segunda-feira, dezembro 27, 2010

E antes que eu me esqueça...




Um 2011 maravilhoso pra todo mundo, cheio de doçura e luz.
Paz, amor, trabalho dinheiro, fertilidade, criatividade, discernimento e espiritualidade para escolhermos nossos caminhos e fazermos de nós mesmos pessoas melhores!

Das resoluções

Então, sigo com isso ano após ano. Tem sido útil para mim, de alguma forma, organiza prioridades - eu sempre dou uma boa revisada no aniver, que é no meio do ano - ainda que enfadonho ou caótico para vocês. Bora lá.

2010

1) IR A TODAS AS CERIMÔNIAS MENSAIS EM PORTO ALEGRE E AO MENOS DUAS NA SEDE CENTRAL, EM CURITIBA
Essa eu diria que atingi 90%, pois perdi duas cerimônias em Porto Alegre, uma por indisposição, outra por motivo de viagem, mas consegui ir à Curitiba de formas inesperadas. Valeu colocar como meta, de qualquer modo.

2) CONTROLAR A DIABETE
Então, pessoas, essa é a grande incógnita do ano. Eu realmente fui ao médico, fiz avaliação e comecei com tudo direitinho.
Mas depois que eu mudei a medicação psiquiátrica, comecei a ter uns mal estares. Aí me dei conta que eram os remédios para controlar a diabete que estavam desandando toda minha glicemia. Parei de tomar por um tempo e comecei a me sentir bem melhor.
Estou com uma alimentação legal, sem radicalismos – e o fato é que todos os meus sintomas de diabetes simplesmente sumiram!
Com a loucura do mestrado em outra cidade esse ano, não tive tempo de passar no médico de novo. Mas é uma das primeiras coisas que pretendo fazer assim que concluir a mudança para Novo Hamburgo.

3) MANTER OS FICHAMENTOS E LEITURAS EM DIA
Deus sabe como e a que custo. Mas consegui, sim. Embora não tenha fichado tuuuuodo que me passasse pela frente, non. O que me salva, é que não enjôo lendo em transporte público, ainda que não tenha conseguido muito tempo para leituras extras por conta do caos da minha vida pessoal.

4) PUBLICAR AO MENOS 2 ARTIGOS E FAZER AO MENOS UMA COMUNICAÇÃO
Sim, essa sim. Dois artigos e meio (eu fiz tudo que tinha que fazer, mas a publicação atrasou) e duas comunicações. Mas não consigo atender o pique das colegas de toda chamada para publicação que aparece. Se o tema não se adecua, fico insegura e já não mando.

5) APRENDER A GIRAR
Se eu disser que estou dominando toda a técnica e todos aqueles giros com torção rajastaneses que tanto amo, é mentira. Mas se eu disser que não evolui horrores, é muita falta de sacanagem com meus professores e com meu esforço.
Ter feito uma vivência em que girei por quase seis minutos sem intervalo ao som de uma música indiana (sem cair e sem ficar nauseada) também deve querer dizer alguma coisa. Então me aprovo, mas levo o item pro ano seguinte.

6) DEDICAR TEMPO AO ESTUDO DE PERCUSSÃO – ESTUDAR DAFF
Então, por mim eu colocaria um FAIL gigante, pois mal tive tempo de me coçar esse ano. Mas o Tuerlinckx diz que eu devo valorizar a freqüência nas aulas, que eu não interrompi com toda a correria e viagens, então tá, ele é mais sábio que eu na maior parte das coisas mesmo.
E, realmente, pegamos firme no daff, só retomando os estudos de derbake agora no final do ano. Então vou encarar como 60% concluso e era isso.

7) FAZER DANÇA CIGANA COM A SAYONARA LINHARES
Com toda a correria e toda a falta de tudo, nesse item posso me dar um sonoro 120%. Porque eu fui muito além disso.

8) ADQUIRIR UM DAFF PROFISSIONAL
#FAIL.
Então, quando estipulei esse item no ano passado, não tinha me dado conta de que ele dependia muito mais da boa vontade de meus amigos que viajam/moram no exterior do que de mim mesma, pois esse artiguinho de luxo simplesmente não existe aqui. O único que achei para comprar no Brasil me foi oferecido por, pelo menos, três vezes seu valor real. Pô, lucra ma non sculiamba!
Continuo tentando o ano que vem, mas sai dos itens de resolução porque depende exageradamente de fatores externos.

9) ELIMINAR 7 KG
Sim? Não? Talvez. Assim, eu perdi muito mais do que isso ao todo. Mas tive um aumento de peso considerável no inverno. Então, no final das contas, tirando meu peso de quando a meta foi estipulada, estou apenas três quilos mais leve. Mas, por outro lado, com a dança intensiva e umas sessões de mágica massoterapêutica que me dei de presente, minhas formas e medidas mudaram consideravelmente. Foram 4 cm de cintura de novembro pra dezembro, poxa. Consegui comprar um jeans no brechó (16 pila, hahaha) na primeira experimentada.
Então eu me dou 75% cumprida para essa tarefa e me decreto beeem feliz com meu corpitcho.

11 METAS PARA 2011

1) Conhecer mais e melhor a mim mesma, melhorando essa delicada relação comigo.
2) Cultivar a flexibilidade, a paciência e a tolerância.
3) Auxiliar nas atividades do grupo da Mahikari em NH e participar de todas as cerimônias mensais.
4) Fazer as pazes com senhor Saturno – estabelecer tempos de trabalho para o Mestrado, os freelas, a dança e a percussão, porque estarei sem horário fixo e louca pra procrastinar e me enrolar com tudo.
5) Preparar qualificação e dissertação nos devidos prazos, sem pedidos de prorrogação.
6)Conseguir mais e melhores frilas.
7) Começar a “preparar a cama” para o doutorado.
8) Fazer do meu lar, meu ninho. Cidade nova, casa nova, vida nova. Cuidar, pintar, trazer as coisas espalhadas pelas casas que morei. Manter espiritual, energética e fisicamente organizado, limpo, perfumado e iluminado.
9) DAS ARTES:
Dança árabe: organizar o deslocamento e aperfeiçoar os giros.
Dança cigana: mergulhar fundo na pesquisa musical.
Flamenco: iniciar aulas.
Percussão: manter as aulas duas vezes por semana e estabelecer um horário de estudo em casa – custe o que custar e para desespero dos vizinhos.
10) Iniciar, com calma e persistência, os estudos na área de saúde.
11) Corpo: procurar perder mais uns 3 ou 4 kg, devagar e constantemente, mantendo o tônus. Acupuntura periódica para manter a lombar e todo o resto do meu prediozinho. Verificar a questão da diabete.

10 Especificidades de 2010

Assim como 1992, 2010 foi em minha vida um ano muito fértil em acontecimentos, muitos sem precedentes. Claro que não posso explicitar todos os detalhes de todas as coisas, mas achei curioso anotar assim, em forma de tópico, só para não perder o registro.
Em 2010:

1) Eu descobri a cigana dentro de mim. Uma herança genética soterrada por décadas de educação formal e niponização (não que eu tenha deixado de ser japa também). Nunca a palavra liberdade teve antes tanto sentido e importância. Nunca minha ligação com o mundo que não pode ser visto pelos olhos foi tão forte. Nem tive tanta consciência das conseqüências de minhas escolhas. Nunca estive tão confortável dentro do meu corpo.

2) Aproveitando a deixa, nunca estive tão confortável no meu corpo é um item por si só. Tratei ativamente minha lombar que sempre e muito me incomodou com muita massagem, moxa, ventosa e acupuntura – e me sinto bem como nunca. Perdi um bom tanto de peso também – sim, ainda muito longe do padrão. Mas me sinto ótima de verdade – como não me sentia aos 20 com quase dez quilos a menos.
A melhora na minha postura – resultado da dança também tem muito a ver com isso.

3) Voltando ao outro mundo, conheci, no interior, pessoas especialíssimas que me ajudaram a retirar o véu sobre meu passado remoto. Digo, remotíssimo. Isso teve uma série gigante de conseqüências, todo um desenrolar de acontecimentos nesse segundo semestre. A maioria eu não posso citar aqui, mas um dos mais importantes foi ter finalmente me livrado de uma dor/pesar/rancor antigo e reconquistado o contato e a estima de uma das pessoas mais importantes da minha vida. (Sim, senhor papai de uma elfa, é do senhor mesmo que estou falando.)

4) Alonguei meu desempenho acadêmico ao máximo, sem vacilar e sem medo de errar. E obtive resultados muito bons – animada pelo bom desempenho no processo seletivo, não nego.
E não digo desempenho acadêmico no sentido de avaliação burocrático da CAPES, de proodução e publicação de texto, não. Mas de desenvolvimento da minha capacidade de reflexão, mesmo. De aproveitamento de leituras. De expressão da minha opinião sem o receio de estar errada, falando bobagem (pânico que me perseguiu na minha vida acadêmica toda até aqui), de ter uma opinião diferente, de ser estrangeira, estranha, exótica. Sou mesmo e daí?
Claro que isso me rendeu alguns narizes torcidos e comentários pelas costas – e uma nota indesejada, ainda que suficiente. Tudo o que faço me rende. Mas consegui também o reconhecimento de algumas das pessoas cujo trabalho mais admiro dentro daquela universidade. Isso valeu o ano, com toooooda a certeza.

5) Consegui um trabalho fabuloso, do nada. De bandeja. E perfeito para mim. Com gente que eu respeito,
Isso é absolutamente inédito na minha vida, tudo comigo é parido a fórceps, difícil de todo. Realmente parece pouco para quase todo mundo, mas para mim é um fato de importância inédita.

6) Desenvolvi um estilo de me cuidar, me maquiar e de vestir. Integralmente. Com todos os sustos, galabias, excesso de acessórios e mistura de cores que podem ter assustado muita gente. (Num estilo rasgado de forte influência leonina como diria Luis Fernando, um de meus amigos astrólogos.) Aliás, descobri que cor é uma coisa que atua loucamente no meu estado de espírito e passei a participar ativamente da brincadeira.
Como não tenho nenhuma vocação para a pintura ou para o desenho, isso passou a se expressar em roupas e acessórios, maquiagem e, principalmente, esmaltes.
Foi o ano em que deixei de achar que fazer as mãos é importante para me tornar uma colecionadora de esmaltes. Foram quase cinqüenta cores adquiridas só este ano. De novo, uma bobagem para a maioria das pessoas, mas um tremendo avanço para a minha suprema rigidez nipônica assumir uma “futilidade” desse naipe.
Cometi ainda a suprema ousadia – para uma pessoa com a minha formação e influências, friso bem – de colocar um piercing no nariz. Vocês nem imaginam o que isso representou para minzinha! (Sei que tá cheio de menina de 15 com piercing até no clitóris (ui!), mas, repito, sem a minha experiência de vida.) As três tatuagens programadas ficaram para 2011 por questões meramente orçamentárias.

7) Voltei, depois de um intervalo de uns cinco anos, a cozinhar e escolher minha comida. Toda diferença do mundo. E com uma destreza que eu não sabia possuir.

8) Descobri, em ocasiões diversas, o peso da minha palavra. Em todos os sentidos possíveis.

9) Terminei definitivamente um casamento de 15 anos e voltei a morar com minha mãe, eu tomando as decisões e gerenciando tudo. Penso que dispensa comentários e, se não dispensar, eu dispenso.

