos árabes, dançar, conversar e fazer planos mirabolantes.
Mas o lugar fechou. O Rafa foi com a Anisah para o Oriente Médio e hoje em dia a casa está para alugar.
É sempre chato quando um lugar legal fecha em Porto Alegre, que é tão carente de lugares legais para gente de gosto fora do comum. Mas com o Souq a coisa foi um pouco mais séria. Não é todo dia que o dono do bar é seu chapa - não, ele não apenas te conhece do balcão e do caixa, ele tem os mesmos interesses, os mesmos gostos, viajou para os lugares que você gostaria de conhecer e trouxe as coisas que decoram aquele espaço tão gostoso.



O Rafa é um cara muito legal e todos sentimos saudade dele. E da Anisah (Vanessa, pros da casa), que além de uma bailarina deliciosa é um amor de pessoas. Uma menina querida de Pelotas, inteligente, espirituosa, geminiana, amiga e divertida. Um doce de coco que PoA perdeu para condições melhores de trabalho.
Além de frequentar o bar, por um bom tempo eu fiz aulas de dança com a Daiane Ribeiro lá, às tardes. Depois era só descer, pedir uma shisha, tomar uma cervejinha, botar as fofocas em dia.


DAIANE RIBEIRO:Muito mais que mestra e uma das melhores raqsas que já conheci, amiga de todas as horas. Que me entende como só podem as geminianas...

Nunca antes e nunca depois eu me senti tão bem num estabelecimento comercial (ok, comercial era quase modo de dizer...), tão à vontade. Não me preocupava em me produzir, não me preocupava com a conta (se gastasse mais do que tinha no bolso, acertava com o Rafa na vez seguinte - era um pacto de confiança,ele nunca fez cara feia, eu jamais deixei de pagar), não me preocupava se as pessoas com quem eu marquei já tinham chegado ou não. Porque o Souq era um bar onde eu nunca ficava sozinha. Ainda que o nosso impagável Celso (o melhor preparador de shisha ever),o Rafa ou a Anisah não estivessem ou estivessem muito ocupados, eu podia simplesmente ficar num canto sozinha e curtir a trilha árabe (sempre excelente, graças ao bom gosto do Rafa).O Souq tinha um clima assim tão legal que uma mulher podia frequentá-lo tranquilamente sozinha, sem a possibilidade de ser importunada por algum bêbado ou coisa do tipo. Saudade grande da luz colorida naquelas paredes...



Outra coisa muito legal era a quantidade grande de eventos relacionados à musica e à dança. (Incrivelmente, tivemos shows internacionais espetaculares para quarenta pessoas... Porto Alegre é um ovo que gosta e faz tudo para permanecer isso mesmo: um ovo.)
Além disso, jamais haverá um lugar para as loucas dançarem com tanto conforto e liberdade. Instalações decentes para nos trocarmos,liberdade para fazer festas dançantes, para conferir CDs e DVDs que levávamos em reuniões de bailarinas. Uma quantidade boa (incrivelmente boa, em termos locais) de gente junta que respeitava e amava a arte.


Cartaz de um dos eventos, estrelado pela bela Anisah.

Foram tantas reuniozinhas para planejar shows (muitos que jamais se realizaram), trocar material, ver gente dançar/tocar, botar o papo em dia. As impagáveis festas de aniversário. Sou uma nostálgica irrecuperável, poderia escrever horas.


Meu aniver de 2009 - em azul, Zahira-Fernanda,grande dançarina e amiga baladi desse coraçãozinho baladi.

Amigo Grifo tem a teoria que o Souq era tão bom porque, mais do que estabelecimento comercial, era um lugar para reunir gente com interesses afins. E que por essas mesmas características acabou se tornando inviável financeiramente. Pode ser. Eu mal e mal consigo que me consolar com a idéia de que foi melhor desaparecer assim do que decair um dia.
No Souq, eu fortaleci a amizade com a Daiane e com a Zahira (Fer, pros de casa). Eu conheci o Tuerlinckx, primeiro como professor, depois como o amigo insubstituível que se tornou, pessoa de essencial importância na minha vida. E também o pessoal da casa (Rafa,Anisah e Celso), claro, o Gabriel (que fazia aula de derbake também,com o Rafa),o Grifo.


