sábado, novembro 29, 2008

Zahira Razi e Douglas Felis no Souq – Apresentação relâmpago para poucos privilegiados

Afinal, a grande apresentação é só amanhã.

E tudo começa com duas performances de Zahira com música gravada: Taht il Shibbak e Tamra Henna parte 2. Uma dança de movimentos delicados, minuciosos e muito limpos. Uma delícia de se ver. E o principal, criativa, sem nenhum ranço das interpretações consagradas: nada de Dina ou Naima Akef aqui. Nem mesmo da mestra Karina. Só Zahira, no auge de sua expressão. Linda.

Depois chegou Douglas, para mostrar a que veio. Não dá pra falar em meio termo: o cara toca bagarai. Começou com um solo de derbake.
E, vou te contar: não basta ser boa dançarina. É preciso ter fôlego, muito folêgo para dançar para Douglas. Porque ele toca bem. E rápido. E por muito tempo. Por sorte, Zahira, além de boa dançarina, está em muito boa forma. Foi lindo, claro. Mas... ufa!

Em seguida, voz e dois bendires (para que tocar um instrumento por vez, né?). Uma coisa mais ritmo, mais raiz, com acompanhamento de palmas. Muito bom.
No final, um solinho de daff de Douglas, o homem para o qual ainda não ensinaram que um daff é mais limitado que um derbake. Uma coisa.

Enfim, uma daquelas pérolas que eu agradeço muito a Deus por ter presenciado.^^ (E ultimamente ele tem sido um bocaaaaaado generoso.)

quarta-feira, novembro 26, 2008

Al Nur 2008 - Bento Gonçalves (RS)

UPDATE: AS FOTOS ESTÃO AQUI!

São tantas coisas a contar. Por onde começar, meu Deus?
"Roubaram meu F100 (cante-se "efetchento", que é como a italianada daqui pronuncia), non posso mais vortá pra Bento..." Bom, nada a ver, na verdade essa é só a musiquinha infame de que eu me lembrei quando decidi que faria a viagem.
Vou resumir a história, que foi uma novela. Não consegui hospedagem gratuita, nem carona, nem nada parecido, como aconteceria se eu me dispusesse a fazer show e workshop em qualquer outro lugar do Brasil que fique de São Paulo pra cima. Tive que ir por minha conta (pequena por sinal) e risco. Mas fui assim mesmo. Encasquetei que tinha que ver o solo da Ket. Ao vivo. Porque, afinal, Bento fica a apenas 2h daqui. Fui.
Também não contarei as peripécias de viagem, alojamento e de como é difícil achar uma manicure num sábado a tarde em cidade do interior (povo de lá que me perdoe, vocês são umas fofas, mas morro de amores por interior, não), sem agendamento prévio. Enfim, vamos ao show que interessa mais.

O SHOW

Tinha um número estupendamente grande de pessoas para as minhas expectativas. Fiquei feliz. Se aquilo tudo é família de bailarina, as famílias em Bento são gigantes. Clima bem legal.
O show começa com um baladi muito correto de Michele Pletsch. Em seguida veio a coreo de saidi campeã do Bento em Dança desse ano. Uma coreografia simples, mas forte. É a primeira vez que vejo Ket dançar e o olhar dela me captura de cara. Outra coisa que é muito gostosa de ver é como elas gostam de dançar umas com as outras.
Sinto falta dessa sensação de grupo – que já tive. A única coisa ruim dela é que, quando acaba, muitas pensam em desistir. Eu sou egoísta, sempre dancei muito para mim. Não voltada para mim, mas por motivos pessoais. Nem na pior das crises da vida, consegui parar.
(Digressão, digressão. Voltemos ao show.)
Eu não vou citar coreografia por coreografia porque o show foi enorme. Sério. Foi um dos mais longos show de dança que eu já assisti na minha vida – e foram muito curtos e raros os momentos em que ele ficou enfadonho (coisas de solo, vocês sabem).
Nunca tinha visto tantas coreografias de solo de derbake juntas. Mas não se perdeu a criatividade, nem ficaram chatas. Achei legal.
Khaleege, pandeiro, véus. Tudo muito gostoso, meninas muito empenhadas.
Mas eu tenho que falar. Do solo. Da Ket. Peraí.

