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quinta-feira, março 10, 2011

Ayubi & Dandash

Não adianta. Nasci pra ser mãe. Estava adiando minha nova maternidade felina (quando me divorciei, minhas filhas peludas, Akiko e Ayala, ficaram com o pai)por causa da falta de tela no apartamento alto, pra minha mãe se adaptar, por isso e por aquilo.

Mas o ontem o Luis Garcia, marido da Sayonara, da Casa Z, me trouxe um argumentinho cinza irrefutável... Ia ficar com ela e com a irmã, que morreu. Aí eles me contaram que tinha mais um machinho pra ser adotado. E logo um frajolinha - sou louca por frajolas. Capitulei.

Ficaram Ayubi e Dandash. ^^

Olhem pra eles. Vê se é possível resistir...




sexta-feira, março 04, 2011

Coisas que não se pode lutar contra / Coisas que não pode viver sem




Não se pode lutar contra o fato de se estar afastada de um de seus amigos mais íntimos num momento em que você precisa muito de amigos.
Não se pode lutar quando se reconhece uma pessoa no meio de tantas outras e se forma um vínculo intenso com ela - completamente dissociado da paixão romântica e suas armadilhas.
Também não se pode lutar quando esse vínculo se desfaz (tão cedo!) porque é hora e porque sim. Mesmo que isso te traga lembranças muito remotas e te encha de uma dor insustentável de luto que ninguém pode explicar.
Não se pode lutar contra o fato de que, da mesma maneira com que se reconhece afetos, alguns desafetos te reconhecem e agem de artimanhas e má fé contra você. Gastando uma energia inacreditável, jurando que, sim, dessa vez te derrubam com a cara no chão. Você, que não se lembra de ter feito nada, absolutamente, contra elas. Mas fez, fez sim, em algum momento perdido tempo.

Não se pode viver sem ter no centro o que realmente está no Centro.
Não se pode viver sem a proteção de pessoas que já não tem corpo físico para te abraçar, mas que continuam te amando e velando por você, de onde quer estejam.
Não se pode viver sem gente do bem que te cura, te dá palavras de incentivo, te orienta quando você caminha pelos penhascos de estreitas bordas da tormenta e da dúvida.
Não se pode viver sem gente honesta e de vibração elevada, que compra uma briga em seu nome sem ganhar absolutamente nada com isso. Talvez retribuindo alguma lealdade muito distante no tempo.
Não se pode viver sem o afeto que se mantém, mesmo quando as circunstâncias separam pessoas que realmente se estimam.

Nas últimas semanas, eu atravessei mais batalhas do que já se viu em guerras inteiras. Cicatrizes são inevitáveis. Mas cá estou eu.

Para algumas pessoas, reencarnação é uma superstição. Para outras, um conceito. Para uns, é uma crença. Para mim, são as leis que regem os acontecimentos da minha vida cotidiana. Por uma vida inteira.

quinta-feira, março 03, 2011

Sobre as coisas que eu poderia dizer



Existem muitas coisas a serem ditas. Muitas coisas a serem postadas. E muita gente para quem eu gostaria de falar.
Mas a internet não é um lugar de exposição de idéias. A internet é uma praça de guerra onde gente desocupada se diverte em julgar a vida alheia.
Por isso tanto silêncio e trechos alheios por aqui.

Talvez ainda tenhamos dias de palavras mais livres. Ou não.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Para a feiticeira da Cadeira de Prata

"– Uma palavrinha, dona – disse ele, mancando de dor –, uma palavrinha: tudo o que disse é verdade. Sou um sujeito que gosta logo de saber tudo para enfrentar o pior com a melhor cara possível. Não vou negar nada do que a senhora disse. Mas mesmo assim uma coisa ainda não foi falada. Vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, aquilo tudo – árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor que sonhamos: ora, nesse caso, as coisas inventadas parecem um bocado mais importantes do que as coisas reais.
Vamos supor então que esta fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco. E o que estou dizendo é engraçado, se a gente pensar bem.
Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo.
Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista. Assim, agradecendo sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que as nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz."

(C.S.Lewis – Crônicas de Nárnia – Vol. VI - A Cadeira de Prata - p. 219-220)

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Ficar quatro dias de cama nem é tão ruim assim

Fora a dor e o fato da gente não poder se locomover. O bravo mesmo, é estar sozinha na jogada. Não, não me refiro ao fato de estar divorciada. Porque na real, o ex é quem mais pega junto, mesmo nesses casos. Tô falando de amigos mesmo. E de ter uma pessoa totalmente desequilibrada em casa para complicar as coisas.

Daqui, as duas únicas visitas que recebi foram das terapeutas - porque eu chamei. Não recebi nenhum telefonema, nenhuma visita, nenhum oferecimento de auxílio. A única ligação para saber como eu estava recebi do próprio ex. Coloquei algumas coisas sobre meu estado no Facebook, mas a verdade é que não faz muita diferença para quem quer que seja. Acrescentando-se que eu passei uma semana canina onde aconteceram muitas coisas horríveis, que, aparentemente, também não são do interesse de ninguém.

Aí, depois de quatro dias, você volta a andar, um pouco por vez. E todas as suas coisas estão fora do lugar, o chão faz redemoinhos de poeira como os desertos americanos, o pão foi guardado sobre a pizza dentro do forno, a geladeira foi arrastada até o meio da cozinha (e como suas costas ainda doem para arrastar de volta!) e tem uma pilha de dois metros de lixo na sua área de serviço porque nenhuma das pessoas que estiveram em sua casa por outros motivos nesse tempo todo se deu conta de que eu não podia descer com ele - ou seja, vou ter que fazer tudo isso hoje a tarde. Aliás, não apenas a geladeira - ah, cujo botão de degelo também apareceu quebrado. Todos os móveis do quarto dela foram arrastados compulsivamente, o estoque de bolachas devorado (mesmo você levantando com dor pra fazer as refeições na hora) e praticamente tudo, tudo está fora do lugar, nas gavetas erradas, nas prateleiras erradas e você leva horas pra preparar um ovo mexido. Além disso, você, dopada de remédios, é acordada várias vezes durante a madrugada - porque sim.

