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terça-feira, fevereiro 22, 2011

Will they ever believe me?

Porque sim, a ingenuidade dos anos 80 já acabou. Mas algumas poesias musicadas continuam sendo absolutamente perfeitas.

domingo, fevereiro 13, 2011

Sobre lamentos y otras cositas

Então, se algum de vocês ficou curioso sobre a minha aula de dança cigana de ontem (eu ainda não me recuperei dela, como podem ver), posto aqui duas das músicas "trabalhadas" em aula. Seguem as letras pra quem não é gaúcho e não tá acostumado a pegar espanhol à unha (entender espanhol é outra coisa, teoria minha).

Primeiro essa cançãozinha quase meiga, que você até acha que vai ser uma coisa feliz quando começa. Aí vem o canto e a letra rasgando tudo até a alma e salve-se quem puder.



Recuerdo tu imagen alejandose
La tierra se hundia bajo de mis pies
Fui callendome al vacio
Sin poderme agarar a la vida

Como pude imaginarme
Que tenia algo que darte tenia algo que darte
Yo en mi madurez y tu
En tu plena juventud
Los anos no perdonan

Solo te ruego que me des
Una noche de amor
Solo pido Una Noche Mas

É, foi essa mesma que me fez chorar. Os comos e porquês não são da conta de ninguém.:P

Mas a minha preferida ainda é essa aqui:



yo bebo y bebo y bebo para olvidarte
yo duermo y duermo y duermo para no pensar
maldito mundo
vivir para pagar por el pecado de amarte
maldita tu
sueltame

te digo que vida no tengo
y es por tu culpa
las noches igual que los días
de soledad
oh dio mio
ayúdame para matar este amor
que está en mi corazón
bendito dio sálvame

solo caminando en el camino de este mundo
y no tengo más fuerza para luchar
pensaba que amarte fue el remedio del dolor
pero el dolor se hizo grande más y más
te dejo para siempre vida mia no te olvides
que soy hombre que existe para ti
y el cante de mi vida te regalo para siempre
hasta que llegue el día del morir

Tá, vocês podem argumentar que a letra a torna uma excelente trilha sonora para um suícidio, vá lá. Podem até achar um tanto brega.
E "amar" não é a palavra sobre o que eu sinto com isso. A questão é que faz parte de mim. Com um tanto de sangue cigano e uma grande possibilidade de outra de sefardi, talvez possamos culpar a genética.
Quando o ritmo da música acelera e o cajonero começa a se enlouquecer, meu coração sai pela boca, fica orbitando alguns minutos em torno do corpo pra só voltar depois...

É, sou louca e acho que não tenho cura, não. Nem quero.

Sensações, pensamentos e o que eu ando fazendo esse tempo todo

Então, pessoas, tudo bem com vocês? Sei que nem ando postando aqui na velocidade que gostariam, mas a vida tem me exigido muito. Isso quer dizer que muitas vezes não posto porque tô na correria. Outras, porque não tenho conexão como deveria. Outras, porque estou sentindo coisas, literalmente, impublicáveis. E não sei fingir o que não sinto, nem fingir não sentir o que sinto - e Deus sabe o que isso me custa, ás vezes!

Entre as muitas coisas legais que simplesmente surgem porque está na hora delas, devo informar que o Tarot voltou di cum força para minha vida - como já havia sido anunciado.
Vejam vocês como são essas coisas, se é normal: fui convidada para participar de um curso que está sendo ministrado, nada mais, nada menos, no 3o. andar do prédio onde eu moro! Achei muita areia pro caminhão da pessoa, mas não ligue ainda! O professor é incrível, a turma é mara, o custo é ridiculamente baixo e ainda adquiri um jogo lindíssimo, da amiga Lucy, por um preço hilário (que ainda assim tive que jogar pra março, ô pobreza). Apesar de ser de "segunda mão", ele jamais havia sido usado e eu simplesmente estou tendo uma história de amor com os arcanos.
Pros interessados, é um Tarot de Thot, de Aleister Crowley, que tem arcanos belíssimos como o da ilustração aí embaixo.



Tem detalhes que não dá para entrar num blog tão público, mas posso garantir que está sendo uma experiência fortíssima.

E hoje era sábado, non? E agora eu moro em Nóia, pertim da Casa Z e sábado é dia de dançar.
Dona Sayonara, que sabe que não pode apanhar porque está grávida, mostrou-se particularmente endiabrada hoje.
Deu uma aula inteira de vivência, com lamentos. Sim, você ouviu bem, eu disse LA - MEN - TOS!!! Começou com música sefardi e se enveredou pelas flamencas. Aqueles amores doídos todos. E nada de técnica, só vivência.
Tipo assim, nega: tira o coração pra fora, lava, esfrega mais, isso, agora enxágua, torce e bota no peito de novo. Comecei chorando na primeira música e segui arrepiada até a última. Não pensem que essa brincadeirinha de dança cigana + auto-conhecimento é mole, não, senhoras.
E depois, não estivesse já bastante mexido meu coraçãozinho, teve aula de flamenco! Peraí, isso merece um subtítulo.