O SOLO DA KET

Caraca, o solo da Ket, o solo da Ket, o solo da Ket. Normalmente sou mais fãs de mulheres feitas do que de meninas no palco. Mas a Ket sabia o que estava fazendo lá. Mesmo.
Desde o começo, como sei que ela é muito ligada na parte técnica, temia um surto pirotécnico a la Saida, sem muita emoção. Mas não. Ela pode não ter terminado de amadurecer, mas já é esperta como só as mulheres sabem ser.
O resultado foi um baladi seguro, gostoso, limpo. Criativo, sem deixar de ser raqs sharqi. Bonito que só. E o mais importante para mim: emocionado.
Ket não imita dançarinas maduras no palco. Nem finge ser a menininha que já não é. Ket tem exatamente o charme da sua idade, o frescor que a gente só tem aos 19 anos – e os aproveita integralmente.
Seu solo foi um doce. Tenho medo da palavra. Mas, para mim, o solo de Ket foi perfeito. Teria me enrolado o dobro e viajado o triplo para vê-lo. Se a viagem não valesse por mais nada, teria sido plenamente recomendado pelo solo dessa moça.
Bom, o show teve mais coisas dignas de nota. Na verdade, muitas mais, mas eu vou só nas mais mais mais porque senão ninguém chega ao fim desse post.
Tinha uma dançarina, Rúbia (descobri depois), que roubava totalmente a cena. Além de linda (lembrava minha amiga Cris Gonçalves, principalmente na postura), ela tinha a expressão de diva mais perfeita que eu já vi. E não, a moça não está nos padrões de peso e altura e era uma negra dançando numa cidade de colonização italiana – realização que exige muito peito! Segura, feliz de dançar, serena – e de vez em quando ela nos presenteava com um sorrisinho maroto, coisa mais linda. E além de tudo, dança praca. É tão bom quando uma bailarina me surpreende e encanta assim. Graças a Deus, nem tudo é bizarrice do YouTube nessa vida!

E, claro, não consigo deixar de babar no solo do Tuerlinckx. Eu vejo ele tocar toda santa semana (sou aluna dele), mas não me acostumo com o tanto que a criatura toca. Pior que isso, numa performance, ele fica completamente entregue pro negócio, chega a tocar de olhos fechados. É muito bonito ver uma pessoa entregue à sua arte desse jeito, a gente fica olhando com a respiração suspensa, é quase um transe religioso. Lindo, enfim.

Depois teve pizza e olelê, mas essa parte vou deixar pra Ket contar.^^

Dia seguinte, workshop. A parte de ritmos não chega a ser uma novidade para mim, pois estou estudando ritmos com a Karina e é só o que vemos na aula de derbake. Mas cada profe tem sua interpretação e Michele se mostrou muito afável e segura. "Loco de especial", como diria o pessoal daqui foi a "pincelada" de snujs que o Tuerlinckx deu. Valeu por muitas aulas. É muito diferente ter aula de snuj com um músico e não com uma bailarina (que em geral tem uma noção muito mais limitada e limitante) ou com um dono de casa de chá.

Mais tarde rolou uma desmontagenzinha básica de cenário e voltei pra Porto Alegre. Valeu muito a pena.
(As fotos eu posto assim que religarem a internet lá em casa. Infelizmente, poucas ficaram boas. Primeiro porque eu tava com uma máquina meia boca. Segundo porque vou Ter que tirar o MALA do cinegrafista de TODAS as fotos, porque ele fez o favor de ficar EM PÉ (e olha que ele tinha mais de 1,80m!) no canto direito do palco o tempo todo!><)

segunda-feira, novembro 17, 2008

Mais gatinhas

Agora, em movimento!
(Desculpem não colocar o vídeo aqui direto, mas a maioria dos computadores que eu uso não suportam o sistema de carregamento do Google...)

