segunda-feira, junho 07, 2010

Rápidas observações sobre astrologia e migo mesma

Entonces, comecei a pegar os mapas de uns amigos para fazer. Não tô numa de tirar uns trocos não, tenho consciência da minha condição de astróloga de meia-pataca. Faço só para eles pegarem o gosto e depois procurarem um astrólogo de verdade. Porque é uma delícia e relaxa. E porque é um meio muito legal de se conhecer.

O mais divertido é que marido entra na brincadeira, ele sabe mais do que eu (sobre o que raios nesse mundo ele não sabe mais do que eu?) e tem as bibliografias, fica me ajudando. Agora cismamos de fazer os mapas da família dele, a mãe mais os seis irmãos. Vai dar uma trabalheira insana, mas vai ser divertido. Fiz o da minha mãe ontem e fiquei de espinha gelada. Enfim.

Falando em auto-conhecimento, tô levando esse negócio a sério barbaridade, exatamente como minha primeira astróloga (saudosa Wanda, feliz esteja na dimensão que estiver!) disse que eu deveria fazer se quisesse que minha vida seguisse o rumo certo de alguma maneira. Sol na casa 1, quase todos os planetas nos dois primeiros quadrantes (do inconsciente). Essas coisas. Está sendo muito legal, pena que é impossível se aprofundar nesses lances num blog público.

Para terminar, hoje foi aniversário da amada Daiane Ribeiro e eu fui. Fui e dancei. Nenhuma das alunas quis dançar, mas eu ganhei uma cara de pau a toda prova e fui lá e dancei num restaurante cheio de gente que não era convidada e dane-se. Não, não tinha ensaiado, nem preparado. Nem mesmo estudado - não estudo música árabe há tempos. A música era do CD da Daiane, uma ghawazee com rababa que eu conhecia vagamente. Figurino - galabia e botas, roupa que eu uso pra sair normalmente. Cobertinha da cabeça aos pés. ^^ Minha única preparação foi passar o batom de novo e amarrar um lenço no quadril. Só.
Quer saber? Foi ótimo.
Se eu dancei bem? Não faço idéia, não vi o vídeo. Mas eu senti prazer dançando. Eu não estava envergonhada. Eu não me auto-critiquei. Eu não tive a sensação de estar fazendo o mesmo movimento por séculos. Eu não me acelerei. Eu simplesmente dancei porque sou livre para isso. E me sinto cada vez mais confortável dentro da minha pele. E devo repetir muitas vezes.
Feedback? Bom a profe não disse nem uma palavra, então não deve ter sido nenhum prodígio técnico. As amigas elogiaram, o que é relativamente normal. A dona libanesa do restaurante também elogiou, perguntou se eu era professora e tals. Claro que pode ser papo para conquistar simpatia de cliente, né? Eles são cultural e secularmente muito bons nisso. Ela disse que eu dançava como uma egípicia. E eu fiquei me perguntando se, vindo de uma libanesa, isso era realmente um elogio...rsrs
Quando e se vier o vídeo, eu posto no wordpress. Seja qual for o resultado, para mim foi um avanço.
E boa noite porque amanhã eu tenho um milhão de coisas pra fazer!

sexta-feira, junho 04, 2010

Todos cantam sua terra

Era o título de um dos "Poemas no Ônibus" no veículo me trouxe de volta da livraria Cultura, hoje à tarde.

Imediatamente me veio à cabeça: "Menos os ciganos, que preferem cantar sua liberdade!"

Como é fácil a gente se afeiçoar a uma cultura não imperialista e sem laços, né?

quinta-feira, junho 03, 2010

Um mundo rigoroso

Sim, esta postagem parecerá babaca para muitos de vocês, hermética para outros tantos.
Nem por isso posso deixar de escrevê-la.

Estamos num mundo de energia. Não, isso não é mistíco. Isso é física pura. Pergunte para quem realmente entende. Não para o seu filho da oitava série que venceu a maratona de física, mas para um mestre ou doutor no negócio, de preferência que estude partículas subatômicas. E os espaços entre elas, que constitui cerca de 99,9% do que a gente chama de universo. Falo sério, pode botar no Google se quiser.

Enfim, num mundo que é feito de tanta coisa que não é matéria, desculpas e argumentações não são muito eficientes. É um mundo de ação - e reação. Não é uma situação onde ficar argumentando o que é certo ou errado - que no fundo, você sabe, sempre sabemos - ou os motivos que você teve para deixar de fazer algo por si mesmo ou para fazer algo que prejudicou alguém de alguma maneira não valem quase nada. O que vai é o que volta, por isso é interessante que você queira para você o que joga por aí. Parece moral cristã, mas é muito mais amplo do que isso.

Sua racionalidade pode até querer chamar isso de fanatismo. Mas a verdade é que isso tem pouco ou nada a ver com religião. Tem mais a ver com os anos que a gente passa na Terra, se observa bem ao redor. Muitos preferem passar seu tempo entorpecidos e não ver nada, claro.
Costumo dizer, para os íntimos, que é mais ou menos como a lei da gravidade. Não importa o nome que você dê ou se prefere não acreditar nela. Você não vai dançar de ponta-cabeça no forro do mesmo jeito.

Porque estou postando isso aqui? Porque sim, porque o blog é meu, oras.
E também porque pode ser útil para alguém.
Não que eu queira convencer alguém de alguma coisa. Se fosse isso, saía pela rua pregando. Só entra aqui quem me (re)conhece.

E olha, não adianta vir com: ih, sou todo errado, já fiz um monte de bosta, tô fudido. Realmente - e os árabes tinham um ditado excelente para isso, que agora me foge - ninguém tem poder de mudar o passado. Mas o que você vai fazer no segundo que tá vindo aí, olha, você continuou lendo e já passou, é inteiramente da sua conta.
Consciência de si mesmo nunca é perda de tempo. Porque com as consequências vamos arcar de qualquer maneira, o contrato onde está a clausula dizendo que só funciona se você acredita não existe. Eu, particularmente, não ganho nem perco nada se você acredita ou não, se testa ou não, se observa ou não.

Eu só estou velha demais para não dizer o que penso.

Excelente feriado a todos!

domingo, maio 30, 2010

Não deixe o Formspring morrer...

... não deixe o Formspring acabar...
Me faz uma pergunta, vai?

quarta-feira, maio 26, 2010

Maldita seja a Claro por todo o sempre!

Houve um tempo muito distante em que meu celular Claro pegava em todos os lugares, inclusive na praia e na serra, onde os dos amigos de outras operadoras morriam... Mas hoje em dia!
Marido diz que parcialmente é culpa do meu modelo "novo" (MotoKRZR K1), mas honestamente duvido que seja só isso.
Fato 1: Eu perco sinal o tempo todo, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé. E sim, dentro do meu apartamento também.
Fato 2: Eu não sei porque merda do plano ou que outra porra, não importa quantos milhões de créditos eu tenha no celular, ele jamais me permite realizar ligações interurbanas (coisa que eu fazia tranquilamente há um ano atrás, como o mesmíssimo plano), alegando que "não há créditos suficientes para completar essa ligação". Coisa que há quatro anos atrás eu conseguia fazer com R$ 2,00, no pré-pago! (Lembrem-se que eu praticamente vivo em duas cidades diferentes!)
Fato 3: Ele não completa mais da metade das ligações feitas de outra cidade quando estou em roaming! O detalhe é que eu estudo em Santa Maria e passo metade da semana em roaming, só podendo me comunicar por torpedo. E eles nem tem a decência de me comunicar que pessoa X tentou ligar.

E hoje foi o cúmulo do absurdo. Ontem mandei um torpedo para meu amantíssimo professor de derbake para confirmar a aula de hoje. Daí que não houve resposta. Imaginei que, ou ele não tinha recebido, ou não tinha podido responder, ou não poderia dar aula. Então, uma hora e meia antes do que seria o início da aula, mandei outro torpedo dizendo que eu havia concluído que nosso encontro tinha ficado para a próxima semana e desejando bom finde.
Aí ele respondeu que tinha, sim, mandado um torpedo confirmando! Caralho de operadora que nem pra entregar torpedo serve! Aí fiquei preocupada, porque o moço mora lá onde Judas perdeu as cuecas e achei sacanagem ele ir mais cedo para o Centro para não me encontrar. Então peguei o telefone para ligar para ele e dizer que ia sim, mas ia atrasar um pouco, se tudo bem. Liguei, a ligação cortou. Tinha caído o sinal. Esperei voltar quase cinco minutos, nada.
Então tive a brilhante idéia de ir até o corredor do prédio - às vezes funciona, botar no corredor ou da janela, mas não queria ficar falando dependurada do quarto andar - daí que fui. E acabei fondo. A gata tentou escapar pela fresta da porta, que eu bati num impulso. Aí danou-se! Presa do lado de fora do apartamento, de havaianas, um vestido indiano todo rasgado/manchado/fodido que eu uso para dormir e tingir cabelo e uma parca com um descosturado de cinquenta centímetros embaixo do braço esquerdo. Ok, eu não devia andar tão relaxada dentro de casa. Ok, eu parecia uma homeless. Que fazer?
Peguei o celular para encher o saco de marido, que estava no caminho entre um trabalho e outro. QUEDÊ SINAL???
Desci para a área comum, com alguma esperança. Esperei quase dez minutos e nada!!! Desliguei, tirei o chip, esfreguei como me ensinaram na época que eu era a encarregada disso no escritório. Nada. Tive a brilhante idéia de ligar a cobrar pro marido do orelhão da portaria (olhando pra baixo, rezando para não encontrar nenhum conhecido) e fui informada pela moça da OI que o telefone dele não estava programado para receber esse tipo de chamada - que eu faço o tempo todo. (Antes que eu esqueça, moços da OI, vão todos tomar no eu também!!!)
Aí, milagrosamente, o sinal voltou. Liguei para marido que pegou um taxi e veio me resgatar. Liguei para o profe, que por sorte ainda não tinha saído de casa. Enfim, tudo mais ou menos ok.

Voltando de Santa Maria vou passar na loja da Claro e esbofetear pessoas até resolverem meu problema. Se não resolverem eu troco de operadora e vou esbofetear outros funcionários. Porque na real, não existe mesmo muita alternativa para usuários de telefonia móvel no Brasil. Merde!!!

domingo, maio 23, 2010

Enquanto isso, no auditório do prédio de Letras...

A palestra era lida e sobre um assunto nada fundamental para nenhuma de nós. Quinze páginas lidas len-ta-men-te. O horário tardio. Jogo do Inter por começar. O tédio grassa.
Aí eu me saí com uma das soluções antitédio do tempo da USP: texto "surrealista". Escreve uma primeira frase esdrúxula, passa pro próximo do grupo e vai completando. Claro que os assuntos pessoais acabaram tomando conta e o negócio foi ficando cada vez menos surreal e cada vez mais voltado para os incômodos sobre a vida acadêmica e com a palestra.
Deu nisso aí. Um clássico da literatura de canto de caderno. Mas antes de você ler isso tudo, se é que você não é de nosso grupo e ainda se dispõe, é importante que você saiba:

1) Tínhamos todas acabado de ler uma versão em e-book de "O Rei de Havana" de Pedro Juan Gutierrez, onde há muita linguagem chula. Por um problema de digitalização, toda vez que aparecia a palavra "cu", vinha grafado "eu". Logo pegou a moda de mandar tomar no "eu" entre os alunos.
2) A palestra, sobre um ciclo de livros angolanos de Pepetela, abordava entre outras uma obra chamada "A Chana", que parece que é uma região de lá, enfim. Na minha terra, a palavra significa outra cousa.
3) O prof. X é o organizador desse ciclo interminável de palestras a que vamos obrigadas pelas normas da CAPES. Nem elas (as palestras), nem o professor, primam pela busca de assuntos relevantes para nossas pesquisas, nem pelo desenvolvimento agradável e jamais pelo senso de humor.
4) Estávamos em seis. Não revelo os nomes nem sob tortura. Não sei editar essa merda em cor, portanto vou usar negrito e itálico para diferenciar autorias, mas, claro, não significa que todas os trechos em negrito, por exemplo, sejam da mesma pessoa.