Era justamente desse tipo de coisa que eu tinha medo quando era casada e pensava em sair de casa. Agora descobri que angustia, mas não mata.
E descobri também que eu perco tempo, energia e preocupação demais com as pessoas na minha vida.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Individuação

Repita em voz alta, Samara:

"Sim, sua Lua é em Libra, mas você tem Sol na Casa 1. Portanto, seu movimento é EU PARA O OUTRO e não EU PERDIDA NO OUTRO."

Essa lição preciosa eu aprendi em 2003, com a Wanda, uma das mais fantásticas astrólogas que essa Terra já teve. Mas tenho uma dificuldade incrivel de assimilar.
Quando uma pessoa cativa meu sentimento, tenho uma facilidade desmedida para me despir do meu mundo e entrar no dela sem defesas, me embrigando sem restrições da personalidade do outro.
Isso não quer dizer que eu tenha personalidade fraca ou gênio fácil, muito antes pelo contrário. Mas é que a intensidade que me é natural me provoca um desejo quase irrefreável de fusão. Que, se eu bobear, termina em confusão.

Mas eu já sei as lições. Só preciso respirar fundo e separar as coisas. e não me dissociar do meu próprio mundo que amo tanto. Não renunciar à felicidade por mim mesma que já conquistei.

Indubitavelmente, nossa luta mais ferrenha é com a gente mesma. Sempre.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Amigos e um canto todo meu

Amados. Escrevo do meu quarto, do meu computador. A conexão ainda é roubada, mas esse post não podia esperar mais.

Estou totalmente enamorada da minha casa nova, onde tudo está, dentro de meus poucos recursos, arrumado como eu gosto. Meus ursos de pelúcia, cinco anos depois, estão limpos e sobre minha cama novamente - sim, tenho quase 40 e ursos de pelucia, e dai?, todos presentes tardios. Minhas roupas todas, o que me restou de acessórios de dança, meus cristais. Estão todos perto de mim e eu sei exatamente aonde. Essa casa tem janelas amplas, entra luz o dia todo. E é no nono andar - eu sempre quis morar no alto.
Sei que para a maior parte das pessoas normais, tudo isso é banal. Para mim, não. Por motivos que não cabem aqui, esperei muitos, muitos anos por isso. MUITOS.

Estou realizando sonhos. Tenho lugar para estudar, trabalhar e o que vier.
Tenho uma casa para esperar o cumprimento do meu destino.


Sábado recebi amigos muito queridos: Carlinha e seu doce Brilha, Fernanda Zahira. Todo mundo cachaceiro de dança como eu gosto. Fiz kibe assado e mjadra. Comemos, conversamos até altas. Delicia.
Dia seguinte eu e Fer fomos encontrar e matar saudades do nosso querido Rafa "Souq" e sua Vanessa, a bela desencanada (Gêmeos em Gêmeos, né? Pudera). Ficamos até tarde também e foi muito divertido.
Hoje mais um grupo de amigos, recebidos a pão integral, bolinho de milho, rocambole e muito chá cigano.
Meu coraçào de lua em casa 4 está pleno.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Das resoluções

Então, sigo com isso ano após ano. Tem sido útil para mim, de alguma forma, organiza prioridades - eu sempre dou uma boa revisada no aniver, que é no meio do ano - ainda que enfadonho ou caótico para vocês. Bora lá.

2010

1) IR A TODAS AS CERIMÔNIAS MENSAIS EM PORTO ALEGRE E AO MENOS DUAS NA SEDE CENTRAL, EM CURITIBA
Essa eu diria que atingi 90%, pois perdi duas cerimônias em Porto Alegre, uma por indisposição, outra por motivo de viagem, mas consegui ir à Curitiba de formas inesperadas. Valeu colocar como meta, de qualquer modo.

2) CONTROLAR A DIABETE
Então, pessoas, essa é a grande incógnita do ano. Eu realmente fui ao médico, fiz avaliação e comecei com tudo direitinho.
Mas depois que eu mudei a medicação psiquiátrica, comecei a ter uns mal estares. Aí me dei conta que eram os remédios para controlar a diabete que estavam desandando toda minha glicemia. Parei de tomar por um tempo e comecei a me sentir bem melhor.
Estou com uma alimentação legal, sem radicalismos – e o fato é que todos os meus sintomas de diabetes simplesmente sumiram!
Com a loucura do mestrado em outra cidade esse ano, não tive tempo de passar no médico de novo. Mas é uma das primeiras coisas que pretendo fazer assim que concluir a mudança para Novo Hamburgo.

3) MANTER OS FICHAMENTOS E LEITURAS EM DIA
Deus sabe como e a que custo. Mas consegui, sim. Embora não tenha fichado tuuuuodo que me passasse pela frente, non. O que me salva, é que não enjôo lendo em transporte público, ainda que não tenha conseguido muito tempo para leituras extras por conta do caos da minha vida pessoal.

4) PUBLICAR AO MENOS 2 ARTIGOS E FAZER AO MENOS UMA COMUNICAÇÃO
Sim, essa sim. Dois artigos e meio (eu fiz tudo que tinha que fazer, mas a publicação atrasou) e duas comunicações. Mas não consigo atender o pique das colegas de toda chamada para publicação que aparece. Se o tema não se adecua, fico insegura e já não mando.

5) APRENDER A GIRAR
Se eu disser que estou dominando toda a técnica e todos aqueles giros com torção rajastaneses que tanto amo, é mentira. Mas se eu disser que não evolui horrores, é muita falta de sacanagem com meus professores e com meu esforço.
Ter feito uma vivência em que girei por quase seis minutos sem intervalo ao som de uma música indiana (sem cair e sem ficar nauseada) também deve querer dizer alguma coisa. Então me aprovo, mas levo o item pro ano seguinte.

