segunda-feira, setembro 27, 2010

Da sublime arte de calar a boca

Então, a pessoa é Gêmeos em Gêmeos, non? Fala pelos cotovelos. Não apenas nunca tive dificuldades para me expressar: a expressão é meu ganha-pão, minha terapia, meu recurso de defesa. Sou eu.
Com a chegada deste pouquinho de maturidade que adquiri, a última possível trava se foi. A vergonha. Perdi todo receio do que sou e do que penso, perdi o medo de errar. Todo mundo erra o tempo todo e ninguém fala com real propriedade sobre nada em lugar nenhum.
Tudo isso é verdade. Mas mostrar quem se é o tempo todo pode ser uma fonte inesgotável de dor de cabeça. Ser também, mas isso é algo que não posso e não quero evitar. Tem gente no mundo que me vira a cara simplesmente por eu ser quem eu sou, tentar fazer direitinho o que faço para viver, me vestir como me visto e fazer as opções que faço. É a vida.
Mas acho que somar tudo isso com minha opinião sincera sobre tudo não facilita em nada as coisas.



Alguns dias atrás acabei me metendo numa discussão sobre dança na internet que terminou num insulto pessoal. Quer dizer, nem sei se dá para chamar de insulto. Fui chamada de bipolar* - o que sou mesmo, e muito bem tratada, obrigada. Mas não tinha nada a ver com minha postura na ocasião, foi gratuito, por não se ter melhor defesa. Cada um joga no nível que pode,certo? Não me ofendo, assim como o outro moço, o PC Siqueira, não se ofende quando dizem que ele é vesgo - ele sabe que é, ué. Só entedia, como tudo o que é óbvio e vulgar.
A verdade é que a postura da moça em questão já me incomodava há muito tempo, por várias razões. Ela já trombou comigo na net com outro nick e foi de uma grosseria e arrogância impecáveis - quando ficou claro para mim que os elogios que ela fazia a mim e às minhas opiniões, tão diferentes das dela, eram fruto dos meus bons relacionamentos na rede, nada mais. Beleza. Mas nunca tinha batido de frente. Desde tempos dantanhos, quando eu usava pseudônimo para fazer sátira na rede (sem saber, cretininha que sou, que não existe espaço para humor nesse país, aqui tudo é pessoal e "pra te derrubar") que não faço mais isso. Saí das comunidades, fóruns e tralalá em função disso.
Mas aí ela atropelou minhas amigas - que estavam opinando com categoria, conhecimento de causa e boa escrita. Em astrologês, sou Lua em Libra na casa 4. Em bom português, sou mãe das minhas amigas. E vocês sabem o que acontece quando mexem com os filhos de alguém, né? Feita a merda.Preciso aprender que todo mundo é grandinho e fechar minha boca. Enfim.

Aí uma amiga minha me fez uma coisa muito feia, na minha própria opinião. Agiu comigo como se tivesse dezoito anos (é, ela é da minha geração), quebrou uns três ou quatro códigos éticos de amizade num dia só. Magoou grandão. Foi me procurar, eu não respondi. Depois de muita insistência, disse para ela que estava quieta porque não queria ser grosseira. Porque sempre que discuto com ela, independente do motivo, a estúpida insensível sempre sou eu, porque não falo com mimimi. Então achei melhor ficar bem quieta - mas não a ponto de fingir que nada aconteceu e me arriscar a passar por outra daqui uns dias. A resposta: "ahn? que foi?" Pô, se a pessoa não faz nem idéia, adianta tentar explicar? Existe alguma chance de termos valores semelhantes? Não,né.

Aí eu podia somar chamada de atenção por falar demais, gente que fica pendurada no meu MSN metade do ano me fazendo de psicóloga e de repente se enjoa e me bloqueia, gente que "adora amiga disposta a escutar e dar bons conselhos" mas me dá toco quando porventura eu não estou feliz e cantante (coisa rara, porque como boa japa evito demonstrar fraqueza), enfim, uma lista infindáveis de situações curiosas desse mundinho de meu Deus.
É o mundinho do "tudo que você disser será usado contra você mesma". Daí que é selecionar melhor quem me cerca e manter minha boca fechada. Bem fechadinha. Num mundo onde as armas são palavras, o silêncio é o único escudo possível.

*Peço aqui desculpas às coleguinhas de patologia por não fazer uma defesa apaixonada contra o preconceito e a ignorância, quando meus próprios amigos ainda me perguntam porque eu assumo essa questão publicamente... cansei. Fique à vontade para fazê-lo nos comments, se o desejarem

quinta-feira, setembro 23, 2010

La mala reputación

Uma letra fabulosa, que diz muito sobre o que muita gente pensa sobre mim. E sobre meus melhores amigos.
Cortesia do meu grande amigo e parceiro de vida outsider, Adriano. Uma das pessoas mais lúcidas e doces que já conheci na vida.