10) Finalmente, esse foi o ano em que minha vida foi totalmente modificada por dois beijos.
Duas ocasiões diferentes, duas pessoas diferentes. Dois beijos apenas, nada além disso. Cada um deles atuou num aspecto diferente da minha vida e o modificou – para sempre. O mais engraçado é que os vetores dessas mudanças talvez jamais tenham plena noção do que esse ato, para eles talvez gratuito, teve de alcance. As ironias.

Acho que para um ano só, tá de bom tamanho, non?

(26/dez/2010)

Natal acidental numa casa não muito ocidental e nada convencional

Nessa casa, o dia começa com as orações. Aos deuses principais em português e japonês e à Santa Sara também.
Desjejum. Mamãe prefere o bom e velho café com leite quentinho, eu vou de leite gelado com flocos de milho, aveia e mel. Se não tiver aveia no meu leite parece que não comi nada de manhã – e pensar que até dois meses e pouco atrás eu não tinha MESMO o hábito de comer quando acordava. Acompanhamos com pão integral caseiro, feito pelo ex esses dias.
Mando torpedos de fim de ano para todos os amigos que não acessam internet com freqüência. Logo chegam as primeiras respostas carinhosas. Amo meus amigos.
Vou ate a casa do ex, onde tem conexão, dar alô pro povo via Orkut e Facebook. Mensagem especial para minha famíia cigana, que mudou toda minha vida nesse ano que se vai. Deixo minhas mensagens, bato papo aqui e ali enquanto ele arruma coragem para acordar.
Saímos, passamos no mercadinho para comprar algumas coisas para a ceia mais improvisada e barata que já se teve noticia (com direito ao muxoxinho libriano básico para comemorar as datas estabelecidas) e vamos pro almoço tardio de feriado.
Não posso deixar de pensar que minha cozinha é o que mais me define. Fiz um macarrãozinho (massa uruguaia deliciosa) com refogadinho de tomate com alho e muuuuuito azeite de oliva (faz parte do sangue da pessoa) e uns temperinhos daqui e dali. Acompanhei com um franguinho assado numa crosta de alho, cebola, sal, pimenta síria e zathar – delicia. Litros de refrigerante zero. Sim, suco de frutas seria melhor, mas estamos sem liquidificador e sem a menor disposição para enfrentar frutas no muque com esse calor senegalesco. Álcool? Nessa casa não, obrigada, ainda mais com os quase 40º rondando. A sobremesa foi melancia gelada.

No improviso, a carne da ceia vai ser frango de novo. Mas aí temperado com mostarda, mel, pimenta e um pouco de shoyu. Saladão com beterraba, batata doce, batata inglesa e alface (a combinação insólita foi o que se pode arrumar no mercadito do lado de casa, recomendações da acupunturista Sayo para o fígado de mamys – o mercadão tem fila, preços absurdos e mau humor) com aveia, linhaça e molho japonês da professora Meiko Shimon: shoyu, mel e vinagre. Ex ficou de fazer o mais legitimo spatzle alemão com queijo de carboidrato acompanhante. Uva e banana pra adoçar.

Preparamos uma vela branca para agradecer pelo advento da religião cristã neste mundo e uma azul pra Santa Sara, que também é profundamente cristã e não nos desampara nunca.

Amanhã se visita o lado mais germânico dessa família sem vínculos legais e se come frutas secas, panetone, stollen, essas coisas mais comuns que as pessoas fazem no Natal... Só não se ouve Simone... ^___^

(24/dez/2010)

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Repensando 2010 - parte II

Então, esse foi o ano em que eu mergulhei fundo. Em mim mesma. Mas ainda não cheguei no fundo.
Meu grande objetivo esse ano foi completar a grande metamorfose - transformar-me plenamente em mim mesma. Dei um bom start, mas tô longe de terminar. Porque foram muitos, muitos anos de uma vida longa tão enredada e imiscuida no outro.
E quando falo outro, não tô falando do ex, não, embora ele esteja na lista. Estou falando de todas as outras pessoas na minha vida cuja opinião eu sempre levei mais a sério que a minha própria. Que eu sempre escolhi cuidar antes de mim. Para quem eu sempre dei mais importância.
Não, a culpa não é de nenhum deles, mas do meu próprio estabelecimento de prioridades (ok, minha educação excessivamente cristã, cheia de culpa e de noções de utilidade no mundo não ajudou muito, mas não dá pra passar o resto da vida culpando minha mãe por tudo - até porque ela me deu o melhor que ela tinha).

Esse ano minha espiritualidade aflorou de forma inédita. Eu sempre fui uma pessoa que acreditou nas coisas, que estudou. Mas esse ano as coisas se tornaram sangue e carne e as causas das coisas todas se aclararam. Porque quando você vai a um lugar para pagar dívidas em sequência, di cum força e quase que incessantemente, entender o que se está fazendo ajuda horrores.

Estou, a cada dia, aprendendo a guiar minha vida por minhas próprias idéias. Durante muitos, muitos anos, deixei que me mandassem fazer, que decidissem por mim, que tomassem minhas decisões. E, às vezes, ainda deixo. Mas tá melhorando. Uma coisa de cada vez.
Esse ano dispensei tempo, dinheiro e energia inéditos para mim mesma. Dancei muito, fiz várias vivências e terapias, mapa astral e revolução, estudei astrologia. Fui até São Paulo ver o Tito Seif, segui com as aulas de percussão apesar do tempo ínfimo pra estudar.
Com tudo isso, consegui manter o desempenho necessário no Mestrado. Apesar. Enfim.
Foi um bom ano. Não foi um ano fácil. Não foi um ano relaxado. Mas foi bom.

Seja lá quem eu for - achei que já sabia isso, mas concluí que ainda falta muito - sou muito mais eu do que na mesma época do ano passado.
Eu sei que nunca estive e que nunca mais estarei sozinha. Eu sei do que eu dou conta. Eu sei que tenho habilidades que podem gerar grana, sim. Eu estou bem satisfeita com meu corpo, padrões à merda. Eu estou ciente da minha própria ética. Eu sei que tenho miolos. Eu sei que respeito a arte que faço, por mais amadora que eu seja. Eu sei que dou conta, que tenho muita força, muito centramento. Que tenho opiniões e não preciso da autorização de ninguém para expressá-las - ainda que tenha meu limite na mágoa e frustração alheias.
Sei que amo inteiro e de verdade. Inclusive a mim mesma.
Sei que tenho muitos defeitos e que erro muito - mas não tenho preguiça de me consertar. Sei que fui criada mergulhada no medo, mas, por mais medos que tenha, tenho um arsenal de coragem gigante dentro de mim.
E sei que quero mais e melhor. E vou atrás de tudo isso.

Desejo a todos vocês um 2011 cheio de auto-consciência, de amor próprio - para que possam amar aos outros, de respeito por si mesmos - para que possam respeitar o mundo, de limites - para que não se firam, de superações - para ir além. Desejo um ano de clareza espiritual, discernimento e decisões acertadas. De força e coragem. De doçura e alegria também - sempre bem fundamentadas.

Que venha 2011!

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Palavreado de final de ano

Sim, este bloguinho está às moscas. Sem conexão em casa, a pessoa não consegue postar com periodicidade. Sem posts periódicos, as pessoas vão deixando de acessar... Como acessando já nem comentavam mesmo, já viu!
Mas tudo bem, faz parte. Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos. E esse ano foi de omeletada!

Não se pode manter um blog decentemente com ocupações diversas (a não ser que ele seja parte do seu trabalho).
Não se pode mudar de estado civil e de casa e manter imediatamente o mesmo padrão de vida (leia-se conexão).
Não se pode investir em tornar-se você mesma sem deixar algumas pessoas pelo caminho.
Ou porque você não aguenta mais ser tratada de determinada forma. Ou porque elas escolheram ir embora. Ou porque você não pode mais ficar ao lado delas por uma questão de coerência e ética.

Esse foi um grande ano de expurgo. Muita gente saiu da minha vida em 2010.
Não, isso não me deixa triste.
Algumas, poucas, vão fazer falta, mas eu aceito a separação como parte do meu destino. Como parte das escolhas que fiz.
O mais curioso, entretanto, é o número gigantesco das que se foram e que não fazem falta nenhuma. Que, na verdade, causaram alívio com sua partida. Descobri, neste ano, que andava cercada de um monte de gente que me sugava, me incomodava e que muitas vezes eu só mantinha por perto para fazer barulho. Porque eu tinha muito barulho dentro de mim.
Mas agora eu silenciei. E eu só estou aceitando interlocutores. Os bons.

Algumas das pessoas que se foram voltarão em curto ou médio prazo, ou ao menos assim eu imagino. Algumas passarão por um longo processo, terão que reavaliar muitas escolhas, antes de poderem voltar a se reaproximar. E outras não voltarão nunca mais. De maneira alguma.
Penso que, se ainda tem interesse sobre mim o suficiente para lerem este blog, algumas devem estar chocadas por eu ter dito em algum momento que gostava muito delas. Ou que as amava. Bom, isso não deixa de ser verdade. De algumas eu ainda gosto muito - mas gosto mais de mim do que do modo como agem comigo (e, por vezes, com os demais).
E as pessoas que eu amo. Bom, quando eu amo, eu amo para sempre, isso é sério. Nunca disse essa frase de modo inconseqüente para quem quer que fosse. Meu Saturno é muito sério para me permitir esse tipo de leviandade - taí uma palavra que eu detesto com todas as forças, leviandade. O que aconteceu, então?
Tenho um grande amigo que costumava dizer da ex-mulher: "Eu a amo, mas não gosto dela." É exatamente isso. Eu passei a não gostar de você por algo que você escolheu fazer. Mas ainda te amo. Do fundo do coração. E provavelmente oro por sua felicidade mais do que você possa imaginar.

Eu não sou uma pessoa fácil de se conviver. Tenho opiniões muito firmes, uma ética própria muito rigorosa, sou muito ciente de mim mesma. E não pretendo mudar.
Se você chegou até o fim de 2010 dentro do meu círculo de relacionamentos, pode ter toda a certeza, você é muito especial para mim. Sobraram muito poucas pessoas.
E quanto menor o círculo se tornou, tanto mais especial se tornou cada indivíduo que ficou.

Se você ainda está do meu lado, é porque provavelmente você realmente me respeita e me admira como sou. Porque você me deixa não estar de bom humor 24 X 7. Porque, se você já se chateou comigo, me disse e resolvemos a questão. Se você ainda está do meu lado, é muito provável que você nunca tenha tentado me mudar. Ou sugerir que isso fosse preciso. (Falo do que eu sou, não de uma ou outra atitude que eu tenha tomado, que eu erro, sim, como todo mundo e muitas vezes são meus amigos que me corrigem o rumo, mas sempre dentro da minha natureza.)