sábado, novembro 15, 2008

Dahab especial no Souq: Derbakes & Anisah Parvaneh

Foi uma apresentação simples e despretensiosa, como as melhores coisas da vida. Mestre Tuerlinckx e seus discípulos (meus sempai ^^) tocando para a bela Anisah dançar. Intimista, no meu bar preferido – fui ver por gosto e sem muita expectativa. Assim, de boa, como se diz em Minas.
Quando a apresentação começou, confesso que fiquei meio tonta com o excesso de informação. Queria prestar atenção nas mãos do Tuerlinckx (sim, eu estudo o Mestre ao vivo...), na coordenação dos meninos – Rafael e Gabriel, um par de anjos - (sim, eu queria saber até onde posso ir com esse negócio de derbake...) e na bailarina – porque, afinal, se aprende muito num improviso de percussão.
Aí, fiquei lá, dividinha, tentando prestar atenção em tudo com os meus parcos neurônios, mas não teve jeito: a moça roubou a cena e os meus olhos em poucos segundos. Que dança bem boa! Nada acrobático, nada de combos, nenhuma pretensão. Só uma leitura musical perfeita, uma criatividade natural, uma expressão de derreter de tão doce e charmosa. Em suma, uma delícia. Dança do ventre em seu estado puro e belo.
Fico muito feliz quando sou surpreendida assim. Conhecia a Anisah de bater papo (em mais um dos shows que eu fui ver sozinha nessa minha bizarra vida social) e tinha comigo que ela dançava bem. Porque ela é um doce, sabe? Simpática, humilde, nada fútil. E a minha experiência já me ensinou que você até pode ter uma boa mulher dançando pouco por falta de técnica, mas nunca vai ter uma boa bailarina onde falta caráter.
Claro que tinha pessoas dançantes presentes incapazes de um sorriso ou uma expressão de simpatia. Mas a gente dá um desconto porque esse tipo de comportamento em geral deriva dos sentimentos menos nobres dos seres humanos – e cada um tá num grau de evolução espiritual, né?
De qualquer forma, eu sai bem satisfeita! ^_____________^

UPDATE: Vejam (o que a iluminação permitir) e concordem (ou discordem, se conseguirem) comigo!

terça-feira, novembro 11, 2008

Da força do amor e das palavras

Eu me chamo Samara. Mas quando tua boca pronuncia meu nome é como se eu já não me chamasse mais.
"Samara", dizes e é como se a palavra pertencesse mais à tua boca que a mim. Mais: é como se saísse lenta da tua boca e me cobrisse como um mel cálido.

domingo, novembro 09, 2008

Gatinhas

Depois que o Google comprou essa bagaça, o serviço de postagem de fotos está uma merda.

Vejam fotos da Ayala aqui: http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=7247887050715980943&aid=1224009800

Obrigada!

sexta-feira, outubro 10, 2008

Incursão de uma raqsa* ao mundo cigano

(Anotações da minha agenda, porque eu fui sozinha no show e preciso falar nem que seja comigo mesma.)

Cheguei um pouco antes, como sempre. Até agora, registro um atraso de 30 minutos. Odeio evento que não tá nem aí pro público, odeio atrasos!
Pra ajudar, esse bar é ridiculamente caro - R$ 4,00 por um refri!!! Ah, e água conta como refri! R$ 9,00 por uma porção ínfima de provolone. Odea, odea!
Daqui a pouco começa a mostra da dança, que segundo um cigano que conheci na net, nunca foi vista por um não cigano, nem ensinada a qualquer deles. Para um público de não ciganos, executada por não ciganos... Enfim. Se for boa dança, tá valendo. A DV também tem suas origens obscuras.
Afinal, para mim, isso é aperitivo. Vim ver DV.

Outra-observação: o lugar é mega escuro, mal enxergo minha maquiagem no espelho. Quero ver como vão trabalhar a iluminação na hora da dança. Isso aqui é grande, não é um ambiente intimista como o Souq.
(Update: no fim, a luz tava bem boa.)
(Engraçado "administrar" uma mesa sozinha! Estou sempre acostumada a dividir o espaço com muita gente, ou pelo menos com mais um, em mesas de bar...)

Fui até a recepção e encaminhei uma reclamação para a organizadora. Acho uma hora atraso demais, para qualquer evento. Alegaram que alguns dançarinos ficaram presos no trânsito... (Ás 8h30 (já eram 9h) da noite em Porto Alegre? Conta outra!!!)
Além disso, não justifica. Conheço quem dança e aqui tem bailarino suficiente para uma hora de show, pelo menos. Se eu tivesse uma amiga pelo menos me acompanhando, ia embora e exigia minha grana de volta!

