É isso, galera, depois de um desemprego que se arrastava desde 1997, com uma pequena pausa de três meses em 2005, estou empregada. E num lugar muito, muito legal. Uma das entidades ecológicas mais respeitadas de Porto Alegre - e não apenas.
O mais interessante é que esse emprego caiu, praticamente, do céu. Eu não procurei por ele, eu não pedi por ele, ele me foi oferecido. Dentro de um recinto sagrado, "por acaso". É, eu estou bem contente.
A única coisa menos "uau" disso tudo é que adia meus planos de ter um bebê. A pessoa precisava de alguém que ficasse direto pelo menos um ano e meio, para dar andamento no trabalho que tem de ser feito. Eu aceitei fazer um acordo. Não achei abusivo, a coisa toda foi feita com muita franqueza e sem pressão - ainda mais que eu não preciso desesperadamente do salário para viver, graças ao marido - só um cadinho frustrante. Por outro lado, vai me proporcionar condições de ter um parto como eu quero (natural, em casa, com doula etc - dentro das possibilidades médicas, é claro) quando isso acontecer. Até lá, ir tocando.
Por falar em frustração, minha segunda aula "retomatória" de dança foi menos sofrida. Apesar de ter bastante giro e deslocamento, coisas em que não me considero boa. Mas o corpo obedeceu mais e me pareceu menos assustado com a idéia de voltar a se mexer. Um dia eu chego lá.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Frustração
Hoje tive a minha primeira aula de retomada da dança do ventre. Preparei-me toda, cheguei mais cedo, deu para bater um bom papo com a professora - que é um doce de coco, como já se sabia e esperava. E fomos para aula.
O tema era relativamente simples: redondos, oitos, ondulações e suas combinações. Não que não se possa aprender nada a respeito, mas não era nada que oferecesse dificuldade física na sua execução. Eu achava.
Mas, amigo ouvinte, cinco anos não são cinco dias. E cinco anos é exatamente o tempo que eu estou parada. Eu sabia como fazer os movimentos. Meu cérebro sabia. Sabia como fazer sem desencaixar o quadril, levantando ou não os calcanhares. Só que o corpo não sabia mais.
Os movimentos saiam contidos, travados, descontinuados, sujos. Eu olhava para o espelho e não acreditava. Meu oito maia era uma coisa tititiquinha de nada - embora eu soubesse que o movimento estava sendo feito no sentido e direção que devia ser. E, sabe, eu costumava ter orgulho do meu oito maia - era uma coisa ampla e contínua, parecia que a onda vinha de fora de mim.
Eu sei, eu sei, vocês vão me dizer que eu criei expectativa demais para uma primeira aula. Mas é que eu sabia que minha dança tinha caído muito, mas achava que PELO MENOS em redondos, oitos e ondulações eu não me sairia tão mal. Mas não foi assim.
É muito triste a gente perder totalmente o controle de algo que antes dominava com facilidade. Dá uma sensação de impotência gigantesca. Além disso, estou toda dolorida.
Sosseguem, não estou nem pensando em desistir. Mas que dá uma baita sensação de "ai, que puxa", isso dá.
O tema era relativamente simples: redondos, oitos, ondulações e suas combinações. Não que não se possa aprender nada a respeito, mas não era nada que oferecesse dificuldade física na sua execução. Eu achava.
Mas, amigo ouvinte, cinco anos não são cinco dias. E cinco anos é exatamente o tempo que eu estou parada. Eu sabia como fazer os movimentos. Meu cérebro sabia. Sabia como fazer sem desencaixar o quadril, levantando ou não os calcanhares. Só que o corpo não sabia mais.
Os movimentos saiam contidos, travados, descontinuados, sujos. Eu olhava para o espelho e não acreditava. Meu oito maia era uma coisa tititiquinha de nada - embora eu soubesse que o movimento estava sendo feito no sentido e direção que devia ser. E, sabe, eu costumava ter orgulho do meu oito maia - era uma coisa ampla e contínua, parecia que a onda vinha de fora de mim.
Eu sei, eu sei, vocês vão me dizer que eu criei expectativa demais para uma primeira aula. Mas é que eu sabia que minha dança tinha caído muito, mas achava que PELO MENOS em redondos, oitos e ondulações eu não me sairia tão mal. Mas não foi assim.
É muito triste a gente perder totalmente o controle de algo que antes dominava com facilidade. Dá uma sensação de impotência gigantesca. Além disso, estou toda dolorida.
Sosseguem, não estou nem pensando em desistir. Mas que dá uma baita sensação de "ai, que puxa", isso dá.
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Comemorazushi
Ontem , finalmente, eu e minha sensei vitalícia terminamos de passar a revisão (feita pelo novo editor) do livro que traduzimos quando eu estava na graduação. Estávamos nesse trabalho minucioso há quase um ano. Chegar no último capítulo foi um alívio indescritível. E agora, se tudo der certo, o livro deve ser publicado antes do final do ano! E pensar que eu comecei essa tradução em 2000!!!