6) DEDICAR TEMPO AO ESTUDO DE PERCUSSÃO – ESTUDAR DAFF
Então, por mim eu colocaria um FAIL gigante, pois mal tive tempo de me coçar esse ano. Mas o Tuerlinckx diz que eu devo valorizar a freqüência nas aulas, que eu não interrompi com toda a correria e viagens, então tá, ele é mais sábio que eu na maior parte das coisas mesmo.
E, realmente, pegamos firme no daff, só retomando os estudos de derbake agora no final do ano. Então vou encarar como 60% concluso e era isso.

7) FAZER DANÇA CIGANA COM A SAYONARA LINHARES
Com toda a correria e toda a falta de tudo, nesse item posso me dar um sonoro 120%. Porque eu fui muito além disso.

8) ADQUIRIR UM DAFF PROFISSIONAL
#FAIL.
Então, quando estipulei esse item no ano passado, não tinha me dado conta de que ele dependia muito mais da boa vontade de meus amigos que viajam/moram no exterior do que de mim mesma, pois esse artiguinho de luxo simplesmente não existe aqui. O único que achei para comprar no Brasil me foi oferecido por, pelo menos, três vezes seu valor real. Pô, lucra ma non sculiamba!
Continuo tentando o ano que vem, mas sai dos itens de resolução porque depende exageradamente de fatores externos.

9) ELIMINAR 7 KG
Sim? Não? Talvez. Assim, eu perdi muito mais do que isso ao todo. Mas tive um aumento de peso considerável no inverno. Então, no final das contas, tirando meu peso de quando a meta foi estipulada, estou apenas três quilos mais leve. Mas, por outro lado, com a dança intensiva e umas sessões de mágica massoterapêutica que me dei de presente, minhas formas e medidas mudaram consideravelmente. Foram 4 cm de cintura de novembro pra dezembro, poxa. Consegui comprar um jeans no brechó (16 pila, hahaha) na primeira experimentada.
Então eu me dou 75% cumprida para essa tarefa e me decreto beeem feliz com meu corpitcho.

11 METAS PARA 2011

1) Conhecer mais e melhor a mim mesma, melhorando essa delicada relação comigo.
2) Cultivar a flexibilidade, a paciência e a tolerância.
3) Auxiliar nas atividades do grupo da Mahikari em NH e participar de todas as cerimônias mensais.
4) Fazer as pazes com senhor Saturno – estabelecer tempos de trabalho para o Mestrado, os freelas, a dança e a percussão, porque estarei sem horário fixo e louca pra procrastinar e me enrolar com tudo.
5) Preparar qualificação e dissertação nos devidos prazos, sem pedidos de prorrogação.
6)Conseguir mais e melhores frilas.
7) Começar a “preparar a cama” para o doutorado.
8) Fazer do meu lar, meu ninho. Cidade nova, casa nova, vida nova. Cuidar, pintar, trazer as coisas espalhadas pelas casas que morei. Manter espiritual, energética e fisicamente organizado, limpo, perfumado e iluminado.
9) DAS ARTES:
Dança árabe: organizar o deslocamento e aperfeiçoar os giros.
Dança cigana: mergulhar fundo na pesquisa musical.
Flamenco: iniciar aulas.
Percussão: manter as aulas duas vezes por semana e estabelecer um horário de estudo em casa – custe o que custar e para desespero dos vizinhos.
10) Iniciar, com calma e persistência, os estudos na área de saúde.
11) Corpo: procurar perder mais uns 3 ou 4 kg, devagar e constantemente, mantendo o tônus. Acupuntura periódica para manter a lombar e todo o resto do meu prediozinho. Verificar a questão da diabete.

10 Especificidades de 2010

Assim como 1992, 2010 foi em minha vida um ano muito fértil em acontecimentos, muitos sem precedentes. Claro que não posso explicitar todos os detalhes de todas as coisas, mas achei curioso anotar assim, em forma de tópico, só para não perder o registro.
Em 2010:

1) Eu descobri a cigana dentro de mim. Uma herança genética soterrada por décadas de educação formal e niponização (não que eu tenha deixado de ser japa também). Nunca a palavra liberdade teve antes tanto sentido e importância. Nunca minha ligação com o mundo que não pode ser visto pelos olhos foi tão forte. Nem tive tanta consciência das conseqüências de minhas escolhas. Nunca estive tão confortável dentro do meu corpo.

2) Aproveitando a deixa, nunca estive tão confortável no meu corpo é um item por si só. Tratei ativamente minha lombar que sempre e muito me incomodou com muita massagem, moxa, ventosa e acupuntura – e me sinto bem como nunca. Perdi um bom tanto de peso também – sim, ainda muito longe do padrão. Mas me sinto ótima de verdade – como não me sentia aos 20 com quase dez quilos a menos.
A melhora na minha postura – resultado da dança também tem muito a ver com isso.

3) Voltando ao outro mundo, conheci, no interior, pessoas especialíssimas que me ajudaram a retirar o véu sobre meu passado remoto. Digo, remotíssimo. Isso teve uma série gigante de conseqüências, todo um desenrolar de acontecimentos nesse segundo semestre. A maioria eu não posso citar aqui, mas um dos mais importantes foi ter finalmente me livrado de uma dor/pesar/rancor antigo e reconquistado o contato e a estima de uma das pessoas mais importantes da minha vida. (Sim, senhor papai de uma elfa, é do senhor mesmo que estou falando.)

4) Alonguei meu desempenho acadêmico ao máximo, sem vacilar e sem medo de errar. E obtive resultados muito bons – animada pelo bom desempenho no processo seletivo, não nego.
E não digo desempenho acadêmico no sentido de avaliação burocrático da CAPES, de proodução e publicação de texto, não. Mas de desenvolvimento da minha capacidade de reflexão, mesmo. De aproveitamento de leituras. De expressão da minha opinião sem o receio de estar errada, falando bobagem (pânico que me perseguiu na minha vida acadêmica toda até aqui), de ter uma opinião diferente, de ser estrangeira, estranha, exótica. Sou mesmo e daí?
Claro que isso me rendeu alguns narizes torcidos e comentários pelas costas – e uma nota indesejada, ainda que suficiente. Tudo o que faço me rende. Mas consegui também o reconhecimento de algumas das pessoas cujo trabalho mais admiro dentro daquela universidade. Isso valeu o ano, com toooooda a certeza.