F L A M E N C O !!!





Eu quero fazer flamenco desde... nem sei dizer. A música flamenca sempre mexeu com o mais profundo dos meus nervos, desde que me conheço por gente. A garganta que seca, o peito que se aperta, o corpo que quer seguir os ritmos sozinho mas o cérebro não sabe como. Até por gostar TANTO, adiei o quanto pude. Tinha medo daquela dor toda. Achava que era dor demais para se viver no palco. Até me conhecer o suficiente para saber que vivia aquela dor no cotidiano e que era tudo aquilo, fibra por fibra.
Por outro lado, por um longo período tive conhecidos no flamenco (alguns profissionais, consagrados e buzuzu) que tinham uma postura tão pedante e nojenta sobre a dança deles, que fiquei desestimulada por muito tempo. Claro, eles estavam sempre comparando com a "loucura sem técnica" da dança árabe. Eu tinha a impressão que por mais que estudasse, por mais que eu me embrenhasse naquilo, meu conhecimento e minha dança estariam sempre muito aquém de seus narizinhos empinados. Hoje em dia mando tudo isso à merda, me dou o direito de encarar esse negócio e a tentar dançar exatamente como uma gitana, a mi manera.

Mas aí o tempo foi passando, escola era difícil, dinheiro era difícil. E me restava ainda o medo de estourar os joelhos com a combinação de corpo pesado + sapateado.
Mas aí eu vi o Paulo Marcelino dançando numa festa da Casa Z. Ele não é nada longilíneo, está bem fora do esteriótipo de "bailarino espanhol", mas tem uma precisão e atitude ao dançar impressionantes. E seus dois joelhos parecem ir muito bem, obrigada!

Foram várias conversas, a mudança pra Novo Hamburgo e outros arranjos. Mas o dia chegou! Minha primeira aula de flamenco!
Amei cada segundo, copiosamente, não tenho o menor pudor em dizer. Não é fácil, mas é menos difícil do que eu pensava. Quer dizer, se fosse há cinco anos atrás, eu não seguiria. Mas meu corpo foi bem educado nesse tempo e dá para enfrentar outra disciplina e outro código corporal, sim.
Para vocês terem idéia da fissura da pessoa: eu já os encomendei, mas meus sapatos ainda não chegaram (a pessoa calça 39 e não tinha no estoque, nhé). Mas eu precisava de sapatos... então fiz a aula com um par emprestado da melhor companhia de aula de dança desse mundo, Carol Klipel. Só que a Carol calça 37!>< Isso mesmo, dois números a menos que eu!
Não vou dizer que não doeu, quando eu pude tirá-los no final da aula foi um prazer inenarrável. Mas isso nem atrapalhou a aula, acreditam? A música me anestesia as dores do corpo!
Fato: foi fantástico. O resto vou contando depois, pois essa é uma jornada que está bem no comecinho, manjo muito pouco. Mas foi mais um daqueles muitos milagres dos quais minha vida está sempre cheia.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Amigos e um canto todo meu

Amados. Escrevo do meu quarto, do meu computador. A conexão ainda é roubada, mas esse post não podia esperar mais.

Estou totalmente enamorada da minha casa nova, onde tudo está, dentro de meus poucos recursos, arrumado como eu gosto. Meus ursos de pelúcia, cinco anos depois, estão limpos e sobre minha cama novamente - sim, tenho quase 40 e ursos de pelucia, e dai?, todos presentes tardios. Minhas roupas todas, o que me restou de acessórios de dança, meus cristais. Estão todos perto de mim e eu sei exatamente aonde. Essa casa tem janelas amplas, entra luz o dia todo. E é no nono andar - eu sempre quis morar no alto.
Sei que para a maior parte das pessoas normais, tudo isso é banal. Para mim, não. Por motivos que não cabem aqui, esperei muitos, muitos anos por isso. MUITOS.

Estou realizando sonhos. Tenho lugar para estudar, trabalhar e o que vier.
Tenho uma casa para esperar o cumprimento do meu destino.


Sábado recebi amigos muito queridos: Carlinha e seu doce Brilha, Fernanda Zahira. Todo mundo cachaceiro de dança como eu gosto. Fiz kibe assado e mjadra. Comemos, conversamos até altas. Delicia.
Dia seguinte eu e Fer fomos encontrar e matar saudades do nosso querido Rafa "Souq" e sua Vanessa, a bela desencanada (Gêmeos em Gêmeos, né? Pudera). Ficamos até tarde também e foi muito divertido.
Hoje mais um grupo de amigos, recebidos a pão integral, bolinho de milho, rocambole e muito chá cigano.
Meu coraçào de lua em casa 4 está pleno.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Paz para todos nós

Bom dia, povo da minha internet!

Um videozinho de música boa, para varrer todo baixo astral e negatividade de todo canto!