En mi pueblo sin pretensión
Tengo mala reputación,
Haga lo que haga es igual
Todo lo consideran mal

Yo no pienso pues hacer ningún daño
Queriendo vivir fuera del rebaño;

No, a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
No, a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe.
Todos todos me miran mal
Salvo los ciegos es natural.

Cuando la fiesta nacional
Yo me quedo en la cama igual,
Que la música militar
Nunca me supo levantar.

En el mundo pues no hay mayor pecado
Que el de no seguir al abanderado.

Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Todos me muestran con el dedo
Salvo los mancos, quiero y no puedo.

Si en la calle corre un ladrón
Y a la zaga va un ricachón
Zancadilla doy al señor
Y aplastado el perseguidor
Eso sí que sí que será una lata
Siempre tengo yo que meter la pata.

Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Todos tras de mí a correr
Salvo los cojos, es de creer.

No hace falta saber latín
Yo ya se cual será mi fin,
En el pueblo se empieza a oir,
Muerte, muerte al villano vil,
Yo no pienso pues armar ningún lío
Con que no va a Roma el camino mío,

No a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
No a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Todos vendrán a verme ahorcar,
Salvo los ciegos, es natural.


Dedicado a todos os hipócritas, autoilusionistas, sabotadores, burocratas e todo o tipo de gente limitada que adora foder com nossas vidas.

domingo, setembro 19, 2010

Primavera nesta terra

Não, sou bairrista porque sou paulista. Paulista como Ana Terra.
Mas é verdade que eu amo essa terra e, ainda que não tivesse tantos amigos aqui, só sairia daqui por um motivo muito, muito forte.
Aprendi a amar o verão absurdo que quase nos mata e o frio rigoroso que nos faz fortes. Mas, puxa, não é preciso grandes qualidades para amar nossa primavera. Caramba, como essa terra fica linda!

Não é exagero meu: realmente a cor do céu aqui, em dias ensolarados, não tem nada a ver com a de São Paulo. E não falo de poluição: mesmo no interior, não é igual. A tonalidade aqui é única. E a quantidade de árvores floridas é ensurdecedora.
Ontem, voltando de um Simpósio em Lajeado, me deparei com trechos enormes de estrada ladeados por ipês amarelos. O contraste com o céu era de uma beleza de tirar o fôlego.

No tengo lugar, no tengo paisaje. Ciganos não pertecem. Mas as imagens desse lugar sempre estarão em algum ponto perdido no meu coração.

domingo, setembro 12, 2010

Então, tudo o mais...

Tudo o mais tudo bem. Tá, quase isso. Tô passando por umas mudanças profundas, que não cabem num blog público, so sorry.
Mas tá tudo bem afinal. Só as coisas sendo o que tem que ser, quando tem que ser. Na verdade, não há nenhuma novidade, os fatos estão sempre aí, o que muda é a gente mentir para si mesma e parar de mentir.
A merde de mentir para a gente mesma é que a gente fica com um comportamento esquisito. O foda disso é que a gente confunde outras pessoas. Pode parecer que estamos putas com elas, ou sacaneando, ou mentindo para elas. Ou tentando manipular, controlar, iludir de alguma forma. Não é culpa delas, a mensagem de quem está mentindo para si mesma é truncada.
Ainda bem que algumas pessoas quando estão invocadas com alguma coisa, vão lá e tem perguntam na lata. Porque aí você pode perceber e corrigir. Por isso não canso de interagir com gente.
Mas são poucas. Tipo, de contar nos dedos. De uma mão só.
Então ainda devo estar cometendo erros com muitas outras. Quem reclama depois fica por último, so sorry.

Enfim, estou corrigindo tudo. E procurando não me precipitar - na expressão, não nos atos - para não magoar pessoas, porque, yes, vai implicar em fazer coisas doerem sim. Sempre implica.

É que meu subconsciente é deveras sacana. Ele sabe que se eu vejo algum medo por perto, eu vou lá e encaro. Tenho horror e ódio do medo. Então ele fica botando fitinha cor-de-rosa, ursinho de pelúcia no braço do medo para eu achar que a vida é assim mesmo, que eu não estou com medo não, é uma desaceleração natural da idade.

Natural da idade a P*** Q** T* P****!!!! Natural da idade é perceber que a vida é curta demais para muito rififi.

Fora isso, com mais tarefas do que eu acho que possa dar conta e com muito menos dinheiro do que o mês exige. Tipo, seriamente falando, meu salário já acabou e hoje é só dia 12. Preciso de um freela ontem.