Bom, terminado o trabalho, uma mal sabia como convidar a outra para comemorar. Eu estava pensando num choppinho. Ela tinha uma idéia mais ambiciosa. Pegamos o Esposo - de quem ela gosta muito - e fomos comer sushi. E quando se fala da minha sensei, é para ser sushi da melhor qualidade. Ela pagando.
Foi uma lambança! Não comia tão bem há muito tempo. Nem bebi, mas a alegria do trabalho terminado, somada à explosão de sabor dos sushis e sashimis me deixou alta. Foi uma delícia.
Para terminar, fui de café com tortinha, na cafeteria ali do lado. Eu não passo mesmo sem sobremesa.><
Agora só preciso começar o trabalho com a minha dissertação. Terminá-la será um prazer maior ainda.
Bom, terminado o trabalho, uma mal sabia como convidar a outra para comemorar. Eu estava pensando num choppinho. Ela tinha uma idéia mais ambiciosa. Pegamos o Esposo - de quem ela gosta muito - e fomos comer sushi. E quando se fala da minha sensei, é para ser sushi da melhor qualidade. Ela pagando.
Foi uma lambança! Não comia tão bem há muito tempo. Nem bebi, mas a alegria do trabalho terminado, somada à explosão de sabor dos sushis e sashimis me deixou alta. Foi uma delícia.
Para terminar, fui de café com tortinha, na cafeteria ali do lado. Eu não passo mesmo sem sobremesa.><
Agora só preciso começar o trabalho com a minha dissertação. Terminá-la será um prazer maior ainda.
sábado, fevereiro 09, 2008
Sumiço involuntário
Confesso que sumi. Mas não foi uma das pausas para reflexão de antigamente. Pelo contrário. Estão acontecendo muitas, muitas coisas boas na minha vida e não tem sobrado tempo para parar na frente do computador. Vejo os emails, no máximo um ou dois links de vídeos que me mandam, respondo o indispensável e tchau. Sinto falta de ter tempo de ficar lendo e lendo na tela, preparando posts monstruosos, mas acho que foi uma época que acabou. Isso porque ainda não caí de cabeça na minha dissertação de mestrado, a mal falada. Mas no meio disso tudo não deixo vocês - que hoje são muito poucos. Mas me dá prazer ter um blog, de qualquer modo.
Esses dias, por motivos que não vou abrir ainda, fui comprar umas pecinhas de roupa novas. Resolvi não me estressar e não ficar ficar xingando as minhas formas: fui numa loja de roupa para gordinhas mesmo. Aqui em PoA temos umas poucas lojas para gordinhas com menos de 65 anos e foi numa dessas que eu fui. Uma delícia. Poder escolher as peças pela beleza e pelo que tivessem a ver comigo e não pelo perigosíssimo critério: "você tem do meu tamanho?" E sabe, eu estou gorda, mas não sou exatamente um mamute. Não preciso de uma tenda de circo para me vestir. Essas roupas poderiam estar tranquilamente nas araras das lojas ditas de roupas ditas "comuns", porque as pessoas acima do peso não são uma minoria tão insignificante em nosso estado. Mas é que as lojas para gordinhas outro diferencial, né? O preço. Com os mesmos dinheiros com que comprei oito peças para o magérrimo Esposo há um mês, levei apenas três peças. Claro, se gasta taaaaaanto tecido a mais... Como diria minha querida amiga I., é um cu.
De qualquer modo, foi uma compra que valeu. Só não fiquei mais feliz (e não levei mais) porque a lojinha "muderna" está seguindo à risca a modinha atual, cujas cores berrantes e padronagens escandalosas não agradam muito meu gosto de perua clássica. Nada é perfeito.
Esses dias, por motivos que não vou abrir ainda, fui comprar umas pecinhas de roupa novas. Resolvi não me estressar e não ficar ficar xingando as minhas formas: fui numa loja de roupa para gordinhas mesmo. Aqui em PoA temos umas poucas lojas para gordinhas com menos de 65 anos e foi numa dessas que eu fui. Uma delícia. Poder escolher as peças pela beleza e pelo que tivessem a ver comigo e não pelo perigosíssimo critério: "você tem do meu tamanho?" E sabe, eu estou gorda, mas não sou exatamente um mamute. Não preciso de uma tenda de circo para me vestir. Essas roupas poderiam estar tranquilamente nas araras das lojas ditas de roupas ditas "comuns", porque as pessoas acima do peso não são uma minoria tão insignificante em nosso estado. Mas é que as lojas para gordinhas outro diferencial, né? O preço. Com os mesmos dinheiros com que comprei oito peças para o magérrimo Esposo há um mês, levei apenas três peças. Claro, se gasta taaaaaanto tecido a mais... Como diria minha querida amiga I., é um cu.