Oba! DV!
Hmmm... Saied Balaha para gawazee? Sandra Rosa Madalena? Ai.

Alongamento de braço é realmente uma coisa fundamental, como diria Karina.

Bailarina tonta rodando e bailarina se trombando é triste. Não entendo de dança cigana, mas acho que ter muito giro não quer dizer que É SÓ giro...

Algumas apresentações parecem apenas DV básica com saias.

Karina sempre impecável. Faz coisas lindas com aquela saia - e nada DV, por sinal. É linda pacas, aliás. Mas tem um pontinho diferente do normal dela nessa dança. Não consigo identificar. (Mais tarde ela me diz que é porque estava mais solta que o normal.)

Ninguém merece uma organizadora que usa o cinzeiro (vazio, porque nunca fui fumante) da sua mesa sem pedir licença e ainda fica fumando na sua cara. Minha rinite a milão.

Odeio ver homem dançar DV. Não tem nada a ver com homofobia, só não gosto. (Alguns egípcios eu SUPORTO pra estudar. Mas não gosto.) Principalmente quando a expressão é suja e a técnica podia ser bem melhor. Mas tem algo sobre esse moço que eu preciso declarar: ele é uma raqsa, seja tentando ser cigano, ou o que. E ele "se realiza" na coisa.

Chato! Chato! Chato! (Não aguento mais música estilo Gipsy Kings...)

O povo "cigano" ganham até da DV em música farofada! Dá-lhe "Don´t Let me Be Misunderstood"...

Água na minha mesa sem pedir licença. E dançarino que "se esquece" CONVERSANDO no palco enquanto outros estão entrando... Pelo jeito, a polidez anda mesmo em baixa nesse mundim.

PÁRA TUDO!!! O que é essa mulher dançando? Que coisa mais linda! Que mulher que dança tanto com a alma! Que coisa mais gostosa!

(Update: Depois fui atrás dela para tietar e para descobrir quem era. A fofa se chama Sayonara Linhares e eu só não postei nada dela aqui porque simplesmente não existe vídeo dela disponível na Internet. Uma deusa, simples assim. Eu não entendo picas de dança cigana, mas ela dança formidavelmente, seja lá como você queira chamar aquilo!)

Pandeiro cigano - bem legal e bem diferente do daff na maneira de trabalhar. (Música cigana com violinos, bem linda!)

Calcinha de bailarina aparecendo é mico. E cuequinha branca saindo toda da calça é o que?

Update: Depois entrei em contato com a organizadora e desci-lhe o pau no atraso. Ela alegou que o show havia começado na hora (21h30), que 20h era só o horário de chegada no bar... embora não constasse nada sobre isso no cartaz! Adicionalmente, duas dançarinas convidadas me afirmaram que a organizadora garantira que o espetáculo iniciaria
às 20h30. Enfim, respeito com o público também não está em alta.

* Karine e Samya Ju, sei bem os sentidos que raqsa tem no Egito, mas estou usando no brasileiro, apenas para abreviar "bailarina de dança do ventre", ok?

segunda-feira, outubro 06, 2008

Ayala

Eu estava passeando tranquilamente com Bellit pela Osvaldo Aranha. Aí ela disse: "Olha que bonitinho!" Não havia visto - mas era mesmo bonitinho. Um gatinho. Filhote, tigrado, um olhinho dodói. Não resisti e toquei com a mão no vidro: "Mas que coisa mais fofa!" E o bichinho se esfregou no vidro no ponto onde minha mão estava, pedindo carinho. Meu coração se partiu vendo aquela coisinha carinhosa isolada por um vidro. Entrei na loja para perguntar se era macho ou fêmea. Eles não sabiam, só o veterinário, mas eles estavam doando.
Dia seguinte de manhã liguei para descobrir que era uma menininha e declarar meu interesse.
E foi assim que Akiko ganhou uma irmãzinha.