Ah, e deletei a bagaça do FormSpring.

Mas a verdade, a verdade mesmo, é que a culpa é do lúpulo.

terça-feira, setembro 07, 2010

Formspring

Acho que deu pra bola aquele trem, né? Pensando em deletar.
Porque, eu já tinha me acostumado com o fato de os seres humanos não terem perguntas para me fazer.
Mas agora nego nem responde as que eu faço (e olha que eu faço pra três ou quatro pessoas de uma vez)... Fim de carreira.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Dançando o que não se dança

Tem umas pessoas que dizem que não se dança música com samai, mas eu resolvi só respeitar minhas próprias regras.
Infelizmente, não tive como avaliar minha expressão aqui. Consegui melhorar várias coisas que me incomodavam, mas ainda detecto algumas que não tinha visto antes. Perfeito nunca vai estar, né? Mas acho que foi uma das melhores relações estudo-benefício este ano.
E se preparem, ainda vou dançar muita coisa que não se dança até o final do ano. Divirtam-se. (E podem descer os cachorros à vontade. Elegância é desejável.)

quarta-feira, agosto 25, 2010

Privilégios

Hoje eu saí feliz e risonha pela rua. Porque eu fiz minha aula de daff. Toda vez que eu faço aula com o Tuerlinckx é uma benção, porque ele é assim, essa pessoa tão especial. Esse músico tão excepcional, esse professor habilidoso. E, de uma maneira ou de outra, fazemos música - e essa é uma experiência que me deixa muito bem.
Todas as aulas dele me deixam um pouco melhor do que fui - e não falo em técnicas. Fico uma pessoa melhor. De verdade.

(Falando assim, parece que tenho uma paixão secreta pelo moço. E tenho mesmo. Só que não é lá muito secreta. Ele sabe, meu marido sabe, todo mundo sabe. Eu e todas as bailarinas do Rio Grande, ué. Afinal,além de tudo, ele é gatinho pra caraleo.)

Também me sinto assim quando faço aulas com a Daiane. Com ela não tem aulinha. Com a Dai cada aula é uma experiência excepcional com seu corpo e com a música árabe. É viver arte. É magnifico. Desnecessário dizer a pessoa fora de série que ela é e o quanto tudo isso também está no meu processo de transformação.

Com a Sayonara não é diferente. Ninguém consegue fazer aulas com ela. A gente faz vivência. Vivencia-se a vida cigana. Não por acaso, mudou tudo na minha vida depois da Casa Z. (Trans)mutação pura - e quem a conhece sabe que isso não se resume ao palco e à sala de aula. Enfim.

Arte me transforma, arte me faz melhor, arte me faz sentir viva.

Seria tão bom se eu pudesse ter na universidade professores de literatura tão bons quantos meus professores de dança e música. Na verdade, tenho e tive. Mas conta-se nos dedos. São inúmeros os burocratas que trabalham com arte apenas pelo salariozinho no final do mês.

Será que é porque os acadêmicos não vivem (no caso, não escrevem) a arte que fazem? Para mim é mistério. E para você?

domingo, agosto 08, 2010

Meu bar, meu lar - a história do Souq Pub, o melhor point árabe que essa cidade já teve



Então, eu falei desse lugar muitas vezes nesse blog. O Souq Pub era o ponto de encontro do povo que ama cultura árabe em Porto Alegre, uma casa gostosa e aconchegante na Ramiro Barcelos, onde nos reuníamos para fumar shisha, tomar cerveja, comer petiscos árabes, dançar, conversar e fazer planos mirabolantes.
Mas o lugar fechou. O Rafa foi com a Anisah para o Oriente Médio e hoje em dia a casa está para alugar.
É sempre chato quando um lugar legal fecha em Porto Alegre, que é tão carente de lugares legais para gente de gosto fora do comum. Mas com o Souq a coisa foi um pouco mais séria. Não é todo dia que o dono do bar é seu chapa - não, ele não apenas te conhece do balcão e do caixa, ele tem os mesmos interesses, os mesmos gostos, viajou para os lugares que você gostaria de conhecer e trouxe as coisas que decoram aquele espaço tão gostoso.



O Rafa é um cara muito legal e todos sentimos saudade dele. E da Anisah (Vanessa, pros da casa), que além de uma bailarina deliciosa é um amor de pessoas. Uma menina querida de Pelotas, inteligente, espirituosa, geminiana, amiga e divertida. Um doce de coco que PoA perdeu para condições melhores de trabalho.
Além de frequentar o bar, por um bom tempo eu fiz aulas de dança com a Daiane Ribeiro lá, às tardes. Depois era só descer, pedir uma shisha, tomar uma cervejinha, botar as fofocas em dia.