De qualquer modo, foi uma compra que valeu. Só não fiquei mais feliz (e não levei mais) porque a lojinha "muderna" está seguindo à risca a modinha atual, cujas cores berrantes e padronagens escandalosas não agradam muito meu gosto de perua clássica. Nada é perfeito.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Mais de mim mesma
Passei a tarde de hoje tomando um agradável café com uma dançarina daqui de Porto Alegre. Ou melhor, de Esteio. Uma das melhores dançarinas que eu já conheci, diga-se de passagem. Enfim, falamos.
Falamos muito de dança e muito da vida também. De relacionamentos e de ecologia. Histórias pessoais e vegetarianismo.
A gente sempre aprende muita coisa com as pessoas, só de conviver. Mas essa moça, nesse momento, me mostrou umas direções importantes e interessantes de vida.
Ela é daquelas pessoas que tem uma confiança inabalável no poder de mudar a própria vida. Desde a postura de dança através da consciência corporal até que se a perda de peso através da mudança da alimentação - sem médicos ou nutricionistas envolvidos.
Pode não parecer, mas eu sou uma mulher muito religiosa. Eu realmente acredito, como dizia meu doce e querido pai, que "não cai uma folha de uma árvore sem que Deus o permita". Mas eu aprendi, dos próprios orientadores da minha religião, que "a gente faz a permissão" - no sentido que é a nossa postura que determinará o nosso destino, que nos colocará de acordo com a vontade de Deus e, em conseqüência, com os desígnios dele. Resumindo, que cabe à nossa iniciativa mudar nossas vidas.
É o tipo de coisa que todo mundo está careca de saber, mas que eu estou vivendo com mais concretude agora. Eu tenho uma dissertação que quero ver terminada e cabe a mim, a ninguém mais, trabalhar nela. Eu tenho um rolo de gordura sobre o meu estômago que me incomoda e atemoriza (por causa da relação direta entre adiposidade abdominal e doenças cardiovasculares) - e cabe a mim tirar ele de lá. Minha dança está chocha e com os passos sujos - idem. Eu quero caminhar de manhã mas não levanto da cama. E por aí vai.
Estou num momento particularmente abençoado. O que não tira a minha responsabilidade sobre o progresso que eu quero continuar obtendo.
Um belo dois mil e oito para todas nós. Já disse?
Falamos muito de dança e muito da vida também. De relacionamentos e de ecologia. Histórias pessoais e vegetarianismo.
A gente sempre aprende muita coisa com as pessoas, só de conviver. Mas essa moça, nesse momento, me mostrou umas direções importantes e interessantes de vida.
Ela é daquelas pessoas que tem uma confiança inabalável no poder de mudar a própria vida. Desde a postura de dança através da consciência corporal até que se a perda de peso através da mudança da alimentação - sem médicos ou nutricionistas envolvidos.
Pode não parecer, mas eu sou uma mulher muito religiosa. Eu realmente acredito, como dizia meu doce e querido pai, que "não cai uma folha de uma árvore sem que Deus o permita". Mas eu aprendi, dos próprios orientadores da minha religião, que "a gente faz a permissão" - no sentido que é a nossa postura que determinará o nosso destino, que nos colocará de acordo com a vontade de Deus e, em conseqüência, com os desígnios dele. Resumindo, que cabe à nossa iniciativa mudar nossas vidas.
É o tipo de coisa que todo mundo está careca de saber, mas que eu estou vivendo com mais concretude agora. Eu tenho uma dissertação que quero ver terminada e cabe a mim, a ninguém mais, trabalhar nela. Eu tenho um rolo de gordura sobre o meu estômago que me incomoda e atemoriza (por causa da relação direta entre adiposidade abdominal e doenças cardiovasculares) - e cabe a mim tirar ele de lá. Minha dança está chocha e com os passos sujos - idem. Eu quero caminhar de manhã mas não levanto da cama. E por aí vai.
Estou num momento particularmente abençoado. O que não tira a minha responsabilidade sobre o progresso que eu quero continuar obtendo.
Um belo dois mil e oito para todas nós. Já disse?
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Alquimia cotidiana
Em outro tempo, outro blog, outra encarnação, eu escrevi sobre os prazeres que a culinária pode nos dar. Mas era o contexto específico de se preparar o alimento para o homem que se ama. Não é disso que quero falar agora.
Ontem estava cozinhando para uma amiga que se recupera de uma cirurgia (nada sério, uma lipo) e, enquanto o fazia, refleti um pouco sobre a beleza deste ato.
Fora a delícia de estar se doando, de estar dando seu tempo e energia para o prazer e nutrição do outro - o que pode nem acontecer, você pode cozinhar para você mesmo e ser um momento mágico também - a coisa em si é toda muito bonita.