Você, que ainda está comigo, talvez nem tenha tempo para ler esse blog. Talvez nem tenha tempo para se dar conta do quanto significa para mim. Mas está agindo positivamente na minha vida, dia após dia.
Em função disso, claro, algumas pessoas passaram a ter maior importância que outras. Mas isso ainda não é assunto para esse blog.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Fim de Ciclo

Hoje terminei minha última aula do Mestrado. Agora é preparar a qualificação, depois a dissertação. Uma pausa na vida de gitana viajando toda semana. Ufa!
Consegui passar na disciplina de Estética da Recepção (não com a nota que eu queria, mas enfim), entreguei toda a papelada da CAPES, acho que fica tudo tranquilo para a bolsa no ano que vem.
Acabo de me despedir de alguns de meus melhores amigos daqui e agora estou no ônibus de volta pra casa. Apesar do pouco tempo, consegui fazer algumas amizades bem profundas e especiais. Gente é surpresa boa em todo lugar.

Minha mudança pra Novo Hamburgo tá meio enrolada, mas acho que essa semana sai. Tive que mudar os planos de apartamento, vou pra um que é um pouco menor, mas mais perto da rodoviária. Acho que tudo ficará bem, também.

Domingo fui à confraternização cigana da Casa Z e tivemos todos uma surpresa. O Luis tinha preparado uma cerimônia tradicional de casamento para a Sayo, foi a primeira vez que estive num casamento onde a noiva - e dois terços dos convidados - não sabia que ia casar. Foi uma das celebrações mais belas que já presenciei na minha vida, sem dúvida.

Daqui a pouco comecam as retrospectivas de final de ano. 2010 foi um ano exepcional. E tudo indica que 2011 será ainda melhor - ano de Oxum!

sexta-feira, novembro 26, 2010

Enquanto a editora não lança o livro...

Um trechinho de Ogai Mori pra vocês:

Uma mulher pode encantar-se com um artigo em particular, ainda que não chegue a pensar em comprá-lo. A cada vez que passar por uma vitrine onde se encontra exposto um anel ou um relógio ela pode parar e olhá-la. Não vai até a loja deliberadamente. Se por outros motivos ela voltar a ir ali, sempre aproveita para dar uma olhada. O desejo de posse e o fato de jamais comprar o artigo desejado se misturam e surge uma vaga, quase imperceptível, e doce melancolia. A mulher tem prazer em sentir esse gosto. Por outro lado, o objeto que ela pretende comprar causa uma angústia intensa. Provoca inquietude, a ponto de não dar-lhe sossego. Mesmo quando sabe que poderia comprá-lo, se aguardasse alguns dias, mal pode esperar por isso. Pode acontecer de sair para fazer a compra num impulso, à despeito do calor ou do frio, da noite fechada, da chuva ou da neve. A mulher que rouba numa loja não foi talhada em madeira diferente. É apenas uma mulher que perdeu o senso do limite entre as coisas que quer e as que pode comprar. Para Otama, Okada tinha sido como um artigo que ela desejava à distância, mas agora, de um momento para outro, tornara-se algo que ela queria adquirir.

(MORI, Ogai. O Ganso Selvagem (edição bilingue). Belo Horizonte: Tessitura Editora, 2010. pg. 210. Tradução Meiko Shimon e Samara Leonel)


Não é genial? Gan não é a melhor obra da literatura japonesa, mas a genialidade de Mori para prescutar a alma humana não pode ser negada.

domingo, novembro 21, 2010

Meme musical

Descaradamente chupinhado da amiga, cantora radicada em HongKong, linda, chique e glamoursh total Lidi Satier:

1. Abra seu player (iTunes, Media Player, iPod, etc)
2. Coloque no shuffle
3. Dê play
4. Para cada pergunta, escreva música que toca
5. Depois de responder cada pergunta, dê Next

Opening Credits: Pijem (Me Mangava) - Boban I Marko Markovic
Acordando: Hasen (árabe clássico, não sei executado por quem)
Primeiro dia na escola: Suedehead - Morrissey (hahaha, perfeito)
Primeiro amor: Early On Tuesday - Jesse Cook (Bem esse mood "the only place I wanna be is lost with you...)
Cena de Luta: Dial-a-Clichê - Morrissey (eita lutinha cool e intelectual)
Formatura: Arrinconamela - Trilha de Vengo (não deixa de ser, formatura da vida mesmo)
Vida: Na Pressão - Lenine (quem me conhece, sabe...)
Mental Breakdown: Everyday is Like Sunday - Morrissey
Dirigindo: 1979 - Smashing Pumpkins (estaria na playlist pra isso, se eu eu tivesse carro e dirigisse, com certeza. Ouço muito no onibus, serve? kkk)
Flashback: Tu Mirá - Lole y Manuel (provando que flashback na vida pode ser uma coisa bem infeliz)
Juntos novamente: Disarm - Smashing Pumpkins (uia, meda...)
Perdendo a virgindade: L´Arromic e Lo Pinsar - Original Occitana
Casamento: Ahwak - Abdel Halim Hafez (dramático ou bom prognóstico, dependendo da leitura... passada, provável ou futura...)
Nascimento do primeiro filho: Omnia El Hantoor - Saad Al Soghayer (se for assim divertido...rsrs)
Batalha Final: Red - Jesse Cook
Cena de morte: Un erizo - Pauline en la Playa
Funeral: Miserere - Original Occitana
End Credits: Du erinnerst mich an liebe - Ich + Ich

Quem fizer posta o link nos comments, bele?

Ah, sobre a viagem a SP, estou esperando as fotos dos senhores Renato e Daiane para escrever...

sábado, novembro 13, 2010

Se alguém consegue pegar um punhadinho de dias fora da cidade...

... e transformá-los num conjunto de acontecimentos espetaculares montanha-russecos - tenha certeza que esse alguém sou eu!
Aguardem o resumo dos fatos da semana...rsrsrs

terça-feira, novembro 09, 2010

Sampa, Tito e salve-se quem puder...






FUI.

A partir de agora, celular. Beijocas.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Muchas gracias, madre Sara Kali!




Eu não posso dar detalhes porque vocês sabem, né? O mundo, trabalho, inveja, essas coisas. Mas não dá para não contar, simplesmente.

Pensa num freela muito bom. Tipo, desenhado pra você em todos os detalhes.
Não, pensa num melhor. Melhoooor... você consegue, se esforça!
Pois então. O que eu consegui essa manhã é melhor que esse que você pensou ainda.
Praticamente um milagre.^____^

quinta-feira, outubro 28, 2010

Rápidas, por conta da conexão

Tenho um amigo pentelho que adora escrever que quem diz na net que está bem, chora escondido à noite em casa. Pombas, então eu vou ter que dizer que a vida está uma droga e eu estou na maior depressão? o.O Tá tudo ótimo, caramba, não tem o que inventar...

* Tenho vivido dias tranquilos, com modificações superpositivas na alimentação e isso tá me fazendo um bem danado. Sem rigidez, consegui também um acerto de horários e ritmos. Que tá igualmente me fazendo bem.

* A grana tá curta mas eu consigo conexão de graça o suficiente para não me isolar do mundo. Podia ser melhor? Sim, podia ter o dia inteiro. Mas, caramba, do que reclamar?

* Estão pintando freelas - que era a maior pendência para o momento.

* Daqui duas semanas vou ver o super Tito Seif (ai, meus sais!) em Sampa.

* Nem são muitos, mas tenho os amigos mais fofos, mais charmosos e mais divertidos do mundo.

Como é que se simula depressão num quadro desses?

Beijo pra todo mundo!

segunda-feira, outubro 25, 2010

Das intermitências

Assim, em função da mudanças e tralalá, não tenho mais conexão direto como antes.
À noite, vez por outra, roubo um wifizinho dos vizinhos, mas nunca tem hora para começar nem pra terminar.
Portanto, se você não me vir quando me via por aí, não estou mal e isolada, estou sem conexão.
Se eu deixar você pendurado por horas, não fiquei mal educada de repente, o sinal acabou.

Por enquanto, é isso. Beijos.

sábado, outubro 23, 2010

Novo





Tudo. Endereço. Estado civil. Rotina.
Mudou. Porque vida é de mudar.

Como estou? Exatamente como antes de você ficar sabendo e me perguntar. ^_^

Não, não houve briga, não houve desentendimento, não houve deslealdade nem traição. Só que os relacionamentos se adaptam com o tempo e passam a funcionar melhor de um jeito que de outro. Simples assim.

Quem eu amo e respeito, amo e respeito pra sempre. E ainda saio no braço para defender, se for preciso.

O resto é voltar para a rotina, à vidinha virtual e às outras e tocar o barco.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Cofee break

Queridas pessoas,

Por motivo de forças várias e reorganizações internas e externas, estou dando uma pausinha nas minhas atividades no mundo virtual, por tempo indeterminado.
Meus amigos podem me acessar pelo meu email principal.

Beijos e tudo de bom.^^

sexta-feira, outubro 01, 2010

Paz para todos nós

Bom dia, povo da minha internet!

Um videozinho de música boa, para varrer todo baixo astral e negatividade de todo canto!

É,depois eu soube que esse vídeo causou polêmica no Egito, por ser lido como uma chamada à intervenção do profeta e de Allah na questão do Oriente Médio. Enfim. Eu, particularmente, espero que Ele intervenha mesmo, não só nesta questão, como em todas as outras de cada uma de nossas vidas, não de acordo com o que nós julgamos certo, mas com uma sabedoria superior.

Agora, amigo leitor, tenho que te dizer: independente do conteúdo religioso e da sua posição sobre política internacional: se você ouvir essa canção doce, essa voz deliciosa, esse ritmo tão bom e sentir alguma coisa além de alegria e paz de espírito... ah, você tem probleminha.:)

Muita luz e paz de espírito para todos nós!

segunda-feira, setembro 27, 2010

Da sublime arte de calar a boca

Então, a pessoa é Gêmeos em Gêmeos, non? Fala pelos cotovelos. Não apenas nunca tive dificuldades para me expressar: a expressão é meu ganha-pão, minha terapia, meu recurso de defesa. Sou eu.
Com a chegada deste pouquinho de maturidade que adquiri, a última possível trava se foi. A vergonha. Perdi todo receio do que sou e do que penso, perdi o medo de errar. Todo mundo erra o tempo todo e ninguém fala com real propriedade sobre nada em lugar nenhum.
Tudo isso é verdade. Mas mostrar quem se é o tempo todo pode ser uma fonte inesgotável de dor de cabeça. Ser também, mas isso é algo que não posso e não quero evitar. Tem gente no mundo que me vira a cara simplesmente por eu ser quem eu sou, tentar fazer direitinho o que faço para viver, me vestir como me visto e fazer as opções que faço. É a vida.
Mas acho que somar tudo isso com minha opinião sincera sobre tudo não facilita em nada as coisas.



Alguns dias atrás acabei me metendo numa discussão sobre dança na internet que terminou num insulto pessoal. Quer dizer, nem sei se dá para chamar de insulto. Fui chamada de bipolar* - o que sou mesmo, e muito bem tratada, obrigada. Mas não tinha nada a ver com minha postura na ocasião, foi gratuito, por não se ter melhor defesa. Cada um joga no nível que pode,certo? Não me ofendo, assim como o outro moço, o PC Siqueira, não se ofende quando dizem que ele é vesgo - ele sabe que é, ué. Só entedia, como tudo o que é óbvio e vulgar.
A verdade é que a postura da moça em questão já me incomodava há muito tempo, por várias razões. Ela já trombou comigo na net com outro nick e foi de uma grosseria e arrogância impecáveis - quando ficou claro para mim que os elogios que ela fazia a mim e às minhas opiniões, tão diferentes das dela, eram fruto dos meus bons relacionamentos na rede, nada mais. Beleza. Mas nunca tinha batido de frente. Desde tempos dantanhos, quando eu usava pseudônimo para fazer sátira na rede (sem saber, cretininha que sou, que não existe espaço para humor nesse país, aqui tudo é pessoal e "pra te derrubar") que não faço mais isso. Saí das comunidades, fóruns e tralalá em função disso.
Mas aí ela atropelou minhas amigas - que estavam opinando com categoria, conhecimento de causa e boa escrita. Em astrologês, sou Lua em Libra na casa 4. Em bom português, sou mãe das minhas amigas. E vocês sabem o que acontece quando mexem com os filhos de alguém, né? Feita a merda.Preciso aprender que todo mundo é grandinho e fechar minha boca. Enfim.