DAIANE RIBEIRO:Muito mais que mestra e uma das melhores raqsas que já conheci, amiga de todas as horas. Que me entende como só podem as geminianas...

Nunca antes e nunca depois eu me senti tão bem num estabelecimento comercial (ok, comercial era quase modo de dizer...), tão à vontade. Não me preocupava em me produzir, não me preocupava com a conta (se gastasse mais do que tinha no bolso, acertava com o Rafa na vez seguinte - era um pacto de confiança,ele nunca fez cara feia, eu jamais deixei de pagar), não me preocupava se as pessoas com quem eu marquei já tinham chegado ou não. Porque o Souq era um bar onde eu nunca ficava sozinha. Ainda que o nosso impagável Celso (o melhor preparador de shisha ever),o Rafa ou a Anisah não estivessem ou estivessem muito ocupados, eu podia simplesmente ficar num canto sozinha e curtir a trilha árabe (sempre excelente, graças ao bom gosto do Rafa).O Souq tinha um clima assim tão legal que uma mulher podia frequentá-lo tranquilamente sozinha, sem a possibilidade de ser importunada por algum bêbado ou coisa do tipo. Saudade grande da luz colorida naquelas paredes...



Outra coisa muito legal era a quantidade grande de eventos relacionados à musica e à dança. (Incrivelmente, tivemos shows internacionais espetaculares para quarenta pessoas... Porto Alegre é um ovo que gosta e faz tudo para permanecer isso mesmo: um ovo.)
Além disso, jamais haverá um lugar para as loucas dançarem com tanto conforto e liberdade. Instalações decentes para nos trocarmos,liberdade para fazer festas dançantes, para conferir CDs e DVDs que levávamos em reuniões de bailarinas. Uma quantidade boa (incrivelmente boa, em termos locais) de gente junta que respeitava e amava a arte.


Cartaz de um dos eventos, estrelado pela bela Anisah.

Foram tantas reuniozinhas para planejar shows (muitos que jamais se realizaram), trocar material, ver gente dançar/tocar, botar o papo em dia. As impagáveis festas de aniversário. Sou uma nostálgica irrecuperável, poderia escrever horas.


Meu aniver de 2009 - em azul, Zahira-Fernanda,grande dançarina e amiga baladi desse coraçãozinho baladi.

Amigo Grifo tem a teoria que o Souq era tão bom porque, mais do que estabelecimento comercial, era um lugar para reunir gente com interesses afins. E que por essas mesmas características acabou se tornando inviável financeiramente. Pode ser. Eu mal e mal consigo que me consolar com a idéia de que foi melhor desaparecer assim do que decair um dia.
No Souq, eu fortaleci a amizade com a Daiane e com a Zahira (Fer, pros de casa). Eu conheci o Tuerlinckx, primeiro como professor, depois como o amigo insubstituível que se tornou, pessoa de essencial importância na minha vida. E também o pessoal da casa (Rafa,Anisah e Celso), claro, o Gabriel (que fazia aula de derbake também,com o Rafa),o Grifo.


FABIANO TUERLINCKX:percussionista excepcional, professor e um dos amigos mais doces e generosos que o mundo me deu. Indispensável e insubstituível.

Dentro daquela casa eu ri, argumentei, falei bobagem, dancei, cantei, beijei, chorei, abracei muita gente por variados motivos. Foi um lugar que concentrou uma camada de emoções bem intensas para mim. O bar fechou, mas, enquanto eu estiver viva, sempre terá uma luzinha verde acesa em alguma fachada da minha memória.

terça-feira, agosto 03, 2010

Do mais santo dos remédios: o tempo

(Coisa que eu mais amo é quando essa merda dá pau e eu perco o post inteiro como há segundos. Ok, vamo lá de novo.)

Quem me conhece bem, sabe que não vivo sem os meus amigos. Sei que consigo suportar qualquer coisa com eles por perto, o resto eu não sei. Depois de velha admiti para mim mesma que meus amigos tem importância maior na minha vida que meus amores - salvo os raros casos em que os amores se tornaram amigos.
Sendo assim, adoro fazer amigos novos e reencontrar amigos. E se tem algo que me chateia, mas me chateia muito, é perder um amigo. (Até aprendi a administrar a situação com a idade, mas gostar também não é o caso.)