Alimento não chama assim por acaso, são pedaços de energia e beleza. Acaso alguém é capaz de dizer que não são belas as tiras fininhas de cebola que escorregam pela faca, que não é a coisa mais doce a textura dos cogumelos sob a água, que não existe poesia em limpar uma batata e transformá-la em cubinhos? Tudo isso te nutre enquanto você ainda está cozinhando.
Tem um perfume que eu acho o supra-sumo da culinária cotidiana ocidental. Alho fritando num bom azeite. Aquele aroma inebriante que faz as pessoas virem até a cozinha - até aquelas que acham que nem gostam de alho - e dizerem: "Hmmm, isso já está cheirando bem!" Claro que tem coisas mais sofisticadas como a sinfonia do chocolate derretido cobrindo as trufas, mas nem precisa tanto.
Culinária é magia, ao nosso alcance, todos os dias.
Ontem estava cozinhando para uma amiga que se recupera de uma cirurgia (nada sério, uma lipo) e, enquanto o fazia, refleti um pouco sobre a beleza deste ato.
Fora a delícia de estar se doando, de estar dando seu tempo e energia para o prazer e nutrição do outro - o que pode nem acontecer, você pode cozinhar para você mesmo e ser um momento mágico também - a coisa em si é toda muito bonita.
Alimento não chama assim por acaso, são pedaços de energia e beleza. Acaso alguém é capaz de dizer que não são belas as tiras fininhas de cebola que escorregam pela faca, que não é a coisa mais doce a textura dos cogumelos sob a água, que não existe poesia em limpar uma batata e transformá-la em cubinhos? Tudo isso te nutre enquanto você ainda está cozinhando.
Tem um perfume que eu acho o supra-sumo da culinária cotidiana ocidental. Alho fritando num bom azeite. Aquele aroma inebriante que faz as pessoas virem até a cozinha - até aquelas que acham que nem gostam de alho - e dizerem: "Hmmm, isso já está cheirando bem!" Claro que tem coisas mais sofisticadas como a sinfonia do chocolate derretido cobrindo as trufas, mas nem precisa tanto.
Culinária é magia, ao nosso alcance, todos os dias.
terça-feira, janeiro 15, 2008
Ureshii
Feliz! Feliz! Feliz! Está confirmado: eu volto a dançar neste mês de fevereiro. E com uma professora que eu admiro muito muito.
Entendam bem: eu volto a dançar depois de quase cinco anos parada. E dançar é muito, muito, muito, muito para mim. Sim, estou repetitiva e superlativa. Mas é só para que fique claro o quanto isto significa para mim. O quanto quero voltar a poder me expressar com meu corpo, coisa que costumo fazer muito, muito melhor do que com palavras. É como se estivesse sendo envolvida por um rio refrescante de coisas boas depois de uma longa, longuíssima travessia pelo deserto.
Obrigada.
Entendam bem: eu volto a dançar depois de quase cinco anos parada. E dançar é muito, muito, muito, muito para mim. Sim, estou repetitiva e superlativa. Mas é só para que fique claro o quanto isto significa para mim. O quanto quero voltar a poder me expressar com meu corpo, coisa que costumo fazer muito, muito melhor do que com palavras. É como se estivesse sendo envolvida por um rio refrescante de coisas boas depois de uma longa, longuíssima travessia pelo deserto.
Obrigada.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Palavreado
Não quero mais tuas histórias pintadas de sangue. Tuas narrativas de olhos molhados.
Não quero mais teus contos de amor e de morte. Tuas crônicas policialescas de suicídio e de dor. Chega. Um dia elas talvez voltem a ter seu espaço, mas agora chega, não há mais paciência para tudo isso.
Quero tuas pequenas vitórias. Tuas alegrias cotidianas. Quero ouvir falar de gatos e de bebês. Quero histórias com flores e terra molhada. Relatos de véus de seda e lantejoulas. Crônicas sobre livros e filmes que mexam com teu coração. Admito tristezas e até alguma impaciência, mas dou preferência ao que vier pontuado por um breve sorriso.
Não quero mais teus contos de amor e de morte. Tuas crônicas policialescas de suicídio e de dor. Chega. Um dia elas talvez voltem a ter seu espaço, mas agora chega, não há mais paciência para tudo isso.
Quero tuas pequenas vitórias. Tuas alegrias cotidianas. Quero ouvir falar de gatos e de bebês. Quero histórias com flores e terra molhada. Relatos de véus de seda e lantejoulas. Crônicas sobre livros e filmes que mexam com teu coração. Admito tristezas e até alguma impaciência, mas dou preferência ao que vier pontuado por um breve sorriso.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Chuva de verão
Lavando, revirando, refrescando tudo. Gotas e mais gotas se espalhando sobre a terra quente. É tão bom. A brisa que vem refresca os corpos ferventes também. Como faz calor em Forno Alegre.