5) Consegui um trabalho fabuloso, do nada. De bandeja. E perfeito para mim. Com gente que eu respeito,
Isso é absolutamente inédito na minha vida, tudo comigo é parido a fórceps, difícil de todo. Realmente parece pouco para quase todo mundo, mas para mim é um fato de importância inédita.

6) Desenvolvi um estilo de me cuidar, me maquiar e de vestir. Integralmente. Com todos os sustos, galabias, excesso de acessórios e mistura de cores que podem ter assustado muita gente. (Num estilo rasgado de forte influência leonina como diria Luis Fernando, um de meus amigos astrólogos.) Aliás, descobri que cor é uma coisa que atua loucamente no meu estado de espírito e passei a participar ativamente da brincadeira.
Como não tenho nenhuma vocação para a pintura ou para o desenho, isso passou a se expressar em roupas e acessórios, maquiagem e, principalmente, esmaltes.
Foi o ano em que deixei de achar que fazer as mãos é importante para me tornar uma colecionadora de esmaltes. Foram quase cinqüenta cores adquiridas só este ano. De novo, uma bobagem para a maioria das pessoas, mas um tremendo avanço para a minha suprema rigidez nipônica assumir uma “futilidade” desse naipe.
Cometi ainda a suprema ousadia – para uma pessoa com a minha formação e influências, friso bem – de colocar um piercing no nariz. Vocês nem imaginam o que isso representou para minzinha! (Sei que tá cheio de menina de 15 com piercing até no clitóris (ui!), mas, repito, sem a minha experiência de vida.) As três tatuagens programadas ficaram para 2011 por questões meramente orçamentárias.

7) Voltei, depois de um intervalo de uns cinco anos, a cozinhar e escolher minha comida. Toda diferença do mundo. E com uma destreza que eu não sabia possuir.

8) Descobri, em ocasiões diversas, o peso da minha palavra. Em todos os sentidos possíveis.

9) Terminei definitivamente um casamento de 15 anos e voltei a morar com minha mãe, eu tomando as decisões e gerenciando tudo. Penso que dispensa comentários e, se não dispensar, eu dispenso.

10) Finalmente, esse foi o ano em que minha vida foi totalmente modificada por dois beijos.
Duas ocasiões diferentes, duas pessoas diferentes. Dois beijos apenas, nada além disso. Cada um deles atuou num aspecto diferente da minha vida e o modificou – para sempre. O mais engraçado é que os vetores dessas mudanças talvez jamais tenham plena noção do que esse ato, para eles talvez gratuito, teve de alcance. As ironias.

Acho que para um ano só, tá de bom tamanho, non?

(26/dez/2010)

Natal acidental numa casa não muito ocidental e nada convencional

Nessa casa, o dia começa com as orações. Aos deuses principais em português e japonês e à Santa Sara também.
Desjejum. Mamãe prefere o bom e velho café com leite quentinho, eu vou de leite gelado com flocos de milho, aveia e mel. Se não tiver aveia no meu leite parece que não comi nada de manhã – e pensar que até dois meses e pouco atrás eu não tinha MESMO o hábito de comer quando acordava. Acompanhamos com pão integral caseiro, feito pelo ex esses dias.
Mando torpedos de fim de ano para todos os amigos que não acessam internet com freqüência. Logo chegam as primeiras respostas carinhosas. Amo meus amigos.
Vou ate a casa do ex, onde tem conexão, dar alô pro povo via Orkut e Facebook. Mensagem especial para minha famíia cigana, que mudou toda minha vida nesse ano que se vai. Deixo minhas mensagens, bato papo aqui e ali enquanto ele arruma coragem para acordar.
Saímos, passamos no mercadinho para comprar algumas coisas para a ceia mais improvisada e barata que já se teve noticia (com direito ao muxoxinho libriano básico para comemorar as datas estabelecidas) e vamos pro almoço tardio de feriado.
Não posso deixar de pensar que minha cozinha é o que mais me define. Fiz um macarrãozinho (massa uruguaia deliciosa) com refogadinho de tomate com alho e muuuuuito azeite de oliva (faz parte do sangue da pessoa) e uns temperinhos daqui e dali. Acompanhei com um franguinho assado numa crosta de alho, cebola, sal, pimenta síria e zathar – delicia. Litros de refrigerante zero. Sim, suco de frutas seria melhor, mas estamos sem liquidificador e sem a menor disposição para enfrentar frutas no muque com esse calor senegalesco. Álcool? Nessa casa não, obrigada, ainda mais com os quase 40º rondando. A sobremesa foi melancia gelada.

No improviso, a carne da ceia vai ser frango de novo. Mas aí temperado com mostarda, mel, pimenta e um pouco de shoyu. Saladão com beterraba, batata doce, batata inglesa e alface (a combinação insólita foi o que se pode arrumar no mercadito do lado de casa, recomendações da acupunturista Sayo para o fígado de mamys – o mercadão tem fila, preços absurdos e mau humor) com aveia, linhaça e molho japonês da professora Meiko Shimon: shoyu, mel e vinagre. Ex ficou de fazer o mais legitimo spatzle alemão com queijo de carboidrato acompanhante. Uva e banana pra adoçar.

Preparamos uma vela branca para agradecer pelo advento da religião cristã neste mundo e uma azul pra Santa Sara, que também é profundamente cristã e não nos desampara nunca.