É,depois eu soube que esse vídeo causou polêmica no Egito, por ser lido como uma chamada à intervenção do profeta e de Allah na questão do Oriente Médio. Enfim. Eu, particularmente, espero que Ele intervenha mesmo, não só nesta questão, como em todas as outras de cada uma de nossas vidas, não de acordo com o que nós julgamos certo, mas com uma sabedoria superior.

Agora, amigo leitor, tenho que te dizer: independente do conteúdo religioso e da sua posição sobre política internacional: se você ouvir essa canção doce, essa voz deliciosa, esse ritmo tão bom e sentir alguma coisa além de alegria e paz de espírito... ah, você tem probleminha.:)

Muita luz e paz de espírito para todos nós!

quinta-feira, setembro 23, 2010

La mala reputación

Uma letra fabulosa, que diz muito sobre o que muita gente pensa sobre mim. E sobre meus melhores amigos.
Cortesia do meu grande amigo e parceiro de vida outsider, Adriano. Uma das pessoas mais lúcidas e doces que já conheci na vida.

En mi pueblo sin pretensión
Tengo mala reputación,
Haga lo que haga es igual
Todo lo consideran mal

Yo no pienso pues hacer ningún daño
Queriendo vivir fuera del rebaño;

No, a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
No, a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe.
Todos todos me miran mal
Salvo los ciegos es natural.

Cuando la fiesta nacional
Yo me quedo en la cama igual,
Que la música militar
Nunca me supo levantar.

En el mundo pues no hay mayor pecado
Que el de no seguir al abanderado.

Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Todos me muestran con el dedo
Salvo los mancos, quiero y no puedo.

Si en la calle corre un ladrón
Y a la zaga va un ricachón
Zancadilla doy al señor
Y aplastado el perseguidor
Eso sí que sí que será una lata
Siempre tengo yo que meter la pata.

Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Todos tras de mí a correr
Salvo los cojos, es de creer.

No hace falta saber latín
Yo ya se cual será mi fin,
En el pueblo se empieza a oir,
Muerte, muerte al villano vil,
Yo no pienso pues armar ningún lío
Con que no va a Roma el camino mío,

No a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
No a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Todos vendrán a verme ahorcar,
Salvo los ciegos, es natural.


Dedicado a todos os hipócritas, autoilusionistas, sabotadores, burocratas e todo o tipo de gente limitada que adora foder com nossas vidas.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Dançando o que não se dança

Tem umas pessoas que dizem que não se dança música com samai, mas eu resolvi só respeitar minhas próprias regras.
Infelizmente, não tive como avaliar minha expressão aqui. Consegui melhorar várias coisas que me incomodavam, mas ainda detecto algumas que não tinha visto antes. Perfeito nunca vai estar, né? Mas acho que foi uma das melhores relações estudo-benefício este ano.
E se preparem, ainda vou dançar muita coisa que não se dança até o final do ano. Divirtam-se. (E podem descer os cachorros à vontade. Elegância é desejável.)

quarta-feira, agosto 25, 2010

Privilégios

Hoje eu saí feliz e risonha pela rua. Porque eu fiz minha aula de daff. Toda vez que eu faço aula com o Tuerlinckx é uma benção, porque ele é assim, essa pessoa tão especial. Esse músico tão excepcional, esse professor habilidoso. E, de uma maneira ou de outra, fazemos música - e essa é uma experiência que me deixa muito bem.
Todas as aulas dele me deixam um pouco melhor do que fui - e não falo em técnicas. Fico uma pessoa melhor. De verdade.

(Falando assim, parece que tenho uma paixão secreta pelo moço. E tenho mesmo. Só que não é lá muito secreta. Ele sabe, meu marido sabe, todo mundo sabe. Eu e todas as bailarinas do Rio Grande, ué. Afinal,além de tudo, ele é gatinho pra caraleo.)

Também me sinto assim quando faço aulas com a Daiane. Com ela não tem aulinha. Com a Dai cada aula é uma experiência excepcional com seu corpo e com a música árabe. É viver arte. É magnifico. Desnecessário dizer a pessoa fora de série que ela é e o quanto tudo isso também está no meu processo de transformação.

Com a Sayonara não é diferente. Ninguém consegue fazer aulas com ela. A gente faz vivência. Vivencia-se a vida cigana. Não por acaso, mudou tudo na minha vida depois da Casa Z. (Trans)mutação pura - e quem a conhece sabe que isso não se resume ao palco e à sala de aula. Enfim.

Arte me transforma, arte me faz melhor, arte me faz sentir viva.

Seria tão bom se eu pudesse ter na universidade professores de literatura tão bons quantos meus professores de dança e música. Na verdade, tenho e tive. Mas conta-se nos dedos. São inúmeros os burocratas que trabalham com arte apenas pelo salariozinho no final do mês.