Então vai:

O padre se chocou com a porca imagem. A cruz caiu do céu vermelho. Eu estou sentada no banco traseiro do carro comendo amendoim. Vou tomar um porre de utopias. Ponto final escuro e branco. Uma árvore muito balançada fortalece as raízes. Sigo viagem até Tupanciretã, com medo do que posso encontrar. Mas finalmente vou conseguir comprar minha vaquinha verde! Estou com medo que a "Chana" tome forma humana e me engula. Tomou chá preto e se suicidou com bolachinhas rosa pink. Foi ler uma Havana povoada loca da Marcia. Tem que ser ninja! Já vou tarde porque acordei ontem e hoje estou dormindo! E se dormir vou sonhar com Reynaldo e sua poderosa pica de 22 cm. Que prometeu vir pro Brasil e virar "el rey de Santa". Que livro é esse que não li e que voz é essa que faz eco na minha cabeça oca. Uma narrativa bêbada. Só se eu colocar o copo de vinho na frente da TV para ver Édipo Rei. E dormir e esquecer do mundo, ô vontade! Subjetividade é eu assumir o relativo e o subjetivo e resolver dar o meu "eu" para o mundo. Dar o "eu" para o mundo é importante, pois feliz é quem dá com alegria. Jesus disse: "-Quem dá, RECEBE!" Cansada, cansada, meu "eu" usado assim sem dó nem piedade. Eu não quero falar de um "eu" que anda em desuso. Se o uso fosse mais usado o desuso valorizaria a casa de cãmbio. Não estou pensando nesse elo perdido porque a dor maior é não poder chorar quando não se quer ouvir bobagens. O fato é que a palestra sobre os umbundos e quimbundos deixa os pós-graduandos furibundos. E vou-me embora para Tupanciretã... Mas a saudade maior é da fronteira... E Rivera e seus perfumes me esperam. Vamos suprir as carências num impulso consumista, pois o inferno são os outros, e não há saída, muito menos para uma libriana sensível. Ou para uma geminiana confusa, que mantém seu cérebro transitando por todos os paraísos artificiais e infernos reais possíveis - qualquer deslocamento que permita alguma salvação da morte pelo tédio. Mas o maior tédio sde uma mestranda são as quintas-feiraas... loooongas quintas-feiras! Porque nesta vida tudo passa, até a uva passa, mas as tarefas de produtividade da CAPES não passam. Se estamos falando de simbólico simplesmente não saímos da superfície e superfície macia só a minha cama agora. Agora nem cama nem jogo do Inter; é esse o motivo da expressão de desalento do X.: o jogo está para iniciar e os compromissos acadêmicos o prendem numa sala morna e translúcida. Eu conhecia CHANA como apelido do órgão sexual feminino. Só podia ser coisa de uma doutora que foi aluna do Costa Lima e que tem a boca invertida. Se eu fosse um "Kamundongo" eu não entraria nesse buraco embora tivesse um nariz enorme. Porque o Kamundongo sabe que a boca está no campo simbólico da Chana invertida. MAS NÃO ESQUEÇAM... A Chana é árida e Agostinho Neto é o Rei de Angola... Mas o maior problema na academia é a falta de Panga. Agora a Chana está aberta e inóspita então! E ela é real, não se esqueçam, pois o guerrilheiro se encontrou com ela, e viu estrelas no céu. Mas aqui não há um Rei real, apenas representação.. Os "Eus" são apenas abstração nessa Pós. E como aqui tudo é abstrato, vou-me embora para Pasárgada. Lá tenho o homem que eu quero, na cama que escolherei, uma cama concreta com um ser concreto. Liberar o "eu" de seu desuso absurdo. Também estou louca para sair de dentro da Chana e ir para minha casa, desarticulada e desalojada. Vida de mestrando é difícil, é difícil como o que... Como um mbambi dentro da Chana! Ninguém conhece Marx mas o sólido que se desmancha é sempre citado, parece que ele só disse isso. E depois dessa: "Tchau, I have to go now, I have to go now!" Falar em jogos de futebol, Tupanciretâ (obs: cidade natal do prof. X.) se representa de camisa vermelha! E o Professor pensa: "- O Inter está entrando em campo." "Digo, na Chana!" Ele tenta se concentrar, mas tá foda. Nesse momento cantamos: "não posso ficar nem mais um minuto com você..." E vou exilar-me em Luanda, depois me perguntem como foi. Vai ficar com o Malongo! Vai que o Malongo é bem dotado e se torna "O Rei de Angola"? E joga futebol só que não joga no Inter que vai jogar daqui a pouco. E o X. não vai ver! Isso é pelas torturas de 5a. de manhã! (obs: as aulas) CASTIGO! E o mais impressionante é o efeito Lacto-Purga que essa abstinência futebolística terá sobre ele! Tentando entender porque meu pensamento não processa e mesmo assim estou aqui ouvindo tudo que cai na profundidade e no vago do meu cérebro. Porque todos os valores são relativos à exceção da bolsa CAPES e da pressão do orientador. A academia é o lar dos absurdos. E o pior que nem bolsa tenho, só um orientador mala que inventa BOBAGENS MENSAIS! Palestra mensal é pior que menstruação e "epílago". Bom, acabou.

sábado, maio 22, 2010

Para uma criatura de matéria onírica

Moça do mundo dos sonhos, entenda.
Desse mundo a gente não se desilude porque os humanos não feitos da matéria da ilusão.
Seres humanos são cheios de defeitos e fedem humanidade.
Se conseguires se acostumar ao fedor talvez encontres alguma diversão nisso tudo.

Fada de olhos perdidos, não desista.
Porque mais do que tu possas precisar da matéria da terra, nós precisamos da sua para que esse mundo não nos afunde em tanta lama.
Precisamos do teu sorriso para entender o mundo fora da carne.
Da tua sensibilidade para não esquecermos de que o mundo não precisa ser só isso.

Criança moldada ninfa, se fortaleça.
Nem que para isso tenhas de roubar a essência de meus tantos calos para formar uma capa protetora.
Que te insensibilize contra a falta de sensibilidade, a falta de caráter. O excesso de desejo, a falta de coragem, o excesso de humanidade. Contra a cegueira do mundo, as doenças medonhas e os vícios funestos.
Se fortaleça e siga, porque não queremos tuas lágrimas. Porque nos alimentamos de tua alegria. Porque precisamos de ti.
E eu preciso.

quarta-feira, maio 12, 2010

O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído

Cena pitoresca que protagonizei no centro de Porto Alegre hoje.
Estava voltando da terapeuta com a minha mãe e ia embarcando no São Manoel. Fui dar licença para um cidadão, porque minha mãe sobe beeeem devagarzinho. Ele "gentilmente" largou um "Pode passar primeiro com a avozinha."
Tá, lá fui eu. Tive a sensação de sentir um movimento brusco do meu lado mas estava ocupada demais içando minha mãe ônibus acima quando outro senhor, que estava já dentro do ônibus, me informou: "Ele pegou seu celular de dentro da bolsa, vai atrás dele." E lá ia mesmo o cara se afastando, sorrateiro. Murmurei um "deixa pra lá" da mais pura preguiça. O cidadão insistiu: "Vai lá que você ainda pega!"
Olhei pro cara e, realmente, ele não estava correndo, até porque estava chegando perto dos 60. E me lembrei que aquele celular nem era meu, era da minha mãe, que eu tinha esquecido o meu em casa.
Mandei mamãe esperar e lá fui eu. Não sabia muito bem o que ia fazer, mas fui. Foi fácil alcançá-lo (creio que ele jamais sonhou que eu fosse atrás) e quando alcancei dei a sorte de pegar ele no pulo, oferecendo o celular para outro cara.
Na falta de idéia melhor, brandi meu recém-adquirido guarda-chuva amarelo Oxum bem alto e gritei com a melhor cara de má que sei fazer: "Devolve!" Neguinho ficou branco. "E.. eu... tava no chão..."
"Não perguntei."
Catei o celular e me fui em direção ao ônibus, que ainda deu tempo de pegar. Os passageiros estavam tão espantados quanto o ladrãozinho de galinha. E quando eu sentei, depois de todo o exercício de passar a roleta com mamãe, não pude deixar de dar risada da minha absoluta falta de juízo.

Tem dia em que geminiano devia ser proibido de sair na rua.

terça-feira, maio 04, 2010

Desabafo breve de uma pós-graduanda

Após uma palestra profundamente enfadonha, sobre um tema sobremaneira interessante, mas tratado apenas no que tinha de mais irrelevante, tornada praticamente obrigatória pelos esquemas de pontos da CAPES:

"Vou virar prostituta. Porque puta se prostitui menos. Prefiram que me fodam o rabo do que me fodam os ouvidos desse jeito!!!"

segunda-feira, maio 03, 2010

Auto-importância: um momento de humor

Uma das poucas coisas que eu aprendi na minha perra vida é que nada expõe mais um ser humano ao ridículo que o sentimento de auto-importância. A ilusão de ser especial, único, indispensável em algum processo ou para alguém. Todo mundo é uma bosta, incluindo eu e você.
Como diz meu amantíssimo professor de derbake: "Na verdade, o ser humano é muito burro. Todo mundo é muito burro. Tem uns caras assim como Cristo, Einstein, um tantinho acima da média. Mas o resto é tudo muito burro." Sábias palavras.

Mas aí você circula em meios especializados na Internet e todo mundo enche sua bola. Entra num curso de pós-graduação e as pessoas vem elogiar seu conteúdo e importância. E aí que você esquece as coisas que aprendeu e faz a grande cagada: acredita!!!

O tempo, entretanto, é bom professor.
E então fica claro que você está importunando com sua demência pessoas que jurava estar apoiando ou integrando.
E se toma de pertencimento em grupos que não te pertencem. Que nunca te pertencerão, porque existe um abismo de idéias e de geração.
Aí, de repente, você passa na frente do espelho e vê sua maquiagem de palhaço.

Estou rindo de mim mesma até agora... rsrsrsrsrs

sábado, maio 01, 2010

"O Ganso Selvagem", de Ogai Mori





No distante ano 2000, eu era uma graduanda fascinada por literatura e tradução e louca para começar algum trabalho de verdade. A professora Meiko Shimon, que nunca foi de ignorar uma pulsão por trabalho, me solicitou que fizesse uma primeira versão em português da tradução inglesa (The Wild Geese) de uma obra japonesa do período Meiji, cujo autor não tinha nenhum título em português, além de um conto publicado por ela mesma numa coletânea que só era trabalhada dentro da universidade.

Fui até a biblioteca, encontrei o livro, copiei um exemplar para poder rabiscar à vontade (só sei traduzir assim) e fui para casa achando que teria bastante trabalho por alguns meses.

Mas com a professora Meiko nada é simples, raso, nem rasteiro. Em inúmeras reuniões que duraram cerca de seis anos, comparamos minha tradução linha por linha ao original. Descobrimos a supressão de parágrafos inteiros na versão inglesa e a distorção completa de uma imagem. Pesquisamos na biblioteca nos primeiros anos e no Google, mais tarde, para encontrar os termos perfeitos para termos da arquitetura, do vestuário, da fauna e da flora japonesas. Foi um trabalho intenso, o melhor da minha formação e uma experiência de vida inesquecível, como bem sabem todos que já passaram pelas mãos dessa mulher formidável.

Alguns anos depois conseguimos uma editora que demonstrasse interesse em publicar a obra. Apesar de consagrado no Japão, Ogai não é best seller nem autor mais traduzido. O romance tem um estilo tradicional, minucioso e delicado.

Ambientado na Tóquio do final do século XIX, conta a história de Otama, uma jovem linda, culta e de espírito delicado que, na sua ingenuidade acaba se tornando concubina de um agiota para tirar a si mesma e ao pai. velho e cansado, da miséria. O agiota Suezo não é um homem feio, nem violento. Mas o concubinato com um homem detestado por todos e a quem ela não se uniu por amor, lhe propicia uma vida demasiado vazia de significado - o que vai ficando cada vez mais transparente conforme ela amadurece suas percepções e personalidade no ócio e isolamento de uma mulher que não pode ter amizades íntimas, nem vida social regular, nem o consolo do trabalho duro (ao qual ela se adaptara durante a primeira juventude). O encontro com o jovem e belo estudante Okada une o raciocínio delicado de Otama a uma torrente de emoções e paixões - que resultará numa revolução silenciosa, mas muito concreta.