Amanhã se visita o lado mais germânico dessa família sem vínculos legais e se come frutas secas, panetone, stollen, essas coisas mais comuns que as pessoas fazem no Natal... Só não se ouve Simone... ^___^

(24/dez/2010)

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Repensando 2010 - parte II

Então, esse foi o ano em que eu mergulhei fundo. Em mim mesma. Mas ainda não cheguei no fundo.
Meu grande objetivo esse ano foi completar a grande metamorfose - transformar-me plenamente em mim mesma. Dei um bom start, mas tô longe de terminar. Porque foram muitos, muitos anos de uma vida longa tão enredada e imiscuida no outro.
E quando falo outro, não tô falando do ex, não, embora ele esteja na lista. Estou falando de todas as outras pessoas na minha vida cuja opinião eu sempre levei mais a sério que a minha própria. Que eu sempre escolhi cuidar antes de mim. Para quem eu sempre dei mais importância.
Não, a culpa não é de nenhum deles, mas do meu próprio estabelecimento de prioridades (ok, minha educação excessivamente cristã, cheia de culpa e de noções de utilidade no mundo não ajudou muito, mas não dá pra passar o resto da vida culpando minha mãe por tudo - até porque ela me deu o melhor que ela tinha).

Esse ano minha espiritualidade aflorou de forma inédita. Eu sempre fui uma pessoa que acreditou nas coisas, que estudou. Mas esse ano as coisas se tornaram sangue e carne e as causas das coisas todas se aclararam. Porque quando você vai a um lugar para pagar dívidas em sequência, di cum força e quase que incessantemente, entender o que se está fazendo ajuda horrores.

Estou, a cada dia, aprendendo a guiar minha vida por minhas próprias idéias. Durante muitos, muitos anos, deixei que me mandassem fazer, que decidissem por mim, que tomassem minhas decisões. E, às vezes, ainda deixo. Mas tá melhorando. Uma coisa de cada vez.
Esse ano dispensei tempo, dinheiro e energia inéditos para mim mesma. Dancei muito, fiz várias vivências e terapias, mapa astral e revolução, estudei astrologia. Fui até São Paulo ver o Tito Seif, segui com as aulas de percussão apesar do tempo ínfimo pra estudar.
Com tudo isso, consegui manter o desempenho necessário no Mestrado. Apesar. Enfim.
Foi um bom ano. Não foi um ano fácil. Não foi um ano relaxado. Mas foi bom.

Seja lá quem eu for - achei que já sabia isso, mas concluí que ainda falta muito - sou muito mais eu do que na mesma época do ano passado.
Eu sei que nunca estive e que nunca mais estarei sozinha. Eu sei do que eu dou conta. Eu sei que tenho habilidades que podem gerar grana, sim. Eu estou bem satisfeita com meu corpo, padrões à merda. Eu estou ciente da minha própria ética. Eu sei que tenho miolos. Eu sei que respeito a arte que faço, por mais amadora que eu seja. Eu sei que dou conta, que tenho muita força, muito centramento. Que tenho opiniões e não preciso da autorização de ninguém para expressá-las - ainda que tenha meu limite na mágoa e frustração alheias.
Sei que amo inteiro e de verdade. Inclusive a mim mesma.
Sei que tenho muitos defeitos e que erro muito - mas não tenho preguiça de me consertar. Sei que fui criada mergulhada no medo, mas, por mais medos que tenha, tenho um arsenal de coragem gigante dentro de mim.
E sei que quero mais e melhor. E vou atrás de tudo isso.

Desejo a todos vocês um 2011 cheio de auto-consciência, de amor próprio - para que possam amar aos outros, de respeito por si mesmos - para que possam respeitar o mundo, de limites - para que não se firam, de superações - para ir além. Desejo um ano de clareza espiritual, discernimento e decisões acertadas. De força e coragem. De doçura e alegria também - sempre bem fundamentadas.

Que venha 2011!

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Palavreado de final de ano

Sim, este bloguinho está às moscas. Sem conexão em casa, a pessoa não consegue postar com periodicidade. Sem posts periódicos, as pessoas vão deixando de acessar... Como acessando já nem comentavam mesmo, já viu!
Mas tudo bem, faz parte. Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos. E esse ano foi de omeletada!

Não se pode manter um blog decentemente com ocupações diversas (a não ser que ele seja parte do seu trabalho).
Não se pode mudar de estado civil e de casa e manter imediatamente o mesmo padrão de vida (leia-se conexão).
Não se pode investir em tornar-se você mesma sem deixar algumas pessoas pelo caminho.
Ou porque você não aguenta mais ser tratada de determinada forma. Ou porque elas escolheram ir embora. Ou porque você não pode mais ficar ao lado delas por uma questão de coerência e ética.

Esse foi um grande ano de expurgo. Muita gente saiu da minha vida em 2010.
Não, isso não me deixa triste.
Algumas, poucas, vão fazer falta, mas eu aceito a separação como parte do meu destino. Como parte das escolhas que fiz.
O mais curioso, entretanto, é o número gigantesco das que se foram e que não fazem falta nenhuma. Que, na verdade, causaram alívio com sua partida. Descobri, neste ano, que andava cercada de um monte de gente que me sugava, me incomodava e que muitas vezes eu só mantinha por perto para fazer barulho. Porque eu tinha muito barulho dentro de mim.
Mas agora eu silenciei. E eu só estou aceitando interlocutores. Os bons.

Algumas das pessoas que se foram voltarão em curto ou médio prazo, ou ao menos assim eu imagino. Algumas passarão por um longo processo, terão que reavaliar muitas escolhas, antes de poderem voltar a se reaproximar. E outras não voltarão nunca mais. De maneira alguma.
Penso que, se ainda tem interesse sobre mim o suficiente para lerem este blog, algumas devem estar chocadas por eu ter dito em algum momento que gostava muito delas. Ou que as amava. Bom, isso não deixa de ser verdade. De algumas eu ainda gosto muito - mas gosto mais de mim do que do modo como agem comigo (e, por vezes, com os demais).
E as pessoas que eu amo. Bom, quando eu amo, eu amo para sempre, isso é sério. Nunca disse essa frase de modo inconseqüente para quem quer que fosse. Meu Saturno é muito sério para me permitir esse tipo de leviandade - taí uma palavra que eu detesto com todas as forças, leviandade. O que aconteceu, então?
Tenho um grande amigo que costumava dizer da ex-mulher: "Eu a amo, mas não gosto dela." É exatamente isso. Eu passei a não gostar de você por algo que você escolheu fazer. Mas ainda te amo. Do fundo do coração. E provavelmente oro por sua felicidade mais do que você possa imaginar.