Tão boa, tão boa essa chuva.
Depois da saga da vesícula, agora meu pâncreas resolveu dar o ar da graça. Tem doído. Lá vou eu pro médico de novo. Acho que o pâncreas não dá para tirar assim, impunemente, que nem a vesícula, né?
Não tem nada a ver com nada, mas cada dia mais eu me dou conta da necessidade de economizar recursos naturais. Sem querer ser ecochata, mas a situação do nosso planetinha está caótica, pessoas. Estou querendo dar uma revirada legal na casa para fazer a minha parte. Outro dia quis insultar um moço que lavava va-ga-ro-sa-men-te a calçada do trabalho com uma mangueira, gastando litros, litros e mais litros de água potável para empurrar poeira de um lado para o outro. Só a vergonha (talvez vergonhosa, de minha parte) de ser tachada de louca me conteve. Devia haver multa para esse tipo de comportamento - e fiscalização para aplicá-la. Que puxa.
Tão boa, tão boa essa chuva.
Depois da saga da vesícula, agora meu pâncreas resolveu dar o ar da graça. Tem doído. Lá vou eu pro médico de novo. Acho que o pâncreas não dá para tirar assim, impunemente, que nem a vesícula, né?
Não tem nada a ver com nada, mas cada dia mais eu me dou conta da necessidade de economizar recursos naturais. Sem querer ser ecochata, mas a situação do nosso planetinha está caótica, pessoas. Estou querendo dar uma revirada legal na casa para fazer a minha parte. Outro dia quis insultar um moço que lavava va-ga-ro-sa-men-te a calçada do trabalho com uma mangueira, gastando litros, litros e mais litros de água potável para empurrar poeira de um lado para o outro. Só a vergonha (talvez vergonhosa, de minha parte) de ser tachada de louca me conteve. Devia haver multa para esse tipo de comportamento - e fiscalização para aplicá-la. Que puxa.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
E depois de tanto tempo...
...tenho ganas de escrever. Escrever diferente do que escrevia antes, ainda assim escrever. Escrever sem revisar para catar os erros porque tenho vergonha de que alguém descubra que por vezes eu escrevo as palavras do jeito errado e que eu não sou lá grande datilógrafa (uau, é digitadora, mas mantenho essa pérola do passado - um dia terei que contar a meus filhos o que veio a ser uma datilógrafa). Escrever sem definir o que é ou não ficção. Escrever sem regras e sem me importar com o porquê.
Enfim.
Tenho ganas de escrever. Porque a minha amiga vai embora e isso mexe muito muito comigo. Porque ela é muito especial sabe, não é a amiga por acaso. Ela é a única que entende o que eu digo, às vezes. E a gente lê os livros e vê os filmes que o resto do mundo detesta - nem sempre são os mesmos, os de uma e os de outra, mas a gente se entende mesmo assim. Falando em filme, ela me levou pra ver aquele filme do Benício del Toro que está em cartaz. É, aquele com a moça do Oscar. Lindo. Lindo. Muito lindo. Não, não estou falando do Benício, mas do filme mesmo. Uma história muito bem narrada, com muita sutileza e dignidade. O filme sobre relações humanas mais bem feito que eu já vi nos últimos tempos. Vejam.
Falando em relações humanas, uma faceta que aparece no filme é a de que nada é fácil, a vida está cheia de transformações que não prevemos nem desejamos e lidar com ela é uma luta diária, que vamos vencendo aos bocadinhos. Aí eu penso de novo na minha amiga que tem uma vida toda para vencer e que tem muito medo. E eu digo para ela que ela vai conseguir de boa. Porque eu digo isso para mim mesma. E digo a Deus: "Ela é muito, muito especial, ela tem que conseguir, ainda que eu não. " Ela vai. Daqui a pouco ela volta, deixando toda uma vida para trás, pessoas e cachorros que farão imensa falta. Vai ser duro, mas ela vai superar. E superar esse mundo profissional carrasco, também.
Eu quero desistir do Mestrado. Mas todo mundo brinca, me anima, não leva a sério e eu não consigo. Mas eu realmente não tenho idéia de como tocar esse troço. Tenho de como não tocar. Enfim.
Alguém sabe me responder com precisão qual é a cor dos olhos do Benício del Toro?
Enfim.
Tenho ganas de escrever. Porque a minha amiga vai embora e isso mexe muito muito comigo. Porque ela é muito especial sabe, não é a amiga por acaso. Ela é a única que entende o que eu digo, às vezes. E a gente lê os livros e vê os filmes que o resto do mundo detesta - nem sempre são os mesmos, os de uma e os de outra, mas a gente se entende mesmo assim. Falando em filme, ela me levou pra ver aquele filme do Benício del Toro que está em cartaz. É, aquele com a moça do Oscar. Lindo. Lindo. Muito lindo. Não, não estou falando do Benício, mas do filme mesmo. Uma história muito bem narrada, com muita sutileza e dignidade. O filme sobre relações humanas mais bem feito que eu já vi nos últimos tempos. Vejam.