Tensão

A chegada de Ayala não foi, como era de se esperar, só felicidade. Akiko ficou apavorada com a "invasão de território" e sem saber o que esperar daquele serzinho silencioso que tomava boa parte da atenção de seus "papais". Ficou com ciúme quando nos viu acariciando a pequena. Fez fusquinha até não poder mais. Mas passou. Agora as duas convivem pelo apartamento, disputam os cantinhos da nossa cama de noite. Ainda têm um bocado de medo uma da outra, mas do seu jeito, brincam.
Agora eu saio de casa feliz porque Akiko não me esperará mais sozinha. E Ayala também não fica mais sozinha numa gaiola, num fundo de pet shop.

Em breve, fotos das minhas meninas. Aguardem

quarta-feira, outubro 01, 2008

Rashimi - terror no derbake

Nem só de dum-dum-takata-dum-takata-taka-dumdum vivem as mulheres que aprendem derbake, senhoras e senhores. Esse tempo tava bom, apesar da dureza de acertar o ka com a mão esquerda, de fazer soar sempre, de soltar o pulso e os dedos sem deixá-los moles. Isso era difícil, mas a gente tava quase pegando a manha, parecia que tudo ia sair em breve.
O som que saía do instrumento ainda estava um pouco longe daquele que encontravamos em nossos CD favoritos, mas ah!, eles devem tocar com mais de um derbake, é isso.
Então, nesse momento quase lindo, Tuerlinckx nos apresenta o rashimi.
Rashimi, caro leitor leigo, é enfiar duas notas onde antes só cabia uma. É dividir por oito um tempo musical que você vinha dividindo impunemente por quatro. É fazer a sua mão se mover duas vezes mais rápido do que ela já vinha a custo se movendo.
Resumindo: Ô coisa mais difícil bagarai!!!

P.S.: Mas tudo continua sendo uma delícia assim mesmo! :)

segunda-feira, setembro 29, 2008

Febre de primavera

Não sei, é que de repente a gente fez uma dança de saudação da primavera na aula, e teve aquela breja mais que bem vinda com a amiga recentemente encontrada e ainda mais bem vinda na sexta e um final de semana delicioso em Santa Maria, confraternizando com muitos amigos e um sol maravilhoso.
Aí hoje é segunda e eu estou trabalhando, claro. Mas tem um sol brilhandão lá fora e eu estou com vontade de sair dançando e cantando por entre as árvores da Redenção, em vez de.
Oh, vida! ^_^

segunda-feira, setembro 22, 2008

Mais de Akiko

Só para contar que ela já tirou aquele cone torturante da cabecinha. E que o corte cicatrizou muito bem , graças a Deus. E que os pelinhos já estão crescendinho, o que era branco já está cinza e logo ficará pretinho de novo.
E que ela já está sapeca, endiabrada, aprontando todas no apartamento. Ainda bem.
E que hoje ela me acordou às quatro da manhã ronronando no meu peito. E eu fiquei feliz de acordar. E, se isso não for amor, não sei mais o que é.

terça-feira, setembro 16, 2008

Me digam se não ficou uma coisa linda de morrer

Douglas Felis, Karina Iman nos snujs e Zahira Razi interpretando

quinta-feira, setembro 11, 2008

Ninguém lê blogs em dias de chuva

Mas eu escrevo, claro. E como chove! Entretanto, aqui me sinto mais quentinha. É, aqui no blog. Virou minha casa de novo. O lugar onde escrevo à vontade.
Akiko já está melhor, mas ainda faltam seis longos dias para tirar aquela porra daquele cone da cabeça dela. Tudo bem, menos mal.
Meu professor de técnica vocal ficou doente essa semana e sinto quase fisicamente a falta do canto. Cara, betaendorfina vicia mesmo!
As aulas de dança estão cada vez melhores. Queria mais tempo e espaço para estudar, só isso! Mas está muito melhor do que antes, quando não fazia aulas, isso sem dúvida. As aulas de derbake estão ajudando bastante com os ritmos, sem dúvida.
Por falar nelas, que coisa fantástica! Minha cabeça se enrola ainda com a contagem dos tempo, mas eu chego lá. O fato é que estou muito apaixonada pela coisa. Fico batendo em mesas, bancos de ônibus, no próprio braço na fila do banco. Doida, completamente doida.

