segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Ficar quatro dias de cama nem é tão ruim assim

Fora a dor e o fato da gente não poder se locomover. O bravo mesmo, é estar sozinha na jogada. Não, não me refiro ao fato de estar divorciada. Porque na real, o ex é quem mais pega junto, mesmo nesses casos. Tô falando de amigos mesmo. E de ter uma pessoa totalmente desequilibrada em casa para complicar as coisas.

Daqui, as duas únicas visitas que recebi foram das terapeutas - porque eu chamei. Não recebi nenhum telefonema, nenhuma visita, nenhum oferecimento de auxílio. A única ligação para saber como eu estava recebi do próprio ex. Coloquei algumas coisas sobre meu estado no Facebook, mas a verdade é que não faz muita diferença para quem quer que seja. Acrescentando-se que eu passei uma semana canina onde aconteceram muitas coisas horríveis, que, aparentemente, também não são do interesse de ninguém.

Aí, depois de quatro dias, você volta a andar, um pouco por vez. E todas as suas coisas estão fora do lugar, o chão faz redemoinhos de poeira como os desertos americanos, o pão foi guardado sobre a pizza dentro do forno, a geladeira foi arrastada até o meio da cozinha (e como suas costas ainda doem para arrastar de volta!) e tem uma pilha de dois metros de lixo na sua área de serviço porque nenhuma das pessoas que estiveram em sua casa por outros motivos nesse tempo todo se deu conta de que eu não podia descer com ele - ou seja, vou ter que fazer tudo isso hoje a tarde. Aliás, não apenas a geladeira - ah, cujo botão de degelo também apareceu quebrado. Todos os móveis do quarto dela foram arrastados compulsivamente, o estoque de bolachas devorado (mesmo você levantando com dor pra fazer as refeições na hora) e praticamente tudo, tudo está fora do lugar, nas gavetas erradas, nas prateleiras erradas e você leva horas pra preparar um ovo mexido. Além disso, você, dopada de remédios, é acordada várias vezes durante a madrugada - porque sim.

Era justamente desse tipo de coisa que eu tinha medo quando era casada e pensava em sair de casa. Agora descobri que angustia, mas não mata.
E descobri também que eu perco tempo, energia e preocupação demais com as pessoas na minha vida.

5 comentários:

* Vanessa * disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anisah Parvaneh Bellydancer disse...

Samy... esse teu post me fez pensar algumas coisas... E sei que a carapuça serve para muita gente, insclusive pra mim. Tenho notado que, não por maldade, mas por comodismo ou costume, ou reflexo dos tempos atuais, as pessoas têm cada vez mais se fechado nas suas próprias vidas. A facilidade dos meios de comunicação, ao invés de nos deixar mais próximos, nos tornou mais "ensimesmados" do que nunca. Fazemos só aquilo que está ao alcance de um clic, e acabamos esquecendo que às vezes o calor da nossa amizade não consegue percorrer a linha do cabo de internet... mas só existe mesmo no velho, bom e esquecido ABRAÇO! Espero que estejas melhor e torço para que tudo volte a normal na tua casa... e sim, a gente consegue se superar sempre! Beijão

Alessandra disse...

Querida, o capuz me serviu tb... sorry, cheguei domingo de viagem (nao to dando desculpa, so te contando) e estou com 3 enfermos em casa( uma bosta de gripe do Haiti), eu to cuidando de todos(agora nesse momento ninguem chorando, nem fervendo de febre, nem vomitando,tks God...)ai aproveitei p fazer a lista de livros da criancas pela net, deu td errado,aff . Foi ai q vi teu post.
Nao to me gabando, mas sou otima enfermeira, sou meio tapada e nao me ofereco, mas se precisar me diz, mesmo,sempre faco todo o possivel pelos amigos. Fica boa logo,que Deus cuide da saude de todos,nada mais importante..
beijocas

Samara L. disse...

Obrigada, flores.
Não é dirigido a ninguém em particular, é a coisa do "coletivo que se omite unido" mesmo. Tem gente a uma quadra a pé daqui...

Daiane Ribeiro disse...

Oi, Sami, estou por aqui lendo teu desabafo, menina, me identifiquei com a mesma situação que acabei passando aqui em casa, naqueles dias de calor infernal, com pressão baixa, tontura e dor de estômago, que só eu conheço, no atual estado de prenhitude, hehehe...só a única diferença é que o mal estar era tão grande que não conseguia imaginar alguém vindo aqui, acho que me fingiria de morta mesmo, rsrsrs...
Mas tudo passa, o consolo da vida é o tempo e cedo ou tarde os amigos aparecem, o ânimo e a saúde também. Estaremos melhorando, colega geminiana, e aguarde minha visita! Já estou com saudade!