Falando em relações humanas, uma faceta que aparece no filme é a de que nada é fácil, a vida está cheia de transformações que não prevemos nem desejamos e lidar com ela é uma luta diária, que vamos vencendo aos bocadinhos. Aí eu penso de novo na minha amiga que tem uma vida toda para vencer e que tem muito medo. E eu digo para ela que ela vai conseguir de boa. Porque eu digo isso para mim mesma. E digo a Deus: "Ela é muito, muito especial, ela tem que conseguir, ainda que eu não. " Ela vai. Daqui a pouco ela volta, deixando toda uma vida para trás, pessoas e cachorros que farão imensa falta. Vai ser duro, mas ela vai superar. E superar esse mundo profissional carrasco, também.
Eu quero desistir do Mestrado. Mas todo mundo brinca, me anima, não leva a sério e eu não consigo. Mas eu realmente não tenho idéia de como tocar esse troço. Tenho de como não tocar. Enfim.
Alguém sabe me responder com precisão qual é a cor dos olhos do Benício del Toro?
quarta-feira, outubro 03, 2007
Transformação
E de repente era o amor, borbulhando entre seus dedos. E depois do fim e do mal, depois de morrer no inferno mais de oitenta e oito vezes, havia um horizonte enorme e vida nele. No final do túnel, no final do caminho, no final do sofrimento. Havia um horizonte puro e virgem, havia uma série de novas conquistas e novos prazeres - era o recomeço de tudo.
Era mais, muito mais, que sobreviver.
Era mais, muito mais, que sobreviver.
domingo, setembro 23, 2007
O mal
Ela achou a foto dele quase no susto. Era uma imagem nova, que ela não conhecia, tirada assim, meio de lado. E o que ela viu lhe gelou a espinha e lhe causou náusea. Porque ela sempre vira lhe escorrer grossa do olhar, a sensualidade. A matreirice. Sempre tivera a expressão receptiva e sedutora. Mas o que ela via ali era hostil.
O sorriso não era aberto. E o olhar destilava o mal. Ela teve medo e a impressão de que, depois que se desvencilhara dela, ele se entregara inteiro ao pior da sua verdadeira natureza.
O sorriso não era aberto. E o olhar destilava o mal. Ela teve medo e a impressão de que, depois que se desvencilhara dela, ele se entregara inteiro ao pior da sua verdadeira natureza.
terça-feira, setembro 04, 2007
Gafe
Acho que cometi uma indelicadeza. Fui indicada no blog da Roberta e esqueci de indicar.
Meus indicados são:
Yalla! (é, de novo, porque acho o blog um show)
Learning from Art
Muccapazza
Meus indicados são:
Yalla! (é, de novo, porque acho o blog um show)
Learning from Art
Muccapazza
quarta-feira, agosto 15, 2007
A outra (tema ditado por Lord Léo)
Precisava aceitar e acolher a outra de mim. A pequena. A assustada. A ferida. A mulher de um milhão de cicatrizes. Mas não o fazia.
Virava-lhe as costas e lhe oferecia o mais profundo do meu desprezo. Porque era ela quem havia me traído. Ela acreditara. Ela se entregara. Era ela a culpada de minhas marcas e de meu sofrimento. Era inaceitável. Pertenciam-lhe todo o erro e toda a culpa.
Assim nos remoemos, cada uma no seu canto e com seus motivos. Quem tinha feito o que. Quem poderia ter feito o que. Quem poderia ter evitado o que. Quem tinha, afinal, CULPA de cada coisa minúscula que levou ao desastre final.
Assim foi, por muito tempo, até que meu Mestre chegou e me perguntou: “Por que não a acolhes?” Então eu desfiei, feliz, meu longo rosário de reclamações sobre ela. Ele ouviu, paciente, e então me disse: “Não é nada disso, você não a acolhe por que tem medo.” Corei. “Mas o seu medo é parte de você e não pode fugir de si mesma para sempre.
Vendo meu embaraço, ele me consolou: “Por ser parte de você, conhece muito bem o seu medo. Então, na verdade, não há nada o que temer.”
Então eu a chamei e a acolhi num grande abraço cheio de lágrimas. Ficamos abraçadas por muito tempo, sendo, então ela se encolheu e passou a ser parte de mim. Somos uma agora. E sendo uma com ela, pude ver com toda nitidez de contornos a natureza do meu medo. É simples. Eu te amo ainda, muito e verdeiramente.
Virava-lhe as costas e lhe oferecia o mais profundo do meu desprezo. Porque era ela quem havia me traído. Ela acreditara. Ela se entregara. Era ela a culpada de minhas marcas e de meu sofrimento. Era inaceitável. Pertenciam-lhe todo o erro e toda a culpa.