FABIANO TUERLINCKX:percussionista excepcional, professor e um dos amigos mais doces e generosos que o mundo me deu. Indispensável e insubstituível.

Dentro daquela casa eu ri, argumentei, falei bobagem, dancei, cantei, beijei, chorei, abracei muita gente por variados motivos. Foi um lugar que concentrou uma camada de emoções bem intensas para mim. O bar fechou, mas, enquanto eu estiver viva, sempre terá uma luzinha verde acesa em alguma fachada da minha memória.

terça-feira, agosto 03, 2010

Do mais santo dos remédios: o tempo

(Coisa que eu mais amo é quando essa merda dá pau e eu perco o post inteiro como há segundos. Ok, vamo lá de novo.)

Quem me conhece bem, sabe que não vivo sem os meus amigos. Sei que consigo suportar qualquer coisa com eles por perto, o resto eu não sei. Depois de velha admiti para mim mesma que meus amigos tem importância maior na minha vida que meus amores - salvo os raros casos em que os amores se tornaram amigos.
Sendo assim, adoro fazer amigos novos e reencontrar amigos. E se tem algo que me chateia, mas me chateia muito, é perder um amigo. (Até aprendi a administrar a situação com a idade, mas gostar também não é o caso.)

Pois que hoje foi um dia deveras supimpa, porque eu fiz uma coisa que realmente me dá muito prazer: recuperei um amigo.
Perdi a amizade do moço em questão porque esta se desenvolveu em conjunto a uma paixão mal-resolvida dos diabos. Como temos em comum a impulsividade e a passionalidade, deu uma merda bonita de se ver. Explodimos em gritos, lágrimas e ranger de dentes. Mexicano.
Enfim, o tempo passou e a paixão com ela. Mas a saudade do amigo com quem tenho grande afinidade e com quem me divirto muito permaneceu. Foi bom descobrir que, de alguma maneira, a recíproca era verdadeira. (Eu jurava que o moço ainda rosnava à menor menção do meu nome, quando na verdade éramos dois a nos espiar furtivamente na Internet.) Enfim, foi um troço bem bacana.

Essa transição de paixão pra amizade é uma coisa que traz inúmeras vantagens. Tipo como ser tia, que só pega os melhores flashes da maternidade.
Marido (namorado/amante/whatever) eu só posso ter um por vez (e estou muito satisfeita com o meu, obrigada), amigos eu posso ter todos ao mesmo tempo agora!
Amizade não tem ciúme, não tem jogo, só levanta sua auto-estima. E a parte que eu mais gosto: havendo caráter dos dois lados, a tendência é que dure para sempre! (Que o digam meus amigos do Pleistoceno!)
Tá, não vou negar que uma amizade que tem um histórico romântico gera um tipo de afeto especial. Como costuma dizer meu primeiro grande amor (e um dos meus melhores amigos para todo sempre, arigatô Kami-sama!): "sempre teremos Paris". Mas é o tipo de diferencial que se dissipa com o tempo e não traz nenhum ônus nem risco. Acho que até pelo contrário: economiza muitas explicações.

Aproveito a oportunidade para ser piegas: meus grandes amigos espalhados por esse mundo, de todas as épocas, sejam os que nasceram meus irmãos ou os que se tornaram - amo MUITO LOUCAMENTE todos vocês! Cada um de vocês, a seu modo, é essencial na minha vida.
Ao moço em questão, caso ele leia este post: OKAERI NASAI! (Bem vindinho de volta, em japonês.^__^)

quinta-feira, julho 29, 2010

Férias - 2a. parte e outras cositas

Ainda são muitos os posts para colocar em dia, mas, enfim, a vida.
Depois do afofamento descrito, veio mais afofamento. Na sexta,fizemos a boa e velha "reuniãozinha do povo da ECA". Como estamos todos ficando muito velhos e comprometidos, apenas quatro compareceram: eu, Rê, Sabin e o grande Mestre, que nos "anfitriou". Fiz um jantarzinho, foi gostoso. O jeito como todos os meninos babaram no Rodriguinho (o filho do Mestre e da Rita, que não pode comparecer porque estava trabalhando) deixou explícita nossa idade provecta... hehe