Eu não sou uma pessoa fácil de se conviver. Tenho opiniões muito firmes, uma ética própria muito rigorosa, sou muito ciente de mim mesma. E não pretendo mudar.
Se você chegou até o fim de 2010 dentro do meu círculo de relacionamentos, pode ter toda a certeza, você é muito especial para mim. Sobraram muito poucas pessoas.
E quanto menor o círculo se tornou, tanto mais especial se tornou cada indivíduo que ficou.

Se você ainda está do meu lado, é porque provavelmente você realmente me respeita e me admira como sou. Porque você me deixa não estar de bom humor 24 X 7. Porque, se você já se chateou comigo, me disse e resolvemos a questão. Se você ainda está do meu lado, é muito provável que você nunca tenha tentado me mudar. Ou sugerir que isso fosse preciso. (Falo do que eu sou, não de uma ou outra atitude que eu tenha tomado, que eu erro, sim, como todo mundo e muitas vezes são meus amigos que me corrigem o rumo, mas sempre dentro da minha natureza.)

Você, que ainda está comigo, talvez nem tenha tempo para ler esse blog. Talvez nem tenha tempo para se dar conta do quanto significa para mim. Mas está agindo positivamente na minha vida, dia após dia.
Em função disso, claro, algumas pessoas passaram a ter maior importância que outras. Mas isso ainda não é assunto para esse blog.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Rápidas, por conta da conexão

Tenho um amigo pentelho que adora escrever que quem diz na net que está bem, chora escondido à noite em casa. Pombas, então eu vou ter que dizer que a vida está uma droga e eu estou na maior depressão? o.O Tá tudo ótimo, caramba, não tem o que inventar...

* Tenho vivido dias tranquilos, com modificações superpositivas na alimentação e isso tá me fazendo um bem danado. Sem rigidez, consegui também um acerto de horários e ritmos. Que tá igualmente me fazendo bem.

* A grana tá curta mas eu consigo conexão de graça o suficiente para não me isolar do mundo. Podia ser melhor? Sim, podia ter o dia inteiro. Mas, caramba, do que reclamar?

* Estão pintando freelas - que era a maior pendência para o momento.

* Daqui duas semanas vou ver o super Tito Seif (ai, meus sais!) em Sampa.

* Nem são muitos, mas tenho os amigos mais fofos, mais charmosos e mais divertidos do mundo.

Como é que se simula depressão num quadro desses?

Beijo pra todo mundo!

domingo, setembro 12, 2010

Então, tudo o mais...

Tudo o mais tudo bem. Tá, quase isso. Tô passando por umas mudanças profundas, que não cabem num blog público, so sorry.
Mas tá tudo bem afinal. Só as coisas sendo o que tem que ser, quando tem que ser. Na verdade, não há nenhuma novidade, os fatos estão sempre aí, o que muda é a gente mentir para si mesma e parar de mentir.
A merde de mentir para a gente mesma é que a gente fica com um comportamento esquisito. O foda disso é que a gente confunde outras pessoas. Pode parecer que estamos putas com elas, ou sacaneando, ou mentindo para elas. Ou tentando manipular, controlar, iludir de alguma forma. Não é culpa delas, a mensagem de quem está mentindo para si mesma é truncada.
Ainda bem que algumas pessoas quando estão invocadas com alguma coisa, vão lá e tem perguntam na lata. Porque aí você pode perceber e corrigir. Por isso não canso de interagir com gente.
Mas são poucas. Tipo, de contar nos dedos. De uma mão só.
Então ainda devo estar cometendo erros com muitas outras. Quem reclama depois fica por último, so sorry.

Enfim, estou corrigindo tudo. E procurando não me precipitar - na expressão, não nos atos - para não magoar pessoas, porque, yes, vai implicar em fazer coisas doerem sim. Sempre implica.

É que meu subconsciente é deveras sacana. Ele sabe que se eu vejo algum medo por perto, eu vou lá e encaro. Tenho horror e ódio do medo. Então ele fica botando fitinha cor-de-rosa, ursinho de pelúcia no braço do medo para eu achar que a vida é assim mesmo, que eu não estou com medo não, é uma desaceleração natural da idade.

Natural da idade a P*** Q** T* P****!!!! Natural da idade é perceber que a vida é curta demais para muito rififi.

Fora isso, com mais tarefas do que eu acho que possa dar conta e com muito menos dinheiro do que o mês exige. Tipo, seriamente falando, meu salário já acabou e hoje é só dia 12. Preciso de um freela ontem.

Ah, e deletei a bagaça do FormSpring.

Mas a verdade, a verdade mesmo, é que a culpa é do lúpulo.

terça-feira, agosto 03, 2010

Do mais santo dos remédios: o tempo

(Coisa que eu mais amo é quando essa merda dá pau e eu perco o post inteiro como há segundos. Ok, vamo lá de novo.)

Quem me conhece bem, sabe que não vivo sem os meus amigos. Sei que consigo suportar qualquer coisa com eles por perto, o resto eu não sei. Depois de velha admiti para mim mesma que meus amigos tem importância maior na minha vida que meus amores - salvo os raros casos em que os amores se tornaram amigos.
Sendo assim, adoro fazer amigos novos e reencontrar amigos. E se tem algo que me chateia, mas me chateia muito, é perder um amigo. (Até aprendi a administrar a situação com a idade, mas gostar também não é o caso.)

Pois que hoje foi um dia deveras supimpa, porque eu fiz uma coisa que realmente me dá muito prazer: recuperei um amigo.
Perdi a amizade do moço em questão porque esta se desenvolveu em conjunto a uma paixão mal-resolvida dos diabos. Como temos em comum a impulsividade e a passionalidade, deu uma merda bonita de se ver. Explodimos em gritos, lágrimas e ranger de dentes. Mexicano.
Enfim, o tempo passou e a paixão com ela. Mas a saudade do amigo com quem tenho grande afinidade e com quem me divirto muito permaneceu. Foi bom descobrir que, de alguma maneira, a recíproca era verdadeira. (Eu jurava que o moço ainda rosnava à menor menção do meu nome, quando na verdade éramos dois a nos espiar furtivamente na Internet.) Enfim, foi um troço bem bacana.