Aí uma amiga minha me fez uma coisa muito feia, na minha própria opinião. Agiu comigo como se tivesse dezoito anos (é, ela é da minha geração), quebrou uns três ou quatro códigos éticos de amizade num dia só. Magoou grandão. Foi me procurar, eu não respondi. Depois de muita insistência, disse para ela que estava quieta porque não queria ser grosseira. Porque sempre que discuto com ela, independente do motivo, a estúpida insensível sempre sou eu, porque não falo com mimimi. Então achei melhor ficar bem quieta - mas não a ponto de fingir que nada aconteceu e me arriscar a passar por outra daqui uns dias. A resposta: "ahn? que foi?" Pô, se a pessoa não faz nem idéia, adianta tentar explicar? Existe alguma chance de termos valores semelhantes? Não,né.

Aí eu podia somar chamada de atenção por falar demais, gente que fica pendurada no meu MSN metade do ano me fazendo de psicóloga e de repente se enjoa e me bloqueia, gente que "adora amiga disposta a escutar e dar bons conselhos" mas me dá toco quando porventura eu não estou feliz e cantante (coisa rara, porque como boa japa evito demonstrar fraqueza), enfim, uma lista infindáveis de situações curiosas desse mundinho de meu Deus.
É o mundinho do "tudo que você disser será usado contra você mesma". Daí que é selecionar melhor quem me cerca e manter minha boca fechada. Bem fechadinha. Num mundo onde as armas são palavras, o silêncio é o único escudo possível.

*Peço aqui desculpas às coleguinhas de patologia por não fazer uma defesa apaixonada contra o preconceito e a ignorância, quando meus próprios amigos ainda me perguntam porque eu assumo essa questão publicamente... cansei. Fique à vontade para fazê-lo nos comments, se o desejarem

quinta-feira, setembro 23, 2010

La mala reputación

Uma letra fabulosa, que diz muito sobre o que muita gente pensa sobre mim. E sobre meus melhores amigos.
Cortesia do meu grande amigo e parceiro de vida outsider, Adriano. Uma das pessoas mais lúcidas e doces que já conheci na vida.

En mi pueblo sin pretensión
Tengo mala reputación,
Haga lo que haga es igual
Todo lo consideran mal

Yo no pienso pues hacer ningún daño
Queriendo vivir fuera del rebaño;

No, a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
No, a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe.
Todos todos me miran mal
Salvo los ciegos es natural.

Cuando la fiesta nacional
Yo me quedo en la cama igual,
Que la música militar
Nunca me supo levantar.

En el mundo pues no hay mayor pecado
Que el de no seguir al abanderado.

Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Todos me muestran con el dedo
Salvo los mancos, quiero y no puedo.

Si en la calle corre un ladrón
Y a la zaga va un ricachón
Zancadilla doy al señor
Y aplastado el perseguidor
Eso sí que sí que será una lata
Siempre tengo yo que meter la pata.

Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Y a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Todos tras de mí a correr
Salvo los cojos, es de creer.

No hace falta saber latín
Yo ya se cual será mi fin,
En el pueblo se empieza a oir,
Muerte, muerte al villano vil,
Yo no pienso pues armar ningún lío
Con que no va a Roma el camino mío,

No a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
No a la gente no gusta que
Uno tenga su propia fe
Todos vendrán a verme ahorcar,
Salvo los ciegos, es natural.


Dedicado a todos os hipócritas, autoilusionistas, sabotadores, burocratas e todo o tipo de gente limitada que adora foder com nossas vidas.

domingo, setembro 19, 2010

Primavera nesta terra

Não, sou bairrista porque sou paulista. Paulista como Ana Terra.
Mas é verdade que eu amo essa terra e, ainda que não tivesse tantos amigos aqui, só sairia daqui por um motivo muito, muito forte.
Aprendi a amar o verão absurdo que quase nos mata e o frio rigoroso que nos faz fortes. Mas, puxa, não é preciso grandes qualidades para amar nossa primavera. Caramba, como essa terra fica linda!

Não é exagero meu: realmente a cor do céu aqui, em dias ensolarados, não tem nada a ver com a de São Paulo. E não falo de poluição: mesmo no interior, não é igual. A tonalidade aqui é única. E a quantidade de árvores floridas é ensurdecedora.
Ontem, voltando de um Simpósio em Lajeado, me deparei com trechos enormes de estrada ladeados por ipês amarelos. O contraste com o céu era de uma beleza de tirar o fôlego.

No tengo lugar, no tengo paisaje. Ciganos não pertecem. Mas as imagens desse lugar sempre estarão em algum ponto perdido no meu coração.

domingo, setembro 12, 2010

Então, tudo o mais...

Tudo o mais tudo bem. Tá, quase isso. Tô passando por umas mudanças profundas, que não cabem num blog público, so sorry.
Mas tá tudo bem afinal. Só as coisas sendo o que tem que ser, quando tem que ser. Na verdade, não há nenhuma novidade, os fatos estão sempre aí, o que muda é a gente mentir para si mesma e parar de mentir.
A merde de mentir para a gente mesma é que a gente fica com um comportamento esquisito. O foda disso é que a gente confunde outras pessoas. Pode parecer que estamos putas com elas, ou sacaneando, ou mentindo para elas. Ou tentando manipular, controlar, iludir de alguma forma. Não é culpa delas, a mensagem de quem está mentindo para si mesma é truncada.
Ainda bem que algumas pessoas quando estão invocadas com alguma coisa, vão lá e tem perguntam na lata. Porque aí você pode perceber e corrigir. Por isso não canso de interagir com gente.
Mas são poucas. Tipo, de contar nos dedos. De uma mão só.
Então ainda devo estar cometendo erros com muitas outras. Quem reclama depois fica por último, so sorry.

Enfim, estou corrigindo tudo. E procurando não me precipitar - na expressão, não nos atos - para não magoar pessoas, porque, yes, vai implicar em fazer coisas doerem sim. Sempre implica.

É que meu subconsciente é deveras sacana. Ele sabe que se eu vejo algum medo por perto, eu vou lá e encaro. Tenho horror e ódio do medo. Então ele fica botando fitinha cor-de-rosa, ursinho de pelúcia no braço do medo para eu achar que a vida é assim mesmo, que eu não estou com medo não, é uma desaceleração natural da idade.

Natural da idade a P*** Q** T* P****!!!! Natural da idade é perceber que a vida é curta demais para muito rififi.

Fora isso, com mais tarefas do que eu acho que possa dar conta e com muito menos dinheiro do que o mês exige. Tipo, seriamente falando, meu salário já acabou e hoje é só dia 12. Preciso de um freela ontem.

Ah, e deletei a bagaça do FormSpring.

Mas a verdade, a verdade mesmo, é que a culpa é do lúpulo.

terça-feira, setembro 07, 2010

Formspring

Acho que deu pra bola aquele trem, né? Pensando em deletar.
Porque, eu já tinha me acostumado com o fato de os seres humanos não terem perguntas para me fazer.
Mas agora nego nem responde as que eu faço (e olha que eu faço pra três ou quatro pessoas de uma vez)... Fim de carreira.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Dançando o que não se dança

Tem umas pessoas que dizem que não se dança música com samai, mas eu resolvi só respeitar minhas próprias regras.
Infelizmente, não tive como avaliar minha expressão aqui. Consegui melhorar várias coisas que me incomodavam, mas ainda detecto algumas que não tinha visto antes. Perfeito nunca vai estar, né? Mas acho que foi uma das melhores relações estudo-benefício este ano.
E se preparem, ainda vou dançar muita coisa que não se dança até o final do ano. Divirtam-se. (E podem descer os cachorros à vontade. Elegância é desejável.)

quarta-feira, agosto 25, 2010

Privilégios

Hoje eu saí feliz e risonha pela rua. Porque eu fiz minha aula de daff. Toda vez que eu faço aula com o Tuerlinckx é uma benção, porque ele é assim, essa pessoa tão especial. Esse músico tão excepcional, esse professor habilidoso. E, de uma maneira ou de outra, fazemos música - e essa é uma experiência que me deixa muito bem.
Todas as aulas dele me deixam um pouco melhor do que fui - e não falo em técnicas. Fico uma pessoa melhor. De verdade.

(Falando assim, parece que tenho uma paixão secreta pelo moço. E tenho mesmo. Só que não é lá muito secreta. Ele sabe, meu marido sabe, todo mundo sabe. Eu e todas as bailarinas do Rio Grande, ué. Afinal,além de tudo, ele é gatinho pra caraleo.)

Também me sinto assim quando faço aulas com a Daiane. Com ela não tem aulinha. Com a Dai cada aula é uma experiência excepcional com seu corpo e com a música árabe. É viver arte. É magnifico. Desnecessário dizer a pessoa fora de série que ela é e o quanto tudo isso também está no meu processo de transformação.

Com a Sayonara não é diferente. Ninguém consegue fazer aulas com ela. A gente faz vivência. Vivencia-se a vida cigana. Não por acaso, mudou tudo na minha vida depois da Casa Z. (Trans)mutação pura - e quem a conhece sabe que isso não se resume ao palco e à sala de aula. Enfim.

Arte me transforma, arte me faz melhor, arte me faz sentir viva.

Seria tão bom se eu pudesse ter na universidade professores de literatura tão bons quantos meus professores de dança e música. Na verdade, tenho e tive. Mas conta-se nos dedos. São inúmeros os burocratas que trabalham com arte apenas pelo salariozinho no final do mês.

Será que é porque os acadêmicos não vivem (no caso, não escrevem) a arte que fazem? Para mim é mistério. E para você?

domingo, agosto 08, 2010

Meu bar, meu lar - a história do Souq Pub, o melhor point árabe que essa cidade já teve



Então, eu falei desse lugar muitas vezes nesse blog. O Souq Pub era o ponto de encontro do povo que ama cultura árabe em Porto Alegre, uma casa gostosa e aconchegante na Ramiro Barcelos, onde nos reuníamos para fumar shisha, tomar cerveja, comer petiscos árabes, dançar, conversar e fazer planos mirabolantes.
Mas o lugar fechou. O Rafa foi com a Anisah para o Oriente Médio e hoje em dia a casa está para alugar.
É sempre chato quando um lugar legal fecha em Porto Alegre, que é tão carente de lugares legais para gente de gosto fora do comum. Mas com o Souq a coisa foi um pouco mais séria. Não é todo dia que o dono do bar é seu chapa - não, ele não apenas te conhece do balcão e do caixa, ele tem os mesmos interesses, os mesmos gostos, viajou para os lugares que você gostaria de conhecer e trouxe as coisas que decoram aquele espaço tão gostoso.