Assim nos remoemos, cada uma no seu canto e com seus motivos. Quem tinha feito o que. Quem poderia ter feito o que. Quem poderia ter evitado o que. Quem tinha, afinal, CULPA de cada coisa minúscula que levou ao desastre final.
Assim foi, por muito tempo, até que meu Mestre chegou e me perguntou: “Por que não a acolhes?” Então eu desfiei, feliz, meu longo rosário de reclamações sobre ela. Ele ouviu, paciente, e então me disse: “Não é nada disso, você não a acolhe por que tem medo.” Corei. “Mas o seu medo é parte de você e não pode fugir de si mesma para sempre.
Vendo meu embaraço, ele me consolou: “Por ser parte de você, conhece muito bem o seu medo. Então, na verdade, não há nada o que temer.”
Então eu a chamei e a acolhi num grande abraço cheio de lágrimas. Ficamos abraçadas por muito tempo, sendo, então ela se encolheu e passou a ser parte de mim. Somos uma agora. E sendo uma com ela, pude ver com toda nitidez de contornos a natureza do meu medo. É simples. Eu te amo ainda, muito e verdeiramente.
quarta-feira, junho 13, 2007
Casulo
Eu vivo dentro de um casulo transparente. Grosso, bem grosso. E grande pra mim. Aqui dentro eu respiro dentro de um líquido e nada pode me atingir. Aqui estando, meus inimigos nada podem contra mim.
Por vezes, me assusto. Eles arremetem com suas lanças e suas armas - eu sinto o impacto, mas não sou atingido. A camada transparente é muito grossa, nada passa, nem lâmina, nem bala. Aqui o veneno mais pernicioso e sutil não transpassa.
Aqui é meu refúgio e meu sossego. É quente, confortável, seguro. Ninguém em sã consciência ia querer sair daqui. E pouco me importa os que dizem que dentro desse casulo eu vivo fora da vida.
Por vezes, me assusto. Eles arremetem com suas lanças e suas armas - eu sinto o impacto, mas não sou atingido. A camada transparente é muito grossa, nada passa, nem lâmina, nem bala. Aqui o veneno mais pernicioso e sutil não transpassa.
Aqui é meu refúgio e meu sossego. É quente, confortável, seguro. Ninguém em sã consciência ia querer sair daqui. E pouco me importa os que dizem que dentro desse casulo eu vivo fora da vida.
terça-feira, junho 05, 2007
Fizeram para mim
Uma amiga muito querida, a Karenina do Pé de Lobeira, fez este poema para mim e eu pedi autorização para publicar. Uma Polaroid da minha alma.
Samara
Somatório
E nada santa
Sangra e não estanca
E ninguém vê
Há que ser muito pra perceber
O que parece nuvem branca
Porque a tempestade mira você
E se você não se manca
Nada vai entender
E mesmo se entender
De nada adianta
Nem se pergunte por que...
Ela sangra e não estanca
Samara
Somatório
E nada santa
Sangra e não estanca
E ninguém vê
Há que ser muito pra perceber
O que parece nuvem branca
Porque a tempestade mira você
E se você não se manca
Nada vai entender
E mesmo se entender
De nada adianta
Nem se pergunte por que...
Ela sangra e não estanca
quarta-feira, maio 30, 2007
Distância
Não conseguia chegar em casa, algo dentro de si impedia o final do trajeto. Pegava o ônibus errado de propósito, aí ia descer onde dava para pegar o ônibus para casa e não descia, deixava para ir mais adiante, até que num deles desceu no centro da cidade e agora ficava fácil. Era só atravessar mais uns metros de ruas em direção ao rio, que ela chegaria no ponto final do ônibus que passava ao lado da sua casa.
Eram alguns metros, mas viraram vários, ela se perdeu inúmeras vezes no que seria uma reta e andou, andou, andou muito além do que achava que suas pernas podiam suportar. Mas havia uma lógica nessa matemática esquisita de metros e minutos.
Por dentro, ela fazia uma força imensa para manter distante o que se queria próximo, para afastar lembranças antigas que se mantinham com o frescor do ontem, para cessar o diálogo interno com alguém que não existia mais. Essa luta interna foi o que a manteve distante inúmeros passos e um longo tempo e que a fez chegar exausta, enfim, à casa vazia.
Eram alguns metros, mas viraram vários, ela se perdeu inúmeras vezes no que seria uma reta e andou, andou, andou muito além do que achava que suas pernas podiam suportar. Mas havia uma lógica nessa matemática esquisita de metros e minutos.
