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sábado, fevereiro 05, 2011

Hummus da Lala Samara - atendendo a pedidos

Então, fazer hummus não é nada difícil, só um pouquinho demorado. Pra mim, que sou meio artesã, mas dá pra facilitar. Bora lá, ingredientes primeiro:

- 1 copo de grão de bico
- 1 cebola picadinha
- 2 dentes de alhos picadinhos (ou duas colherzinhas de café beem cheias do pré-picado)
- sumo de dois limões
- 3 colheres bem felizes de azeite de oliva
- 2 colheres (ao gosto do freguês) de tahine
- 1 col. de pimenta síria (não consta da receita original, mas eu gosto)

Bão, eu não gosto de panela de pressão, então deixo o grão de bico de molho da noite para o dia na água quente. Depois cozinha até ficar bem macio - quem usa panela de pressão vai reduzir o tempo de molho e de cozimento. Tempo que não sei qual é, vou experimentando, porque depende muito da "idade" do grão.
Deixa esfriar bem. Aí é a parte japa do meu hummus. Eu descasco toooodo o grão de bico. Tipo, um por um. Não é tão complicado quanto parece. Mas porque eu faço isso?
Porque eu gosto do meu hummus mais encorpado, então bato o grão no liquidificador com o mínimo de água possível - fica impossível passar na peneira depois, portanto. E, se deixar a casca, compromete. Se pegar em duas falando besteira é até divertido.
Bom, então você vai bater o grão descascado e bem cozido no liquidificador (ou processador, se sua cozinha for mais tecnológica que a minha) e quando não ver mais os grãos, adiciona os demais ingredientes e bate.
A parte chata "dois" é que - talvez não aconteça em liquidificadores mais potentes, mas no meu é batata - o liquidificador não dá conta de tudo ao mesmo tempo, aí tem que ser feito por partes no melhor estilo Jack, o estripador.
Mistura tudo bem, prova pra acertar o sal e o tahine e voilá! Hummus para quatro pessoas famintas! Demora um pouquinho, tem umas partes chatinhas, mas de difícil não tem nada! E vale MUITO a pena.
Qualquer dúvida, use os comments! ^_^

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Natal acidental numa casa não muito ocidental e nada convencional

Nessa casa, o dia começa com as orações. Aos deuses principais em português e japonês e à Santa Sara também.
Desjejum. Mamãe prefere o bom e velho café com leite quentinho, eu vou de leite gelado com flocos de milho, aveia e mel. Se não tiver aveia no meu leite parece que não comi nada de manhã – e pensar que até dois meses e pouco atrás eu não tinha MESMO o hábito de comer quando acordava. Acompanhamos com pão integral caseiro, feito pelo ex esses dias.
Mando torpedos de fim de ano para todos os amigos que não acessam internet com freqüência. Logo chegam as primeiras respostas carinhosas. Amo meus amigos.
Vou ate a casa do ex, onde tem conexão, dar alô pro povo via Orkut e Facebook. Mensagem especial para minha famíia cigana, que mudou toda minha vida nesse ano que se vai. Deixo minhas mensagens, bato papo aqui e ali enquanto ele arruma coragem para acordar.
Saímos, passamos no mercadinho para comprar algumas coisas para a ceia mais improvisada e barata que já se teve noticia (com direito ao muxoxinho libriano básico para comemorar as datas estabelecidas) e vamos pro almoço tardio de feriado.
Não posso deixar de pensar que minha cozinha é o que mais me define. Fiz um macarrãozinho (massa uruguaia deliciosa) com refogadinho de tomate com alho e muuuuuito azeite de oliva (faz parte do sangue da pessoa) e uns temperinhos daqui e dali. Acompanhei com um franguinho assado numa crosta de alho, cebola, sal, pimenta síria e zathar – delicia. Litros de refrigerante zero. Sim, suco de frutas seria melhor, mas estamos sem liquidificador e sem a menor disposição para enfrentar frutas no muque com esse calor senegalesco. Álcool? Nessa casa não, obrigada, ainda mais com os quase 40º rondando. A sobremesa foi melancia gelada.

No improviso, a carne da ceia vai ser frango de novo. Mas aí temperado com mostarda, mel, pimenta e um pouco de shoyu. Saladão com beterraba, batata doce, batata inglesa e alface (a combinação insólita foi o que se pode arrumar no mercadito do lado de casa, recomendações da acupunturista Sayo para o fígado de mamys – o mercadão tem fila, preços absurdos e mau humor) com aveia, linhaça e molho japonês da professora Meiko Shimon: shoyu, mel e vinagre. Ex ficou de fazer o mais legitimo spatzle alemão com queijo de carboidrato acompanhante. Uva e banana pra adoçar.

Preparamos uma vela branca para agradecer pelo advento da religião cristã neste mundo e uma azul pra Santa Sara, que também é profundamente cristã e não nos desampara nunca.

Amanhã se visita o lado mais germânico dessa família sem vínculos legais e se come frutas secas, panetone, stollen, essas coisas mais comuns que as pessoas fazem no Natal... Só não se ouve Simone... ^___^

(24/dez/2010)

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Alquimia cotidiana

Em outro tempo, outro blog, outra encarnação, eu escrevi sobre os prazeres que a culinária pode nos dar. Mas era o contexto específico de se preparar o alimento para o homem que se ama. Não é disso que quero falar agora.
Ontem estava cozinhando para uma amiga que se recupera de uma cirurgia (nada sério, uma lipo) e, enquanto o fazia, refleti um pouco sobre a beleza deste ato.
Fora a delícia de estar se doando, de estar dando seu tempo e energia para o prazer e nutrição do outro - o que pode nem acontecer, você pode cozinhar para você mesmo e ser um momento mágico também - a coisa em si é toda muito bonita.
Alimento não chama assim por acaso, são pedaços de energia e beleza. Acaso alguém é capaz de dizer que não são belas as tiras fininhas de cebola que escorregam pela faca, que não é a coisa mais doce a textura dos cogumelos sob a água, que não existe poesia em limpar uma batata e transformá-la em cubinhos? Tudo isso te nutre enquanto você ainda está cozinhando.
Tem um perfume que eu acho o supra-sumo da culinária cotidiana ocidental. Alho fritando num bom azeite. Aquele aroma inebriante que faz as pessoas virem até a cozinha - até aquelas que acham que nem gostam de alho - e dizerem: "Hmmm, isso já está cheirando bem!" Claro que tem coisas mais sofisticadas como a sinfonia do chocolate derretido cobrindo as trufas, mas nem precisa tanto.
Culinária é magia, ao nosso alcance, todos os dias.