Tirei pouquissimas fotos nessa viagem, porque não estava com câmera e a qualidade do celular é aquela coisa. Mas alguns registros tive que fazer, como da sobrinha mais linda do mundo (mesmo sem maquiagem, nem chapinha, nem glamoursh) e do fofo do cunhado dela.(Sim, eu tenho uma sobrinha casada. Daqui a pouco eu pisco e sou TIA-AVÓ. Ui.)






No sabadão fui pro Rio, para o casamento da Clara e do Fábio - que hoje são nossos amigos, mas tudo começou com uma amizade entre Clara e Maridón sobre uns assuntos alemães que tento traduzir até hoje.^_^
Peguei um lindo congestionamento de 4h na Dutra, por causa de uma carreta virada (vida de cigano é fogo, viu!) e fui direto afofar a amiga angolana Humberta.
Não tirei fotos do casamento, nem as publicaria, porque acho que é coisa de cada um, mas deixo com vocês algumas fotos espetaculares da igreja no Méier, segundo marido, a única basílica mourisca da América Latina.






Depois voltei para Sampa, afofei mais o Rê, afofei mais a Flávia, peguei umas coisinhas na 25 de Março (o que é o auto-controle da pessoa para não levar TUDO o que estava a um terço do preço porto alegrense><), tive o tradicional jantar com Meiko...

TIRASHIZUSHI DO SUSHI GUEN

Encontrei mais uma pessoa bem especial cuja foto não vou postar aqui porque não brinco com gente séria.^^ Mas pense num cara que tá chegando nos quarenta e ficando cada dia mais japonês... rsrs

Então voltei pra terrinha sob chuva torrencial e o vôo que ia chegar às 21h35 chegou`1h da manhã... Coisas dessa terra de clima inclemente. Chegando aqui, aproveitei o tempo livre para afofos nas pessoas queridas daqui, incluindo o povo de Santa Maria.



Dessa vez não deu para ir até Brasília, destino final do meu primeiro avião. (Juro que pensei em me esconder no banheiro...) O que não quer dizer que não tenha pensado muito em Rô Salgueiro...




Aqui uma fotinho do encontro do grupo Masala, do qual sou uma extensão tieteira.





Termino o post com umas imagenzinhas ótimas que achei quando limpava o celular para escrever esse texto.:)

JO E SEU FERNANDO

AMO MUITO!!!

MAMÃE VERSÂO SIMONE DE BEAUVOIR

EU E MEIKO EM GRAMADO, HÁ MUITO TEMPO

(Sorry pela disposição tosca das imagens, mas estas coisas ficam a cada dia mais complicadas de editar no Blogger...)

terça-feira, junho 29, 2010

Sobre a festa de aniversário mais bacana da história

aqui.

Porque eu não queria escrever dois posts sobre o mesmo assunto.
Porque eu não consigo inserir vídeos nessa bagaça do meu computador.
E porque minhas amigas são as melhores.

segunda-feira, junho 07, 2010

Rápidas observações sobre astrologia e migo mesma

Entonces, comecei a pegar os mapas de uns amigos para fazer. Não tô numa de tirar uns trocos não, tenho consciência da minha condição de astróloga de meia-pataca. Faço só para eles pegarem o gosto e depois procurarem um astrólogo de verdade. Porque é uma delícia e relaxa. E porque é um meio muito legal de se conhecer.

O mais divertido é que marido entra na brincadeira, ele sabe mais do que eu (sobre o que raios nesse mundo ele não sabe mais do que eu?) e tem as bibliografias, fica me ajudando. Agora cismamos de fazer os mapas da família dele, a mãe mais os seis irmãos. Vai dar uma trabalheira insana, mas vai ser divertido. Fiz o da minha mãe ontem e fiquei de espinha gelada. Enfim.