Por dentro, ela fazia uma força imensa para manter distante o que se queria próximo, para afastar lembranças antigas que se mantinham com o frescor do ontem, para cessar o diálogo interno com alguém que não existia mais. Essa luta interna foi o que a manteve distante inúmeros passos e um longo tempo e que a fez chegar exausta, enfim, à casa vazia.
sábado, maio 19, 2007
Do Inferno
"Em verdade vos digo, meus irmãos..." Fez uma pausa dramática. O que ia dizer era demais até para ele, orador experimentado.
"Que eu tenho muito medo de, quando morrer, ir para o inferno. E eu posso dizer isso com mais convicção do que muitos, meus irmãos. Porque eu, eu conheço o inferno. Eu estive lá."
As palmas choveram. Muitos porque era hora de bater palmas. Outros por conveniência. Outros ainda porque admiravam sua eloquência ou porque estavam profundamente emocionados.
Mas o que nenhum deles sabia que o ele tinha dito, dessa vez, era a mais pura expressão da verdade.
"Que eu tenho muito medo de, quando morrer, ir para o inferno. E eu posso dizer isso com mais convicção do que muitos, meus irmãos. Porque eu, eu conheço o inferno. Eu estive lá."
As palmas choveram. Muitos porque era hora de bater palmas. Outros por conveniência. Outros ainda porque admiravam sua eloquência ou porque estavam profundamente emocionados.
Mas o que nenhum deles sabia que o ele tinha dito, dessa vez, era a mais pura expressão da verdade.
quinta-feira, maio 17, 2007
Dragão
Essa doeu, viu? Dessa vez pegou de jeito. O que é estranho porque nos últimos tempos nada passava por minha pele, só me fazia cócegas e eu ria de toda a situação. Resisti aos golpes da tua raiva, às gotas corrosivas do teu desamor, às farpas de desatenção. Todo esse universo de negação que criastes para se defender de mim. E eu me tornei pele grossa e escamas, para me defender de ti.
Mas essa doeu. Pegou de mau jeito, entre uma escama e outra ou embaixo da asa, sei lá. Mas essa pequena agulha de não me arrancou um pedaço e me tirou sangue. Ai!
Fico pensando porque tanta defesa, tanta agressividade. Talvez, quando ainda fazíamos amor madrugada a dentro como se nunca fosse amanhecer, eu tenha te ferido com uma das minhas escamas que já nascia. Ou tenha te chamuscado soltando fogo enquanto ofegava de prazer.
Eu queria ser uma cantora itinerante para espalhar por aí a dor e o amor que ficaram dentro. Como não sou, eles vão murchando e ficando verdes dentro da minha caverna. A vida vai se decompondo em mofo e escuridão.
Por isso, sabe, sangrou um pouco, mas é bom. Esse sangue ainda me devolve minha metade humana.
Mas essa doeu. Pegou de mau jeito, entre uma escama e outra ou embaixo da asa, sei lá. Mas essa pequena agulha de não me arrancou um pedaço e me tirou sangue. Ai!
Fico pensando porque tanta defesa, tanta agressividade. Talvez, quando ainda fazíamos amor madrugada a dentro como se nunca fosse amanhecer, eu tenha te ferido com uma das minhas escamas que já nascia. Ou tenha te chamuscado soltando fogo enquanto ofegava de prazer.
Eu queria ser uma cantora itinerante para espalhar por aí a dor e o amor que ficaram dentro. Como não sou, eles vão murchando e ficando verdes dentro da minha caverna. A vida vai se decompondo em mofo e escuridão.
Por isso, sabe, sangrou um pouco, mas é bom. Esse sangue ainda me devolve minha metade humana.
quarta-feira, maio 09, 2007
A mulher que tinha lembranças demais
Esfriou. E com o frio mudaram os cheiros, cheiros de inverno, de outono. Ela começou a se confundir, porque o aroma da nova estação trazia uma série de emoções do ano anterior e ela já não sabia mais o que sentir.
O cheiro do café lembrava certo diálogo que ela preferia esquecer, o do seu casaco lembrava quando ela o encharcou com as próprias lágrimas, a calefação do bar lhe dava certa nostalgia. Os aromas do parque no frio lembravam as conversas com uma amiga e as várias tardes em que vagara sem destino, procurando por algo que sabia não estar lá.
Todas essas lembranças causavam emoções que não cabiam mais no novo cotidiano que construíra durante a primavera e o longo verão. E ela se enrolava, tentando descobrir como desligar o botão da memória.
O cheiro do café lembrava certo diálogo que ela preferia esquecer, o do seu casaco lembrava quando ela o encharcou com as próprias lágrimas, a calefação do bar lhe dava certa nostalgia. Os aromas do parque no frio lembravam as conversas com uma amiga e as várias tardes em que vagara sem destino, procurando por algo que sabia não estar lá.
Todas essas lembranças causavam emoções que não cabiam mais no novo cotidiano que construíra durante a primavera e o longo verão. E ela se enrolava, tentando descobrir como desligar o botão da memória.
Assinar:
Postagens (Atom)