Agora, dez anos depois, depois da revisão da revisão da revisão, a editora Tessitura está lançando nossa tradução numa caprichada edição bilingüe. Ter o exemplar nas mãos, com meu nome impresso na capa, é uma sensação que ainda não assimilei por completo. Procurem nas livrarias, bibliotecas, com amigos. Leiam. Apreciem. E esses dez anos terão valido plenamente a pena.

domingo, abril 25, 2010

Se tem uma fonte que não se esgota, é a amizade

Tava naquele bode com a facul, né? Cansaço, o caralho.
Mas aí, vejam vocês, depois da aula de quinta-feira, em que tive a sensação em que meu cérebro tinha sido extirpado com um saca-rolhas e atirado bem longe, surgiu a oportunidade de sorver um suquinho de cevada com duas das pessoas mais malucas e que mais admiro naquela turma.
A. é uma psiciana de personalidade raríssima. Está na minha faixa de idade - que nos dá um pouquinho mais de jogo de cintura dentro da selva acadêmica - embora pareça fisicamente muito mais nova. Sem nem uma papinha na língua, parceira, sempre disposta para a diversão. Inteligência brilhante e desempenho acima da média. Sem medo da própria fragilidade e sem necessidade de máscaras. Impossível a gente não orbitar em torno dela.
C. é mais ou menos uma figura de sonho. Virginiana, profunda, reservada. Estuda poesia e fala três idiomas. Alta, atlética, uma notável cabeleira louro avermelhada. Linda. Olhando de fora, parece um poço de placidez e segurança - como se a gente não conhecesse virginianos. Ainda mais quando eles estão com um "projeto secreto". E, claro, é um cadim mais nova que a gente, tem só 26. E ainda não percebeu a própria preciosidade. Se eu não dividisse com ela um passado psíquico semelhante, teria muita dificuldade em entender como isso pode ser assim. Mas eu realmente acredito que com minha influência e a da A., as idéias da moça se revolucionem um pouco e ela consiga olhar de óculos para os espelhos (o de dentro e o de fora).
Enfim, para minha completa surpresa, só não falamos de literatura. Foi a primeira vez, naquele ambiente, que tirei a máscara para respirar. Foi delicioso.
Marcamos umas gandaias para a semana que vem. O curso já começou a ficar bem mais interessante. Acho que até me curei da fobia de rodoviária.

O que eu mais gosto nesse negócio de ser Gêmeos em Gêmeos é que tudo e qualquer coisa pode ser mudado drasticamente, para melhor ou para pior, sem aviso prévio. Amo.

quinta-feira, abril 22, 2010

Noite a noite de uma mestranda à deriva

Final do segundo mês de oito. E eu jä não consigo nem olhar para a rodoviária sem começar a ficar de mau humor. Merde.

Não é que não goste do curso. Adoro. Amo cada minuto. O que eu detesto é viajar de ônibus toda semana. Ficar trancada numa caixa escura andando por uma estrada infinita onde tudo que se vê é pista, mato e escuridão.

O netbook que marido me deu está sendo mais util na manutenção da minha saúde mental (sim, estou escrevendo no ônibus) que para a realização de trabalhos, como inicialmente planejado. O problema é a bateria dura duas horas menos que a viagem. Agora na madrugada tudo bem, porque eu durmo. Mas a volta é um porre. Quero chegar logo em Porto Alegre e a estrada se arrasta...

Estou indo para as aulas tendo esquecido o principal livro da semana: O Olho Mais Azul, de Toni Morrison. O livro é excelente, uma paulada na nuca no meio do escuro, sem a menor possibilidade de defesa. Recomendo muito.

terça-feira, abril 20, 2010

segunda-feira, abril 19, 2010

SOCORRO!!!!

Porque eu só quero lhe dizer... que a coisa aqui tá preta!!!

(Deu pra entender ou quer que eu desenhe?)

sábado, abril 17, 2010

Descobrindo...

... uma coisa nova a cada dia. Ou bem mais de uma.
Um autor, uma possibilidade de pesquisa, uma amizade, uma falsidade, uma liberdade. A possibilidade de dizer não e fazer o que eu estou com vontade de. Que uma perspectiva ótima pode dar numa merde. E que pode surgir algo interessante do nada.
Que dinheiro é uma coisa que acaba rápido, mas vem quando não se espera. Que amor tem vários nomes e várias faces. E dor também.
Uma música nova, um passo novo, um insulto novo, uma dificuldade velha.
Enfim, não importa. O que importa é que a vida está em movimento e isso é tudo que eu preciso para estar feliz.

terça-feira, março 30, 2010

terça-feira, março 23, 2010

Viva, sim. Só correndo

São inúmeros os puxões de orelha pela falta de atualização. Mas tô correndo. Muito. E acabo usando meu tempo de postar para... dormir. Gente, eu ando precisando tanto dormir!
Seguindo a rotina de 4h de ônibus + 12 h em sala de aula + 4 h no ônibus de volta = 20 h semanais de ar condicionado, minha rinite resolveu pirar e o que inflamou foi a garganta, estou numa rouquidão medonha e numa tosse cretina.
Como não tenho dormido muito, o organismo não reage, então está meio... foda, com o perdão da expressão.
Não que as coisas estejam ruins. Estou amando cada minuto no mestrado, apesar dos textos teóricos em espanhol (sim, tenho problema de ler em espanhol, me enrolo menos no inglês e sinto profunda saudade dos textos em italiano da USP) e do Kant, os professores são ótimos, os colegas divertidos e estar em ambiente universitário rejuvenesce meu cérebro em uns quinze anos. Até de almoçar em R.U. eu gosto. Isso porque nem recebi bolsa ainda, que teoricamente é a parte mais divertida.
Encontrei amigas muito queridas nesse findi, mas isto está na minha personalidade bailarinística.
Dei uma abandonada nas aulas de derbake, mas pretendo retornar em muito breve. Fiz umas brincadeiras na festa de sábado e meus toques estão simplesmente medonhos. O pobre do Tuerlinckx vai ter que começar tudo de novo.
Também ando precisando de mais assiduidade nas aulas da Dai.
A parte boa é que comecei dança cigana com a Sayonara Linhares e está sendo uma experiência simplesmente fantástica, completamente diferente de tudo que eu já fiz em dança até aqui. Na verdade, a dança parece ser só um efeito colateral positivo no meio daquilo tudo que é a aula.
Enfim, não me abandonem e mandem notícias. Prometo aparecer sempre que possível. Até mais.

sexta-feira, março 05, 2010

E eu lhe digo com quantos formulários se faz uma bolsista CAPES

Com muitos, senhoras e senhores, muitos mesmo. E com abertura de conta bancária, muitas fotocópias, quaquilhões de assinaturas, reconhecimento em cartório, horas de espera em variadas filas.
Mas eu pedi por isso, não foi? Pedi. A vida vai entrando no normal.
A pensão que eu reservei era um muquifo infecto de dar arrepios. Muita, muita poeira. Teias de aranha a granel, uma barata espatifada sorrindo para mim no chão do banheiro, E mofo, muuuuuuito mofo. Não deu para mim.
Por sorte eu tinha uma amiga na cidade, que vai me receber num esquema infinitamente mais civilizado por um valor muito mais módico. E vocês acreditam que a vaca velha que administra a pensão fez questão de ficar com o valor integral do valor que eu tinha pago a título de reserva, embora eu só tenha passado uma noite lá? Eu disse que não estava pedindo nada de volta, só devolvendo as chaves. Infelizmente, sou um bicho que tem o primeiro reflexo sempre educado, senão tinha mandado ela enfiar o dinheiro no cu, que é o que gente filha da puta deve fazer. Enfim.
Foi a diária mais cara da minha vida. E que serviço!
Mas a boa novidade, na facul, é o que "srs. Burocratas", ou seja, os secretários que me guiaram pelas veredas da documentação acadêmica, são muito mais gente boa que o esperado e foram superqueridos comigo. E, olha, meu povo que não está acostumado com universidade, isso nem de longe é a regra. Minha experiência em secretarias tem sido das mais estressantes, com muitas explicações mastigadas, princípios de bronca e caras feias, com a honrosa exceção da dona Ema, nossa secretária do jornalismo na ECA, que sempre foi "uma mãe" para nós. Ela facilitava tanto para a gente que quando peguei meus primeiros entraves burocráticos nem sabia como começar.
O Jandir e a Irene, entretanto, parecem ser da mesma estirpe da dona Ema e, se não fazem por nós, pelo menos mantém a relação o mais desestressada possível. Beleza.

sábado, fevereiro 13, 2010

Lorelei

Dizem que geminianas aprendem as coisas rápido. Mas tem coisas que eu simplesmente não aprendo.
Sempre me deixo levar pelo encanto de amigas psicianas. Elas são tão sensíveis, quase mediúnicas. Amigas-irmãs. Elas te ouvem como se te conhecessem desde sempre, fazem coisas por você que nenhuma pessoa normal faria, te erguem da lama, te tornam especial. Dividem segredos de sangue.
Às vezes parece que você pode entrar e entrar na vida delas sem limite algum. Chega a dar um pouco de medo.
Parece muito bom para ser verdade, né?
Pois então.

Um belo dia elas desaparecem da sua vida e te deixam cheia de saudades e de uma perplexidade profunda. Oh, não, elas não fazem por mal. Não estão furiosas contigo, nem te sacanearam de propósito. Elas apenas te esqueceram no mundo de coisas que as distrai. Se ocuparam demais de outras coisas. Foram ajudar outras pessoas. Desbravar novos horizontes. Ou sei lá mais o que as psicianas fazem quando não estão perto de mim.
Ok, elas esqueceram, mas aí é só ir atrás delas e lembrá-las, não? Nem tão fácil. Uma vez que você sai do campo de atenção de uma psiciana, não é fácil voltar. Porque elas saem do meio de comunicação que vocês usavam. Deixam de responder emails e scraps. Esquecem de te passar a senha de blogs secretos que, até bem pouco tempo, você era uma das poucas a conhecer. Visitam seu país e esquecem de te contar. Perdem o número do teu telefone. Enfim, a comunicação se rompeu e você mal conseguiu perceber como e onde.
Fica um vazio gigante no peito. Talvez um dia elas voltem, como a maré que vai e vem. Ou não. Tudo é possível. Aparentemente, a única coisa permanente com elas é o encanto que exercem.

sábado, fevereiro 06, 2010

Coisas que simplesmente não funcionam

Eu amo essa cidade, todo mundo sabe. Mas aqui acontecem coisas inacreditáveis, que irritam muito meu laivo de personalidade capricorniana, determinada pelo meu Saturno.
Eu preciso que as coisas funcionem como devem funcionar, mas às vezes...

Ontem, pressionada pelo calor muito intenso na cidade (não preciso dar detalhes, vocês vêem noticiário, né?) fui ao Shopping (é mais Centro Comercial, mas deixa para lá) João Pessoa (que é pertíssimo de casa), comer alguma coisa sob ar condicionado. A recepção gelada no térreo foi muito reconfortante. O estranho era sentir que, conforme íamos subindo, a temperatura aumentava. Foi chocante chegar no terceiro andar (onde funciona a praça de alimentação!) e constatar que o ar condicionado estava simplesmente desligado! Só uma ventilaçãozinha muito furreca funcionava, as pessoas suavam nas mesas... E nós suamos muito também, enquanto decidíamos para que outro shopping iríamos para comer...

Resumindo a ópera, pegamos um ônibus (um T5, também com ar condicionado desligado...) e fomos para o Shopping Praia de Belas. Lá, pelo menos, tudo funcionava no prédio inteiro. Comemos e fomos dar uma volta. Estou querendo comprar um livro para o mestrado. Resolvi dar um pulo na Saraiva Mega Store para ver o preço.
Chegando lá, testei três leitores de código de barras, mas todos estavam desconectados. Procurei uma funcionária e pedi que ela visse o preço para mim. Ela estava do lado do terminal, mas me mandou até o setor de serviços. Cheguei lá e os dois funcionários estavam ocupados e cumprindo morosamente suas funções. Até que a mesma funcionária que me mandou para lá veio atender no balcão de serviço. Estendi meu livro para ela, mas um casal, que chegou depois de mim no balcão, simplesmente deu a volta por trás de mim e passou seus oito livros primeiro! E ela nem aí!
Até que o outro funcionário ficou livre. Pedi o preço para ele e ele saiu do balcão para ver. Voltou do fundo da loja e disse: "Aquele último leitor lá no fundo da loja (leia-se, lá na PQP) está funcionando..." e me disse o preço do livro. Resumindo: veja você mesma (procure você mesma por todas as leitoras da loja gigante) e não ocupe meu tempo...
O preço era o mesmo da livraria Cultura, onde o atendimento é reconhecidamente superior. Mas a real é que não compraria o livro lá nem que estivesse por um terço do preço. Aliás, duvido que entre na loja outra vez.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Skoob

Demorou, mas estou eu.
Tenho umas vinte idéias de resenhas. Quedê coragem?

sábado, janeiro 30, 2010

Match Point - Woody Allen

Sim, o filme.