Falando em auto-conhecimento, tô levando esse negócio a sério barbaridade, exatamente como minha primeira astróloga (saudosa Wanda, feliz esteja na dimensão que estiver!) disse que eu deveria fazer se quisesse que minha vida seguisse o rumo certo de alguma maneira. Sol na casa 1, quase todos os planetas nos dois primeiros quadrantes (do inconsciente). Essas coisas. Está sendo muito legal, pena que é impossível se aprofundar nesses lances num blog público.

Para terminar, hoje foi aniversário da amada Daiane Ribeiro e eu fui. Fui e dancei. Nenhuma das alunas quis dançar, mas eu ganhei uma cara de pau a toda prova e fui lá e dancei num restaurante cheio de gente que não era convidada e dane-se. Não, não tinha ensaiado, nem preparado. Nem mesmo estudado - não estudo música árabe há tempos. A música era do CD da Daiane, uma ghawazee com rababa que eu conhecia vagamente. Figurino - galabia e botas, roupa que eu uso pra sair normalmente. Cobertinha da cabeça aos pés. ^^ Minha única preparação foi passar o batom de novo e amarrar um lenço no quadril. Só.
Quer saber? Foi ótimo.
Se eu dancei bem? Não faço idéia, não vi o vídeo. Mas eu senti prazer dançando. Eu não estava envergonhada. Eu não me auto-critiquei. Eu não tive a sensação de estar fazendo o mesmo movimento por séculos. Eu não me acelerei. Eu simplesmente dancei porque sou livre para isso. E me sinto cada vez mais confortável dentro da minha pele. E devo repetir muitas vezes.
Feedback? Bom a profe não disse nem uma palavra, então não deve ter sido nenhum prodígio técnico. As amigas elogiaram, o que é relativamente normal. A dona libanesa do restaurante também elogiou, perguntou se eu era professora e tals. Claro que pode ser papo para conquistar simpatia de cliente, né? Eles são cultural e secularmente muito bons nisso. Ela disse que eu dançava como uma egípicia. E eu fiquei me perguntando se, vindo de uma libanesa, isso era realmente um elogio...rsrs
Quando e se vier o vídeo, eu posto no wordpress. Seja qual for o resultado, para mim foi um avanço.
E boa noite porque amanhã eu tenho um milhão de coisas pra fazer!

domingo, maio 23, 2010

Enquanto isso, no auditório do prédio de Letras...

A palestra era lida e sobre um assunto nada fundamental para nenhuma de nós. Quinze páginas lidas len-ta-men-te. O horário tardio. Jogo do Inter por começar. O tédio grassa.
Aí eu me saí com uma das soluções antitédio do tempo da USP: texto "surrealista". Escreve uma primeira frase esdrúxula, passa pro próximo do grupo e vai completando. Claro que os assuntos pessoais acabaram tomando conta e o negócio foi ficando cada vez menos surreal e cada vez mais voltado para os incômodos sobre a vida acadêmica e com a palestra.
Deu nisso aí. Um clássico da literatura de canto de caderno. Mas antes de você ler isso tudo, se é que você não é de nosso grupo e ainda se dispõe, é importante que você saiba:

1) Tínhamos todas acabado de ler uma versão em e-book de "O Rei de Havana" de Pedro Juan Gutierrez, onde há muita linguagem chula. Por um problema de digitalização, toda vez que aparecia a palavra "cu", vinha grafado "eu". Logo pegou a moda de mandar tomar no "eu" entre os alunos.
2) A palestra, sobre um ciclo de livros angolanos de Pepetela, abordava entre outras uma obra chamada "A Chana", que parece que é uma região de lá, enfim. Na minha terra, a palavra significa outra cousa.
3) O prof. X é o organizador desse ciclo interminável de palestras a que vamos obrigadas pelas normas da CAPES. Nem elas (as palestras), nem o professor, primam pela busca de assuntos relevantes para nossas pesquisas, nem pelo desenvolvimento agradável e jamais pelo senso de humor.
4) Estávamos em seis. Não revelo os nomes nem sob tortura. Não sei editar essa merda em cor, portanto vou usar negrito e itálico para diferenciar autorias, mas, claro, não significa que todas os trechos em negrito, por exemplo, sejam da mesma pessoa.