A confusão, entretanto, continua.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Café e tâmaras

Lanchinho de diabética. É bom - as tâmaras substituem bem os bombons de outros tempos. Café sem açúcar, claro.
Chuvinha. Tudo parece bem.
Tudo está bem.
Tudo está bem?
Então porque essa sensação de tempestade desabando no meio do céu a qualquer minuto - com todos os guarda-chuvas excelentes que você comprou nos últimos tempos, ainda dá medo.
E acho que o medo é de mim mesma.

sábado, setembro 06, 2008

Castração

Hoje Akiko voltou da clínica, depois de três dias de isolamento, sedação e dor. Segundo a veterinária de lá, ela ficou furiosa com todo o procedimento. "Ela não é nada mansa." Mentira, ela é mansa, sim. Fiquei com vontade de perguntar para a moça como ela reagiria se arrancassem ela de casa, depilassem metade dela, sedassem, abrissem, tirassem dela orgãos de vital importância sem que sequer ela soubesse o porquê e ainda a mantivessem com dor e dentro duma névoa de remédios, por dois dias inteiros, longe do ambiente e das pessoas que ela ama. Será que ela ia ficar bem relaxada? Que puxa. Ah, sim, e com um cone de plástico na cabeça, tirando todo o senso de orientação e visão periférica.
Eu sei, não precisam me dizer. Sei os perigos que uma gata não castrada corre, sei da trabalheira, sei de tudo. Mas ainda acho o processo todo muito truculento.
E cada vez que eu vejo aquela barriguinha, antes bem peludinha de bebê, depilada e cheia de pontos, dói um bocado em mim.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Meus dias de São Bernardo*

Estou num período um bocado dedicado às artes. Não sei se comentei, mas além de aulas de dança e de derbake, estou tendo aulas de técnica vocal. E pessoas, é uma delícia.
O professor é um dos melhores que já existiu: Pedro S*pohr, um dos regentes do coral da PUC de cá. Além de ser profundamente competente no que faz, ele é uma pessoa doce, deliciosa, adorável e sem arestas, que valia a pena estar lá só para conviver com ele.
Descobri que sou soprano, e um bocado soprano. Com isso não quero dizer que minha voz é maravilhosa e tenho um super domínio dela (quem me dera, domínio é tudo que me falta), mas que a minha "zona de conforto" para cantar fica lá nas alturas agudas, em notas que eu nem sabia que seria capaz de emitir.
E isso é muito mágico. É difícil, não pensem que é fácil. Exige um monte de postura e uma intensa concentração em partes jamais antes exploradas do nosso corpinho para se obter um resultado mínimo. (Aliás, nisso é bem parecido com dançar.) Mas é uma das coisas mais prazerosas que eu já fiz na vida.
A gente sai de uma aula dessas com a alegria boboca que normalmente nos dá uma noite de amor que durou umas seis horas consecutivas.
Jamais pensei que viria a gostar de canto lírico. Pra onde nos leva a vida, né?

* Esse post tem esse nome baseado na teoria de meu professor sobre a respiração fox terrier (curta, que faz subir a laringe e tranca a garganta) e a respiração são bernardo (profunda, que abre a garganta e tudo o mais, facilitando a emissão do som). Só um dos duzentos itens em que a gente tem que se concentrar. ^_^

quinta-feira, setembro 04, 2008

Curso de boas maneiras por correspondência

(Fila do Banrisul, agência Bom Fim, uma das maiores da cidade.)

Toc-toc no ombro.
- Tu não precisa pegar esta fila, vai lá na fila das gestantes.
- Meu senhor, eu não estou grávida, só sou gorda mesmo. (Sorriso. Porque sorrir é preciso.)
Toc-toc.
- Mas vai lá, se tu não disser nada, ninguém vai perceber.
- Agradeço sua extrema gentileza, mas dispenso. (Sorriso. Bem mais forçado que da primeira vez.)