Será que é porque os acadêmicos não vivem (no caso, não escrevem) a arte que fazem? Para mim é mistério. E para você?

domingo, agosto 08, 2010

Meu bar, meu lar - a história do Souq Pub, o melhor point árabe que essa cidade já teve



Então, eu falei desse lugar muitas vezes nesse blog. O Souq Pub era o ponto de encontro do povo que ama cultura árabe em Porto Alegre, uma casa gostosa e aconchegante na Ramiro Barcelos, onde nos reuníamos para fumar shisha, tomar cerveja, comer petiscos árabes, dançar, conversar e fazer planos mirabolantes.
Mas o lugar fechou. O Rafa foi com a Anisah para o Oriente Médio e hoje em dia a casa está para alugar.
É sempre chato quando um lugar legal fecha em Porto Alegre, que é tão carente de lugares legais para gente de gosto fora do comum. Mas com o Souq a coisa foi um pouco mais séria. Não é todo dia que o dono do bar é seu chapa - não, ele não apenas te conhece do balcão e do caixa, ele tem os mesmos interesses, os mesmos gostos, viajou para os lugares que você gostaria de conhecer e trouxe as coisas que decoram aquele espaço tão gostoso.



O Rafa é um cara muito legal e todos sentimos saudade dele. E da Anisah (Vanessa, pros da casa), que além de uma bailarina deliciosa é um amor de pessoas. Uma menina querida de Pelotas, inteligente, espirituosa, geminiana, amiga e divertida. Um doce de coco que PoA perdeu para condições melhores de trabalho.
Além de frequentar o bar, por um bom tempo eu fiz aulas de dança com a Daiane Ribeiro lá, às tardes. Depois era só descer, pedir uma shisha, tomar uma cervejinha, botar as fofocas em dia.


DAIANE RIBEIRO:Muito mais que mestra e uma das melhores raqsas que já conheci, amiga de todas as horas. Que me entende como só podem as geminianas...

Nunca antes e nunca depois eu me senti tão bem num estabelecimento comercial (ok, comercial era quase modo de dizer...), tão à vontade. Não me preocupava em me produzir, não me preocupava com a conta (se gastasse mais do que tinha no bolso, acertava com o Rafa na vez seguinte - era um pacto de confiança,ele nunca fez cara feia, eu jamais deixei de pagar), não me preocupava se as pessoas com quem eu marquei já tinham chegado ou não. Porque o Souq era um bar onde eu nunca ficava sozinha. Ainda que o nosso impagável Celso (o melhor preparador de shisha ever),o Rafa ou a Anisah não estivessem ou estivessem muito ocupados, eu podia simplesmente ficar num canto sozinha e curtir a trilha árabe (sempre excelente, graças ao bom gosto do Rafa).O Souq tinha um clima assim tão legal que uma mulher podia frequentá-lo tranquilamente sozinha, sem a possibilidade de ser importunada por algum bêbado ou coisa do tipo. Saudade grande da luz colorida naquelas paredes...



Outra coisa muito legal era a quantidade grande de eventos relacionados à musica e à dança. (Incrivelmente, tivemos shows internacionais espetaculares para quarenta pessoas... Porto Alegre é um ovo que gosta e faz tudo para permanecer isso mesmo: um ovo.)
Além disso, jamais haverá um lugar para as loucas dançarem com tanto conforto e liberdade. Instalações decentes para nos trocarmos,liberdade para fazer festas dançantes, para conferir CDs e DVDs que levávamos em reuniões de bailarinas. Uma quantidade boa (incrivelmente boa, em termos locais) de gente junta que respeitava e amava a arte.


Cartaz de um dos eventos, estrelado pela bela Anisah.

Foram tantas reuniozinhas para planejar shows (muitos que jamais se realizaram), trocar material, ver gente dançar/tocar, botar o papo em dia. As impagáveis festas de aniversário. Sou uma nostálgica irrecuperável, poderia escrever horas.


Meu aniver de 2009 - em azul, Zahira-Fernanda,grande dançarina e amiga baladi desse coraçãozinho baladi.

Amigo Grifo tem a teoria que o Souq era tão bom porque, mais do que estabelecimento comercial, era um lugar para reunir gente com interesses afins. E que por essas mesmas características acabou se tornando inviável financeiramente. Pode ser. Eu mal e mal consigo que me consolar com a idéia de que foi melhor desaparecer assim do que decair um dia.
No Souq, eu fortaleci a amizade com a Daiane e com a Zahira (Fer, pros de casa). Eu conheci o Tuerlinckx, primeiro como professor, depois como o amigo insubstituível que se tornou, pessoa de essencial importância na minha vida. E também o pessoal da casa (Rafa,Anisah e Celso), claro, o Gabriel (que fazia aula de derbake também,com o Rafa),o Grifo.


FABIANO TUERLINCKX:percussionista excepcional, professor e um dos amigos mais doces e generosos que o mundo me deu. Indispensável e insubstituível.

Dentro daquela casa eu ri, argumentei, falei bobagem, dancei, cantei, beijei, chorei, abracei muita gente por variados motivos. Foi um lugar que concentrou uma camada de emoções bem intensas para mim. O bar fechou, mas, enquanto eu estiver viva, sempre terá uma luzinha verde acesa em alguma fachada da minha memória.

terça-feira, junho 29, 2010

Sobre a festa de aniversário mais bacana da história

aqui.