O Rafa é um cara muito legal e todos sentimos saudade dele. E da Anisah (Vanessa, pros da casa), que além de uma bailarina deliciosa é um amor de pessoas. Uma menina querida de Pelotas, inteligente, espirituosa, geminiana, amiga e divertida. Um doce de coco que PoA perdeu para condições melhores de trabalho.
Além de frequentar o bar, por um bom tempo eu fiz aulas de dança com a Daiane Ribeiro lá, às tardes. Depois era só descer, pedir uma shisha, tomar uma cervejinha, botar as fofocas em dia.


DAIANE RIBEIRO:Muito mais que mestra e uma das melhores raqsas que já conheci, amiga de todas as horas. Que me entende como só podem as geminianas...

Nunca antes e nunca depois eu me senti tão bem num estabelecimento comercial (ok, comercial era quase modo de dizer...), tão à vontade. Não me preocupava em me produzir, não me preocupava com a conta (se gastasse mais do que tinha no bolso, acertava com o Rafa na vez seguinte - era um pacto de confiança,ele nunca fez cara feia, eu jamais deixei de pagar), não me preocupava se as pessoas com quem eu marquei já tinham chegado ou não. Porque o Souq era um bar onde eu nunca ficava sozinha. Ainda que o nosso impagável Celso (o melhor preparador de shisha ever),o Rafa ou a Anisah não estivessem ou estivessem muito ocupados, eu podia simplesmente ficar num canto sozinha e curtir a trilha árabe (sempre excelente, graças ao bom gosto do Rafa).O Souq tinha um clima assim tão legal que uma mulher podia frequentá-lo tranquilamente sozinha, sem a possibilidade de ser importunada por algum bêbado ou coisa do tipo. Saudade grande da luz colorida naquelas paredes...



Outra coisa muito legal era a quantidade grande de eventos relacionados à musica e à dança. (Incrivelmente, tivemos shows internacionais espetaculares para quarenta pessoas... Porto Alegre é um ovo que gosta e faz tudo para permanecer isso mesmo: um ovo.)
Além disso, jamais haverá um lugar para as loucas dançarem com tanto conforto e liberdade. Instalações decentes para nos trocarmos,liberdade para fazer festas dançantes, para conferir CDs e DVDs que levávamos em reuniões de bailarinas. Uma quantidade boa (incrivelmente boa, em termos locais) de gente junta que respeitava e amava a arte.


Cartaz de um dos eventos, estrelado pela bela Anisah.

Foram tantas reuniozinhas para planejar shows (muitos que jamais se realizaram), trocar material, ver gente dançar/tocar, botar o papo em dia. As impagáveis festas de aniversário. Sou uma nostálgica irrecuperável, poderia escrever horas.


Meu aniver de 2009 - em azul, Zahira-Fernanda,grande dançarina e amiga baladi desse coraçãozinho baladi.

Amigo Grifo tem a teoria que o Souq era tão bom porque, mais do que estabelecimento comercial, era um lugar para reunir gente com interesses afins. E que por essas mesmas características acabou se tornando inviável financeiramente. Pode ser. Eu mal e mal consigo que me consolar com a idéia de que foi melhor desaparecer assim do que decair um dia.
No Souq, eu fortaleci a amizade com a Daiane e com a Zahira (Fer, pros de casa). Eu conheci o Tuerlinckx, primeiro como professor, depois como o amigo insubstituível que se tornou, pessoa de essencial importância na minha vida. E também o pessoal da casa (Rafa,Anisah e Celso), claro, o Gabriel (que fazia aula de derbake também,com o Rafa),o Grifo.


FABIANO TUERLINCKX:percussionista excepcional, professor e um dos amigos mais doces e generosos que o mundo me deu. Indispensável e insubstituível.

Dentro daquela casa eu ri, argumentei, falei bobagem, dancei, cantei, beijei, chorei, abracei muita gente por variados motivos. Foi um lugar que concentrou uma camada de emoções bem intensas para mim. O bar fechou, mas, enquanto eu estiver viva, sempre terá uma luzinha verde acesa em alguma fachada da minha memória.

terça-feira, agosto 03, 2010

Do mais santo dos remédios: o tempo

(Coisa que eu mais amo é quando essa merda dá pau e eu perco o post inteiro como há segundos. Ok, vamo lá de novo.)

Quem me conhece bem, sabe que não vivo sem os meus amigos. Sei que consigo suportar qualquer coisa com eles por perto, o resto eu não sei. Depois de velha admiti para mim mesma que meus amigos tem importância maior na minha vida que meus amores - salvo os raros casos em que os amores se tornaram amigos.
Sendo assim, adoro fazer amigos novos e reencontrar amigos. E se tem algo que me chateia, mas me chateia muito, é perder um amigo. (Até aprendi a administrar a situação com a idade, mas gostar também não é o caso.)

Pois que hoje foi um dia deveras supimpa, porque eu fiz uma coisa que realmente me dá muito prazer: recuperei um amigo.
Perdi a amizade do moço em questão porque esta se desenvolveu em conjunto a uma paixão mal-resolvida dos diabos. Como temos em comum a impulsividade e a passionalidade, deu uma merda bonita de se ver. Explodimos em gritos, lágrimas e ranger de dentes. Mexicano.
Enfim, o tempo passou e a paixão com ela. Mas a saudade do amigo com quem tenho grande afinidade e com quem me divirto muito permaneceu. Foi bom descobrir que, de alguma maneira, a recíproca era verdadeira. (Eu jurava que o moço ainda rosnava à menor menção do meu nome, quando na verdade éramos dois a nos espiar furtivamente na Internet.) Enfim, foi um troço bem bacana.

Essa transição de paixão pra amizade é uma coisa que traz inúmeras vantagens. Tipo como ser tia, que só pega os melhores flashes da maternidade.
Marido (namorado/amante/whatever) eu só posso ter um por vez (e estou muito satisfeita com o meu, obrigada), amigos eu posso ter todos ao mesmo tempo agora!
Amizade não tem ciúme, não tem jogo, só levanta sua auto-estima. E a parte que eu mais gosto: havendo caráter dos dois lados, a tendência é que dure para sempre! (Que o digam meus amigos do Pleistoceno!)
Tá, não vou negar que uma amizade que tem um histórico romântico gera um tipo de afeto especial. Como costuma dizer meu primeiro grande amor (e um dos meus melhores amigos para todo sempre, arigatô Kami-sama!): "sempre teremos Paris". Mas é o tipo de diferencial que se dissipa com o tempo e não traz nenhum ônus nem risco. Acho que até pelo contrário: economiza muitas explicações.

Aproveito a oportunidade para ser piegas: meus grandes amigos espalhados por esse mundo, de todas as épocas, sejam os que nasceram meus irmãos ou os que se tornaram - amo MUITO LOUCAMENTE todos vocês! Cada um de vocês, a seu modo, é essencial na minha vida.
Ao moço em questão, caso ele leia este post: OKAERI NASAI! (Bem vindinho de volta, em japonês.^__^)

quinta-feira, julho 29, 2010

Férias - 2a. parte e outras cositas

Ainda são muitos os posts para colocar em dia, mas, enfim, a vida.
Depois do afofamento descrito, veio mais afofamento. Na sexta,fizemos a boa e velha "reuniãozinha do povo da ECA". Como estamos todos ficando muito velhos e comprometidos, apenas quatro compareceram: eu, Rê, Sabin e o grande Mestre, que nos "anfitriou". Fiz um jantarzinho, foi gostoso. O jeito como todos os meninos babaram no Rodriguinho (o filho do Mestre e da Rita, que não pode comparecer porque estava trabalhando) deixou explícita nossa idade provecta... hehe

Tirei pouquissimas fotos nessa viagem, porque não estava com câmera e a qualidade do celular é aquela coisa. Mas alguns registros tive que fazer, como da sobrinha mais linda do mundo (mesmo sem maquiagem, nem chapinha, nem glamoursh) e do fofo do cunhado dela.(Sim, eu tenho uma sobrinha casada. Daqui a pouco eu pisco e sou TIA-AVÓ. Ui.)






No sabadão fui pro Rio, para o casamento da Clara e do Fábio - que hoje são nossos amigos, mas tudo começou com uma amizade entre Clara e Maridón sobre uns assuntos alemães que tento traduzir até hoje.^_^
Peguei um lindo congestionamento de 4h na Dutra, por causa de uma carreta virada (vida de cigano é fogo, viu!) e fui direto afofar a amiga angolana Humberta.
Não tirei fotos do casamento, nem as publicaria, porque acho que é coisa de cada um, mas deixo com vocês algumas fotos espetaculares da igreja no Méier, segundo marido, a única basílica mourisca da América Latina.






Depois voltei para Sampa, afofei mais o Rê, afofei mais a Flávia, peguei umas coisinhas na 25 de Março (o que é o auto-controle da pessoa para não levar TUDO o que estava a um terço do preço porto alegrense><), tive o tradicional jantar com Meiko...

TIRASHIZUSHI DO SUSHI GUEN

Encontrei mais uma pessoa bem especial cuja foto não vou postar aqui porque não brinco com gente séria.^^ Mas pense num cara que tá chegando nos quarenta e ficando cada dia mais japonês... rsrs

Então voltei pra terrinha sob chuva torrencial e o vôo que ia chegar às 21h35 chegou`1h da manhã... Coisas dessa terra de clima inclemente. Chegando aqui, aproveitei o tempo livre para afofos nas pessoas queridas daqui, incluindo o povo de Santa Maria.



Dessa vez não deu para ir até Brasília, destino final do meu primeiro avião. (Juro que pensei em me esconder no banheiro...) O que não quer dizer que não tenha pensado muito em Rô Salgueiro...




Aqui uma fotinho do encontro do grupo Masala, do qual sou uma extensão tieteira.





Termino o post com umas imagenzinhas ótimas que achei quando limpava o celular para escrever esse texto.:)

JO E SEU FERNANDO

AMO MUITO!!!

MAMÃE VERSÂO SIMONE DE BEAUVOIR

EU E MEIKO EM GRAMADO, HÁ MUITO TEMPO

(Sorry pela disposição tosca das imagens, mas estas coisas ficam a cada dia mais complicadas de editar no Blogger...)

sábado, julho 24, 2010

Você fica constrangida quando te deixam sozinha conversando com uma pessoa que você não conhece?

Em geral, não. Minha tendência natural é falar com os cotovelos e quebrar o gelo sem dificuldades.
Só vou ficar constrangida se a pessoa for daquelas que responde com monossílabos e não demonstra o menor interesse pela sua conversa. Mesmo sabendo que provavelmente ela está mais constrangida que eu, isso me desconcerta.

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quinta-feira, julho 22, 2010

Saudades felinas



Para viagens, compras, telefonemas, jantares, casamentos, existe dinheiro e cartões de débito e crédito.

Mas acordar às sete da manhã com as duas gatinhas mais charmosas do mundo ronronando de saudade (uma no seu quadril, a outra no seu braço) NÃO TEM PREÇO!!!
Não tem amorsh mais puro e incondicional que amor de gato!