Pois que hoje foi um dia deveras supimpa, porque eu fiz uma coisa que realmente me dá muito prazer: recuperei um amigo.
Perdi a amizade do moço em questão porque esta se desenvolveu em conjunto a uma paixão mal-resolvida dos diabos. Como temos em comum a impulsividade e a passionalidade, deu uma merda bonita de se ver. Explodimos em gritos, lágrimas e ranger de dentes. Mexicano.
Enfim, o tempo passou e a paixão com ela. Mas a saudade do amigo com quem tenho grande afinidade e com quem me divirto muito permaneceu. Foi bom descobrir que, de alguma maneira, a recíproca era verdadeira. (Eu jurava que o moço ainda rosnava à menor menção do meu nome, quando na verdade éramos dois a nos espiar furtivamente na Internet.) Enfim, foi um troço bem bacana.

Essa transição de paixão pra amizade é uma coisa que traz inúmeras vantagens. Tipo como ser tia, que só pega os melhores flashes da maternidade.
Marido (namorado/amante/whatever) eu só posso ter um por vez (e estou muito satisfeita com o meu, obrigada), amigos eu posso ter todos ao mesmo tempo agora!
Amizade não tem ciúme, não tem jogo, só levanta sua auto-estima. E a parte que eu mais gosto: havendo caráter dos dois lados, a tendência é que dure para sempre! (Que o digam meus amigos do Pleistoceno!)
Tá, não vou negar que uma amizade que tem um histórico romântico gera um tipo de afeto especial. Como costuma dizer meu primeiro grande amor (e um dos meus melhores amigos para todo sempre, arigatô Kami-sama!): "sempre teremos Paris". Mas é o tipo de diferencial que se dissipa com o tempo e não traz nenhum ônus nem risco. Acho que até pelo contrário: economiza muitas explicações.

Aproveito a oportunidade para ser piegas: meus grandes amigos espalhados por esse mundo, de todas as épocas, sejam os que nasceram meus irmãos ou os que se tornaram - amo MUITO LOUCAMENTE todos vocês! Cada um de vocês, a seu modo, é essencial na minha vida.
Ao moço em questão, caso ele leia este post: OKAERI NASAI! (Bem vindinho de volta, em japonês.^__^)

quinta-feira, julho 29, 2010

Férias - 2a. parte e outras cositas

Ainda são muitos os posts para colocar em dia, mas, enfim, a vida.
Depois do afofamento descrito, veio mais afofamento. Na sexta,fizemos a boa e velha "reuniãozinha do povo da ECA". Como estamos todos ficando muito velhos e comprometidos, apenas quatro compareceram: eu, Rê, Sabin e o grande Mestre, que nos "anfitriou". Fiz um jantarzinho, foi gostoso. O jeito como todos os meninos babaram no Rodriguinho (o filho do Mestre e da Rita, que não pode comparecer porque estava trabalhando) deixou explícita nossa idade provecta... hehe

Tirei pouquissimas fotos nessa viagem, porque não estava com câmera e a qualidade do celular é aquela coisa. Mas alguns registros tive que fazer, como da sobrinha mais linda do mundo (mesmo sem maquiagem, nem chapinha, nem glamoursh) e do fofo do cunhado dela.(Sim, eu tenho uma sobrinha casada. Daqui a pouco eu pisco e sou TIA-AVÓ. Ui.)






No sabadão fui pro Rio, para o casamento da Clara e do Fábio - que hoje são nossos amigos, mas tudo começou com uma amizade entre Clara e Maridón sobre uns assuntos alemães que tento traduzir até hoje.^_^
Peguei um lindo congestionamento de 4h na Dutra, por causa de uma carreta virada (vida de cigano é fogo, viu!) e fui direto afofar a amiga angolana Humberta.
Não tirei fotos do casamento, nem as publicaria, porque acho que é coisa de cada um, mas deixo com vocês algumas fotos espetaculares da igreja no Méier, segundo marido, a única basílica mourisca da América Latina.






Depois voltei para Sampa, afofei mais o Rê, afofei mais a Flávia, peguei umas coisinhas na 25 de Março (o que é o auto-controle da pessoa para não levar TUDO o que estava a um terço do preço porto alegrense><), tive o tradicional jantar com Meiko...

TIRASHIZUSHI DO SUSHI GUEN

Encontrei mais uma pessoa bem especial cuja foto não vou postar aqui porque não brinco com gente séria.^^ Mas pense num cara que tá chegando nos quarenta e ficando cada dia mais japonês... rsrs

Então voltei pra terrinha sob chuva torrencial e o vôo que ia chegar às 21h35 chegou`1h da manhã... Coisas dessa terra de clima inclemente. Chegando aqui, aproveitei o tempo livre para afofos nas pessoas queridas daqui, incluindo o povo de Santa Maria.