Porque eu não queria escrever dois posts sobre o mesmo assunto.
Porque eu não consigo inserir vídeos nessa bagaça do meu computador.
E porque minhas amigas são as melhores.

terça-feira, março 23, 2010

Viva, sim. Só correndo

São inúmeros os puxões de orelha pela falta de atualização. Mas tô correndo. Muito. E acabo usando meu tempo de postar para... dormir. Gente, eu ando precisando tanto dormir!
Seguindo a rotina de 4h de ônibus + 12 h em sala de aula + 4 h no ônibus de volta = 20 h semanais de ar condicionado, minha rinite resolveu pirar e o que inflamou foi a garganta, estou numa rouquidão medonha e numa tosse cretina.
Como não tenho dormido muito, o organismo não reage, então está meio... foda, com o perdão da expressão.
Não que as coisas estejam ruins. Estou amando cada minuto no mestrado, apesar dos textos teóricos em espanhol (sim, tenho problema de ler em espanhol, me enrolo menos no inglês e sinto profunda saudade dos textos em italiano da USP) e do Kant, os professores são ótimos, os colegas divertidos e estar em ambiente universitário rejuvenesce meu cérebro em uns quinze anos. Até de almoçar em R.U. eu gosto. Isso porque nem recebi bolsa ainda, que teoricamente é a parte mais divertida.
Encontrei amigas muito queridas nesse findi, mas isto está na minha personalidade bailarinística.
Dei uma abandonada nas aulas de derbake, mas pretendo retornar em muito breve. Fiz umas brincadeiras na festa de sábado e meus toques estão simplesmente medonhos. O pobre do Tuerlinckx vai ter que começar tudo de novo.
Também ando precisando de mais assiduidade nas aulas da Dai.
A parte boa é que comecei dança cigana com a Sayonara Linhares e está sendo uma experiência simplesmente fantástica, completamente diferente de tudo que eu já fiz em dança até aqui. Na verdade, a dança parece ser só um efeito colateral positivo no meio daquilo tudo que é a aula.
Enfim, não me abandonem e mandem notícias. Prometo aparecer sempre que possível. Até mais.

domingo, dezembro 20, 2009

Máximas do mestre Tumberlinckx para o estudo de música

Se você deixa de estudar um dia, você percebe.
Se você deixa de estudar dois dias, seu professor percebe.
Se você deixa de estudar três dias, TODO MUNDO percebe.

Acho que mifu.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Nove resoluções para 2010

Segue minha listinha. Espero me encontrar feliz com ela no final do ano que vem!

1- Ir a todas as Cerimônias Mensais em Porto Alegre (ou Santa Maria, se for o caso) e ao menos duas vezes ao ano na Sede de Grau Intermediário de Curitiba.

Como já disse o ano passado, isso tem a ver com a minha religião, a Sukyo Mahikari. Acho que religião é coisa que não se discute, muito menos na Internet. Se alguém ficar muito desesperadamente curioso, pode me procurar por e-mail. (Mas é isso que você entendeu, não aceito provocações nem argumentações, não sobre ESTE ASSUNTO.) Só posso dizer que tem a ver com demonstrar gratidão por tudo que nos é concedido nesse vida.

2- Controlar o diabetes.

Acho que dispensa comentários, né? Estou com um aparelho de medição de glicemia em casa, o que já é um começo.

3- Manter as leituras e os fichamentos em dia. (Projeto Mestranda Exemplar)

Outro auto-explicativo, né. Procrastinar leituras foi meu primeiro e fatal pecado no meu último mestrado, que não pretendo repetir.

4- Publicar pelo menos dois artigos e fazer ao menos uma comunicação até o final do ano. (Projeto Mestranda Exemplar II)

É isso, aí. Já que tio Lula vai me pagar para estudar, vamos produzir!

5- Aprender a girar.

É, me dei conta que esse é meu principal tendão de Aquiles na dança. Estou programando aulas extras e treinamentos para isso. Pretendo me programar para vencer um obstáculo por ano. E esse vai ser o ano da enceradeira! (hehehehe)

6- Dedicar um tempo regular ao estudo da percussão árabe - aprofundando no estudo do daff.

Estou cada vez mais apaixonada por esse negócio. Preciso corresponder, porque sei que daí só vem coisa boa!

7- Fazer aula de dança cigana com a Sayonara Linhares.

Depois que eu encasqueto com uma professora... A mulher é tudo. Tenho que. Vou dar um jeito de me organizar. Sonho de consumo total.

8- Adquirir um daff profissional.

As platinelas de latãozinho choc-choc do meu daff de bailarina são pra lá de brochantes. Virou sonho de consumo já, fazer o que. Vou ter que comprar no exterior (pedir pra alguém que for, dããã - via Internet rola muito imposto e nananã) porque aqui só tem de pele animal e eu quero de pele acrílica. Aceito dicas e oferecimentos.