(Já já retorno com as histórias da segunda parte da vaigem, anotações de aeroporto e algumas fotos, assim como com os posts todos que devo. Calma, tô chegando. Peguei quatro horas e meia de atraso no vôo ontem por conta do mau tempo.><)

sexta-feira, julho 16, 2010

Friozinho, aconchego e as coisas na vida que realmente importam

Então, povo, finalmente a pessoa conseguiu sair de férias. Claro que naquele esquema: o último ensaio acadêmico para ser escrito na noite de domingo, embarque segunda às 14h50.
Consegui parar para escrever as 23h (quem me conhece sabe que rendo mais à noite), trabalhei até as 5h30 da manhã, quando tive que fazer uma pausa por problemas técnicos e tirei um cochilo. (Valeu CEEE!><) Reiniciei às 7h, terminei às 11h, revisei e mandei para a divina Cláudia entregar para mim. Ufa! Aí fui tomar um banho, terminar de arrumar as últimas coisas e aeroporto.
Uma chuva, uma chuva, uma chuva em Porto Alegre. Eu de botas, legging, saião, malhas de lâ como de costume. Enfim. Cheguei em São Paulo com 27o. e cozinhei! Que feliz! Bão, cheguei e já fui direto pras grota, digo, pra Cesário Lange que é onde a irmã mora atualmente e ficamos lá nos afofando. O telefone sem sinal.Bão.
Na quarta de manhã vim pra Sampa (porque cidade de 15 mil habitantes é essa beleza: ônibus pra Sampa às 7h e às 17h30. Só. Tive que acordar 6h sem a menor necessidade.:'()e passei a tarde afofando a Meiko. Almoçamos na Liberdade, comprei umas coisinhas, passamos na Fundação Japão (onde eu não ia há séculos, mas aquele lugar não muda, parou no tempo, até o cheiro do carpete é igualzinho) e tomamos um café na Cultura (o pior atendimento em cafés ever). Depois encontrei agente Scully, digo, a Flávia, amiga de muitos anos e melhor dentista do mundo para devolver ao mundo o que o lítio comeu - a integridade da minha arcada inferior. Depois fui pra casa dela afofar, afofar, afofar. Fiquei até ontem à noite, quando vim pra casa do Rê, o irmão que minha mãe não quis me dar, mas o mundo me deu assim mesmo e afofamos madrugada à dentro.
Hoje à noite devem aparecer mais dos meus amigos do Pleistoceno, digo, dos tempos de ECA-USP, para serem devidamente afofados. Adouro.
Sábado e domingo afofo pessoas no Rio e segunda a afofação paulista continua.

Tá friozinho aqui em Sampa (cerca de 13o., nada comparado com os 3o. que marido tá enfrentando em Porto Alegre, mas aqui é inverno...), mas não tem nada mais aconchegante do que ir seguindo por várias pessoas e encontrar pessoas que te amam de verdade, estão "tri a fim" de ver, te receber, saber da sua vida. A fofura dos abraços, os cabelos recém-curtinhos da minha irmã, os braços firmes da sobrinha, o tempo suspenso da Meiko, o sorriso cansado-feliz da Flávia, massagear as costas do meu irmão. Nada disso tem preço no mundo. Nessas horas, ainda que eu não amasse loucamente o que faço, valeria todo e qualquer sacrifício para poder viajar.
Amizade é um tipo de amor também. E estou para dizer para vocês, que é meu tipo de amor preferido. Que não cansa, não tem medo, nem fim, nem ameaça possível. Claro, mas só quando é de verdade.

Falando nisso, tem gente nessa terra que eu gostaria muito de ver/ter visto, mas que, apesar de eu ter avisado antes e tentar contato insistentemente, simplesmente sumiram sem deixar aviso. Isso me chateia muito. Manda um email e diz: "embolou o meio de campo, não vou conseguir te ver dessa vez, desculpe!" Eu compreendo. Mas fazer eu ficar procurando feito louca sem dar retorno, como diria amada sogra, "non se faz".

Enfim, tá bão. Volto para contar outras coisas.
E ratifico: não teria como estar melhor.

sábado, julho 10, 2010

O inferno são os outros

(Como diria a divina Cláudia, famosa frase de um homem que todo mundo cita, mas ninguém leu. Eu inclusive.)

Só porque nessa madrugada fiquei pensando que nesses tempos tão líquidos de medo, acomodação e egoísmo, a amizade humana caminha na beira do precipício do impossível. O dedo apontado é gatilho mais fácil que o diálogo.
Aí me bateu uma dúvida.

Nesse contexto, o que é mais comum:

- Acusar, julgar e executar no outro tudo que o instabiliza no seu ponto de conforto.

OU

- Cobrar comportamentos (em geral, incondicionais)do outro que você nunca foi capaz de ter/oferecer?

Qual sua opinião? Qual será o segredo de tostines?

sexta-feira, julho 09, 2010

Menos de um artigo... - hinos de louvor rumo às férias

Menos de um artigo
Menos de um artigo
Pare um pouquinho, twitte um pouquinho...
Menos de um artigo

Menos de um artigo
Menos de um artigo
Pare um pouquinho, blogue um pouquinho...
Menos de um artigo...

quarta-feira, julho 07, 2010

Cinco bailarinas brasileiras fonte de inspiração?

Pelo tipo de pergunta, imagino que seja apenas da DV, né?
Entonces (ordem aleatória):

Daiane RIbeiro
Karina Iman
Viviane Amaral
Samya Ju
Luana Mello

Na dança cigana, no Brasil pelo menos, minhas referências continuam sendo Sayonara Linhares e Caroline Klipel.

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segunda-feira, julho 05, 2010

Correria

Eu para sumir não pago imposto, né? Pois então.
É que estou me preparando para partir para a Paulicéia. (Que língua do P dos infernos!!!) Para tanto, preciso terminar os infindáveis artiguinhos que mantém minha bolsa CAPES na conta. Portanto, corro. Portanto, não escrevo.
Tenho um post para escrever sobre o fim do meu bar preferido que já tá ficando histórico.
Um post sobre marido. Um post sobre mim. Tudo na cachola.
Sem tempo.

Mas eu volto. E vê se não deixam meu formspring tão às moscas, né? Ele é curtinho, dá tempo de eu responder.

Beijocas gerais!

terça-feira, junho 29, 2010

Sobre a festa de aniversário mais bacana da história

aqui.

Porque eu não queria escrever dois posts sobre o mesmo assunto.
Porque eu não consigo inserir vídeos nessa bagaça do meu computador.
E porque minhas amigas são as melhores.

sábado, junho 12, 2010

Felinidade


Uma gata na cadeira, pelugem preta com olhar lânguido, de onde corre o fio suave de um amor espesso como mel. A gata me olha e eu me olho por dentro, a gata me ama e amando a gata eu me amo, seu outro tempo me transporta para eu desacelerar. Gato é espelho ativo e não virtual. O didentro do gato é uma enzima espiritual com intenção.

Mas além de olhar, o felino pode atuar como os bebês e tocar diretamente. Dormir nas tuas costas e ligar o "vibrar". Uma bolinha de pêlos ronronando na tua pele é mais eficiente que uma banheira de hidromassagem para dissipar tensões emocionais e acadêmicas.
Uma gata-menina te olha, te cutuca, mia fininho, te chama a atenção para um outro mundo. Pula, rola, puxa com a patinha, exige teu carinho. E te leva. Caroll se enganou: são os gatos, e não os coelhos, a chave para o País das Maravilhas. Cortázar já sabia. Murakami também.
Aí te deixa umas cicatrizes, que te levam de voltam ao mundo dos humanos e te lembram: a vida não é inofensiva, mas é muito boa.

Gatos te namoram como voluptuosas damas, te brincam como crianças e gatos podem ser magos. Eles te olham/ desvendam/ escaneiam. E se tu passares no teste, talvez eles te adotem. Um gato te ajuda, mas não quando tu queres- só no exato momento/ lugar/ modo que precisas. Eles são muito ocupados transformando energias, protegendo lugares e brincando para transmutarem tudo isso para ficarem satisfazendo teu capricho humano de atenção. Um gato não tem tempo a perder.
Parece que bailarinas gostam de gatos. Mentira. Bailarinas tomam aulas com eles. Gatos são estéticos, objetos de arte em movimento, são a essência de nossa arte. A mais exímia dançarina mal chega aos pés da leveza e da graça que um gato gordo, velho e caolho consegue ter ao beber água...
O povo comenta que todas as feiticeiras têm gatos e então se sabe que eles não entendem nada. Ninguém tem um gato. O bichano te adota ou não, ponto pacífico. E se tu fores mal intencionado, talvez tenhas a sorte de ser ignorado por eles - porque eu tenho pena de quem eles atacam.
Mas como eu dizia, feiticeiros não tem gatos. Na verdade, os gatos são os mecenas energéticos de qualquer bruxo. Energia que cura, que permite a eles atuar no mundo, que os bota em pé de novo. Não se iludam com a aparência de sono preguiçoso.

Por isso, como aprendi a feminilidade um dia, hoje sou aprendiz de felinidade. E essa é minha homenagem aos meus pequenos mestres.

segunda-feira, junho 07, 2010

Rápidas observações sobre astrologia e migo mesma

Entonces, comecei a pegar os mapas de uns amigos para fazer. Não tô numa de tirar uns trocos não, tenho consciência da minha condição de astróloga de meia-pataca. Faço só para eles pegarem o gosto e depois procurarem um astrólogo de verdade. Porque é uma delícia e relaxa. E porque é um meio muito legal de se conhecer.

O mais divertido é que marido entra na brincadeira, ele sabe mais do que eu (sobre o que raios nesse mundo ele não sabe mais do que eu?) e tem as bibliografias, fica me ajudando. Agora cismamos de fazer os mapas da família dele, a mãe mais os seis irmãos. Vai dar uma trabalheira insana, mas vai ser divertido. Fiz o da minha mãe ontem e fiquei de espinha gelada. Enfim.

Falando em auto-conhecimento, tô levando esse negócio a sério barbaridade, exatamente como minha primeira astróloga (saudosa Wanda, feliz esteja na dimensão que estiver!) disse que eu deveria fazer se quisesse que minha vida seguisse o rumo certo de alguma maneira. Sol na casa 1, quase todos os planetas nos dois primeiros quadrantes (do inconsciente). Essas coisas. Está sendo muito legal, pena que é impossível se aprofundar nesses lances num blog público.

Para terminar, hoje foi aniversário da amada Daiane Ribeiro e eu fui. Fui e dancei. Nenhuma das alunas quis dançar, mas eu ganhei uma cara de pau a toda prova e fui lá e dancei num restaurante cheio de gente que não era convidada e dane-se. Não, não tinha ensaiado, nem preparado. Nem mesmo estudado - não estudo música árabe há tempos. A música era do CD da Daiane, uma ghawazee com rababa que eu conhecia vagamente. Figurino - galabia e botas, roupa que eu uso pra sair normalmente. Cobertinha da cabeça aos pés. ^^ Minha única preparação foi passar o batom de novo e amarrar um lenço no quadril. Só.
Quer saber? Foi ótimo.
Se eu dancei bem? Não faço idéia, não vi o vídeo. Mas eu senti prazer dançando. Eu não estava envergonhada. Eu não me auto-critiquei. Eu não tive a sensação de estar fazendo o mesmo movimento por séculos. Eu não me acelerei. Eu simplesmente dancei porque sou livre para isso. E me sinto cada vez mais confortável dentro da minha pele. E devo repetir muitas vezes.
Feedback? Bom a profe não disse nem uma palavra, então não deve ter sido nenhum prodígio técnico. As amigas elogiaram, o que é relativamente normal. A dona libanesa do restaurante também elogiou, perguntou se eu era professora e tals. Claro que pode ser papo para conquistar simpatia de cliente, né? Eles são cultural e secularmente muito bons nisso. Ela disse que eu dançava como uma egípicia. E eu fiquei me perguntando se, vindo de uma libanesa, isso era realmente um elogio...rsrs
Quando e se vier o vídeo, eu posto no wordpress. Seja qual for o resultado, para mim foi um avanço.
E boa noite porque amanhã eu tenho um milhão de coisas pra fazer!

sexta-feira, junho 04, 2010

Todos cantam sua terra

Era o título de um dos "Poemas no Ônibus" no veículo me trouxe de volta da livraria Cultura, hoje à tarde.