terça-feira, setembro 02, 2008

O velho demônio ressurge das cinzas

Demônio Dum, ou simplesmente Dum, é o nome do meu derbake. Ele já foi herdado (roubado?) com esse nome. E agora ele voltou à ativa e passeia pelas ruas de Porto Alegre.
Sim, isso mesmo que vocês estão pensando. Comecei a fazer aulas com o Tuerlinckx. E é uma das melhores coisas que fiz por mim nos últimos tempos. Difícil bagarai. Mas muito bom.
Claro que até outro dia eu não tinha parceira para dividir o custo das aulas (não que ele seja careiro, eu que ganho mal mesmo:P), muito menos local. Mas aí apareceu um anjo chamado Karine que abriu seu fofo apartamento no Gasômetro e sua generosidade - e aí, plim, mágica! A única pena é que vai me comer uma hora e meia de dança por semana - mas tem certas oportunidades que não dá para perder. Se for para ser, vou arrumar solução para isso também.
Prevejo dias muito ativos para o Dum. E para nós. Beleza. ^_^

(PS. O anjo é tão anjo que me trouxe do Egito um lenço de moedas escarlate lindo e o vestido baladi perfeito - até roxo é! E me deu! De graçamente. Pode?)

terça-feira, agosto 26, 2008

Uma noite mágica



Show de Douglas Felis em Porto Alegre. Noite de 23 de agosto, Souq Bar.


Pessoas, eu vi. E não vou me esquecer jamais. Jamais.

Douglas é um músico árabe de vanguarda, nascido na Venezuela, mas criado no Egito. Entende muito de seu ofício e traz a ele ares de renovação. Exultei quando soube do show.

Logo lembrei de minha amiga Lory. Estava estabelecida a ponte área Porto Alegre-Salvador!

Douglas começa o show com canto e bendir. Ouvir árabe bem cantado nessa terra é para poucos. Já comecei a me sentir privilegiada. Pombas, só tinha umas quarenta pessoas no show! Como assim! Só em Porto Alegre mesmo. Mas tava lindo, vambora.

Mas podia ficar mais bonito. Aí entra Karina Iman (deusa, deusa, deusa!!!!), imagine, para tocar snujs. E Douglas tocando kawala, que eu achei que era naz mas a Karina me corrigiu depois, Ana Fi Intizarak. Fernanda esmerilhando. Lindo, lindo, lindo! Babei 500 litros.

Então um solo de Karina. Douglas tocando dois bendires (se é que é assim o plural desse negócio). Algo bem raiz, folclórico e pé no chão, uma delícia. Karina dançando majestosa, muito dona de sua dança. Delírio, delírio.

Fernanda de novo. E Douglas fazendo um solo de daff de cair o queixo - muito moço que se diz derbakista por aí não faz com o derbake metade do que ele faz com o daff. DO CA - RA - LHO !!!
Ele tirou muito som dali e ela soube interpretar. Tipo, perfeito.

Mas sempre, sempre pode melhorar. Enta Omri em solo de naz. Karina Iman. Minha adjetivação não chega lá. Lindo. Gosto tanto quando meu senso crítico é chapado na parede por algo tão superiormente bom assim.

Depois, solo de tabla com as duas moças se alternando. Ah, vocês sabem o quanto isso é bom quando quem toca sabe tocar e quando quem dança sabe dançar.

Pra finalizar, Fabiano Tuerlinckx (que se um dia eu conseguir organizar minha vida vai ser meu professor) no derbake e Douglas cantando, botando todo mundo para dançar. Essa parte vocês podem ver aqui. (Aparece a testa da que vos escreve na gravação, quem reconhecer ganha um brinde... rsrs)

Enfim, eu sou muito chata e MUITO crítica. É muito raro eu assistir uma apresentação de dança e/ou música árabes e não reclamar de nada. Essa foi uma das pouquíssimas vezes. E eu agradeço muito a Deus por isso

quinta-feira, agosto 14, 2008

Doce demais

Eu já esperava por isso. Na verdade, eu sabia que as chances de acontecer seriam muito altas. Mas não deixa de ser um baque grande a confirmação.
Fui à uma farmácia na hora do almoço e fiz um teste de taxa de glicose. O normal para aquele horário (uma hora após o almoço) 160. Estava em 372. Sim, estou diabética. Ou deveria ser sou diabética? Que seja.
Isso não precisa ser necessariamente ruim. Quando me descobri bipolar e optei pelo tratamento (porque eu sempre opto por enfrentar, por seguir reto, por passar por cima), minha vida melhorou horrores.
Talvez com a diabetes seja igual. Talvez me ajude a tomar uma atitude positiva em relação ao meu sobrepeso.
Ei, você! Deseje-me sorte...