9- Eliminar 7 kg

Os que faltam. E passar do estágio gorda-gestante para a fase gorda-gostosa. Yeah!

É isso aí. Boa sorte para mim.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Nebtidi Mnain El Hikaya - ou "Pagando King Kong com um pandeiro árabe na mão"

Então tinha a apresentação da banda do meu professor, mestre Tuerlinckx. Claro que desde que eu soube era óbvio que eu ia: além de ser meu amigo, adoro qualquer coisa que ele toque e as bailarinas-amigas do coração (Karine Al Shams, Zahira Razi, Anisah Parvaneh e Gina Vitola) iam dançar. Diversão garantida!



Tudo lindo, mas aí no final da aulinha de derbake de toda terça-feira, Tuerlinckx me olhou com aquele olharzinho manhoso de libriano aprontão e me perguntou: "tu vais na quinta-feira?". Ao que prontamente respondi: "Calaro!" E o moço me lasca: "leve seu daff (o pandeiro árabe do título) !" Eu perguntei se ele tinha certeza. Ele tinha. Então tá. "Mas o que vocês vão tocar? O que EU vou tocar? Rola ensaio?" Não rolava. E ele não soube me dizer o que eu ia tocar. Disse pra eu relaxar que era só uma brincadeira, para eu ir acompanhando conforme a coisa acontecesse. Como eu insisti, ele me deu uma lista de cinco ritmos que iam entrar (para os do meio: said, malfuf, maksoum, ayubi e whada wo noz), para que eu tivesse qualquer coisa para estudar em casa.



Enfim, não botei muita fé. Afinal, ele é um professor em quem confio cegamente e um músico responsável. Outras pessoas também estariam tocando e ele não ia meter a si mesmo numa fria.



Fui pro evento faceirinha, levei o tal do daff, mas para tirar um sarro da cara dele depois. Cheguei na Cia. de Arte, encontrei as meninas, cumprimentei o moço brevemente e fiquei de bate-papo. Ele nem me perguntou nada. Comecei a sentir o aliviozinho dos covardes.
O show começou. Passou a primeira música, a segunda, a terceira, nada. Tinha até esquecido do bichinho.

Aí na quarta música (que eu NÃO SABIA qual seria), seu Tumberlinckx me pergunta (no microfone!): "Samara, você trouxe o daff?" Eu respondi numa vozinha mínima: "Trouxe..." "Então vem!" Eu fui. O nervoso era tanto que eu quase não conseguia tirar o instrumento do saco em que o levei. Fui.

Ele brincou com a platéia que ele estava me botando na fogueira, que eu nem sabia qual era a próxima música. Fico pensando em quantos imaginaram que era verdade mesmo. Bão, começou. Era a música aí do título do blog. Tá, eu não vou dizer que nunca tinha ouvido a música. Mas é um CLASSICÃO, com todas as maiúsculas. Que, por acaso, não tá no topo da minha lista de preferidos, eu nunca tinha estudado, não tinha idéia dos ritmos. Todavia, vamo lá!
E logo no começo do negócio não tinha um darig? Sim, você olhou bem a lista lá em cima e esse ritmo não está nela. Para piorar, em um ano de derbake, eu nunca tive esse negócio em aula, não sabia nem o fraseado básico! Fico imaginando a cara de "que porra é essa?" que eu devo ter olhado para ele nesse momento mágico.><

Contando assim, parece que foi um trauma. Mas verdade é que, é que... eu gostei para caralho!!! Foi uma das coisas mais prazerosas que eu já fiz na minha vidinha inteira! Tocar (ainda que fazendo algumas merdas inevitáveis) ao lado de músicos de verdade, com uma bailarina dançando ao som do seu instrumentos é uma das experiências mais incríveis que eu me permiti (sim, porque se eu ficasse - como foi meu hábito por anos - só me preocupando com os meus erros, com a falta de ensaio e com os que os outros estariam pensando não teria curtido nada) nessa vida. Música é um negócio que me move lá de dentro das minhas entranhas amigas.


Estou muito, muito grata ao mestre. E ele que se vire agora, porque uma vez experimentada a cachaça eu quero é muito mais!!!
(Desculpem aos amigos não-arabescos, eu tentei mostrar a música aqui, mas o Blogger entra num pau infindável toda vez que eu tento postar música ou vídeo. Se eu tiver acesso à gravação, posto o vídeo no YouTube e deixo o link aqui.) UPDATE: A Lory botou um link para a música nos comentários, se alguém ficou curioso!!! Valeu, Lory!

terça-feira, novembro 24, 2009

Voltando ao mundo virtual - sem culpa

Minha famigerada prova foi ontem. Fácil não é a palavra adequada, mas eu diria que foi um dos exames mais justos que eu já realizei na vida. Caiu exatamente o que eles pediram para estudar (e que eu estudei muito muito muito muito muito), incluindo o meu raciocínio sobre os conceitos. Se eu não passei, é porque estou ficando burra mesmo, não tem jeito. Vai ficar nas mãos Daquele que rege minha vida mesmo, como sempre.