Então vai:

O padre se chocou com a porca imagem. A cruz caiu do céu vermelho. Eu estou sentada no banco traseiro do carro comendo amendoim. Vou tomar um porre de utopias. Ponto final escuro e branco. Uma árvore muito balançada fortalece as raízes. Sigo viagem até Tupanciretã, com medo do que posso encontrar. Mas finalmente vou conseguir comprar minha vaquinha verde! Estou com medo que a "Chana" tome forma humana e me engula. Tomou chá preto e se suicidou com bolachinhas rosa pink. Foi ler uma Havana povoada loca da Marcia. Tem que ser ninja! Já vou tarde porque acordei ontem e hoje estou dormindo! E se dormir vou sonhar com Reynaldo e sua poderosa pica de 22 cm. Que prometeu vir pro Brasil e virar "el rey de Santa". Que livro é esse que não li e que voz é essa que faz eco na minha cabeça oca. Uma narrativa bêbada. Só se eu colocar o copo de vinho na frente da TV para ver Édipo Rei. E dormir e esquecer do mundo, ô vontade! Subjetividade é eu assumir o relativo e o subjetivo e resolver dar o meu "eu" para o mundo. Dar o "eu" para o mundo é importante, pois feliz é quem dá com alegria. Jesus disse: "-Quem dá, RECEBE!" Cansada, cansada, meu "eu" usado assim sem dó nem piedade. Eu não quero falar de um "eu" que anda em desuso. Se o uso fosse mais usado o desuso valorizaria a casa de cãmbio. Não estou pensando nesse elo perdido porque a dor maior é não poder chorar quando não se quer ouvir bobagens. O fato é que a palestra sobre os umbundos e quimbundos deixa os pós-graduandos furibundos. E vou-me embora para Tupanciretã... Mas a saudade maior é da fronteira... E Rivera e seus perfumes me esperam. Vamos suprir as carências num impulso consumista, pois o inferno são os outros, e não há saída, muito menos para uma libriana sensível. Ou para uma geminiana confusa, que mantém seu cérebro transitando por todos os paraísos artificiais e infernos reais possíveis - qualquer deslocamento que permita alguma salvação da morte pelo tédio. Mas o maior tédio sde uma mestranda são as quintas-feiraas... loooongas quintas-feiras! Porque nesta vida tudo passa, até a uva passa, mas as tarefas de produtividade da CAPES não passam. Se estamos falando de simbólico simplesmente não saímos da superfície e superfície macia só a minha cama agora. Agora nem cama nem jogo do Inter; é esse o motivo da expressão de desalento do X.: o jogo está para iniciar e os compromissos acadêmicos o prendem numa sala morna e translúcida. Eu conhecia CHANA como apelido do órgão sexual feminino. Só podia ser coisa de uma doutora que foi aluna do Costa Lima e que tem a boca invertida. Se eu fosse um "Kamundongo" eu não entraria nesse buraco embora tivesse um nariz enorme. Porque o Kamundongo sabe que a boca está no campo simbólico da Chana invertida. MAS NÃO ESQUEÇAM... A Chana é árida e Agostinho Neto é o Rei de Angola... Mas o maior problema na academia é a falta de Panga. Agora a Chana está aberta e inóspita então! E ela é real, não se esqueçam, pois o guerrilheiro se encontrou com ela, e viu estrelas no céu. Mas aqui não há um Rei real, apenas representação.. Os "Eus" são apenas abstração nessa Pós. E como aqui tudo é abstrato, vou-me embora para Pasárgada. Lá tenho o homem que eu quero, na cama que escolherei, uma cama concreta com um ser concreto. Liberar o "eu" de seu desuso absurdo. Também estou louca para sair de dentro da Chana e ir para minha casa, desarticulada e desalojada. Vida de mestrando é difícil, é difícil como o que... Como um mbambi dentro da Chana! Ninguém conhece Marx mas o sólido que se desmancha é sempre citado, parece que ele só disse isso. E depois dessa: "Tchau, I have to go now, I have to go now!" Falar em jogos de futebol, Tupanciretâ (obs: cidade natal do prof. X.) se representa de camisa vermelha! E o Professor pensa: "- O Inter está entrando em campo." "Digo, na Chana!" Ele tenta se concentrar, mas tá foda. Nesse momento cantamos: "não posso ficar nem mais um minuto com você..." E vou exilar-me em Luanda, depois me perguntem como foi. Vai ficar com o Malongo! Vai que o Malongo é bem dotado e se torna "O Rei de Angola"? E joga futebol só que não joga no Inter que vai jogar daqui a pouco. E o X. não vai ver! Isso é pelas torturas de 5a. de manhã! (obs: as aulas) CASTIGO! E o mais impressionante é o efeito Lacto-Purga que essa abstinência futebolística terá sobre ele! Tentando entender porque meu pensamento não processa e mesmo assim estou aqui ouvindo tudo que cai na profundidade e no vago do meu cérebro. Porque todos os valores são relativos à exceção da bolsa CAPES e da pressão do orientador. A academia é o lar dos absurdos. E o pior que nem bolsa tenho, só um orientador mala que inventa BOBAGENS MENSAIS! Palestra mensal é pior que menstruação e "epílago". Bom, acabou.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Primeiro lugar no Mestrado em Estudos Literários da UFSM! Su no Kami-sama, makoto-ni arigato gozaimashita!!!