Eu me dei conta que já estive exatamente na mesma situação que a Nola. Incluindo o fato de eu não ter começado a coisa, da pessoa ter insistido e tal e coisa. Igualzinho.
A merda do Woody Allen é que ele pega esse tipo de situação e te deixa exposta, desnudada em todo seu ridículo. É patético ver como, na cabeça de um homem casado, podemos nos converter rapidamente de uma grande paixão em um um incômodo exasperante.
Fiquei cogitando se não escapei de um tiro nas fuças porque não engravidei (e olha que eu queria e tentei de todo jeito) ou pela segura distância que separa São Paulo do Rio de Janeiro.

Mas a grande questão é: por que raios os homens (casados, que insistem em ter casos fora, para não generalizar) têm de ser tão cretinos? Por que falar em amor quando eles só querem uma trepada espetacular? Pra que mentir tanto, meu Deus?
Todo mundo sabe que hoje em dia a gente dá do mesmo jeito, porra. No meu caso, teria rolado de boa. Só que sem a expectativa de um filho e de um casamento, claro. Talvez não com a mesma entrega.
Será que é da entrega que eles precisam para a trepada ser espetacular? Fico pensando se esse tipo de gente, quando se masturba, estimula o sexo ou o umbigo...

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Aos (bem) poucos vão me mandando as perguntas...

UPDATE: Está começando a bombar! Adoro isso! Nasci para ser entrevistada...rsrs (Gritem comigo: Nar - ci - so! Nar - ci - so! Nar - ci - so!)

E eu vou respondendo... Vão fuçar, quem sabe vocês não se animam?

sábado, janeiro 23, 2010

Responsabilidade, liberdade, alegria

Olá, todo mundo!
Ando bem mais ausente desse e dos meus outros blogs do que antes, né? Na verdade, meio distante da internet, embora continue olhando email todo e blogs preferidos e bla, bla.
É que minha mãe de 72 anos se mudou para minha cidade, mais especificamente para pertinho da minha casa. Ela morava sozinha na cidade dela, sem ninguém da família por muito perto (minha irmã estava a uma hora e meia de carro) e se virava bem. Por conta disso, imaginávamos que a adaptação dela seria tranquila.
Mas ela teve crises de angústia (pânico?), alucinações, seus problemas de visão (ela tem catarata e problemas de retina em função da diabetes) se acentuaram. Com tudo isso, ela não consegue nem sair do próprio apartamento sozinha e minha presença diária está se fazendo necessária.
Eu sei o que você, leitor, está pensando. Sim, isso é um problema, mas não, não é nenhuma tragédia.

É a primeira vez que eu cuido de alguém de verdade na minha vida. Sou uma filha caçula que optou por não ter filhos. Gatos são criaturinhas que se administram praticamente sozinhas e ainda tem R. para ajudar.
Claro que, podendo optar, todo mundo escolheria uma vida com menos responsabilidades. Mas, pela primeira vez, elas não me assustam.

Tive medo, ainda quando ela resolveu se mudar, que ela fosse ocupar todos os espaços da minha vida e me tirar toda a liberdade. Mas aí eu descobri que eu cresci e que consigo impor limites e continuar vivendo minha vida no meio de tudo isso.
Ainda faço minhas aulas de dança e derbake, ainda encontro minhas amigas para papinhos. Com a chegada da querida Vivi Amaral na cidade, tenho feito isto até com mais freqüência que antes. Só estou com um pouco menos de tempo para a "vida virtual". E mesmo assim estou aqui, não estou?

Descobri, aos quase 40, que responsabilidade e liberdade não são excludentes. E que tudo isso traz muita alegria. Estar com ela bem, saber que sou responsável por esse bem estar, me faz muito feliz.
Sim, em março começo o mestrado e vou ter que contratar uma pessoa para passar algumas horas com ela nos dias em que estiver montando monografias ou fazendo aulas em Santa Maria. Mas tudo tem seu tempo e seu lugar.

Continuem escrevendo seus blogs que eu continuo aparecendo. E comentem por aqui também, que eu aprecio muito a presença de vocês. Até breve

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Popularidade

Você começa a medir a sua pela "chuva" de perguntas no seu formspring. Oh, oh!

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Curiosidade mórbida

Eu tenho uma pergunta na ponta da língua para o povo que se incomodou tanto comigo no ano que passou. Esse povo que me perguntou se minha vida teria sido boa algum dia, que me achou louca e inconsequente por largar um emprego "estável" onde eu era tratada como escravinha, que se revoltou contra meu umbiguismo insuportável, que achou que eu gastei tempo demais comigo mesma e se chocou com minha demora em resolver questões emocionais.

Porque, sim, eu tive problemas muito sérios em 2009. E, sim, ainda tenho problemas, nenhuma vida é perfeita. Mas eu vivo a vida de um jeito que eu amo viver. Porque mesmo no meio do furacão, eu não parei um único minuto de correr atrás dos meus sonhos. E os estou alcançando, um a um, apesar de.

Então, me conte, amigo incomodado: e você? O que tem feito da sua vidinha?

Por nada. Só pra saber.

terça-feira, dezembro 29, 2009

A história real de M. - Para que não nos esqueçamos do 2010 maravilhoso que vamos fazer

Sempre quis escrever sobre ela. Mas tinha medo de expor a moça. E, mais ainda, tive medo da dor que isso me trazia. Mas acho que agora chegou a hora.

Conheci M. aos doze anos, entre os jovens de um grupo religioso que eu ajudava a liderar. Ela era uma típica adolescente problema: carente, falastrona, indisciplinada, com uma curiosidade sexual que era pura encrenca. No começo, liderar atividades quando ela estava presente me gelava. Mas não demorou muito para eu me apaixonar por ela.
Logo eu descobri que aquela falastronice era totalmente sincera e que aquela agitação toda era uma carência sem tamanho. M. aprontava muito, mas não mentia. Falava demais, mas não fingia o que não sentia. Em pouco tempo, eu a adorei com a mesma simplicidade que ela me adorou. E ficamos juntas por muito tempo. Foi a primeira vez que tive a noção do que seria amor de mãe.
Ela morava numa casa com outros quatro irmãos adotivos, cada um com uma origem. Chegou nessa casa com um pouco mais de 2 anos, desnutrida. Todos temos uma visão muito idealizada da adoção, mas a verdade é as coisas naquela casa não eram exatamente um mar de rosas. A oficial de justiça que apreciava o poder de tirar a custódia de mães sem as mínimas condições de criar seus filhos, gostava de bebês, mas não exatamente de crianças. Até uns quatro aninhos, era só encantamento. Depois disso, os mais velhos começavam a tomar conta dos mais novos. Além disso, a diferença entre o tratamento dado ao filho legítimo e aos adotivos era muito gritante.
Adicionalmente, por ser uma pessoa muito carismática e de prestígio social, ela acabou atraindo uma grande hostilidade para M., pois vivia choramingando pelos inúmeros problemas que ela lhe trazia. Adultos chegavam a dizer para a menina que a detestavam, que ela não valia nada, que não prestava. Outro dos motivos que provocava esse tipo de reação era a sensualidade natural da menina, que atraía não apenas os meninos da sua idade, mas perturbava homens mais velhos, como descobrimos depois.
Conforme M. foi crescendo, mais a situação foi piorando. Ela era levada de psicólogo em psicólogo, mas quando começava a expor ao profissional a situação doméstica, a mãe adotiva procurava outro terapeuta. M. tinha uma curiosidade muito grande por sexo e por drogas, como toda adolescente. Principalmente as que não são criadas com limites. Isso foi gerando mais tensão. Ela faltava na aula para "aprontar" com os amigos, o que era do conhecimento do quase todo mundo, menos da "mãe" que fingia não ver. Até que ela começou a pegar pequenas quantias em casa.
A situação foi num crescendo e. aos dezessete anos e sem nenhuma formação profissional, sem parentes e sem ter para onde ir, M. foi expulsa de casa, com alguns reais e uma mala de roupas. Num primeiro momento, ela foi encaminhada por um amigo da família para a casa de uma jovem mãe, onde cuidava do filhinho de cinco anos.
O acordo inicial era de que ela teria casa, comida e um pequeno salário para os gastos pessoais. Mas o salário nunca veio. Isso foi gerando atritos. A gota d´água foi quando ela teve um atrito com um cobrador de ônibus e foi levada ao conselho tutelar com o menino. A autoridade advetiu a jovem mãe que a situação de M. era ilegal e ela foi expulsa novamente.
Eu não conseguiria descrever a dor que senti quando ela ligou para a minha casa para me contar que estava morando num hotelzinho fuleiro na zona de meretrício de Porto Alegre, já que não tinha outro lugar para ir. E claro, vendendo seu corpo. Na época eu estava desempregada, meu marido cheio de dívidas e morávamos (ainda moramos) num apertamentinho de 22m2. Eu queria resgatá-la, mas não podia. Eu sentia muita culpa. E ainda não me livrei dela de todo.
As pessoas que a hostilizavam na infância fizeram questão de dizer para ela que sabiam que "ela só servia para isso." Um deles, que a conhecia desde criancinha, a obrigou a fazer programa para ela - ainda que ela estivesse com nojo - e ainda não pagou o valor total do serviço.
Enfim. No começo, eu ia visitá-la, por mais que a situação toda me doesse. Mas ela mudava muito de endereço e de telefone e eu acabei perdendo seu rastro.
Mais tarde fiquei sabendo que ficou alguns anos nessa vida e foi afundando cada vez mais na cocaína - estimulada sempre pelos clientes. O uso acabou levando M. a um estado de paranóia. Quando ela tentou se jogar da janela do sexto andar de um hotel, foi internada num hospital psiquiátrico.
Fui encontrá-la algum tempo depois internada numa clínica evangélica, limpa. Tinha sido diagnosticada sua bipolaridade, ela estava uns vinte e cinco quilos mais gorda, inchada e chapada de lítio e Haldol. Mas o mais duro para ela era não poder usar esmalte, batom, pintar os cabelos. Ser ela mesma.
Claro que ela não aguentou muito. Personalidade nunca faltou ali.
Acabou aprontando um auê e sendo expulsa da clínica. Ficou pulando de galho em galho, entre casas de amigos e contraparentes. Terminou na casa de uma família tão pobre que dormia numa esteira no chão, ouvindo os ratos e sem chuveiro elétrico. Ganhava cinco reais por faxina e usava tudo para comprar comida para ela e para a família.
Até que ela conheceu O. Como eu mesma um dia, ele se encantou pela meninice, pelo bom humor, pela fala rápida e engraçada. Vou resumir a história: estão casados e ela está grávida de oito meses. Moram numa casinha muito fofa na grande Porto Alegre, se amam e se cuidam muito. Ele se informou comigo sobre os problemas psicológicos que ela tem e cuida para que ela se trate.
Fui visitá-la no último domingo. Ela está muito, muito feliz. Ele também. E nós ficamos muito felizes por eles.
Por isso estou contando essa história. Porque ela me ensinou que qualquer situação na vida é superável. Para melhor.

Feliz 2010 para todos vocês!

domingo, dezembro 20, 2009

Máximas do mestre Tumberlinckx para o estudo de música

Se você deixa de estudar um dia, você percebe.
Se você deixa de estudar dois dias, seu professor percebe.
Se você deixa de estudar três dias, TODO MUNDO percebe.

Acho que mifu.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Nove resoluções para 2010

Segue minha listinha. Espero me encontrar feliz com ela no final do ano que vem!

1- Ir a todas as Cerimônias Mensais em Porto Alegre (ou Santa Maria, se for o caso) e ao menos duas vezes ao ano na Sede de Grau Intermediário de Curitiba.

Como já disse o ano passado, isso tem a ver com a minha religião, a Sukyo Mahikari. Acho que religião é coisa que não se discute, muito menos na Internet. Se alguém ficar muito desesperadamente curioso, pode me procurar por e-mail. (Mas é isso que você entendeu, não aceito provocações nem argumentações, não sobre ESTE ASSUNTO.) Só posso dizer que tem a ver com demonstrar gratidão por tudo que nos é concedido nesse vida.