A boa novidade é que fui cercada de gentileza por todos os lados - e isso não é pouco no meio acadêmico.
Ia ficar hospedada na casa da mãe de uma amiga, que já conhecia, mas com quem não tinha muita intimidade. Aí, para minha surpresa, fui recebida pelo filho da minha amiga. Um anjinho ruivo chamado Bruno que me fez todas as honras, me apresentou a casa e a cidade, me emprestou o melhor travesseiro do mundo para dormir e conversou comigo até eu descobrir o quanto ele era uma pessoa maravilhosa e ficar mais calma. No dia da prova, não contente em me mostrar como chegar, ele foi comigo até a porta do prédio e eu fui obrigada a dizer: "agora só falta você entrar e fazer a prova por mim!" Olha, não que a gente não saiba, mas é muito bom relembrar que ainda existem pessoas maravilhosas neste mundo.

Durante a prova, não foi diferente. As pessoas que encontrei (algumas mestrandas daquela universidade, fazendo seleção para o doutorado) foram superqueridas e me forneceram informações importantes. Fiquei feliz em saber que existe um curso que valoriza mais os estudos literários que a linguistica (passei a vida ouvindo que os linguistas são os cientistas da língua e nós somos o resto). Minha potencial orientadora também foi de uma gentileza rara no meio. Em suma, toda a experiência foi muito legal.

Agora, me dei férias até sair o resultado ou o final do ano, o que acontecer depois. ^_^
Minha mãe está se mudando para Porto Alegre e vou aproveitar o tempo para fazer a mudança dela, estudar MUITO música e dança e claro, escrever em blogs.
É isso. Estou aliviada por ter feito o melhor que podia. Tô feliz.

terça-feira, novembro 03, 2009

Mais das transformações

Eu queria ter palavras para explicar para você, para ele, para ela, para todo mundo, a transformação que está se operando nessa pessoinha aqui. A verdade é que não tenho, meu quinto chacra é justamente o que anda mais fechadinho. Ok, mas isso não muda o fato de eu ser uma tagarela geminiana e querer falar.

Mais ou menos assim: como previsto, tudo o que eu semeei contra todo tempo ruim no inverno está frutificando agora. Meu corpo fez as pazes comigo, meus pés fizeram as pazes comigo. Nunca pisei com tanta segurança e isso é e não é só uma metáfora, embora a metáfora sirva também. Meu quadril está entrando no nível II de soltura (o nível I eu tinha recuperado no fim do ano passado, com as aulas da Karina Iman, se alguém se lembra). Estou compreendendo os passos mais facilmente, apreendendo sequências mais facilmente, me deslocando com maior segurança (é, os pezinhos centrados de novo) e minha memória para coreografias e o resto melhorou sensivelmente. Meu coração está sereno e fica mais fácil concentrar em tudo, dentro e fora da dança.

Nas aulas de derbake também tá rolando um certo progresso. Ainda não tenho um terço da habilidade desejada com a mão esquerda, mas pelo menos já começo a compreender os processos de como não fazer errado.

Sei que deve parecer meio estranho para os leitores não dançantes/tocantes eu usar a dança e a música (digressão: ai que saudade das minhas aulas de canto!) para tudo. Mas é que eu acredito de verdade - di cum força - que arte está no nível mais importante de coisas que um ser humano consegue fazer – daí que viraram um bom termômetro para o  meu estado geral de ser e de me conhecer. Se a minha memória para coreografias está boa e meu quadril está fluente, fico muito mais confiante para coisas como seleções de mestrado e entrevistas de emprego, se é que me entendem.

Claro que nem tudo são rosas e minha vida está cheia de preocupações. Mas eu estou conseguindo mudar as coisas que estão ao meu alcance e isso muda radicalmente minha forma de encarar todo o resto.

As coisas estão tão diferentes comigo que estou seriamente decidida a não me envolver emocionalmente nos próximos anos. Quer dizer, as pessoas que amo vou amar sempre, é isso mesmo. Mas não quero mais me apaixonar loucamente, não quero colocar mais nenhuma outra pessoa no centro da minha vida. Quero me estabilizar, trabalhar, me trabalhar, me conhecer, me aperfeiçoar. Pela primeira vez na vida isso me dá tanto prazer quanto cuidar de alguém. E mais ou menos desde os 17, eu emendo um relacionamento no outro, uma paixão na outra, era muito raro eu passar mais de um mês sem estar pelo menos empolgada por alguém. Acho que está na hora de dar um tempo.