É isso, meu povo! Acabou a contagem regressiva!
Passei e tenho bolsa! Meu futuro para o próximo ano está definido!

As apresentações foram ótimas, minha mãe chegou bem, a mudança dela está quase nos finalmentes. Tudo deu incrivelmente certo!

Em breve post com as resoluções para 2010!

Obrigada a todo mundo que torceu, que emprestou livro, que leu meu projeto, que deu dicas. Beijos a todos e eu volto assim que meus neurônios pararem de explodir fogos de artifício!

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Nebtidi Mnain El Hikaya - ou "Pagando King Kong com um pandeiro árabe na mão"

Então tinha a apresentação da banda do meu professor, mestre Tuerlinckx. Claro que desde que eu soube era óbvio que eu ia: além de ser meu amigo, adoro qualquer coisa que ele toque e as bailarinas-amigas do coração (Karine Al Shams, Zahira Razi, Anisah Parvaneh e Gina Vitola) iam dançar. Diversão garantida!



Tudo lindo, mas aí no final da aulinha de derbake de toda terça-feira, Tuerlinckx me olhou com aquele olharzinho manhoso de libriano aprontão e me perguntou: "tu vais na quinta-feira?". Ao que prontamente respondi: "Calaro!" E o moço me lasca: "leve seu daff (o pandeiro árabe do título) !" Eu perguntei se ele tinha certeza. Ele tinha. Então tá. "Mas o que vocês vão tocar? O que EU vou tocar? Rola ensaio?" Não rolava. E ele não soube me dizer o que eu ia tocar. Disse pra eu relaxar que era só uma brincadeira, para eu ir acompanhando conforme a coisa acontecesse. Como eu insisti, ele me deu uma lista de cinco ritmos que iam entrar (para os do meio: said, malfuf, maksoum, ayubi e whada wo noz), para que eu tivesse qualquer coisa para estudar em casa.



Enfim, não botei muita fé. Afinal, ele é um professor em quem confio cegamente e um músico responsável. Outras pessoas também estariam tocando e ele não ia meter a si mesmo numa fria.



Fui pro evento faceirinha, levei o tal do daff, mas para tirar um sarro da cara dele depois. Cheguei na Cia. de Arte, encontrei as meninas, cumprimentei o moço brevemente e fiquei de bate-papo. Ele nem me perguntou nada. Comecei a sentir o aliviozinho dos covardes.
O show começou. Passou a primeira música, a segunda, a terceira, nada. Tinha até esquecido do bichinho.