Imediatamente me veio à cabeça: "Menos os ciganos, que preferem cantar sua liberdade!"

Como é fácil a gente se afeiçoar a uma cultura não imperialista e sem laços, né?

quinta-feira, junho 03, 2010

Um mundo rigoroso

Sim, esta postagem parecerá babaca para muitos de vocês, hermética para outros tantos.
Nem por isso posso deixar de escrevê-la.

Estamos num mundo de energia. Não, isso não é mistíco. Isso é física pura. Pergunte para quem realmente entende. Não para o seu filho da oitava série que venceu a maratona de física, mas para um mestre ou doutor no negócio, de preferência que estude partículas subatômicas. E os espaços entre elas, que constitui cerca de 99,9% do que a gente chama de universo. Falo sério, pode botar no Google se quiser.

Enfim, num mundo que é feito de tanta coisa que não é matéria, desculpas e argumentações não são muito eficientes. É um mundo de ação - e reação. Não é uma situação onde ficar argumentando o que é certo ou errado - que no fundo, você sabe, sempre sabemos - ou os motivos que você teve para deixar de fazer algo por si mesmo ou para fazer algo que prejudicou alguém de alguma maneira não valem quase nada. O que vai é o que volta, por isso é interessante que você queira para você o que joga por aí. Parece moral cristã, mas é muito mais amplo do que isso.

Sua racionalidade pode até querer chamar isso de fanatismo. Mas a verdade é que isso tem pouco ou nada a ver com religião. Tem mais a ver com os anos que a gente passa na Terra, se observa bem ao redor. Muitos preferem passar seu tempo entorpecidos e não ver nada, claro.
Costumo dizer, para os íntimos, que é mais ou menos como a lei da gravidade. Não importa o nome que você dê ou se prefere não acreditar nela. Você não vai dançar de ponta-cabeça no forro do mesmo jeito.

Porque estou postando isso aqui? Porque sim, porque o blog é meu, oras.
E também porque pode ser útil para alguém.
Não que eu queira convencer alguém de alguma coisa. Se fosse isso, saía pela rua pregando. Só entra aqui quem me (re)conhece.

E olha, não adianta vir com: ih, sou todo errado, já fiz um monte de bosta, tô fudido. Realmente - e os árabes tinham um ditado excelente para isso, que agora me foge - ninguém tem poder de mudar o passado. Mas o que você vai fazer no segundo que tá vindo aí, olha, você continuou lendo e já passou, é inteiramente da sua conta.
Consciência de si mesmo nunca é perda de tempo. Porque com as consequências vamos arcar de qualquer maneira, o contrato onde está a clausula dizendo que só funciona se você acredita não existe. Eu, particularmente, não ganho nem perco nada se você acredita ou não, se testa ou não, se observa ou não.

Eu só estou velha demais para não dizer o que penso.

Excelente feriado a todos!

domingo, maio 30, 2010

Não deixe o Formspring morrer...

... não deixe o Formspring acabar...
Me faz uma pergunta, vai?

quarta-feira, maio 26, 2010

Maldita seja a Claro por todo o sempre!

Houve um tempo muito distante em que meu celular Claro pegava em todos os lugares, inclusive na praia e na serra, onde os dos amigos de outras operadoras morriam... Mas hoje em dia!
Marido diz que parcialmente é culpa do meu modelo "novo" (MotoKRZR K1), mas honestamente duvido que seja só isso.
Fato 1: Eu perco sinal o tempo todo, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé. E sim, dentro do meu apartamento também.
Fato 2: Eu não sei porque merda do plano ou que outra porra, não importa quantos milhões de créditos eu tenha no celular, ele jamais me permite realizar ligações interurbanas (coisa que eu fazia tranquilamente há um ano atrás, como o mesmíssimo plano), alegando que "não há créditos suficientes para completar essa ligação". Coisa que há quatro anos atrás eu conseguia fazer com R$ 2,00, no pré-pago! (Lembrem-se que eu praticamente vivo em duas cidades diferentes!)
Fato 3: Ele não completa mais da metade das ligações feitas de outra cidade quando estou em roaming! O detalhe é que eu estudo em Santa Maria e passo metade da semana em roaming, só podendo me comunicar por torpedo. E eles nem tem a decência de me comunicar que pessoa X tentou ligar.

E hoje foi o cúmulo do absurdo. Ontem mandei um torpedo para meu amantíssimo professor de derbake para confirmar a aula de hoje. Daí que não houve resposta. Imaginei que, ou ele não tinha recebido, ou não tinha podido responder, ou não poderia dar aula. Então, uma hora e meia antes do que seria o início da aula, mandei outro torpedo dizendo que eu havia concluído que nosso encontro tinha ficado para a próxima semana e desejando bom finde.
Aí ele respondeu que tinha, sim, mandado um torpedo confirmando! Caralho de operadora que nem pra entregar torpedo serve! Aí fiquei preocupada, porque o moço mora lá onde Judas perdeu as cuecas e achei sacanagem ele ir mais cedo para o Centro para não me encontrar. Então peguei o telefone para ligar para ele e dizer que ia sim, mas ia atrasar um pouco, se tudo bem. Liguei, a ligação cortou. Tinha caído o sinal. Esperei voltar quase cinco minutos, nada.
Então tive a brilhante idéia de ir até o corredor do prédio - às vezes funciona, botar no corredor ou da janela, mas não queria ficar falando dependurada do quarto andar - daí que fui. E acabei fondo. A gata tentou escapar pela fresta da porta, que eu bati num impulso. Aí danou-se! Presa do lado de fora do apartamento, de havaianas, um vestido indiano todo rasgado/manchado/fodido que eu uso para dormir e tingir cabelo e uma parca com um descosturado de cinquenta centímetros embaixo do braço esquerdo. Ok, eu não devia andar tão relaxada dentro de casa. Ok, eu parecia uma homeless. Que fazer?
Peguei o celular para encher o saco de marido, que estava no caminho entre um trabalho e outro. QUEDÊ SINAL???
Desci para a área comum, com alguma esperança. Esperei quase dez minutos e nada!!! Desliguei, tirei o chip, esfreguei como me ensinaram na época que eu era a encarregada disso no escritório. Nada. Tive a brilhante idéia de ligar a cobrar pro marido do orelhão da portaria (olhando pra baixo, rezando para não encontrar nenhum conhecido) e fui informada pela moça da OI que o telefone dele não estava programado para receber esse tipo de chamada - que eu faço o tempo todo. (Antes que eu esqueça, moços da OI, vão todos tomar no eu também!!!)
Aí, milagrosamente, o sinal voltou. Liguei para marido que pegou um taxi e veio me resgatar. Liguei para o profe, que por sorte ainda não tinha saído de casa. Enfim, tudo mais ou menos ok.

Voltando de Santa Maria vou passar na loja da Claro e esbofetear pessoas até resolverem meu problema. Se não resolverem eu troco de operadora e vou esbofetear outros funcionários. Porque na real, não existe mesmo muita alternativa para usuários de telefonia móvel no Brasil. Merde!!!

domingo, maio 23, 2010

Enquanto isso, no auditório do prédio de Letras...

A palestra era lida e sobre um assunto nada fundamental para nenhuma de nós. Quinze páginas lidas len-ta-men-te. O horário tardio. Jogo do Inter por começar. O tédio grassa.
Aí eu me saí com uma das soluções antitédio do tempo da USP: texto "surrealista". Escreve uma primeira frase esdrúxula, passa pro próximo do grupo e vai completando. Claro que os assuntos pessoais acabaram tomando conta e o negócio foi ficando cada vez menos surreal e cada vez mais voltado para os incômodos sobre a vida acadêmica e com a palestra.
Deu nisso aí. Um clássico da literatura de canto de caderno. Mas antes de você ler isso tudo, se é que você não é de nosso grupo e ainda se dispõe, é importante que você saiba:

1) Tínhamos todas acabado de ler uma versão em e-book de "O Rei de Havana" de Pedro Juan Gutierrez, onde há muita linguagem chula. Por um problema de digitalização, toda vez que aparecia a palavra "cu", vinha grafado "eu". Logo pegou a moda de mandar tomar no "eu" entre os alunos.
2) A palestra, sobre um ciclo de livros angolanos de Pepetela, abordava entre outras uma obra chamada "A Chana", que parece que é uma região de lá, enfim. Na minha terra, a palavra significa outra cousa.
3) O prof. X é o organizador desse ciclo interminável de palestras a que vamos obrigadas pelas normas da CAPES. Nem elas (as palestras), nem o professor, primam pela busca de assuntos relevantes para nossas pesquisas, nem pelo desenvolvimento agradável e jamais pelo senso de humor.
4) Estávamos em seis. Não revelo os nomes nem sob tortura. Não sei editar essa merda em cor, portanto vou usar negrito e itálico para diferenciar autorias, mas, claro, não significa que todas os trechos em negrito, por exemplo, sejam da mesma pessoa.