Eu quero me conhecer melhor. Bem melhor. Quero estar me amando muito quando for dividir meus sentimentos com alguém de novo. Não quero mais necessitar desesperadamente da presença de quem quer que seja. Nunca mais. Sou uma companhia excelente e era isso. (Tá, tem minhas patologias que ainda tornam as paixões avassaladoras mais complicadas, mas não tô numas de bancar a enciclopédia psiquiátrica hoje.)

quinta-feira, setembro 10, 2009

Desafios, derbake, daff-snuj e cerimônia do chá

Sigo com as aulas de derbake. O negócio é tão maravilhoso quanto difícil. Vou criando, aos poucos, o hábito de estudar em casa, o que melhora - e muito - o desempenho de qualquer um. Não tenho problema com tempos, ritmos, nada assim. Meu problema é minha mão esquerda, que não me obedece. (E a direita de quando em vez também dá umas rasteiras.)

A solução para isso, explica meu professor e mestre zen, é a repetição. (A repetição exaustiva leva à perfeição, diria a professora de dança do ventre e mestra zen Daiane Ribeiro.) E não apenas a repetição: a repetição lenta, para tornar o movimento perfeito antes de acelerar.

Acontece que eu sou Gêmeos em Gêmeos, pessoas. Eu faço tudo muito rápido. Eu acelero tudo. Eu acelero relógios e toca discos que ficam em meu poder. É um inferno. E o que é pior: quem disse que eu sou capaz de aprender na velocidade que eu coloco nas coisas? (Esse deve ser meu maior problema com a dança. Pois.)

*digressão* É que a gente vive num mundo em que rapidez é virtude. Borghetinho é considerado um ás na gaita porque toca a 200 por hora. Na DV todo mundo quer ver shimmie a 200 por hora. O que exige um derbake... *fim da digressão*

Bom, enfim, ai o Tuerlinckx me perguntou se eu nunca tinha feito nada lento na vida. Pensei um pouco e respondi com olhos nostálgicos que sim, minhas aulas de cerimônia do chá. (*suspiro* Ai, que saudade. *fim do suspiro"). Aí a gente inventou a modalidade "tocar para a cerimônia do chá".

Nossa aula de derbake fica parecendo um ritual fúnebre indígena, mas confesso que minhas mãos estão começando a fazer as pazes com graves e agudos. Mas claro que não é tão simples.

Não é tão simples porque eu sou completamente louca, medicada e tudo, como todos sabem. E o que uma louca faz quando tudo tá difícil? Pega outra coisa difícil para fazer junto. (Meu professor não deve bater muito bem também, afinal, a proposta foi dele.) E comecei a fazer aulas de daff JUNTO com o derbake. Pessoas, é mais difícil do que parece.

Eu sempre brinquei com o simpático pandeirinho, só que eu tocava como dançarina, com ele de frente pra mim. Agora estou aprendendo a tocar como instrumentista, com a pele de frente pro público. O que dói o músculo abaixo do dedão da mão esquerda vocês nem podem imaginar. E pra advinhar o que é borda e o que é pele "dis costa"? Mas eu A DOU RO!!! Louca de atar.

sábado, julho 11, 2009

Imitando Pizzicato Five

Acho que não vou ao meu pub preferido, nessa estação.

sábado, junho 27, 2009

"Eu te dizia: eu me apaixono todo dia e é sempre a pessoa errada"

Pessoas, me apaixonei essa noite. Por um homem incrível, de voz de veludo, cara de ursinho e gestualidade cativante. Ele só tem dois problemas: mora no Egito e é o homem mais bem casado do mundo. Tipo: até eu pegava a mulher dele.

O moço se chama Yasser Al Swery e cantou para mim durante quase duas horas essa noite. Agradeci as dicas do meu professor de canto (saudades, Herr Spohr) para aproveitar cada nota. Tenho problemas com músicos. Não consigo ouvir alguém performar tão bem assim e não me apaixonar. E ele dançando dabke com ela. Ai, meu Deus. (Nuran, saudades também!)

Ela? Ela é nada menos que linda, russa, ruiva e bellydancer Nour - uma das maiores bailarinas e das mais bonitas mulheres do mundo. Ai.

Agora vou dormir, suspirando. Apaixonada pelos homens errados (sim, vários de uma vez) como sempre.


quarta-feira, junho 10, 2009

Prelúdio para dois derbakes - roteiro de uma peça sem platéia

Palco nu. Luz branca. Três cadeiras. Numa vão as coisas da aluna. Nas outras duas, ele, o professor e ela, a aluna

Tiram seus instrumentos dos cases e se sentam. E ficam se questionando se é mesmo possível esquecer alguém que passou tempo demais na nossa vida.
Até que ponto é possível por outro alguém nessa lacuna.

Vamos tocar? Vamos tocar.
Começam um pequeno aquecimento, mas precisam saber. É possível impedir o coração de se apaixonar pela pessoa errada? É possível se afastar do que fere, quando isso é aquilo que pede com todas as forças o coração?
É, não é.

Vamos tocar derbake que ganhamos mais. Aquecem. Mas a aula não engata.

- Sabe, isso parece uma daquelas peças alternativas da década de sessenta, onde havia um movimento anunciado que nunca terminava para dar sequência à peça.
- Hehe, é mesmo. Mas só funciona porque a platéia está vazia.

E te digo mais. Só funciona porque não é só o derbake que toca o coração.