Essa transição de paixão pra amizade é uma coisa que traz inúmeras vantagens. Tipo como ser tia, que só pega os melhores flashes da maternidade.
Marido (namorado/amante/whatever) eu só posso ter um por vez (e estou muito satisfeita com o meu, obrigada), amigos eu posso ter todos ao mesmo tempo agora!
Amizade não tem ciúme, não tem jogo, só levanta sua auto-estima. E a parte que eu mais gosto: havendo caráter dos dois lados, a tendência é que dure para sempre! (Que o digam meus amigos do Pleistoceno!)
Tá, não vou negar que uma amizade que tem um histórico romântico gera um tipo de afeto especial. Como costuma dizer meu primeiro grande amor (e um dos meus melhores amigos para todo sempre, arigatô Kami-sama!): "sempre teremos Paris". Mas é o tipo de diferencial que se dissipa com o tempo e não traz nenhum ônus nem risco. Acho que até pelo contrário: economiza muitas explicações.

Aproveito a oportunidade para ser piegas: meus grandes amigos espalhados por esse mundo, de todas as épocas, sejam os que nasceram meus irmãos ou os que se tornaram - amo MUITO LOUCAMENTE todos vocês! Cada um de vocês, a seu modo, é essencial na minha vida.
Ao moço em questão, caso ele leia este post: OKAERI NASAI! (Bem vindinho de volta, em japonês.^__^)

segunda-feira, junho 07, 2010

Rápidas observações sobre astrologia e migo mesma

Entonces, comecei a pegar os mapas de uns amigos para fazer. Não tô numa de tirar uns trocos não, tenho consciência da minha condição de astróloga de meia-pataca. Faço só para eles pegarem o gosto e depois procurarem um astrólogo de verdade. Porque é uma delícia e relaxa. E porque é um meio muito legal de se conhecer.

O mais divertido é que marido entra na brincadeira, ele sabe mais do que eu (sobre o que raios nesse mundo ele não sabe mais do que eu?) e tem as bibliografias, fica me ajudando. Agora cismamos de fazer os mapas da família dele, a mãe mais os seis irmãos. Vai dar uma trabalheira insana, mas vai ser divertido. Fiz o da minha mãe ontem e fiquei de espinha gelada. Enfim.

Falando em auto-conhecimento, tô levando esse negócio a sério barbaridade, exatamente como minha primeira astróloga (saudosa Wanda, feliz esteja na dimensão que estiver!) disse que eu deveria fazer se quisesse que minha vida seguisse o rumo certo de alguma maneira. Sol na casa 1, quase todos os planetas nos dois primeiros quadrantes (do inconsciente). Essas coisas. Está sendo muito legal, pena que é impossível se aprofundar nesses lances num blog público.

Para terminar, hoje foi aniversário da amada Daiane Ribeiro e eu fui. Fui e dancei. Nenhuma das alunas quis dançar, mas eu ganhei uma cara de pau a toda prova e fui lá e dancei num restaurante cheio de gente que não era convidada e dane-se. Não, não tinha ensaiado, nem preparado. Nem mesmo estudado - não estudo música árabe há tempos. A música era do CD da Daiane, uma ghawazee com rababa que eu conhecia vagamente. Figurino - galabia e botas, roupa que eu uso pra sair normalmente. Cobertinha da cabeça aos pés. ^^ Minha única preparação foi passar o batom de novo e amarrar um lenço no quadril. Só.
Quer saber? Foi ótimo.
Se eu dancei bem? Não faço idéia, não vi o vídeo. Mas eu senti prazer dançando. Eu não estava envergonhada. Eu não me auto-critiquei. Eu não tive a sensação de estar fazendo o mesmo movimento por séculos. Eu não me acelerei. Eu simplesmente dancei porque sou livre para isso. E me sinto cada vez mais confortável dentro da minha pele. E devo repetir muitas vezes.
Feedback? Bom a profe não disse nem uma palavra, então não deve ter sido nenhum prodígio técnico. As amigas elogiaram, o que é relativamente normal. A dona libanesa do restaurante também elogiou, perguntou se eu era professora e tals. Claro que pode ser papo para conquistar simpatia de cliente, né? Eles são cultural e secularmente muito bons nisso. Ela disse que eu dançava como uma egípicia. E eu fiquei me perguntando se, vindo de uma libanesa, isso era realmente um elogio...rsrs
Quando e se vier o vídeo, eu posto no wordpress. Seja qual for o resultado, para mim foi um avanço.
E boa noite porque amanhã eu tenho um milhão de coisas pra fazer!

quinta-feira, junho 03, 2010

Um mundo rigoroso

Sim, esta postagem parecerá babaca para muitos de vocês, hermética para outros tantos.
Nem por isso posso deixar de escrevê-la.

Estamos num mundo de energia. Não, isso não é mistíco. Isso é física pura. Pergunte para quem realmente entende. Não para o seu filho da oitava série que venceu a maratona de física, mas para um mestre ou doutor no negócio, de preferência que estude partículas subatômicas. E os espaços entre elas, que constitui cerca de 99,9% do que a gente chama de universo. Falo sério, pode botar no Google se quiser.

Enfim, num mundo que é feito de tanta coisa que não é matéria, desculpas e argumentações não são muito eficientes. É um mundo de ação - e reação. Não é uma situação onde ficar argumentando o que é certo ou errado - que no fundo, você sabe, sempre sabemos - ou os motivos que você teve para deixar de fazer algo por si mesmo ou para fazer algo que prejudicou alguém de alguma maneira não valem quase nada. O que vai é o que volta, por isso é interessante que você queira para você o que joga por aí. Parece moral cristã, mas é muito mais amplo do que isso.

