terça-feira, janeiro 30, 2007

O Vale dos Pulsares Amputados

Em um lugar distante em outra dimensão, onde a luz do sol jamais chega, vivem criaturas humanóides que gemem e sofrem. Digo humanóides porque parecem humanas e não são feitas de matéria, mas de energia. E porque podem ter as formas um pouquinho alteradas por sua atividade - alguns têm os olhos desmesuradamente caídos de tanto chorar, outros têm os braços num verdadeiro xadrez de tantos arranhões, outros, uma reentrância na testa de tanto batê-la contra objetos.
Eles vivem sob a terra, em túmulos, porque são os filhos de nossos amores sepultados ainda vivos. Cada amor abortado pela falta de coragem cria uma criatura no vale. São os pulsares amputados, as paixões contidas, um monte de vida e de energia estancada a ferro e fogo.
Os seres no vale são crias da nossa energia, uma parte de nós que se perdeu para a dor. Por isso cada vez que "superamos", que um amor desses "acaba" fica no nosso peito um eco, um vazio - porque parte de nós ainda sofre, por lá.
E não pense que por não serem humanos eles sofrem menos. Padecem mais porque agüentam mais. Doem. Rasgam. Gemem. Gritam. Urram. Babam. Choram. Lamentam. Clamam. Arranham. Caem. Exasperam. Sangram.

Agora que você sabe, me responda: quantos amores sua covardia mandou para o vale dos pulsares amputados?

5 comentários:

roberta disse...

Ai, menina.

Lorena disse...

Samy, fiquei curiosa. O que acontece com essas criaturas quando as cicatrizes saram e deixam de existir? Eles passam a ser humanos verdadeiramente ou eles morrem como nossa dor?

Bruna_ disse...

tantos.

Bellit disse...

Minha covardia? Nenhum ...

Lid disse...

Ha os pulsares amputados, ha os pulsos cortados e ha aqueles que para nada servem porque nunca amaram ninguem, jamais irao amar, jamais se comprometerao. Como eh triste a covardia!