2- Controlar o diabetes.

Acho que dispensa comentários, né? Estou com um aparelho de medição de glicemia em casa, o que já é um começo.

3- Manter as leituras e os fichamentos em dia. (Projeto Mestranda Exemplar)

Outro auto-explicativo, né. Procrastinar leituras foi meu primeiro e fatal pecado no meu último mestrado, que não pretendo repetir.

4- Publicar pelo menos dois artigos e fazer ao menos uma comunicação até o final do ano. (Projeto Mestranda Exemplar II)

É isso, aí. Já que tio Lula vai me pagar para estudar, vamos produzir!

5- Aprender a girar.

É, me dei conta que esse é meu principal tendão de Aquiles na dança. Estou programando aulas extras e treinamentos para isso. Pretendo me programar para vencer um obstáculo por ano. E esse vai ser o ano da enceradeira! (hehehehe)

6- Dedicar um tempo regular ao estudo da percussão árabe - aprofundando no estudo do daff.

Estou cada vez mais apaixonada por esse negócio. Preciso corresponder, porque sei que daí só vem coisa boa!

7- Fazer aula de dança cigana com a Sayonara Linhares.

Depois que eu encasqueto com uma professora... A mulher é tudo. Tenho que. Vou dar um jeito de me organizar. Sonho de consumo total.

8- Adquirir um daff profissional.

As platinelas de latãozinho choc-choc do meu daff de bailarina são pra lá de brochantes. Virou sonho de consumo já, fazer o que. Vou ter que comprar no exterior (pedir pra alguém que for, dããã - via Internet rola muito imposto e nananã) porque aqui só tem de pele animal e eu quero de pele acrílica. Aceito dicas e oferecimentos.

9- Eliminar 7 kg

Os que faltam. E passar do estágio gorda-gestante para a fase gorda-gostosa. Yeah!

É isso aí. Boa sorte para mim.

Primeiro lugar no Mestrado em Estudos Literários da UFSM! Su no Kami-sama, makoto-ni arigato gozaimashita!!!

É isso, meu povo! Acabou a contagem regressiva!
Passei e tenho bolsa! Meu futuro para o próximo ano está definido!

As apresentações foram ótimas, minha mãe chegou bem, a mudança dela está quase nos finalmentes. Tudo deu incrivelmente certo!

Em breve post com as resoluções para 2010!

Obrigada a todo mundo que torceu, que emprestou livro, que leu meu projeto, que deu dicas. Beijos a todos e eu volto assim que meus neurônios pararem de explodir fogos de artifício!

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Nebtidi Mnain El Hikaya - ou "Pagando King Kong com um pandeiro árabe na mão"

Então tinha a apresentação da banda do meu professor, mestre Tuerlinckx. Claro que desde que eu soube era óbvio que eu ia: além de ser meu amigo, adoro qualquer coisa que ele toque e as bailarinas-amigas do coração (Karine Al Shams, Zahira Razi, Anisah Parvaneh e Gina Vitola) iam dançar. Diversão garantida!



Tudo lindo, mas aí no final da aulinha de derbake de toda terça-feira, Tuerlinckx me olhou com aquele olharzinho manhoso de libriano aprontão e me perguntou: "tu vais na quinta-feira?". Ao que prontamente respondi: "Calaro!" E o moço me lasca: "leve seu daff (o pandeiro árabe do título) !" Eu perguntei se ele tinha certeza. Ele tinha. Então tá. "Mas o que vocês vão tocar? O que EU vou tocar? Rola ensaio?" Não rolava. E ele não soube me dizer o que eu ia tocar. Disse pra eu relaxar que era só uma brincadeira, para eu ir acompanhando conforme a coisa acontecesse. Como eu insisti, ele me deu uma lista de cinco ritmos que iam entrar (para os do meio: said, malfuf, maksoum, ayubi e whada wo noz), para que eu tivesse qualquer coisa para estudar em casa.



Enfim, não botei muita fé. Afinal, ele é um professor em quem confio cegamente e um músico responsável. Outras pessoas também estariam tocando e ele não ia meter a si mesmo numa fria.



Fui pro evento faceirinha, levei o tal do daff, mas para tirar um sarro da cara dele depois. Cheguei na Cia. de Arte, encontrei as meninas, cumprimentei o moço brevemente e fiquei de bate-papo. Ele nem me perguntou nada. Comecei a sentir o aliviozinho dos covardes.
O show começou. Passou a primeira música, a segunda, a terceira, nada. Tinha até esquecido do bichinho.

Aí na quarta música (que eu NÃO SABIA qual seria), seu Tumberlinckx me pergunta (no microfone!): "Samara, você trouxe o daff?" Eu respondi numa vozinha mínima: "Trouxe..." "Então vem!" Eu fui. O nervoso era tanto que eu quase não conseguia tirar o instrumento do saco em que o levei. Fui.

Ele brincou com a platéia que ele estava me botando na fogueira, que eu nem sabia qual era a próxima música. Fico pensando em quantos imaginaram que era verdade mesmo. Bão, começou. Era a música aí do título do blog. Tá, eu não vou dizer que nunca tinha ouvido a música. Mas é um CLASSICÃO, com todas as maiúsculas. Que, por acaso, não tá no topo da minha lista de preferidos, eu nunca tinha estudado, não tinha idéia dos ritmos. Todavia, vamo lá!
E logo no começo do negócio não tinha um darig? Sim, você olhou bem a lista lá em cima e esse ritmo não está nela. Para piorar, em um ano de derbake, eu nunca tive esse negócio em aula, não sabia nem o fraseado básico! Fico imaginando a cara de "que porra é essa?" que eu devo ter olhado para ele nesse momento mágico.><

Contando assim, parece que foi um trauma. Mas verdade é que, é que... eu gostei para caralho!!! Foi uma das coisas mais prazerosas que eu já fiz na minha vidinha inteira! Tocar (ainda que fazendo algumas merdas inevitáveis) ao lado de músicos de verdade, com uma bailarina dançando ao som do seu instrumentos é uma das experiências mais incríveis que eu me permiti (sim, porque se eu ficasse - como foi meu hábito por anos - só me preocupando com os meus erros, com a falta de ensaio e com os que os outros estariam pensando não teria curtido nada) nessa vida. Música é um negócio que me move lá de dentro das minhas entranhas amigas.


Estou muito, muito grata ao mestre. E ele que se vire agora, porque uma vez experimentada a cachaça eu quero é muito mais!!!
(Desculpem aos amigos não-arabescos, eu tentei mostrar a música aqui, mas o Blogger entra num pau infindável toda vez que eu tento postar música ou vídeo. Se eu tiver acesso à gravação, posto o vídeo no YouTube e deixo o link aqui.) UPDATE: A Lory botou um link para a música nos comentários, se alguém ficou curioso!!! Valeu, Lory!

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Tortura acadêmica

Estou esperando o resultado da josta do Mestrado para postar aqui, chorar as pitangas ou comemorar com ustedes. Quedê de sair o resultado?

Tenho entrado no portal da UFSM mais que nas minhas (quatro) contas de email. Affe, que demora!

Fora esse suspense insuportável, tenho apresentação hoje e amanhã. Depois conto o que foi. Juro que quero escrever mais, mas com tudo isso e com minha mãe chegando no domingo é expectativa demais para eu administrar. AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!

Esse blog voltará em poucos dias à sua programação normal.

sábado, novembro 28, 2009

Do ano que se passou

Pois é, galera. 2009 está batendo as botas. Pros japoneses, o ano já acabou, novembro é pra avaliar o ano que passou e dezembro já pra planejar o ano que vem.  Como coloquei minhas resoluções de final de ano aqui, vou abrir a avaliação delas para vocês.
Em abril, fui atingida por um míssel nuclear emocional e isso trancou a realização de muitos planos,até porque fiquei um mês e meio de molho, numa depressão foda. Nem tudo é ruim: serviu pra garimpar os colegas dos amigos de verdade e quantificar a importância das relações românticas na minha vida. E chegar à conclusão que nunca, em tempo algum, posso deixar as coisas chegarem a esse ponto de novo.
O centro da minha vida é Aquele que me criou (desculpem amigos incrédulos e ateus, eu sou religiosa, mesmo não impondo isso aos outros), depois Dele, eu mesma. Porque se eu não estou bem, não consigo fazer nada por ninguém. E ninguém mais. por mais importância que tenha na minha vida, merece ser orbitado por mim. Ponto final.

Segue o balanço (estou muito para listinhas, perceberam?)

1. Ir a todas as cerimônias deste ano. (Resolução de cunho religioso que fica muito longo de explicar.)

Não consegui. O emocional me deixa prostrada e mexe direto com o espiritual - daí que. Pelo menos cheguei ao final do ano muito mais forte do que comecei.


2. Apresentar ao menos duas pessoas. (Idem)

Então, mesma coisa.


3. Voltar a ser jornalista.

Estava me empenhando, mas aí descobri duas coisas importantes:

(1) Meu curriculo envelhecido 12 anos não é muito atraente para o mercado.
(2) Jornalismo é uma função fácil para mim. Mas o que eu AMO, mesmo, nessa vida, é literatura. Só a arte me toca, só a arte me dá significado. Eu tinha me afastado da literatura por ter criado nojo da corrupção que grassa no meio acadêmico. Mas já estou forte o suficiente para procurar alternativas e me dispor a driblar tudo isso. Tipo: Literatura, vol - tei!


4. MORAR MELHOR

Sem emprego? Nem. Mas consegui umas melhoradinhas onde já moro. Mas sim, tinha que ser melhor.


5. Perder 15 kg.

Perdi 8kg desde março. Ah, podia ser pior, né? Vamos ver se perco os outro sete ano que vem. Acho que quando estabeleci essa meta esqueci que estou chegando perto dos quarenta...


6. Cuidar do diabetes.

Acreditam que ainda não consegui me acertar com nenhum médico? Estou cuidando da alimentação (principalmente depois de outubro, quando as minhas taxas foram a 300 e tantos) e tomando minhas pílulas, mas sem controle constante. Se tudo der certo, devo estar com plano até o final desse ano. E no ano que vem, pretendo comprar uma aparelhinho de controle de glicemia.


7. Dançar pelo menos 15 minutos, três vezes por semana, fora as aulas.

Lógico que não consegui. A falta de espaço, piso e espelho no meu apartamento ajudam, mas sou desorganizada mesmo. Em compensação, nunca estudei tanto dança como esse ano e parece que estou conseguindo alguns resultados positivos agora, no final dele.


8. Preparar uma apresentação decente para meu aniver, em junho.

Preparar, até preparei. Mas a decência passou longe. Não foi com música ao vivo, porque a grana não chegou. O resto do fiasco se fez quando meu emocional despencou. Pra não dizer que não foi nada, foi uma bela lição de como não me apresentar.


9. Estudar derbake 15 minutos por dia.

Mesma coisa que com a dança. Mas, ainda assim, estudei bem mais que no ano passado. E comecei a ter aulas de daff, o que só me enche de alegria.


10. Entrar no Coral da PUC.

Engavetei TOTAL Até porque meu professor de canto começou a ficar ocupado DEMAIS (é o problema de ter aula com os melhores) e teve que abandonar o projeto voluntário do qual eu participava.. Mas um dia eu ainda volto a cantar. O que me consola é que, das atividades que eu faço, é a que menos sente os efeitos da idade. Talvez eu deixe de ser soprano, mas não tenho nada contra contraltos.


E os seus planos? Me conta o que aconteceu com eles! Deixa nos comentários ou conta no seu blog e me deixa o link! Beijos a todos.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Direto do meme da Liciane

Porque eu sou copiona.