Dessa vez não deu para ir até Brasília, destino final do meu primeiro avião. (Juro que pensei em me esconder no banheiro...) O que não quer dizer que não tenha pensado muito em Rô Salgueiro...




Aqui uma fotinho do encontro do grupo Masala, do qual sou uma extensão tieteira.





Termino o post com umas imagenzinhas ótimas que achei quando limpava o celular para escrever esse texto.:)

JO E SEU FERNANDO

AMO MUITO!!!

MAMÃE VERSÂO SIMONE DE BEAUVOIR

EU E MEIKO EM GRAMADO, HÁ MUITO TEMPO

(Sorry pela disposição tosca das imagens, mas estas coisas ficam a cada dia mais complicadas de editar no Blogger...)

sábado, julho 24, 2010

Você fica constrangida quando te deixam sozinha conversando com uma pessoa que você não conhece?

Em geral, não. Minha tendência natural é falar com os cotovelos e quebrar o gelo sem dificuldades.
Só vou ficar constrangida se a pessoa for daquelas que responde com monossílabos e não demonstra o menor interesse pela sua conversa. Mesmo sabendo que provavelmente ela está mais constrangida que eu, isso me desconcerta.

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quinta-feira, julho 22, 2010

Saudades felinas



Para viagens, compras, telefonemas, jantares, casamentos, existe dinheiro e cartões de débito e crédito.

Mas acordar às sete da manhã com as duas gatinhas mais charmosas do mundo ronronando de saudade (uma no seu quadril, a outra no seu braço) NÃO TEM PREÇO!!!
Não tem amorsh mais puro e incondicional que amor de gato!

(Já já retorno com as histórias da segunda parte da vaigem, anotações de aeroporto e algumas fotos, assim como com os posts todos que devo. Calma, tô chegando. Peguei quatro horas e meia de atraso no vôo ontem por conta do mau tempo.><)

sexta-feira, julho 16, 2010

Friozinho, aconchego e as coisas na vida que realmente importam

Então, povo, finalmente a pessoa conseguiu sair de férias. Claro que naquele esquema: o último ensaio acadêmico para ser escrito na noite de domingo, embarque segunda às 14h50.
Consegui parar para escrever as 23h (quem me conhece sabe que rendo mais à noite), trabalhei até as 5h30 da manhã, quando tive que fazer uma pausa por problemas técnicos e tirei um cochilo. (Valeu CEEE!><) Reiniciei às 7h, terminei às 11h, revisei e mandei para a divina Cláudia entregar para mim. Ufa! Aí fui tomar um banho, terminar de arrumar as últimas coisas e aeroporto.
Uma chuva, uma chuva, uma chuva em Porto Alegre. Eu de botas, legging, saião, malhas de lâ como de costume. Enfim. Cheguei em São Paulo com 27o. e cozinhei! Que feliz! Bão, cheguei e já fui direto pras grota, digo, pra Cesário Lange que é onde a irmã mora atualmente e ficamos lá nos afofando. O telefone sem sinal.Bão.
Na quarta de manhã vim pra Sampa (porque cidade de 15 mil habitantes é essa beleza: ônibus pra Sampa às 7h e às 17h30. Só. Tive que acordar 6h sem a menor necessidade.:'()e passei a tarde afofando a Meiko. Almoçamos na Liberdade, comprei umas coisinhas, passamos na Fundação Japão (onde eu não ia há séculos, mas aquele lugar não muda, parou no tempo, até o cheiro do carpete é igualzinho) e tomamos um café na Cultura (o pior atendimento em cafés ever). Depois encontrei agente Scully, digo, a Flávia, amiga de muitos anos e melhor dentista do mundo para devolver ao mundo o que o lítio comeu - a integridade da minha arcada inferior. Depois fui pra casa dela afofar, afofar, afofar. Fiquei até ontem à noite, quando vim pra casa do Rê, o irmão que minha mãe não quis me dar, mas o mundo me deu assim mesmo e afofamos madrugada à dentro.
Hoje à noite devem aparecer mais dos meus amigos do Pleistoceno, digo, dos tempos de ECA-USP, para serem devidamente afofados. Adouro.
Sábado e domingo afofo pessoas no Rio e segunda a afofação paulista continua.

Tá friozinho aqui em Sampa (cerca de 13o., nada comparado com os 3o. que marido tá enfrentando em Porto Alegre, mas aqui é inverno...), mas não tem nada mais aconchegante do que ir seguindo por várias pessoas e encontrar pessoas que te amam de verdade, estão "tri a fim" de ver, te receber, saber da sua vida. A fofura dos abraços, os cabelos recém-curtinhos da minha irmã, os braços firmes da sobrinha, o tempo suspenso da Meiko, o sorriso cansado-feliz da Flávia, massagear as costas do meu irmão. Nada disso tem preço no mundo. Nessas horas, ainda que eu não amasse loucamente o que faço, valeria todo e qualquer sacrifício para poder viajar.
Amizade é um tipo de amor também. E estou para dizer para vocês, que é meu tipo de amor preferido. Que não cansa, não tem medo, nem fim, nem ameaça possível. Claro, mas só quando é de verdade.