Então vai:

O padre se chocou com a porca imagem. A cruz caiu do céu vermelho. Eu estou sentada no banco traseiro do carro comendo amendoim. Vou tomar um porre de utopias. Ponto final escuro e branco. Uma árvore muito balançada fortalece as raízes. Sigo viagem até Tupanciretã, com medo do que posso encontrar. Mas finalmente vou conseguir comprar minha vaquinha verde! Estou com medo que a "Chana" tome forma humana e me engula. Tomou chá preto e se suicidou com bolachinhas rosa pink. Foi ler uma Havana povoada loca da Marcia. Tem que ser ninja! Já vou tarde porque acordei ontem e hoje estou dormindo! E se dormir vou sonhar com Reynaldo e sua poderosa pica de 22 cm. Que prometeu vir pro Brasil e virar "el rey de Santa". Que livro é esse que não li e que voz é essa que faz eco na minha cabeça oca. Uma narrativa bêbada. Só se eu colocar o copo de vinho na frente da TV para ver Édipo Rei. E dormir e esquecer do mundo, ô vontade! Subjetividade é eu assumir o relativo e o subjetivo e resolver dar o meu "eu" para o mundo. Dar o "eu" para o mundo é importante, pois feliz é quem dá com alegria. Jesus disse: "-Quem dá, RECEBE!" Cansada, cansada, meu "eu" usado assim sem dó nem piedade. Eu não quero falar de um "eu" que anda em desuso. Se o uso fosse mais usado o desuso valorizaria a casa de cãmbio. Não estou pensando nesse elo perdido porque a dor maior é não poder chorar quando não se quer ouvir bobagens. O fato é que a palestra sobre os umbundos e quimbundos deixa os pós-graduandos furibundos. E vou-me embora para Tupanciretã... Mas a saudade maior é da fronteira... E Rivera e seus perfumes me esperam. Vamos suprir as carências num impulso consumista, pois o inferno são os outros, e não há saída, muito menos para uma libriana sensível. Ou para uma geminiana confusa, que mantém seu cérebro transitando por todos os paraísos artificiais e infernos reais possíveis - qualquer deslocamento que permita alguma salvação da morte pelo tédio. Mas o maior tédio sde uma mestranda são as quintas-feiraas... loooongas quintas-feiras! Porque nesta vida tudo passa, até a uva passa, mas as tarefas de produtividade da CAPES não passam. Se estamos falando de simbólico simplesmente não saímos da superfície e superfície macia só a minha cama agora. Agora nem cama nem jogo do Inter; é esse o motivo da expressão de desalento do X.: o jogo está para iniciar e os compromissos acadêmicos o prendem numa sala morna e translúcida. Eu conhecia CHANA como apelido do órgão sexual feminino. Só podia ser coisa de uma doutora que foi aluna do Costa Lima e que tem a boca invertida. Se eu fosse um "Kamundongo" eu não entraria nesse buraco embora tivesse um nariz enorme. Porque o Kamundongo sabe que a boca está no campo simbólico da Chana invertida. MAS NÃO ESQUEÇAM... A Chana é árida e Agostinho Neto é o Rei de Angola... Mas o maior problema na academia é a falta de Panga. Agora a Chana está aberta e inóspita então! E ela é real, não se esqueçam, pois o guerrilheiro se encontrou com ela, e viu estrelas no céu. Mas aqui não há um Rei real, apenas representação.. Os "Eus" são apenas abstração nessa Pós. E como aqui tudo é abstrato, vou-me embora para Pasárgada. Lá tenho o homem que eu quero, na cama que escolherei, uma cama concreta com um ser concreto. Liberar o "eu" de seu desuso absurdo. Também estou louca para sair de dentro da Chana e ir para minha casa, desarticulada e desalojada. Vida de mestrando é difícil, é difícil como o que... Como um mbambi dentro da Chana! Ninguém conhece Marx mas o sólido que se desmancha é sempre citado, parece que ele só disse isso. E depois dessa: "Tchau, I have to go now, I have to go now!" Falar em jogos de futebol, Tupanciretâ (obs: cidade natal do prof. X.) se representa de camisa vermelha! E o Professor pensa: "- O Inter está entrando em campo." "Digo, na Chana!" Ele tenta se concentrar, mas tá foda. Nesse momento cantamos: "não posso ficar nem mais um minuto com você..." E vou exilar-me em Luanda, depois me perguntem como foi. Vai ficar com o Malongo! Vai que o Malongo é bem dotado e se torna "O Rei de Angola"? E joga futebol só que não joga no Inter que vai jogar daqui a pouco. E o X. não vai ver! Isso é pelas torturas de 5a. de manhã! (obs: as aulas) CASTIGO! E o mais impressionante é o efeito Lacto-Purga que essa abstinência futebolística terá sobre ele! Tentando entender porque meu pensamento não processa e mesmo assim estou aqui ouvindo tudo que cai na profundidade e no vago do meu cérebro. Porque todos os valores são relativos à exceção da bolsa CAPES e da pressão do orientador. A academia é o lar dos absurdos. E o pior que nem bolsa tenho, só um orientador mala que inventa BOBAGENS MENSAIS! Palestra mensal é pior que menstruação e "epílago". Bom, acabou.

sábado, maio 22, 2010

Para uma criatura de matéria onírica

Moça do mundo dos sonhos, entenda.
Desse mundo a gente não se desilude porque os humanos não feitos da matéria da ilusão.
Seres humanos são cheios de defeitos e fedem humanidade.
Se conseguires se acostumar ao fedor talvez encontres alguma diversão nisso tudo.

Fada de olhos perdidos, não desista.
Porque mais do que tu possas precisar da matéria da terra, nós precisamos da sua para que esse mundo não nos afunde em tanta lama.
Precisamos do teu sorriso para entender o mundo fora da carne.
Da tua sensibilidade para não esquecermos de que o mundo não precisa ser só isso.

Criança moldada ninfa, se fortaleça.
Nem que para isso tenhas de roubar a essência de meus tantos calos para formar uma capa protetora.
Que te insensibilize contra a falta de sensibilidade, a falta de caráter. O excesso de desejo, a falta de coragem, o excesso de humanidade. Contra a cegueira do mundo, as doenças medonhas e os vícios funestos.
Se fortaleça e siga, porque não queremos tuas lágrimas. Porque nos alimentamos de tua alegria. Porque precisamos de ti.
E eu preciso.

quarta-feira, maio 12, 2010

O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído

Cena pitoresca que protagonizei no centro de Porto Alegre hoje.
Estava voltando da terapeuta com a minha mãe e ia embarcando no São Manoel. Fui dar licença para um cidadão, porque minha mãe sobe beeeem devagarzinho. Ele "gentilmente" largou um "Pode passar primeiro com a avozinha."
Tá, lá fui eu. Tive a sensação de sentir um movimento brusco do meu lado mas estava ocupada demais içando minha mãe ônibus acima quando outro senhor, que estava já dentro do ônibus, me informou: "Ele pegou seu celular de dentro da bolsa, vai atrás dele." E lá ia mesmo o cara se afastando, sorrateiro. Murmurei um "deixa pra lá" da mais pura preguiça. O cidadão insistiu: "Vai lá que você ainda pega!"
Olhei pro cara e, realmente, ele não estava correndo, até porque estava chegando perto dos 60. E me lembrei que aquele celular nem era meu, era da minha mãe, que eu tinha esquecido o meu em casa.
Mandei mamãe esperar e lá fui eu. Não sabia muito bem o que ia fazer, mas fui. Foi fácil alcançá-lo (creio que ele jamais sonhou que eu fosse atrás) e quando alcancei dei a sorte de pegar ele no pulo, oferecendo o celular para outro cara.
Na falta de idéia melhor, brandi meu recém-adquirido guarda-chuva amarelo Oxum bem alto e gritei com a melhor cara de má que sei fazer: "Devolve!" Neguinho ficou branco. "E.. eu... tava no chão..."
"Não perguntei."
Catei o celular e me fui em direção ao ônibus, que ainda deu tempo de pegar. Os passageiros estavam tão espantados quanto o ladrãozinho de galinha. E quando eu sentei, depois de todo o exercício de passar a roleta com mamãe, não pude deixar de dar risada da minha absoluta falta de juízo.

Tem dia em que geminiano devia ser proibido de sair na rua.

terça-feira, maio 04, 2010

Desabafo breve de uma pós-graduanda

Após uma palestra profundamente enfadonha, sobre um tema sobremaneira interessante, mas tratado apenas no que tinha de mais irrelevante, tornada praticamente obrigatória pelos esquemas de pontos da CAPES:

"Vou virar prostituta. Porque puta se prostitui menos. Prefiram que me fodam o rabo do que me fodam os ouvidos desse jeito!!!"

segunda-feira, maio 03, 2010

Auto-importância: um momento de humor

Uma das poucas coisas que eu aprendi na minha perra vida é que nada expõe mais um ser humano ao ridículo que o sentimento de auto-importância. A ilusão de ser especial, único, indispensável em algum processo ou para alguém. Todo mundo é uma bosta, incluindo eu e você.
Como diz meu amantíssimo professor de derbake: "Na verdade, o ser humano é muito burro. Todo mundo é muito burro. Tem uns caras assim como Cristo, Einstein, um tantinho acima da média. Mas o resto é tudo muito burro." Sábias palavras.

Mas aí você circula em meios especializados na Internet e todo mundo enche sua bola. Entra num curso de pós-graduação e as pessoas vem elogiar seu conteúdo e importância. E aí que você esquece as coisas que aprendeu e faz a grande cagada: acredita!!!

O tempo, entretanto, é bom professor.
E então fica claro que você está importunando com sua demência pessoas que jurava estar apoiando ou integrando.
E se toma de pertencimento em grupos que não te pertencem. Que nunca te pertencerão, porque existe um abismo de idéias e de geração.
Aí, de repente, você passa na frente do espelho e vê sua maquiagem de palhaço.

Estou rindo de mim mesma até agora... rsrsrsrsrs

sábado, maio 01, 2010

"O Ganso Selvagem", de Ogai Mori





No distante ano 2000, eu era uma graduanda fascinada por literatura e tradução e louca para começar algum trabalho de verdade. A professora Meiko Shimon, que nunca foi de ignorar uma pulsão por trabalho, me solicitou que fizesse uma primeira versão em português da tradução inglesa (The Wild Geese) de uma obra japonesa do período Meiji, cujo autor não tinha nenhum título em português, além de um conto publicado por ela mesma numa coletânea que só era trabalhada dentro da universidade.

Fui até a biblioteca, encontrei o livro, copiei um exemplar para poder rabiscar à vontade (só sei traduzir assim) e fui para casa achando que teria bastante trabalho por alguns meses.

Mas com a professora Meiko nada é simples, raso, nem rasteiro. Em inúmeras reuniões que duraram cerca de seis anos, comparamos minha tradução linha por linha ao original. Descobrimos a supressão de parágrafos inteiros na versão inglesa e a distorção completa de uma imagem. Pesquisamos na biblioteca nos primeiros anos e no Google, mais tarde, para encontrar os termos perfeitos para termos da arquitetura, do vestuário, da fauna e da flora japonesas. Foi um trabalho intenso, o melhor da minha formação e uma experiência de vida inesquecível, como bem sabem todos que já passaram pelas mãos dessa mulher formidável.

Alguns anos depois conseguimos uma editora que demonstrasse interesse em publicar a obra. Apesar de consagrado no Japão, Ogai não é best seller nem autor mais traduzido. O romance tem um estilo tradicional, minucioso e delicado.

Ambientado na Tóquio do final do século XIX, conta a história de Otama, uma jovem linda, culta e de espírito delicado que, na sua ingenuidade acaba se tornando concubina de um agiota para tirar a si mesma e ao pai. velho e cansado, da miséria. O agiota Suezo não é um homem feio, nem violento. Mas o concubinato com um homem detestado por todos e a quem ela não se uniu por amor, lhe propicia uma vida demasiado vazia de significado - o que vai ficando cada vez mais transparente conforme ela amadurece suas percepções e personalidade no ócio e isolamento de uma mulher que não pode ter amizades íntimas, nem vida social regular, nem o consolo do trabalho duro (ao qual ela se adaptara durante a primeira juventude). O encontro com o jovem e belo estudante Okada une o raciocínio delicado de Otama a uma torrente de emoções e paixões - que resultará numa revolução silenciosa, mas muito concreta.





Agora, dez anos depois, depois da revisão da revisão da revisão, a editora Tessitura está lançando nossa tradução numa caprichada edição bilingüe. Ter o exemplar nas mãos, com meu nome impresso na capa, é uma sensação que ainda não assimilei por completo. Procurem nas livrarias, bibliotecas, com amigos. Leiam. Apreciem. E esses dez anos terão valido plenamente a pena.