Aí na quarta música (que eu NÃO SABIA qual seria), seu Tumberlinckx me pergunta (no microfone!): "Samara, você trouxe o daff?" Eu respondi numa vozinha mínima: "Trouxe..." "Então vem!" Eu fui. O nervoso era tanto que eu quase não conseguia tirar o instrumento do saco em que o levei. Fui.

Ele brincou com a platéia que ele estava me botando na fogueira, que eu nem sabia qual era a próxima música. Fico pensando em quantos imaginaram que era verdade mesmo. Bão, começou. Era a música aí do título do blog. Tá, eu não vou dizer que nunca tinha ouvido a música. Mas é um CLASSICÃO, com todas as maiúsculas. Que, por acaso, não tá no topo da minha lista de preferidos, eu nunca tinha estudado, não tinha idéia dos ritmos. Todavia, vamo lá!
E logo no começo do negócio não tinha um darig? Sim, você olhou bem a lista lá em cima e esse ritmo não está nela. Para piorar, em um ano de derbake, eu nunca tive esse negócio em aula, não sabia nem o fraseado básico! Fico imaginando a cara de "que porra é essa?" que eu devo ter olhado para ele nesse momento mágico.><

Contando assim, parece que foi um trauma. Mas verdade é que, é que... eu gostei para caralho!!! Foi uma das coisas mais prazerosas que eu já fiz na minha vidinha inteira! Tocar (ainda que fazendo algumas merdas inevitáveis) ao lado de músicos de verdade, com uma bailarina dançando ao som do seu instrumentos é uma das experiências mais incríveis que eu me permiti (sim, porque se eu ficasse - como foi meu hábito por anos - só me preocupando com os meus erros, com a falta de ensaio e com os que os outros estariam pensando não teria curtido nada) nessa vida. Música é um negócio que me move lá de dentro das minhas entranhas amigas.


Estou muito, muito grata ao mestre. E ele que se vire agora, porque uma vez experimentada a cachaça eu quero é muito mais!!!
(Desculpem aos amigos não-arabescos, eu tentei mostrar a música aqui, mas o Blogger entra num pau infindável toda vez que eu tento postar música ou vídeo. Se eu tiver acesso à gravação, posto o vídeo no YouTube e deixo o link aqui.) UPDATE: A Lory botou um link para a música nos comentários, se alguém ficou curioso!!! Valeu, Lory!

terça-feira, abril 29, 2008

A chegada de Akiko

A aterrissagem de uma pequena princesa em minha casa está mudando gentilmente minha vida. Ou, se preferirem uma linguagem mais chã, adotei uma gatinha e estou adorando.
Adotei mesmo, que acho absurdo comprar bicho. Ela tinha sido abandonada e estava bem judiadinha quando um veterinário gente boa a acolheu. Aí a mãe da minha amiga adotou, mas o gato que ela já tem, um bichinho de raça beeeeeeeem mimado rejeitou total a filhote. Então ela foi para a casa da minha grande amiga P. Mas P. não está num momento bichinho - embora ela adore muito, muito. (Eu entendo, porque estava assim até agora pouco.) Eu estou, total. Aí, ganhei Akiko, depois da P. cuidar dela com todo carinho por uma semana e engordar ela um bocadinho.
De lambuja, ganhei todo o enxoval-gatinho que a mãe da P. fez questão de dar: sacos de areia sanitária, muitos sacos de ração, brinquedos, mantinha de dormir, potinhos de alimentação, sementes para graminha digestiva, vacinas e castração quando ela fizer seis meses..
Ela é uma mestiça de pêlo preto ruço – mas muito macio - , com traços que entregam algum sangue siamês nas veias. Tem olhos verdes enormes que são quase toda a carinha e ronrona mais alto que muito motor de geladeira velha. Com ela shimmie não tem mistério.
O Esposo era o mais receoso quanto à idéia de adotar um animalzinho, porque nosso ovo, digo, apertamento, é deveras minúsculo. Mas já está completamente enfeitiçado. Ela é cheia dos charmes e, segundo ele, usou de todo seu poder de sedução para mantê-lo em casa, quando percebeu que ele estava se vestindo para sair.
E ainda mais: a gata tem o mesmo pendor letrístico dos donos: entre tantos lugares da casa, ela foi escolher a estante de livros para dormir...
Aguardem para breve fotos, muitas fotos...