Falando nisso, tem gente nessa terra que eu gostaria muito de ver/ter visto, mas que, apesar de eu ter avisado antes e tentar contato insistentemente, simplesmente sumiram sem deixar aviso. Isso me chateia muito. Manda um email e diz: "embolou o meio de campo, não vou conseguir te ver dessa vez, desculpe!" Eu compreendo. Mas fazer eu ficar procurando feito louca sem dar retorno, como diria amada sogra, "non se faz".

Enfim, tá bão. Volto para contar outras coisas.
E ratifico: não teria como estar melhor.

sábado, julho 10, 2010

O inferno são os outros

(Como diria a divina Cláudia, famosa frase de um homem que todo mundo cita, mas ninguém leu. Eu inclusive.)

Só porque nessa madrugada fiquei pensando que nesses tempos tão líquidos de medo, acomodação e egoísmo, a amizade humana caminha na beira do precipício do impossível. O dedo apontado é gatilho mais fácil que o diálogo.
Aí me bateu uma dúvida.

Nesse contexto, o que é mais comum:

- Acusar, julgar e executar no outro tudo que o instabiliza no seu ponto de conforto.

OU

- Cobrar comportamentos (em geral, incondicionais)do outro que você nunca foi capaz de ter/oferecer?

Qual sua opinião? Qual será o segredo de tostines?

sexta-feira, julho 09, 2010

Menos de um artigo... - hinos de louvor rumo às férias

Menos de um artigo
Menos de um artigo
Pare um pouquinho, twitte um pouquinho...
Menos de um artigo

Menos de um artigo
Menos de um artigo
Pare um pouquinho, blogue um pouquinho...
Menos de um artigo...

quarta-feira, julho 07, 2010

Cinco bailarinas brasileiras fonte de inspiração?

Pelo tipo de pergunta, imagino que seja apenas da DV, né?
Entonces (ordem aleatória):

Daiane RIbeiro
Karina Iman
Viviane Amaral
Samya Ju
Luana Mello

Na dança cigana, no Brasil pelo menos, minhas referências continuam sendo Sayonara Linhares e Caroline Klipel.

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segunda-feira, julho 05, 2010

Correria

Eu para sumir não pago imposto, né? Pois então.
É que estou me preparando para partir para a Paulicéia. (Que língua do P dos infernos!!!) Para tanto, preciso terminar os infindáveis artiguinhos que mantém minha bolsa CAPES na conta. Portanto, corro. Portanto, não escrevo.
Tenho um post para escrever sobre o fim do meu bar preferido que já tá ficando histórico.
Um post sobre marido. Um post sobre mim. Tudo na cachola.
Sem tempo.

Mas eu volto. E vê se não deixam meu formspring tão às moscas, né? Ele é curtinho, dá tempo de eu responder.

Beijocas gerais!

terça-feira, junho 29, 2010

Sobre a festa de aniversário mais bacana da história

aqui.

Porque eu não queria escrever dois posts sobre o mesmo assunto.
Porque eu não consigo inserir vídeos nessa bagaça do meu computador.
E porque minhas amigas são as melhores.

sábado, junho 12, 2010

Felinidade


Uma gata na cadeira, pelugem preta com olhar lânguido, de onde corre o fio suave de um amor espesso como mel. A gata me olha e eu me olho por dentro, a gata me ama e amando a gata eu me amo, seu outro tempo me transporta para eu desacelerar. Gato é espelho ativo e não virtual. O didentro do gato é uma enzima espiritual com intenção.

Mas além de olhar, o felino pode atuar como os bebês e tocar diretamente. Dormir nas tuas costas e ligar o "vibrar". Uma bolinha de pêlos ronronando na tua pele é mais eficiente que uma banheira de hidromassagem para dissipar tensões emocionais e acadêmicas.
Uma gata-menina te olha, te cutuca, mia fininho, te chama a atenção para um outro mundo. Pula, rola, puxa com a patinha, exige teu carinho. E te leva. Caroll se enganou: são os gatos, e não os coelhos, a chave para o País das Maravilhas. Cortázar já sabia. Murakami também.
Aí te deixa umas cicatrizes, que te levam de voltam ao mundo dos humanos e te lembram: a vida não é inofensiva, mas é muito boa.