1- Qual a cor do seu cabelo? (que vc usa) Castanho o mais avermelhado que eu conseguir.
2- Liso, crespo, ou ondulado? Liso até a metade, ondulado nas pontas.
3- A cor dos seus olhos? Castanho escuros.
4- A sua altura? 1,75
5- Peso? 90 kg
6- Já foi gorda(o)? Nunca deixei de ser, só mudaram as gradações.
7- Que cores vc mais gosta de vestir? Preto, roxo, vermelho.
8- Vc prefere roupa justa ou larga? jeans ou moleton? Folgada sem ser larga demais. Jeans. Moleton em gorda é suicídio estético.
9- Para as mulheres, salto alto ou baixo? Para as mulheres altos. Para mim e meus ligamentos, baixo.
10- Para os homens, tênis ou sapato? Depende do homem, mas em geral prefiro sapato.
11- Que gênero de filme vc prefere? Estranhos.
12- Gosta mais de musicas lentas ou agitadas? Depende de pra que.
13- Vc toca algum instrumento? Derbake e daff. Mas tocar não é bem a palavra. Eu tento.
14- Vc tem irmãos? Uma. Oito anos mais velha.
15- Diga um prato saboroso que vc sabe fazer. Lasanha verde aos dois molhos.
16 -Vc gosta mais de doce ou salgado? Doce. Mas sou diabética
17- Vc gosta de dançar? Loucamente
18- Sente saudade de quê/quem? Do meu pai. Da minha mãe e da minha irmã. Da minha sobrinha. De alguns dos meus melhores amigos que moram em São Paulo, no Rio, em Brasília.
19- Chocolate branco ou preto? Preto.
20- Inverno ou verão? Nah, primavera e outono.
21- Vc prefere solidão ou multidão? Solidão a dois. Ou três. No máximo uns cinco.
22- Sorvete ou pipoca? SORVETE.
23- Refrigerante ou suco? Que sabor? Suco. Abacate com laranja.
24- Filme em casa ou no cinema? Cinema.
25- Vc chora com facilidade? Sim.
26- Qual foi o primeiro blogueiro que começou freqüentar seu blog? Deus... qual deles? Acho que a Roberta Salgueiro.
27- Vc conhece pessoalmente alguém da blogosfera? Quem? A Roberta Salgueiro, a Luana Mello, o Rafael, a Ket, a Janahina, a Daiane Ribeiro, a Bellit, a Inkling, a Karina Iman, o Rodrigo Gurgel e espero não ter esquecido ninguém.
28- Quais blogueiros moram na mesma cidade ou próximo a vc? A Daiane, a Liciane, a Bellit e a Ket.
29- Se vc ganhasse na mega, diga 10 coisas que vc faria/compraria!!!
1. Instrumentos musicais árabes superprofissionais.
2. Muitos vestidos fantásticos para dançar.
3. Um apartamento amplo no Bom Fim.
4. Móveis que eu escolhesse para esse apartamento.
5. Um carrinho, que ninguém é de ferro.
6. Muitas passagens Brasilia-Porto Alegre, Salvador - Porto Alegre, Porto Alegre - São Paulo para ver meus amigos e meus amigos me verem.
7. Abriria uma casa de espetáculos árabes em Porto Alegre, com toda prioridade para o conforto das bailarinas.
E quem disse que depois de tudo isso ainda sobra dinheiro?

terça-feira, novembro 24, 2009

Voltando ao mundo virtual - sem culpa

Minha famigerada prova foi ontem. Fácil não é a palavra adequada, mas eu diria que foi um dos exames mais justos que eu já realizei na vida. Caiu exatamente o que eles pediram para estudar (e que eu estudei muito muito muito muito muito), incluindo o meu raciocínio sobre os conceitos. Se eu não passei, é porque estou ficando burra mesmo, não tem jeito. Vai ficar nas mãos Daquele que rege minha vida mesmo, como sempre.

A boa novidade é que fui cercada de gentileza por todos os lados - e isso não é pouco no meio acadêmico.
Ia ficar hospedada na casa da mãe de uma amiga, que já conhecia, mas com quem não tinha muita intimidade. Aí, para minha surpresa, fui recebida pelo filho da minha amiga. Um anjinho ruivo chamado Bruno que me fez todas as honras, me apresentou a casa e a cidade, me emprestou o melhor travesseiro do mundo para dormir e conversou comigo até eu descobrir o quanto ele era uma pessoa maravilhosa e ficar mais calma. No dia da prova, não contente em me mostrar como chegar, ele foi comigo até a porta do prédio e eu fui obrigada a dizer: "agora só falta você entrar e fazer a prova por mim!" Olha, não que a gente não saiba, mas é muito bom relembrar que ainda existem pessoas maravilhosas neste mundo.

Durante a prova, não foi diferente. As pessoas que encontrei (algumas mestrandas daquela universidade, fazendo seleção para o doutorado) foram superqueridas e me forneceram informações importantes. Fiquei feliz em saber que existe um curso que valoriza mais os estudos literários que a linguistica (passei a vida ouvindo que os linguistas são os cientistas da língua e nós somos o resto). Minha potencial orientadora também foi de uma gentileza rara no meio. Em suma, toda a experiência foi muito legal.

Agora, me dei férias até sair o resultado ou o final do ano, o que acontecer depois. ^_^
Minha mãe está se mudando para Porto Alegre e vou aproveitar o tempo para fazer a mudança dela, estudar MUITO música e dança e claro, escrever em blogs.
É isso. Estou aliviada por ter feito o melhor que podia. Tô feliz.

sábado, novembro 14, 2009

Cotidiano

A diferença entre teoria da literatura e teoria literária. Crítica literária. História literária. As características da lírica moderna. Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé. Literariedade, intenção, representação, recepção. A sociedade burguesa e o surgimento do romance. A mudança de pessoa na poesia lírica. Defoe, Richardson e Fielding. Estilo, história e valor literários.

Enfim, estou com essa loucura toda na cabeça por isso não estou escrevendo sobre mais nada. Em duas semanas é a prova, eu volto a ser gente de novo e, consequentemente, a escrever.

Beijos saudosos.

sábado, novembro 07, 2009

Diálogo surreal na casa dos nerds

-Olha, o policial índio do Twin Peaks! Fazendo papel de... policial índio...
-Twin é gêmeo, né?
-É.
-Porcos gêmeos?
-Que porcos, de onde você tirou esses porcos?
-Não é Twin Pigs?
-Hahahahahaha!!! P E A K S. Picos gêmeos. É o nome do lugar.
-Ah, tipo Dois Irmãos.
-Isso. Zomenos.
-Hahahaha! Mas dava uma ótima camiseta. Com os porquinhos e embaixo escrito: Twin Pigs!
-...

terça-feira, novembro 03, 2009

Sumiço, mais um

Simples, pessoas: fiquei doze dias sem internet nem telefone em casa. 

Vou postando as coisas que escrevi nesse meio tempo. Divirtam-se, daqui umas horas/dias volta tudo ao normal.^_^

Presente passado

Ouvindo Paralai do Pauline en la Playa numa tarde de sábado e faxina. Numa sentada para recuperar as forças, fico imaginando onde você anda. Deve estar com suas meninas, sábado de sol. Talvez terminando o livro que nunca termina, mas perto delas.

E penso em como sua alma é sensível e doce. Macia. Uma substância muito macia protegida por arestas de uma racionalidade aguda e de um sarcasmo afiado.

Arestas que eu amo, pois te tornam único. Mas nós dois sabemos que te amo mais e te amo até hoje porque um dia, temerosamente, você me deixou mergulhar nessa maciez e ser envolvida por ela. Engoli muito dessa substância doce – mas nunca enjoativa – e não me curei da embriaguez até hoje.

Era só isso. Deixa eu voltar para minha roupa suja. Mas agora com um sorrisinho maroto no rosto.

Mais das transformações

Eu queria ter palavras para explicar para você, para ele, para ela, para todo mundo, a transformação que está se operando nessa pessoinha aqui. A verdade é que não tenho, meu quinto chacra é justamente o que anda mais fechadinho. Ok, mas isso não muda o fato de eu ser uma tagarela geminiana e querer falar.

Mais ou menos assim: como previsto, tudo o que eu semeei contra todo tempo ruim no inverno está frutificando agora. Meu corpo fez as pazes comigo, meus pés fizeram as pazes comigo. Nunca pisei com tanta segurança e isso é e não é só uma metáfora, embora a metáfora sirva também. Meu quadril está entrando no nível II de soltura (o nível I eu tinha recuperado no fim do ano passado, com as aulas da Karina Iman, se alguém se lembra). Estou compreendendo os passos mais facilmente, apreendendo sequências mais facilmente, me deslocando com maior segurança (é, os pezinhos centrados de novo) e minha memória para coreografias e o resto melhorou sensivelmente. Meu coração está sereno e fica mais fácil concentrar em tudo, dentro e fora da dança.

Nas aulas de derbake também tá rolando um certo progresso. Ainda não tenho um terço da habilidade desejada com a mão esquerda, mas pelo menos já começo a compreender os processos de como não fazer errado.

Sei que deve parecer meio estranho para os leitores não dançantes/tocantes eu usar a dança e a música (digressão: ai que saudade das minhas aulas de canto!) para tudo. Mas é que eu acredito de verdade - di cum força - que arte está no nível mais importante de coisas que um ser humano consegue fazer – daí que viraram um bom termômetro para o  meu estado geral de ser e de me conhecer. Se a minha memória para coreografias está boa e meu quadril está fluente, fico muito mais confiante para coisas como seleções de mestrado e entrevistas de emprego, se é que me entendem.

Claro que nem tudo são rosas e minha vida está cheia de preocupações. Mas eu estou conseguindo mudar as coisas que estão ao meu alcance e isso muda radicalmente minha forma de encarar todo o resto.

As coisas estão tão diferentes comigo que estou seriamente decidida a não me envolver emocionalmente nos próximos anos. Quer dizer, as pessoas que amo vou amar sempre, é isso mesmo. Mas não quero mais me apaixonar loucamente, não quero colocar mais nenhuma outra pessoa no centro da minha vida. Quero me estabilizar, trabalhar, me trabalhar, me conhecer, me aperfeiçoar. Pela primeira vez na vida isso me dá tanto prazer quanto cuidar de alguém. E mais ou menos desde os 17, eu emendo um relacionamento no outro, uma paixão na outra, era muito raro eu passar mais de um mês sem estar pelo menos empolgada por alguém. Acho que está na hora de dar um tempo.

Eu quero me conhecer melhor. Bem melhor. Quero estar me amando muito quando for dividir meus sentimentos com alguém de novo. Não quero mais necessitar desesperadamente da presença de quem quer que seja. Nunca mais. Sou uma companhia excelente e era isso. (Tá, tem minhas patologias que ainda tornam as paixões avassaladoras mais complicadas, mas não tô numas de bancar a enciclopédia psiquiátrica hoje.)

quinta-feira, outubro 15, 2009

Tudo bem por aqui

Pessoas, não, eu não morri. Ao contrário, estou vivendo em doses maciças, então não tem sobrado muito tempo para escrever. Desculpinha, tá?

Tenho trabalhado muito com meu corpo. Estou fazendo acupuntura, massoterapia, dança do ventre com duas professoras ótimas e continuo estudando percussão (que pede mais do cérebro, sim, mas que para mim continua sendo uma atividade física).
Daí que descobri coisas interessantes. A primeira que me acostumei a sentir mais dores no corpo do que o normal. Certo que uma boa parte disso era em função do lítio, mas agora ele se foi e está na hora de dar uma trégua. A acupuntura e a massagem tem ajudado horrores nisso.
Outra coisa que descobri é que pelo menos uns 70% das minhas dificuldades com deslocamento e giros tem a ver com o fato que eu passei todos esses anos apoiando meu peso na lateral externa do meu pé (e do resto das pernas), o que, além de causar dor, detonava meu equilíbrio. Estou reaprendendo a usar o pé todo e me sinto bem melhor.
Além disso, não sei exatamente porquê, mas minha memória para sequências e minha noção espacial estão voltando, a passos largos. A impressão que eu tenho é que funciona meio como um computador: eu dei uma organizada e limpada geral nos arquivos, então me sobrou espaço para esses "arquivinhos temporários" da dança. Sei lá, a sensação é boa.

O resto do tempo eu tenho estudado feito louca para a seleção de mestrado, minha gente. Por isso sumi do sr. MSN. Aliás, alguém tem "Os filhos do barro" do Octávio Paz pra me conseguir, de qualquer jeito que seja? Obrigada.