segunda-feira, março 17, 2008

Revertério

Tarde de calor na Fundação. Eu e C., meu amigo e nosso assessor de imprensa, somos  os mais formigas e acabamos convencendo L., a contadora e também minha amiga, a "rachar" um pote de sorvete no armazenzinho da esquina. Sorvete de bombom, uma doçuuuuuuuuuura.
Mal acabado o quitute, crise de cantoria em C. Quatro e meia da tarde, todo o calor do mundo e  o moço começa a cantar... Amado Batista! Sim, senhoras e senhores, nada menos que o rei do brega em todo seu esplendor.
Passados alguns minutos o moço se torce e põe a mão na barriguinha. Eu e L., imediatamente, nos voltamos para ele.
- Mas me deu uma dor de barriga agora. E o pior é que eu não sei se é do sorvete ou se é da música...
-...

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Comemorazushi

Ontem , finalmente, eu e minha sensei vitalícia terminamos de passar a revisão (feita pelo novo editor) do livro que traduzimos quando eu estava na graduação. Estávamos nesse trabalho minucioso há quase um ano. Chegar no último capítulo foi um alívio indescritível. E agora, se tudo der certo, o livro deve ser publicado antes do final do ano! E pensar que eu comecei essa tradução em 2000!!!
Bom, terminado o trabalho, uma mal sabia como convidar a outra para comemorar. Eu estava pensando num choppinho. Ela tinha uma idéia mais ambiciosa. Pegamos o Esposo - de quem ela gosta muito - e fomos comer sushi. E quando se fala da minha sensei, é para ser sushi da melhor qualidade. Ela pagando.
Foi uma lambança! Não comia tão bem há muito tempo. Nem bebi, mas a alegria do trabalho terminado, somada à explosão de sabor dos sushis e sashimis me deixou alta. Foi uma delícia.
Para terminar, fui de café com tortinha, na cafeteria ali do lado. Eu não passo mesmo sem sobremesa.><
Agora só preciso começar o trabalho com a minha dissertação. Terminá-la será um prazer maior ainda.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Alquimia cotidiana

Em outro tempo, outro blog, outra encarnação, eu escrevi sobre os prazeres que a culinária pode nos dar. Mas era o contexto específico de se preparar o alimento para o homem que se ama. Não é disso que quero falar agora.
Ontem estava cozinhando para uma amiga que se recupera de uma cirurgia (nada sério, uma lipo) e, enquanto o fazia, refleti um pouco sobre a beleza deste ato.
Fora a delícia de estar se doando, de estar dando seu tempo e energia para o prazer e nutrição do outro - o que pode nem acontecer, você pode cozinhar para você mesmo e ser um momento mágico também - a coisa em si é toda muito bonita.
Alimento não chama assim por acaso, são pedaços de energia e beleza. Acaso alguém é capaz de dizer que não são belas as tiras fininhas de cebola que escorregam pela faca, que não é a coisa mais doce a textura dos cogumelos sob a água, que não existe poesia em limpar uma batata e transformá-la em cubinhos? Tudo isso te nutre enquanto você ainda está cozinhando.
Tem um perfume que eu acho o supra-sumo da culinária cotidiana ocidental. Alho fritando num bom azeite. Aquele aroma inebriante que faz as pessoas virem até a cozinha - até aquelas que acham que nem gostam de alho - e dizerem: "Hmmm, isso já está cheirando bem!" Claro que tem coisas mais sofisticadas como a sinfonia do chocolate derretido cobrindo as trufas, mas nem precisa tanto.
Culinária é magia, ao nosso alcance, todos os dias.