Gatos te namoram como voluptuosas damas, te brincam como crianças e gatos podem ser magos. Eles te olham/ desvendam/ escaneiam. E se tu passares no teste, talvez eles te adotem. Um gato te ajuda, mas não quando tu queres- só no exato momento/ lugar/ modo que precisas. Eles são muito ocupados transformando energias, protegendo lugares e brincando para transmutarem tudo isso para ficarem satisfazendo teu capricho humano de atenção. Um gato não tem tempo a perder.
Parece que bailarinas gostam de gatos. Mentira. Bailarinas tomam aulas com eles. Gatos são estéticos, objetos de arte em movimento, são a essência de nossa arte. A mais exímia dançarina mal chega aos pés da leveza e da graça que um gato gordo, velho e caolho consegue ter ao beber água...
O povo comenta que todas as feiticeiras têm gatos e então se sabe que eles não entendem nada. Ninguém tem um gato. O bichano te adota ou não, ponto pacífico. E se tu fores mal intencionado, talvez tenhas a sorte de ser ignorado por eles - porque eu tenho pena de quem eles atacam.
Mas como eu dizia, feiticeiros não tem gatos. Na verdade, os gatos são os mecenas energéticos de qualquer bruxo. Energia que cura, que permite a eles atuar no mundo, que os bota em pé de novo. Não se iludam com a aparência de sono preguiçoso.

Por isso, como aprendi a feminilidade um dia, hoje sou aprendiz de felinidade. E essa é minha homenagem aos meus pequenos mestres.

segunda-feira, junho 07, 2010

Rápidas observações sobre astrologia e migo mesma

Entonces, comecei a pegar os mapas de uns amigos para fazer. Não tô numa de tirar uns trocos não, tenho consciência da minha condição de astróloga de meia-pataca. Faço só para eles pegarem o gosto e depois procurarem um astrólogo de verdade. Porque é uma delícia e relaxa. E porque é um meio muito legal de se conhecer.

O mais divertido é que marido entra na brincadeira, ele sabe mais do que eu (sobre o que raios nesse mundo ele não sabe mais do que eu?) e tem as bibliografias, fica me ajudando. Agora cismamos de fazer os mapas da família dele, a mãe mais os seis irmãos. Vai dar uma trabalheira insana, mas vai ser divertido. Fiz o da minha mãe ontem e fiquei de espinha gelada. Enfim.

Falando em auto-conhecimento, tô levando esse negócio a sério barbaridade, exatamente como minha primeira astróloga (saudosa Wanda, feliz esteja na dimensão que estiver!) disse que eu deveria fazer se quisesse que minha vida seguisse o rumo certo de alguma maneira. Sol na casa 1, quase todos os planetas nos dois primeiros quadrantes (do inconsciente). Essas coisas. Está sendo muito legal, pena que é impossível se aprofundar nesses lances num blog público.

Para terminar, hoje foi aniversário da amada Daiane Ribeiro e eu fui. Fui e dancei. Nenhuma das alunas quis dançar, mas eu ganhei uma cara de pau a toda prova e fui lá e dancei num restaurante cheio de gente que não era convidada e dane-se. Não, não tinha ensaiado, nem preparado. Nem mesmo estudado - não estudo música árabe há tempos. A música era do CD da Daiane, uma ghawazee com rababa que eu conhecia vagamente. Figurino - galabia e botas, roupa que eu uso pra sair normalmente. Cobertinha da cabeça aos pés. ^^ Minha única preparação foi passar o batom de novo e amarrar um lenço no quadril. Só.
Quer saber? Foi ótimo.
Se eu dancei bem? Não faço idéia, não vi o vídeo. Mas eu senti prazer dançando. Eu não estava envergonhada. Eu não me auto-critiquei. Eu não tive a sensação de estar fazendo o mesmo movimento por séculos. Eu não me acelerei. Eu simplesmente dancei porque sou livre para isso. E me sinto cada vez mais confortável dentro da minha pele. E devo repetir muitas vezes.
Feedback? Bom a profe não disse nem uma palavra, então não deve ter sido nenhum prodígio técnico. As amigas elogiaram, o que é relativamente normal. A dona libanesa do restaurante também elogiou, perguntou se eu era professora e tals. Claro que pode ser papo para conquistar simpatia de cliente, né? Eles são cultural e secularmente muito bons nisso. Ela disse que eu dançava como uma egípicia. E eu fiquei me perguntando se, vindo de uma libanesa, isso era realmente um elogio...rsrs
Quando e se vier o vídeo, eu posto no wordpress. Seja qual for o resultado, para mim foi um avanço.
E boa noite porque amanhã eu tenho um milhão de coisas pra fazer!