Em novembro eu volto com a corda toda. Beijocas a todos.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Um novo tempo, apesar dos perigos

Uma notícia complicada, mas boa. Depois de quatro anos de tratamento (ou nossa entrada no quarto ano da série, como eu costumo dizer), meu psiquiatra resolveu me livrar do lítio. Ah, mas você estava tão bem. É estava. Mas o lítio dá uma sensação de estafa constante, uma briga boa com o travesseiro de manhã e vai te detonando os dentes à conta-gotas. Quebrando tudo, aos pouquinhos. E eu tenho esse sonho, assim, de chegar aos sessenta com os MEUS dentes na boca.
Ah, mas você nunca contou isso. É, acho que não contei. Mas eu sabia que não podia, assim, simplesmente, parar de tomar. Tem coisas bem piores que dor no corpo e dentes incomodando. Por outro lado, são coisas chatinhas cotidiana às quais você se habitua. E se for para ser chatinha, melhor ser chatinha pelos grandes motivos, que os pequenos são muitos, né? Então. (E eu podia ter engordado vinte quilos e passado por outras coisas bem mais chatas e que eu não cheguei a experimentar.)
Tá, então por que seu médico não trocou antes? Por segurança.
Tipo, mais seguro para mim. O lítio é mais "pancadão" que outros medicamentos, mas mantém a estabilidade de forma mais efetiva. Principalmente pacientes com histórico de ideação suicida (o termo é dele, mas dá pra entender. Não me sinto lá muito à vontade para explicar).
Mas, como eu disse, já se passaram quatro anos. E eu acabo de administrar uma mega crise afetiva em tempo recorde e praticamente sozinha (o psiqui diz que eu sou a paciente modelo dele :)). Meu anjo das pílulas brancas resolveu me emancipar do lítio.
Entra em campo o oxcarbazepina, vulgo Trileptal, que deve dar os mesmos efeitos sem o impacto sobre a dentição e sem a estafa e dores no corpo. Mas, claro, cada corpo é um corpo. Sempre podem ocorrer efeitos não esperados, sempre existe a possibilidade de eu ter que experimentar outros medicamentos ou voltar pro lítio.
Mas ter passado de fase, poder experimentar, é sempre muito bom. Desejem-me sorte.

P.S.: Cibila, moça, cadê você?

terça-feira, setembro 15, 2009

Io ho fatto così...

Um dos meus grandes amigos foi pra Itália. Na verdade, foi passear na Itália e na Croácia, mas essa história se passa na Itália.
Ele viajava com um grupo de amigos japoneses e eles estavam comendo sanduíche de supermercado há quatrocentas refeições. Mas R. é gaúcho, pombas! E fez sua pequena revolução (todo gaúcho carece de fazer uma revoluçãozinha de vez em quando) declarando que daquela noite não passava: ia comer carne! Apesar do custo da refeição os japas toparam. A situação do moço devia mesmo ser desesperadora.
Bom, foram a um restaurante caríssimo, mas conseguiram uma refeição composta por uma entradinha, uma sopinha e... um BIFÃO!!!
Passou a entradinha, passou a sopinha e chegou o esperado momento. Ao servir o desejado, o garçom disse algo sobre estar sem tempero algum. Sem pensar duas vezes, meu amigo se serviu do saleiro. Mas Murphy é implacável. A tampa do saleiro caiu e formou-se, nas palavras do meu amigo, "um pequeno monte Fuji" sobre o bifão. Ele diz que começou a chorar, mas como ele anda sofrendo mutação genética para virar japonês (longa, longa história), talvez a gente não deva levar isso tão ao pé da letra.
Enfim, o garçom veio ver qual era. Acontece que as primeiras línguas desse meu amigo são o japonês, o português e o inglês, não sei se necessariamente nessa ordem, é o que tudo indica. Então ele se saiu com um:

"Io ho fatto così e... kaputt!"

O garçom usou de toda boa vontade para reprimir a gargalhada, mas o clima de seriedade foi para o espaço de qualquer modo. E, sim, meu amigo ganhou um outro bife.


Essa é uma das várias histórias impagáveis que eu ouvi ontem na casa da Bellit, num jantar com ela e o R. Infelizmente, as três garrafas de vinho tinto que tomamos entre a lasanha, o canelone e os doces, apagaram as outras temporariamente.
Obrigada, crianças! Eu realmente precisava disso.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Desafios, derbake, daff-snuj e cerimônia do chá

Sigo com as aulas de derbake. O negócio é tão maravilhoso quanto difícil. Vou criando, aos poucos, o hábito de estudar em casa, o que melhora - e muito - o desempenho de qualquer um. Não tenho problema com tempos, ritmos, nada assim. Meu problema é minha mão esquerda, que não me obedece. (E a direita de quando em vez também dá umas rasteiras.)

A solução para isso, explica meu professor e mestre zen, é a repetição. (A repetição exaustiva leva à perfeição, diria a professora de dança do ventre e mestra zen Daiane Ribeiro.) E não apenas a repetição: a repetição lenta, para tornar o movimento perfeito antes de acelerar.

Acontece que eu sou Gêmeos em Gêmeos, pessoas. Eu faço tudo muito rápido. Eu acelero tudo. Eu acelero relógios e toca discos que ficam em meu poder. É um inferno. E o que é pior: quem disse que eu sou capaz de aprender na velocidade que eu coloco nas coisas? (Esse deve ser meu maior problema com a dança. Pois.)

*digressão* É que a gente vive num mundo em que rapidez é virtude. Borghetinho é considerado um ás na gaita porque toca a 200 por hora. Na DV todo mundo quer ver shimmie a 200 por hora. O que exige um derbake... *fim da digressão*

Bom, enfim, ai o Tuerlinckx me perguntou se eu nunca tinha feito nada lento na vida. Pensei um pouco e respondi com olhos nostálgicos que sim, minhas aulas de cerimônia do chá. (*suspiro* Ai, que saudade. *fim do suspiro"). Aí a gente inventou a modalidade "tocar para a cerimônia do chá".

Nossa aula de derbake fica parecendo um ritual fúnebre indígena, mas confesso que minhas mãos estão começando a fazer as pazes com graves e agudos. Mas claro que não é tão simples.

Não é tão simples porque eu sou completamente louca, medicada e tudo, como todos sabem. E o que uma louca faz quando tudo tá difícil? Pega outra coisa difícil para fazer junto. (Meu professor não deve bater muito bem também, afinal, a proposta foi dele.) E comecei a fazer aulas de daff JUNTO com o derbake. Pessoas, é mais difícil do que parece.

Eu sempre brinquei com o simpático pandeirinho, só que eu tocava como dançarina, com ele de frente pra mim. Agora estou aprendendo a tocar como instrumentista, com a pele de frente pro público. O que dói o músculo abaixo do dedão da mão esquerda vocês nem podem imaginar. E pra advinhar o que é borda e o que é pele "dis costa"? Mas eu A DOU RO!!! Louca de atar.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Casa Z

Ontem fui ao chá de inauguração da Casa Z, da Sayonara Linhares e da Caroline Klipel. A casa se intitula centro de Cultura e Dança Cigana, mas vai ter muito mais coisa rolando por lá: danças circulares sagradas, dança do ventre (com a Gina Vitola, de Porto Alegre), medicina chinesa (na qual a Sayo é especialista há quinze anos) e, logo logo, flamenco.

Elas estão instaladas numa casa antiga e ampla no centro de Novo Hamburgo (r. Lima e Silva, 163 - do lado da Brigada Militar), com aquela disposição gostosa de cômodos que as casas modernas não tem mais. As gurias são de um capricho incrível e nenhum cantinho foi esquecido: das cores vibrantes das paredes e do teto aos menores objetos, tudo dá uma sensação ótima.

As donas da casa dançaram emocionadíssimas, Gina representou as danças árabes e um grupo vindo de Caxias (eu e minha memória ><) apresentou uma coreografia de Malagueña Salerosa que teve que ir pra rua, nas salinhas já não cabia. Foi uma festa muito gostosa, com mais alegria e menos olhinhos tortos do que eu estou acostumada na DV...

Desejo toda a sorte para as meninas e, para quem mora na região, deixo a dica.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Três aninhos de Mente Inquieta

Como não poderia deixar de ser, três anos de altos e baixos, de ficção e realidade, de compartilhamento e rejeição.
Eu agradeço a todos que vieram, que se identificaram ou não, que deixaram sua marca.
A vida e o blog continuam. Até mais, ali na esquina.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Disciplina é liberdade

E como a liberdade é difícil de conquistar.

Estou armando todo um esquema de autodisciplina para trabalhar nas coisas que quero conquistar, enquanto sr. Emprego não vem. Mas depois de tanto tempo sem rotina alguma, não é muito fácil.
O mais comum é a Samara disciplinada apanhar feio da Samara deixa pra depois, que andou ganhando muita força nos últimos tempos. Por isso não tenho escrito, por isso tenho perdido eventos, por isso tenho deixado de lado a necessidade de ir pra balada.
Estou me ralando para ser uma pessoa diferente do que eu tenho sido e isso dá um bocado de trabalho.

Mas sempre voltarei aqui, esse é meu canto e eu adoro papear com vocês.

domingo, agosto 02, 2009

Transição

Quem tem acompanhado meus últimos posts pode nem acreditar, mas, por natureza, não sou uma pessoa agressiva. Mas acabo de voltar de um período de guerra, em que meu Marte, em Câncer, mostrou a que veio.
Dei muita porrada, levei muita porrada. Muita. Se bati ou apanhei mais? É relevante? Cada um sabe de suas cicatrizes.

Acho que foi um período necessário para limpar e para aprender. Mas acabou.
Estou há quatro semanas enfurnada em casa, cicatrizando, reconstruindo, redirecionando. Acredito que esteja pronta para retornar à rotina normal a partir desta semana. Só quando eu chegar lá vou saber. E não vou explicar clinicamente que é um porre, mas digamos que sair sozinha nas últimas semanas estava exigindo toda uma logística.

Decidir fazer mestrado de novo. (Para quem não sabe, tenho um mestrado inacabado em Literatura Japonesa pela USP) Ainda não consegui me mexer para isso, mas sei o que tenho de fazer. Desejem-me sorte.

sábado, julho 25, 2009

A pílula certa, no lugar certo

Evitava falar dessas coisas aqui, mas resolvi perder esse pudor. Isso é tão parte da minha vida quanto tutorial de maquiagem para algumas de vocês.
Essa coisa de bipolaridade, significa, basicamente, que a fabriquinha do seu corpo que produz os reguladores das suas emoções não funciona direito. (Não, não vou usar qualquer termo técnico que fica xarope.) A produção inexiste ou não dá conta.
Então aparece esse moço abençoado na sua vida, que os populares chamam de psiquiatra e te dá bolinhas mágicas que botam seu pobre cérebro nos eixos.
Eu tomo bolinhas de dois tipos, toscamente dizendo: o estabilizador, que regula minhas variações alucinadas de humor e o antipsicótico, que "barra", por assim dizer, as reações exacerbadas do meu cérebro e me impede de chegar naquilo que os médicos chamam de "surto psicótico", que é quando a gente perde a relação com o mundo normal e chega a conclusões desprovidas de razão. Muito bem.

Tudo isso para explicar que, por umas questões práticas, fiquei quase uma semana sem meus antipsicóticos (meu médico pegou gripe A, tadinho, uma confusão).
É louco, porque parece que não está acontecendo nada com você, até que as pílulas chegam. A primeira noite de sono com o bagulho é inesquecível. Porque eu tenho esse problema que as minhas sinapses (ah, googleia!) não param quando eu durmo, a não ser que eu tome esse bicho. Aí eu durmo, mas meu cérebro continua trabalhando. Dá para imaginar o estado que eu acordo pela manhã? Pois.

Depois de dois dias, minha capacidade cerebral é outra. Olê olê olá. Viva a indústria farmacêutica!

quinta-feira, julho 23, 2009

Gostos simples

Há quem me ache sofisticada, mas a verdade é que sou uma pessoa de gostos simples.

Falando de salgados (doce é outro problema), não há prato na culinária mundial que me arrebate mais do que um feijão bem feito. Nada.

E não é assim, me sirvo bem. Como feijão com feijão. Descongelo feijão às quatro da manhã se varo a madrugada trabalhando. Como feijão frio (contanto que não venha arroz na combinação).

Agora, se você quer me ver delirar e comer que nem criança é por uma camadinha de farinha de mandioca torrada por cima. AI, MEU DEUS!!! Nossa família não é de origem nordestina, mas devo ter pego o costume numa das minhas andanças paulistanas.

Sei que nutricionalmente é chuva no molhado. Sei que caloricamente é uma bomba desnecessária.