Sua racionalidade pode até querer chamar isso de fanatismo. Mas a verdade é que isso tem pouco ou nada a ver com religião. Tem mais a ver com os anos que a gente passa na Terra, se observa bem ao redor. Muitos preferem passar seu tempo entorpecidos e não ver nada, claro.
Costumo dizer, para os íntimos, que é mais ou menos como a lei da gravidade. Não importa o nome que você dê ou se prefere não acreditar nela. Você não vai dançar de ponta-cabeça no forro do mesmo jeito.

Porque estou postando isso aqui? Porque sim, porque o blog é meu, oras.
E também porque pode ser útil para alguém.
Não que eu queira convencer alguém de alguma coisa. Se fosse isso, saía pela rua pregando. Só entra aqui quem me (re)conhece.

E olha, não adianta vir com: ih, sou todo errado, já fiz um monte de bosta, tô fudido. Realmente - e os árabes tinham um ditado excelente para isso, que agora me foge - ninguém tem poder de mudar o passado. Mas o que você vai fazer no segundo que tá vindo aí, olha, você continuou lendo e já passou, é inteiramente da sua conta.
Consciência de si mesmo nunca é perda de tempo. Porque com as consequências vamos arcar de qualquer maneira, o contrato onde está a clausula dizendo que só funciona se você acredita não existe. Eu, particularmente, não ganho nem perco nada se você acredita ou não, se testa ou não, se observa ou não.

Eu só estou velha demais para não dizer o que penso.

Excelente feriado a todos!

sábado, maio 22, 2010

Para uma criatura de matéria onírica

Moça do mundo dos sonhos, entenda.
Desse mundo a gente não se desilude porque os humanos não feitos da matéria da ilusão.
Seres humanos são cheios de defeitos e fedem humanidade.
Se conseguires se acostumar ao fedor talvez encontres alguma diversão nisso tudo.

Fada de olhos perdidos, não desista.
Porque mais do que tu possas precisar da matéria da terra, nós precisamos da sua para que esse mundo não nos afunde em tanta lama.
Precisamos do teu sorriso para entender o mundo fora da carne.
Da tua sensibilidade para não esquecermos de que o mundo não precisa ser só isso.

Criança moldada ninfa, se fortaleça.
Nem que para isso tenhas de roubar a essência de meus tantos calos para formar uma capa protetora.
Que te insensibilize contra a falta de sensibilidade, a falta de caráter. O excesso de desejo, a falta de coragem, o excesso de humanidade. Contra a cegueira do mundo, as doenças medonhas e os vícios funestos.
Se fortaleça e siga, porque não queremos tuas lágrimas. Porque nos alimentamos de tua alegria. Porque precisamos de ti.
E eu preciso.

quinta-feira, abril 22, 2010

Noite a noite de uma mestranda à deriva

Final do segundo mês de oito. E eu jä não consigo nem olhar para a rodoviária sem começar a ficar de mau humor. Merde.

Não é que não goste do curso. Adoro. Amo cada minuto. O que eu detesto é viajar de ônibus toda semana. Ficar trancada numa caixa escura andando por uma estrada infinita onde tudo que se vê é pista, mato e escuridão.

O netbook que marido me deu está sendo mais util na manutenção da minha saúde mental (sim, estou escrevendo no ônibus) que para a realização de trabalhos, como inicialmente planejado. O problema é a bateria dura duas horas menos que a viagem. Agora na madrugada tudo bem, porque eu durmo. Mas a volta é um porre. Quero chegar logo em Porto Alegre e a estrada se arrasta...

Estou indo para as aulas tendo esquecido o principal livro da semana: O Olho Mais Azul, de Toni Morrison. O livro é excelente, uma paulada na nuca no meio do escuro, sem a menor possibilidade de defesa. Recomendo muito.

sábado, janeiro 23, 2010

Responsabilidade, liberdade, alegria

Olá, todo mundo!
Ando bem mais ausente desse e dos meus outros blogs do que antes, né? Na verdade, meio distante da internet, embora continue olhando email todo e blogs preferidos e bla, bla.
É que minha mãe de 72 anos se mudou para minha cidade, mais especificamente para pertinho da minha casa. Ela morava sozinha na cidade dela, sem ninguém da família por muito perto (minha irmã estava a uma hora e meia de carro) e se virava bem. Por conta disso, imaginávamos que a adaptação dela seria tranquila.
Mas ela teve crises de angústia (pânico?), alucinações, seus problemas de visão (ela tem catarata e problemas de retina em função da diabetes) se acentuaram. Com tudo isso, ela não consegue nem sair do próprio apartamento sozinha e minha presença diária está se fazendo necessária.
Eu sei o que você, leitor, está pensando. Sim, isso é um problema, mas não, não é nenhuma tragédia.

É a primeira vez que eu cuido de alguém de verdade na minha vida. Sou uma filha caçula que optou por não ter filhos. Gatos são criaturinhas que se administram praticamente sozinhas e ainda tem R. para ajudar.
Claro que, podendo optar, todo mundo escolheria uma vida com menos responsabilidades. Mas, pela primeira vez, elas não me assustam.

Tive medo, ainda quando ela resolveu se mudar, que ela fosse ocupar todos os espaços da minha vida e me tirar toda a liberdade. Mas aí eu descobri que eu cresci e que consigo impor limites e continuar vivendo minha vida no meio de tudo isso.
Ainda faço minhas aulas de dança e derbake, ainda encontro minhas amigas para papinhos. Com a chegada da querida Vivi Amaral na cidade, tenho feito isto até com mais freqüência que antes. Só estou com um pouco menos de tempo para a "vida virtual". E mesmo assim estou aqui, não estou?

Descobri, aos quase 40, que responsabilidade e liberdade não são excludentes. E que tudo isso traz muita alegria. Estar com ela bem, saber que sou responsável por esse bem estar, me faz muito feliz.
Sim, em março começo o mestrado e vou ter que contratar uma pessoa para passar algumas horas com ela nos dias em que estiver montando monografias ou fazendo aulas em Santa Maria. Mas tudo tem seu tempo e seu lugar.

Continuem escrevendo seus blogs que eu continuo aparecendo. E comentem por aqui também, que eu aprecio muito a presença de vocês. Até breve