Mas na minha modesta opinião tem nada melhor nesse mundinho de meu Deus.^^



Falando em coisa boa nesse mundo: quando Ayala, minha gata rajada, deita no meu braço pra dormir, o tempo para. Ela tem o ressonar mais gostoso e fofinho do mundo e eu fico uma infinidade de minutos esperando ela acordar pra me mexer.

É incrível o quanto esses bichinhos conseguem despertar ternura. A gente acaba amando, amando, amando eles desesperadamente. Quando quase mudei de endereço, a parte do coração que era delas era a única absolutamente inadministrável.

Dá medinho. Eles vivem menos que os humanos. Mesmo os humanos avançados em anos como eu. Ai.

Ando brava, né?

Mas a real é que ando precisando - e muito - que usem as muitas coisas que sei em um trabalho.
Porque sabe, modestamente, eu sou um bicho cheio de talentos. E não sou burra, não.

Entretanto, estou com quase quarenta. E o mercado, esse sim, é burro de pedra.

quarta-feira, julho 22, 2009

Classe e elegância

Engraçado, esse comentariozinho do Anônimo (aliás, bem típico de anônimo), me fez pensar na minha amiga Ro Salgueiro.

E concluir: se eu fosse homem ninguém questionaria isso, né, não?

Tomar naquele lugar, machaiada!

segunda-feira, julho 20, 2009

Com você aprendi...

... a dizer "foda-se" para muita gente e muita coisa. Valeu.
Só esqueci do palhaço principal: você mesmo.

Se for por falta de lembrança: VÁ SE FODER!!! Por um objeto/membro da grossura de um braço, sem lubrificante, sem preliminares.

quarta-feira, julho 15, 2009

Lembrete

Olá! Lembrem-me, por favor, de não me envolver emocionalmente com seres humanos de 12 anos de idade emocional.

É, desses que chutam o que um dia beijaram e ficam se achando "os macho bagarai" depois. Aliás, não estou mais em idade reprodutiva, tô dispensando machos.

E o que tem além disso? HOMENS. Coisa que tem gente que tem muito o que pastar pra ser.

Obrigada.

sábado, julho 11, 2009

Reclamar um pouco, que esse blog é meu

Ansim (proposital, ok?), uns dias atrás postei reclamando de uma coisa que achei altamente desrespeitosa com a minha pessoa, por conta da bipolaridade. Até porque veio de uma pessoa para a qual gastei uma boa quantidade de tempo e saliva explicando como esse tipo de coisa é complexa para mim.

Antes de qualquer alegação que não dá para justificar a vida por um distúrbio, eu sou a primeira a defender isso. Mas informação sempre é útil e eu andei levando muuuuuuuita porrada da vida ultimamente, por isso a necessidade de desabafar. Antes de torcer o nariz e mudar de página ou de post, lembre-se que pode acontecer com você. Com seu filho, seu irmão, seu namorado, a mulher da sua vida. QUALQUER UM.

Não é objetivo deste post ser referência. Para isso existe São Google. São só umas coisinhas contadas "de dentro".

1) É muito sacal as pessoas darem opiniões sobre o que não conhecem. A frase "ai, acho que sou meio bipolar" é de ferver o sangue. Corrija se ouvir e cale se falar.
Ninguém é meio bipolar, pombas. Não é bipolar quem tem altos e baixos de humor - isso se chama humanidade. Todo ser humano muda de humor, por estímulos vários.
O problema do bipolar é que ele não fica eufórico - ele é alçado. E vai ficando cada vez mais eufórico até "explodir". Ele pode entrar em surto psicótico (leia-se, sair da racionalidade dos seres normais, perder a noção do real, podendo ferir-se ou ferir os outros). Ele não tem o controle químico que uma pessoa normal tem, não tem (ao menos sem medicação) controle sobre tudo isso.
O bipolar não cai em depressão. Ele despenca. É muito mais rápido e mais profundo. Nada parecido com "ficar tristinho". É uma prostração profunda, que impede tarefas básicas, compromete a interação com as pessoas. O inferno.
Isso não o torna melhor, nem pior que ninguém. Mas diferente, sim. E sim, pode ser melhorado e controlado com remédios - mas nunca vai ser uma pessoa totalmente igual aos outros, até pela experiência de vida.

2) As crises são exageradas, as emoções hiperbólicas. Então não é estranho que a expressão do bipolar seja um pouco diferente.
A minha é, como vocês que leem esse blog devem ter notado. São meus anos, minhas cicatrizes, minha vivência. Em função disso, sou tachada, rotulada e carimbada aqui e acolibri. Costumo brincar, mas aqui é meu espaço de desabafo: acho isso um porre.
Tenho até um velho amigo amigo que me apelidou de drama queen. Sou exagerada, sim. Mas ser exagerada e dramática não é uma frescura, um frufru. Uma opção. É uma maneira inexorável de viver a intensidade das coisas. Quer saber, NO CU todo mundo. Ah, falei!

3) O mais chato é ser tachado de mentiroso. O bipolar passa por situações de vida que os outros não passam. O bipolar toma remédios que o mais perto que você passou foi no balcão da farmácia. Isso gera situações insólitas. Às vezes você toma uma bordoada da vida e precisa de uma dose maior pra não entrar em crise e pirar - o que gera um sono abissal. Mas se o outro não conhece essa situação - é MENTIRA.
Às vezes tu acorda de madrugada com cólica e de manhã está fora da casinha, porque tu toma antipsicótico (pra evitar os famosos surtos) e aquela porra desacelera tuas sinapses pra tu dormir e a coisa não pega no tranco. Mas os colegas não tem duvída - MENTIRA PRA MATAR TRABALHO. Como teu envolvimento emocional é mais rápido e intenso e tu já aprendeu a não ter vergonha disso, advinha? Logo acham que é MENTIRA PRA SEDUZIR.
Aí tu passa 100% do tempo tentando ser idônea pra caraleo, tentando fingir que não sabe pronunciar bipolar e sendo tachada disso e daquilo o tempo todo.

Tipo, bipolares são pessoas e pessoas não são perfeitas. Eu não sou perfeita. Eu tenho uma moral bem pessoal, sou egocêntrica pra caraleo e mais outros defeitos que é melhor não falar, porque já vi que cada defeito que eu admito é mais um que levarei na cara amanhã ou depois.
Pronto, falei. Quem quiser aproveitar como informação, beleza.
Quem não quiser, o x à direita é serventia da casa.

UPDATE: A quantidade de erros que saiu na primeira versão desse post foi impressionante. Nem eu mesma explico isso.

Hermética, ma non troppo

Só pra não aumentar a confusão na cabeça das pessoas.

O "Sr. Muito Importante" é um.

O sujeito dos outros posts todos, é outro.

Quem é quem, como e por que não vem ao caso.

Obrigada pela atenção.

Imitando Pizzicato Five

Acho que não vou ao meu pub preferido, nessa estação.

quinta-feira, julho 09, 2009

Ao Sr. Muito Importante II

1) Sim, eu cuidei exclusivamente das minhas emoções dessa vez. Porque quando eu deixei para cuidar das suas, lembro bem do resultado.

2) Por que será que eu sinto ciúme do seu envolvimento com outras pessoas, por que? Por que será que eu não consigo ser só sua amiga? Por que será que as vezes eu faço coisas pra te machucar? Por que será que eu tentei mas não consegui? Mistério, né?

3) "Porque você não liga pra mim." É, não ligo mesmo. Porque cansei do unilateral.

Não te desejo mal. Só te desejo longe, porque você sempre acaba me machucando.

Deselegância

Como eu nunca escondi nesse blog, sou portadora de transtorno afetivo bipolar e personalidade borderline. Aliás, eu nunca escondo isso de ninguém porque eu acho que as pessoas devem saber com o que estão lidando. Normalmente eu conto até o terceiro dia, com bônus explicativo. Se a relação tem algo de sexual, conto antes. Porque sim, eu me trato, mas submetida a reações de stress, é quase certo que vou reagir diferente das outras pessoas.

Aí depois de tudo isso, alguém ter a cara de pau de taxar meu envolvimento como "fixação doentia" e me taxar de "anormal" é de uma deselegância atroz. É tipo, "Sua louca, pare de ser louca!"

O equivalente a trombar num cego e perguntar "não olha por onde anda???"
Resumindo, não é só deselegância, é desrespeito, também.

E não, sua couraça de egocentrismo e "foda-se" não muda essa realidade.

terça-feira, julho 07, 2009

Eu tenho o poder mutante de me transformar em lixo

Não é incrível? Eu não congelo objetos com meu olhar, eu não lanço línguas de fogo, eu não leio mentes.
Eu me transformo em lixo.

O processo é bem simples: primeiro eu me exponho a seres humanos. Então eu deixo que eles me envolvam, me seduzam e dou o melhor de mim nesse processo. O melhor de mim MESMO, o melhor de mim inteira, porque eu não sei fazer joguinhos.
Aí, depois de utilizado o que tinha de mais doce - bem direitinho, lambendo o invólucro pra não sobrar nenhuma doçura: tchanam!

EU VIRO LIXO!!!! Perco todo meu valor e sou descartada. E se ainda fico por perto pela natureza grudenta do meu recheio, causo justificadíssima ira.

E aí? Qual é seu poder mutante?

segunda-feira, julho 06, 2009

Hermética e gastronômica

Frustração é ter se esforçado a vida toda para ser um medalhão da melhor carne, ao molho de frutas exóticas e, quando finalmente se chega à mesa, descobrir que seu comensal preferia mil vezes um BigMac....

sábado, julho 04, 2009

Intrigas de estado

Quando fui ver, não tinha a mínima referência. Só sabia que era com o Russell Crowe e era o suficiente, amo o homem sarado, gordo, insano ou equilibrado. Fazendo o que fizer, adoro.
Aí, logo descobri que era filminho de jornalista. E eu adoro uma história de jornalista. Como muitos sabem, eu me formei em Comunicação pela USP, nos idos (muito idos) de 1995 e por isso - e por ter muitos amigos que continuaram na lida - sei que não é essa ação toda, que a coisa não tem o menor glamour e que nem tudo é bem assim. Mas continuo adorando.
Até porque tem um amigo meu que lembra muito o Crowe. Ele não é nada investigativo e é até sossegado demais, mas enfim. Eu tenho um amigo que se larga nas investigações até quase (quase?) botar a vida na berlinda, mas ele não lembra nada o ator, é japonês. E tem um outro que mata entrevistados de medo com o olhar, mas também não parece com ninguém que vocês conheçam.
Não importa como, tenho uma nostalgia brava do jornalismo. Pena que estou velha demais pra voltar.
E o filme é bom, vão ver.

quinta-feira, julho 02, 2009

Ao Sr. Muito Importante

Depois de três anos de uma relação em que você me partiu em mil pedacinhos, eu voltei a falar com você. Porque o seu bom papo sempre me convenceu de que você me apreciava como pessoa e tudo aquilo era parte das circunstâncias.
E voltamos a conversar. Eu sempre tratada como um resíduo nuclear, tive que criar um pseudônimo masculino para falar com você no GTalk.
E o tempo passou, você voltou a usar seus pseudônimos antigos e até volta a postar no blog de velhas amigas - mas NO MEU, NÃO.
Eu não posso entrar no seu MSN porque ele é "público" (resumindo, tu é um frouxo que não controla o acesso da tua mulher sobre ele - aliás, sobre tudo na tua vida). Não posso mandar um sms do meu celular porque "meu número pode ser visto".
Enquanto isso, você faz sexo virtual com metade da web.

Quer saber? Mesmo? Vá a puta que te pariu. Ninguém me trata como pessoa de segunda classe, muito menos você. Siga seu rumo e seja feliz com sua hipocrisia. Eu vou é cuidar mais de mim.

quarta-feira, julho 01, 2009

Da vida real, ela mesma

Depois de finalmente sacar meu FGTS, atravessando várias questões burocráticas para provar que eu solteira-casada-divorciada sou a mesma pessoa.
Agora meu destino é correr atrás do seguro-desemprego. Como a coisa é feita? Claro, do modo mais inteligente: você pega às seis e meia a fila para a distribuição de senhas que começa às oito: e reza para estar entre os 150 primeiros.
Não consigo deixar de ranger os dentes e pensar que estabelecer um sistema de agendamento não iria, necessariamente, colocar o sistema em colapso. Mas não basta dar o benefício: é preciso humilhar e maltratar o desempregado. Com mil caralhas!!!